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Glossário: underground

keep it underground

Uma clarificação possível da taxinomia que compreende as editoras pela sua dimensão e objecto permite-nos a habitual diferenciação entre mainstream, alternativo e underground. A distinção entre as duas primeiras é facilmente acessivel a qualquer leitor: as "grandes" editoras nacionais promovem uma BD industrial, as pequenas editoras alternativas e associados arty-farty favorecem uma produção semi profissional de manifestos shock-value anti-qq-coisa por reacção às primeiras, ou simplesmente editam o que elas recusam por defeito. É assim óbvio que estes cómicos wanna-be mainstream ocupam aquele espectro editorial que as chancelas mais industriais lhes permitem: as duas bandas desenhadas não se regem por uma relação de concorrência e substituição, antes co-habitam numa sinergia de afinidades onde a industrial assimila a alternativa, assumindo-se esta como antecâmara da primeira. Notemos que -dada a realidade concreta em que nos situamos- não utilizamos o termo banda desenhada comercial em momento algum. Finalmente, os comix underground são aqueles que por definição não estão visíveis ou acessíveis ao público em geral. Mais do que qualquer principio diferenciador como a qualidade da edição ou nº de exemplares, a dualidade visibilidade/acessibilidade distingue as edições underground das edições alternativas, que alvejam alcançar algum grau de sucesso em ambas as condições.

OS POSITIVOS:
banda desenhada alternativa ou underground?

Resposta curta: enquanto leitura, são uma alternativa possível, enquanto filosofia ética, são underground.

actualização
OS P+ estiveram nomeados para um prémio que (a) não deviam ganhar (b) não ganharam (c) não nos comove a mudar uma palavra do que já aqui dissemos.

OS POSITIVOS não são wanna-bes alternativos a wanna-be mainstream. Não fazemos da liberdade de criação um subproduto do mínimo custo financeiro, não queremos elevar a BD nos seus próprios termos, não queremos marcar presença em festivais de BDs ou fanzines que festejem BDs ou fanzines per se. O criador dOS POSITIVOS nada tem a dizer a outros autores ou editores de BD ou fanzines per se, nada lhes deve e pouco os relaciona. Não alegamos um desprendimento de um reconhecimento público ou ovação geral queremos-agradecer-a-deus-e-a-todos-aqueles-que-sempre-acreditaram, antes pelo contrário desejamos que OS POSITIVOS sejam monumentalmente ignorados pelas massas em geral ou o seu propósito seria esvaziado de valor. Não queremos e não reclamamos nenhuma intervenção no panorama bedéfilo deste país, e congratulamo-nos pela literatura oficial que compreende os anos de actividade dOS POSITIVOS não registar qualquer prova da nossa existência, mesmo entre aqueles que se debruçam por áreas mais próximas do fanzine BD underground (ver por exemplo Farrajota 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, etc, Dossier Bedeteca e Blogzine da Chili com Carne). A invisibilidade dos P+ no que concerne aos fanzines cómicos nacionais é-nos motivo de satisfação porque dificilmente poderíamos acusar os intervenientes habitués da BD nacional nos últimos vinte anos de nada conseguirem fazer desta se nos incluíssemos nesse grupo (1).

"You’re nobody until somebody hates you, and if you don’t believe that … well, enjoy your cute little hobby, kid. Going pro takes a thicker skin."

www.tcj.com/the-19-best-comics-of-2012

(1) Apesar da sua intensa actividade fanzinesca de 1997/1998, da sua fase mais esporádica de 1999 a 2009, e da publicação constante desde então (quatro [D]ejected em 2009, um Roadtrip em 2010, 2011 e 2012, o retorno dos [D] em 2013, e a edição dos primeiros zines de BD em 2014 com os Rewilding I, II e III e a compilação on BEING NEGATIVE), uma consulta rápida pelas listagens oficiais dos guardiões da linhagem para todos esses anos não inclui qualquer menção aos P+. E este é o perigo dos especialistas: a sua aparente autoridade explode no momento que as suas escolhas subjectivas são confrontadas com factos reais, obrigando todos os interessados a descartar os seus escritos. Bem hajam.

Quando OS POSITIVOS não são uma expiação de merdas pessoais, querem-se uma BD de e para uma cultura de militância e intervenção na linha de um Sabotage, a comic zine about the fine art of hunt sabotage. Na crítica ao ROADTRIP#1 no blog LER BD (circa 2010...) escrevemos um long post sobre OS POSITIVOS. Com as devidas considerações pelo contexto, podem lê-lo como o “sobre” oficial para turista ver:

OS POSITIVOS (P+) não são a típica bd de fanzine.

