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Cidades

Aquela altura do ano. Com as leituras de verão já alinhadas e pouco a deverem aos cómicos vamos cumprir a tradição em fast forward e adiantar essa necessidade para fora do sistema: poucos candidatos possíveis à data, optámos pelo mais óbvio, obra que condensa uns tantos, e há bem pouco tempo estivemos por aqui a propósito de outros tópicos. Porquê procurar mais longe? O putativo período de nojo cumprido – u know, o intervalo de tempo entre os mil e um anúncios de divulgação nas redes e os press releases replicados sem imaginação, o fervilhar de festas de lançamentos e datas em calendário que se sucedem, os likes e as palavras de apoio na caixa de comentário, e o silêncio a que se tudo se resume à posteridade. Para a posteridade, a nossa humilde contribuição à indexação do Google de uma camada acrescida de literatura antes do último reanimar de cadáveres em época de premiações nacionais. OS POSITIVOS: we do our part.

My first aim is for everyone to agree with me and think I’m right. But as that sadly rarely ever seems to happen my second aim is at least to get people to think a little bit more about why they think the things they do because you know – I have a stubborn and persistent belief about how thinking about things is good.
in "Book Club / Deconstructing the Silliness of the Absolutist Morality" 22 jun 2017

Advertência: este é um pódio de discursos ideados, incitado por uma ampla rede de sisudezes precedentes e guiado por um desígnio pedagógico de vias satíricas. Para uma crítica em vulgata devem ler os acólitos de sempre e refrearem-se de prosseguir mais além neste espaço.

Anteriores a qualquer consideração da peça, pressupomos de base:

  1. O irmanar-se do desequilíbrio expectável numa antologia, despachado em parêntesis de rodapé como consequente, não em evidência.
  2. O âmbito da análise restringe-se ao objeto e desconsidera ademais externalidades, contemporaneidades, continuidades e falta delas.

Consequentemente, evidentemente, o parêntesis necessário.

1. O acomodar de diferentes obras num todo coeso é o principal potenciador de um veio condutor de qualquer objecto desta natureza, particularmente quando se assume à cabeça que estes obedecem ao mesmo tema - no caso, "Cidades". Inversamente, a ausência de uma unidade composta evidencia sobretudo o insucesso de propiciar essa dimensão, negando à compilação a sua incumbência máxima e razão de ser.

Considerando a génese, as funções tradicionalmente imputáveis ao "editor" ter-se-ão sumarizado no título da obra e consubstanciado em acto de anuência em equivalente de plenário geral, comprometendo o prefaciador com a tentativa de conciliar o desfecho alcançado - supomos.

Desprovido dessa dimensão, desconfiando da seriação, a antologia é um compêndio de curtas intencionadas que, recorrendo à analogia de Filipe Homem Fonseca, mapa algum cruza.

2. Dos visados, ie. não nos coibiremos das divagações sobre qualquer intrigalhada excitada ao mais ténue estimulo versado – e os que se tentem à denúncia do cinismo da dualidade da preposição fazemos notar que a prática da crítica como esta é hoje acolhida pressupõe que se esparrame sobre a peça em considerações pessoais sem almejar parir qualquer verdade objectiva universal. O próprio exercício surge como uma nova obra repleta de continuidades, contemporaneidade, externalidades, utilizando o seu objecto de estudo como mero substrato.

Joana Afonso

Autora recorrente entre recensões infligidas no passado - Crumbs, Casulo, Sobressaltos...- consegue pela primeira vez numa peça sua fazer-nos crer, por instantes, num vislumbre de emoção sentida. Fugaz, é certo, mas transmite um vestígio de emoção melindrada, uma que não atribuímos ao acto de leitura mas ao momento do seu desenho: somos tentados a crer que o autor se dilui na história tendo-se projectado sobre o protagonista e conseguido assim alcançar a sua BD mais autêntica que lhe conhecemos. Esta é, obviamente, apenas uma projecção nossa – desconhecemos da vida pessoal dos autores ou seus dramas em bagagem- mas não invalida que o alcance da sugestão conseguida mereça o louvor.

Hélas, o resultado é agridoce. Pontua a uma escala inaudita para a autora em (impressão de) autenticidade, mas fá-lo em detrimento da sua assinatura clássica: a constância do seu estilo.

