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scene report II

Journal for the Advancement of Portuguese Comics 2010-present, Winter, 2012, Issue 4

NOW YOU SCENE ME,
NOW YOU DON'T

Scene Report 2012

You and yo mamma Independent Scholar



Sobre o ano que tudo teve para promover agitações acima da tona de “bedéfilos e coleccionadores” (1).



Uma curta nota.

No revisitar do ano transacto que cada novo ciclo obriga, essa urgência que nos preenche cruza-se à premência de preencher páginas e outros vazios na enumeração de resumos com trajectos feitos, erros cometidos e -considerando a especificidade em caso- objectivos adiados mais ou menos promitentes num horizonte que apenas se revela àqueles que nele quiserem acreditar.

Listas ponderadas, convergências crismadas e divergências marginalizadas, o consenso transformará em sacramento para os que professam desta religião o ano de 2012 como o ano das graças dos mais diversos senhores.

Do “Diário Rasgado” ao “Sobrevida” evidenciam-se uníssonas menções para a espécie rasteira das publicações alternativas, num clamor contagioso de igual ou maior ardência que ambições mais mercantis nos trouxeram “Portugal”,  “Fun House” ou “Persepolis”. O “Mesinha de Cabeceira #23” assegura a sua regular quota-parte de divulgação entre outras efemérides, o incansável Rudolfo bombardeia-nos em todas as suas frentes (destacar uma publicação seria um insulto à voracidade da sua produção), o sangue escorre violeta, e todos nos congratulamos que a crise não tenha encerrado dois festivais de referência - apesar da ameaça duma certa feira entrar no circuito que os Rolling Stones trilham há anos com o seu “ultimo concerto ever”. Etc etc etc: variadas outras peças se destacam - vide o blog noticioso da vossa preferência ou os suplementos de lazer da imprensa mais próxima do réveillon - mas neste reportquestionamos a formulação do enunciado anterior à composição das ditas listas: que méritos impregnam estas obras que justificam o seu cimentar no espectro bedéfilo com a sedutora aura de objecto referencial e bibliografia recomendada?

Exceptuando as traduções de leituras já passadas e do (entretanto) inflacionado álbum franco-português - perdoem-nos os yea-sayers que tão belo momento conseguiram promover, por ventura além do valor natural da obra e assim frustrando as nossas expectativas -, teremos de incorrer neste mesmo parágrafo a uma segunda afronta à caridade dos leitores que ainda suportam a cadência de caracteres que nestas linhas debitamos, confessando que em boa verdade não nos encontramos em posição de ajuizar tais juízos e responder à nossa própria pergunta. Resposta curta: não sei. Não os li.

“Aah!” – coros de yea-says vociferam de punho em riste, rostos vermelhos explodem em plena excitação de inesperada munição nevrálgica ironicamente fornecidas pelo próprio destinatário de vil zombaria!... Mas permitam-nos interromper a prematura deflagração por honra difamada: se alguma dificuldade de interpretação impede a compreensão da presente literatura, encurtemos a mensagem ao feitio do seu leitor: o principal problema da BD nacional? Ninguém a lê. (2)

Permitam-se assim à conclusão deste report:

O ano que expirou produziu algumas das melhores (listas de) edições de BD, equiparáveis ao que de preferível se produziu na saudosa década de 90. São autores, livros, zines, festivais, toda uma dinâmica que inflamam o momento com a promessa de um 2013 ano zero para a BD nacional. E que maior consequência produz o culminar do que de mais recomendável temos para oferecer ao grande público? Podemos categoricamente afirmar que este estará parcialmente ciente que passados vários anos de interregno, os Patinhas voltaram às bancas.


(1) Ana Figueiredo Costa, Expresso, 2012
(2) Fora, claro, os supramencionado bedéfilos e coleccionadores. Mas, numa controversa tese defendida por alguns autores (make a wild guess), "se não é popular, não é BD".

Sobre o ano que tudo teve para promover agitações acima da tona de “bedéfilos e coleccionadores”: yep, that time again...

A whole lotta stuff came out, and tha grownups put on their game. But has it ever was, the comics aren't getting down to ta people. Some people will tell ya it was a good year, the kids couldn't care less. If this stuff is ever gonna get it's chance and get as popular as games, music or film, it's gonna be cuz of dudes like Rudolfo taking it to tha streets, not cuz of the old dinosaurs or the avangard pussy shit. Comics is Portugal 2012: still for tha freaks, tha hardcore and members only.. Tha masses will have ta fuck off for now.

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