Os P+ só mesmo por desconhecimento de causa se assumiram como fanzine: se na década passada tivesse tido o cuidado (ou sequer o interesse) de pesquisar, teria utilizado outro termo para descrever as mal agrafadas fotocópias onde se reuniram pela primeira vez, em vez do “magazine” de “fã”. Não sei como concatenar os termos mas teria feito mais sentido apresentar ao mundo os P+ como um “panfleto” de “puberdade”. Poderá parecer mesquinho, mas é na diferença que vai entre um puberpan (inventei) e um fanzine que OS POSITIVOS moldaram a sua personalidade. Peço que leiam esse parágrafo novamente, a apreensão do fosso que separa essas duas realidades é fundamental para compreender os P+.

Para melhor entenderem o objecto em análise, permitam-me que o decomponha nas suas duas vertentes: banda desenhada e militância dos direitos dos animais. Os P+ sempre sempre viveram entre estes dois mundos: tiveram a origem que tiveram, terão sempre uma grande carga pessoal, pautada por um forte realismo (confundido com “pessimismo”e dai o título “OS POSITIVOS”), mas são ao mesmo tempo um objecto virado para fora, apenas não para todos. E este é o segundo aspecto a reter: os P+ não pretendem agradar a todos.

BANDA DESENHADA

Não me vou alongar muito sobre o tema, especialmente no covil do lobo! Não tenho a bagagem para suportar o assalto, mas gostava de ajudar a clarificar o campo onde os P+ jogam: no simbólico, quase iconográfico! Se pensarmos na trindade da vida interior, distinção visual e traços expressivos, os P+ têm muito do primeiro, quase nada do segundo e gastam o que lhes resta no terceiro.

OS POSITIVOS não pretendem quebrar o status com pretensões artísticas de reinventar o meio nem o pretendem perpetuar com homenagens a jovens repórteres belgas de oitenta e um anos ou mutantes de aço vindos de outros planetas, mas estão algures a meio, na linha das bds autobiográficas, introspectivas, pessoais.

Pior que a industria que pretendem imitar, os fanzines de inspiração belg-ó-marvel são ainda mais estéreis e desprovidas de alma. Mas as primeiras bds são-me igualmente aborrecidas. Nem as deveríamos considerar banda desenhada e sim ilustrações sequenciais. Ou, no verdadeiro significado da palavra, o tal graphic novel, que sempre me suou [sic] mais a portefólio de designer gráfico com uma máquina fotográfica e tempo livre para o Illustrator, do que a uma boa história de comics. (...mas divago - tenho que ter tento na lingua porque nesta discussão rapidamente caio no flaming e corro o risco da censura. Em jeito de resumo: leiam o [d]ejected #1. - se o Pedro Moura achar relevante esta discussão, tenho muito para me queixar da bd nacional...)

Entre estes dois universos, o da banda desenhada industrial e o da bd alternativa, os P+ são alternativos (mas não tão far-off que caiam no experimental-ó-inócuo) disfarçados da simplicidade do cartoon industrial. Como refere o texto do Pedro Moura, em termos de linguagens esta bd joga a vários níveis e a simbiose bastarda entre o conteúdo “pesado” e o traço “simples” é uma das vertentes que venho a tentar apurar nas histórias. Se quiserem, e se me perdoarem algum excesso, podem pensar nos P+ como um cruzamento do desenho simples do Quino com as histórias ácidas de um Peter Bagge. Ou, como os caracterizam o Pedro, "o estilo de desenhos, a figuração simplificada e sem olhos, a composição de páginas, a utilização de tipos de letra variados recordará mais uma banda desenhada infantil ou de tiras comerciais de jornais (digamos algo desde a Turma da Mônica a Dilberts-Cathys)”. Isto, claro, sendo perfeitamente n-ã-o discutível da minha parte que eu não sou um grande desenhador mas que isso também não vem ao caso.

DIREITOS DOS ANIMAIS

Desde a sua origem que os P+ se cruzam com ambientes anarco-vegetarianos mas esse é apenas um daqueles acidentes felizes de agenda. Se a Igreja Católica defendesse a acção directa como solução prática para acabar o genocídio dos animais, OS POSITIVOS estavam a sair nas newsletters do Vaticano. Caracterizar OS POSITIVOS enquanto anarquistas requer algumas reticencias. Se OS POSITIVOS são anarquistas nos métodos, são-o à falta de melhor. A agenda cruza-se em várias frentes (o racismo, os nazis, o capitalismo) e enquanto vão todos na mesma direcção faz-se a boleia. Mas tal como há punks demasiado punks para serem punks, os P+ não têm uma ideologia específica, apenas várias personagens com muitas opiniões. Sobre os direitos dos animais, como disse, esse é um não tópico para não vegetarianos e afins, por isso não me alongo mais aqui, excepto para dizer que---

--- não se pode compreender OS POSITIVOS sem aceitar que eles não se destinam a uma audiência mainstream.