Pela primeira vez acusamos algum cansaço deste, talvez, justamente, porque embalada pelo investido no argumento tenha secundado o seu suporte visual – a confirmar-se essa permissividade à técnica (*), mais seguros ficamos que a autora se movia por outros desígnios, ie, a catarse, não o objecto.

* Exemplo: o final da página 19: mau enquadramento, má perspectiva, mau planeamento? Ou, simplesmente, outras prioridades + who gives a flyin’ fuck? Been there.

Inovação mais que bem-vinda quando já antes notámos que a autora possui um estilo gráfico muito próprio mas desprovido de um sentir real que o pulse acima do mero exercício visual – competente, mas estéril de emoções além das confiadas a estruturas narrativas previsíveis. Senhora de um traço que não nos suscita reservas e com competências provadas no work-for-hire, o reverso da sua aptidão gráfica revê-se justamente na ausência de uma voz própria. A multiplicidade de histórias desconexas que se somam no seu currículo sob o mesmo registo parecem desbaratar a sua força: obviamente apreciamos-lhe a elasticidade mas a ausência de um fim condutor identificável e sobretudo pessoal que os atravesse esvaziam-lhe o nosso investimento nas suas histórias.

E, claro, a pesar contra a história, apesar do evidente underdog ao qual devemos a nossa simpatia – aquilo dos recursos narrativos que se adivinham-, nOS POSITIVOS estamos a torcer pela freak dos direitos dos animais: está no nosso tagline. O pãozinho sem sal nunca teve hipótese.

João Tércio

O seu "Março Anormal" granjeia-lhe posição cativa no panteão de referências nacionais entre OS POSITIVOS. Hélas, além de um lugar de culto e homenagem a todos os deuses, o significado alternativo deste enuncia-o como "edifício consagrado à memória das pessoas ilustres e onde se depositam os seus restos mortais", e não estamos seguros de qual o sentido que guia o resto do nosso texto.

Reconhecível de traço como Joana Afonso, mais económico neste mas talvez mais maleável onde supercharges no cartoon, permite-se a um abstracionismo que favorece o uso de artifícios e soluções gráficas sem a sujeição ao grau de detalhe que implica a autora anterior. Também não o implica uma extrema coerência de texto: o leitor voluntariamente preenche as lacunas deste, ausências que não se equipararam a falhas per se mas plausíveis pelo tipo de discurso concebido.

Totalizado, o abstracionismo, artificialismo, cartoon, discurso codificado em acelerado e corte a frio sem cuidados de justificações maiores, promove um registo gráfico predominantemente, aparentemente, repetitivo e indolente.

Not in a bad way, ie: a repetição é uma técnica meritória quando intencional e trabalhada com mestria, a sugestão de simplicidade é, como os bons designers poderão atestar, dos enunciados mais difíceis de conseguir: dois expedientes estilísticos que não serão estranhos a João Tércio. Mas hesitamos onde pende na escala da repetição preguiçosa este seu trabalho, dependendo da sua intencionalidade: de suporte à execução da história, ou apenas à sua conclusão? Com um argumento perfeitamente exequível e maximizável pelas mais-valias que se servem nessa solução o autor parece apoia-se na opção lógica, formalmente. Infelizmente, fica-nos a impressão que essa execução foi apenas subserviente à mais rápida conclusão da história, não ao seu suporte.

Dileydi Florez

Sobretudo, transpira a sinceridade.

Quiçá, à razão do registo em forma de diário. Pequenas pistas, como a abreviação da companheira de tão mundanas aventuras à sua inicial reforçam a sugestão. Um recurso de ocultação que sugere um fundo de autenticidade, semelhante ao utilizado por JA quando se contorce em ginástica visual para esconder escolhas que se revelam sem importância.

Hélas--- a história não nos suscita comentários. Constitui parte de um corpo crescente de literatura que preenche um continuum, uma onda que esmorece chegada à praia e de si nada resta: é sem qualquer recordação ou lamento que já desviámos a nossa atenção para a próxima vaga que se aproxima. Perfeitamente enquadrável numa corrente de banda desenhada descomprometida que encontra no feminino os seus principais praticantes e nas trivialidades do quotidiano o seu tema - pouco dado a ficções sci-fi ou fantasias de violência que os seus homónimos no masculino tendem a privilegiar – a sua leitura não é uma ofensa aos sentidos nem uma perda do tempo despendido, mas igualmente sem motivos que convidem ao reviver da sorte das nossas protagonistas. Sem segundas leituras, temos dificuldade em problematizar a intenção de uma obra que se apresenta tão evidente.

Forcemos então: além do verosímil, deambulemos em efabulações, divaguemos em delírios – um exercício que nos é fácil.

Nessa assunção, "pequenas pistas" dá o mote à impressão prevalecente de toda a peça, uma que, certamente, apesar da sua aparente inocuidade e de tratar daquele dos mais dispensáveis dos temas – artsy-farsty -, esconde uma velada crítica à vigilância do Estado e perda de privacidade. É possível refazer os passos da autora, traçar o seu percurso, cruzar datas, e agradecendo à parafernália burocrática do Estado talvez até recolher o NIF da autora dos recibos na Gulbenkian e Culturgest entre fevereiro a maio, e com algum reverse engineering ir mais além dos seus hábitos de compras e viagens num qualquer intervalo de dias. Mas sobretudo, filtrada e identificada, na posse dos seus dados pessoais consegue-se o santo graal: o telemóvel. Um mandado judicial depois este está desbloqueado e a identidade da misteriosa "I" revelada. Indiscutivelmente, o jogo que a autora nos propõe. Um que complementamos com a nossa advertência aos punx sobre privacidade na era da internet: numa palavra, Facebook. Mesma coisa, talvez mais rápido, dispensa a autoridade para requerer dados ou imaginação para os agregar e 100% baseado em informação que os seus utilizadores tão voluntariosamente querem partilhar com o mundo.

Slide para comparações:

Certamente a projectar sobre a peça outras leituras... Who’s to say? Meninos revertem para distopias sci-fi quando lhes dão a ler girly diaries.

Gonçalo Duarte

Projeção prematura porque não precisamos de ir mais longe do que o sucedâneo de Dileydi Florez, Gonçalo Duarte para regressarmos as doses maciças de abstracto simbólico recortado e acelerado acrescido da dimensão político-social insinuado de submundos criminais, delinquências e distopias tecnológicas à mistura. "Distopia", ie, "call-center".

Helás, não nos demoraremos neste. Primeiras duas páginas a elevar a expectativa, terceira página poderíamos marcar um novo início pese a oportunidade entretanto perdida, quarta página perguntamo-nos porque mudaram de desenhista, quinta página alternam-se na arte, sexta em diante desistimos de os distinguir, final da oitava queremos rasgar a página, o virar desta trás-nos de volta ao início e sentimos alguma esperança mas partilhamos das dúvidas existenciais do protagonista, décima página e concluímos que assim não dá.

Obviamente, Gonçalo Duarte consegue assim colocar-se no nosso radar: simplesmente desconhecemos a sua produção anterior e teremos que acompanhar o projecto que se segue para findar teimas.

Filipe Andrade

De FA conhecemos o folclore e não acompanhamos: pertence ao universo das citações recorrentes de ocasião à BD nacional portas fora, uma espécie de ângulo morto às nossas leituras que nunca se cruza dos nossos horizontes temáticos.

As suas dezasseis páginas são um exemplo irrepreensível de layout gráfico e argumento que se combinam numa ficção sustentada envolvente, objecto tão capaz que não lhe podemos questionar a autenticidade ou sinceridade do autor: a qualidade da sua narrativa obriga-nos a fazer esse debate ao nível das próprias personagens. Motivo pelo qual, talvez, tenha merecido um favoritismo negado aos restantes participantes da antologia: beneficia do alinhamento de peças que poderá agradecer a GD, recebe o tratamento cromático completo, tem direito a posfácio espalhado por duas páginas a cimentar a sua hagiografia na primeira pessoa e gerir interpretações.

Mas destoa que esta seja uma obra interrompida: só a podemos entender se a imaginarmos a adiantar-se à página título da verdadeira história, a começar após esse teaser introdutório.

Marta Teives e Pedro Moura

Primeira e única peça de autoria partilhada com todos os anacronismos que a solução acarreta, e uma parceria repetida que não podemos comentar nessa condição, cingindo-nos à obra que tivemos a oportunidade de ler com todas as insuficiências que dai resultem – ler a nossa advertência inicial. Tal-qualmente, primeira e única obra presente em todo o livro que menos deve às distorções do cartoon ou outros exageremos visuais, antes, dir-se-ia que o estilo da peça pretende ao máximo recuar perante a história e evitar-se problematizar a BD per se como gramática texto-visual capaz de uma certa complexidade -escolha particularmente interessante considerando o argumentista na dupla. Até a font (*) escolhida resguarda-se de qualquer arremate de carisma que nos desvie da imergência à história.