Tal como não pretendem a “indoctrinação” dos demais como escreve Pedro Moura. Pelo contrário, a atitude dos P+ é que esse barco já partiu à muito tempo e os P+ destinam-se nesse aspecto exclusivamente àqueles que partilham da militância. Nesse aspecto, os P+ são mesmo pós-propaganda. Ao observar que “a vitória dos anarquistas Positivos só é natural por ser deles mesmos o discurso que nos é entregue”, o Pedro Moura está no fundo a reconhecer a estranheza com que muitos leitores mergulham nos P+: de repente confrontam-se com uma nova realidade em que a sua visão do mundo é considerada anormal e minoritária, já que o pensamento predominante não só não o sustenta, como não procura o compromisso ou a sua justificação: imediatamente o ataca o mais desporcionalmente possível. Procurar “uma forma mais equilibrada seria entender as distâncias de inscrição cultural e as circunstâncias que permitem uma maior ou menor circulação cultural, participação educativa e democrática, e procurar soluções de aproximação” é tudo o que OS POSITIVOS por natureza não irão fazer.

Compreendo a conclusão do Pedro Moura quando diz que ”o seu propósito mais profundo vê-se encurralado numa forma de comunicação algo deslocada e paradoxal” mas não concordo. Essa comunicação é intencional e o resultado varia conforme o leitor: uns repelem o discurso, outro reconhecem e entranham.

Follow up: comentário no Ler BD ao [D]EJECTED OMNIBUS e um reply nosso...

Sobre especialistas...

One realizes that it’s not publishing, academia, and critics that will make comics an art form

www.tcj.com/the-seattle-undergound-comics-scene-is-alive-and-oozing
xtra Afinal não estamos sozinhos nisto dos crappy comix!
comix guerrilla warfare: crappy comix [PDF]
"My conviction is that an Art medium works only so long as it is supported by a populist Crap medium."

"I'm arguing that in what is a pop medium, like it or not, you need the "pop" part to sustain it."

"They need stuff that's kind of dumb but also a little bit smart, not particularly adult but not totally juvenile. They need a middle ground somewhere between Utter Shit and Great Art. Otherwise the marginalization will continue, and the genre stuff will turn into modern network TV (i.e. horrible beyond belief) and the good stuff will turn into modern poetry, and we'll all be fucked."
www.tcj.com/a-modest-proposal-more-crap-is-what-we-need

É necessário compreender que o criador dOS POSITIVOS, que entende os P+ enquanto meio para um fim que vai além da BD não deixa de ter uma opinião crítica sobre BD, e encoraja qualquer um a não se deixar intimidar por mandatos de especialistas que exijam respeito pela sua autoridade ou submissão ao seu pretenso conhecimento. Ler:

Sobre críticos, uma classe particular de especialistas.

O crítico cultural profissional - excluímos da seguinte preposição todo e qualquer pulha amador cuja ignorância dos posts com que inquina a webosfera encerra em si a espontaneidade, ligeireza e impetuoso perecer que o acusam na sua irrelevância e consequentemente escusando-se a posterior reflexão –, é tão pulha como o supramencionado ignorante. Apenas, ao contrário desse, persegue essa condição com uma pertinácia profissional.

Mas refreemos as nossas considerações sobre as suas mãezinhas já que a classe certamente terá sido confrontada nas suas pequenezes as mais diversas vezes - má sina ter como objecto de trabalho o produto de mentes criativas –, seguramente de modo mais eloquente que o nosso básico, linear, infantil fuck you.

No entanto, gostaríamos de registar a seguinte alegoria:

Uma aldeia. Todos plantam couves. Um dia, alguém talha num bloco de madeira a jeitos de machadadas toscas e irregulares uma figura. Presto!, momentos depois de surgir o primeiro artista da aldeia, não demora a aparecer o primeiro crítico: "e a estatueta é isto, e aquilo, e segundo a escola de fulano e sicrano"...

A determinação subsequente da moral desta narrativa ilustra a conclusão óbvia de que sem o artista, o crítico estava a plantar couves com o resto da aldeia. O senhor que se segue e debita de seu juízo, por mais erudita que seja a prosa, deverá sempre concluir com a modéstia de um "mas não fosse ele, eu hoje era trolha".

Aceitando a inevitabilidade da miríade de comentadores, jornalistas, agentes culturais, investigadores e críticos que discorrem sobre as obras dos outros, uma possível contextualização do seu discurso deve sempre partir da evidência que perante a opinião de A ou B, apenas clones dos mesmos garantem conformidade às suas vivências e pensamento. Cada individuo é único, cada qual desfruta dos seus próprios gostos.

...mas não queremos que pensem que nos movemos contra a intelligentsia no meio. Não, queremos que tenham a certeza disso.

sellin' out!