* Não dissemos “lettering”.

As figuras são humanamente proporcionais e anatomicamente correctas, o seu traço -uma construção tão artificial como os demais- tende ao natural, sem excessos, as suas escalas de cinza favorecem o distanciamento necessário à narrativa que suporta sem lhe ser unicamente subserviente – antes, competente, talvez até demais. Predomina um realismo que leitores de uma certa tradição francófona reconhecerão, aqueles que vivem de uma dieta de grotescos em acelerado e cartoons como shorthand à humanidade dar-se-ão conta quanto o arsty-fartsy nos fodeu a banda desenhada em tempos mais recentes.

Segue-se um slideshow de imagens totalmente aleatórias de comics recentes. Notam a tendência?



Hard-pressed to define a human.



A história vincula alguma identificação aos protagonistas com referencias inocentes qb para preencher diálogos - o viver entre os livros, “a trampa de sempre”, etc. que nos surgem como passageiras e desprovidas de valor além de emprestar textura às personagens. Outras possuem um carácter simbólico mais forte, pistas que arqueiam do início ao fim da história –a chuva, o desabrigo, o curto-circuito, o cigarro sem lume, e, sobretudo, a cidade: cremos assim na possibilidade de uma leitura menos evidente da obra e que esta acarrete uma profundidade de intenções não evidenciadas em contraste à clareza do estilo que a sustenta, dualidade com que nos iremos debater. Hélas, somos incapazes de as evidenciar porque as pistas desta deduzem-se da quebra da sua simplicidade visual que ocorre em dois momentos, mas uma dessas ocasiões exige que este vosso escriba suporte de poesia e outros lirismos espalhados por retângulos flutuantes sobre a página. Não o conseguimos. Desse spread, os nossos protagonistas deslocam-se numa cidade perfeitamente reconhecível excepto na exacta sequência onde nos supera a vontade de prosseguir a sua leitura. Infelizmente, obrigados a avançar sem mais análise.

Disclaimer: com a cumplicidade do seu parceiro de crime e no seu mais precoce gesto de d.i.y. e contestação arsty, este vosso escriba não foi sempre adverso à poesia. Ao contrário do seu cúmplice que prossegue em verso a sua veia satírica, nOS POSITIVOS optamos por métodos sem rima. Ou ritmo. Mas sempre com ira e fito.

A segunda ocasião de maior liberdade poética e visual ocorre no virar de página para a sequência que romantiza a copulação entre protagonistas. Como o anterior spread que a precede, os tempos da narrativa dilatam-se à abstração, subtraem-se da linha temporal que a todos nos enleia à ditadura do presente ímpar e permitem aos nossos heróis existir à parte do tempo. Mesmo aos que nos acusam o spoiler ser-lhes-á fácil adivinhar o recurso visual utilizado: a sequência de vinhetas que se dividem em átomos cada vez menores que desaparecerem no final da página – no mais absoluto silêncio. Ao invés do contraponto à digressão poética anterior, estende-a e somos tentados a julgar o seu impacto se o mesmo virar de página resultasse num contraste mais gritante, apaixonado, suado, não o habitual fade-out de vanilla sex ao som daquele saxofone datado à-lá eightiesaquilo dos filtros poéticos. Hélas, o pick up line foi um poema: o sexo só  poderia ser mau. Já o choque de registos reforçaria a história sem quebrar o seu realismo - pelo contrário, o embalo (de embalar...) do poema e, sobretudo, da falha no confrontar esse com uma paixão animal que se consume anula-lhe o impacto.

E neste ponto, julgando na base das intenções dos autores, ou os congratulamos na mestria do desenho que insinua sobre o texto o seu mais brilhante entendimento, ou acusamos a principal falha da obra - uma que nos rouba por completo da sua leitura. Invisível de início, gradualmente emerge do subconsciente e quando nos ocupa a atenção nunca mais conseguimos deixar de reparar: os protagonistas da história não abrem a boca. Diálogos abundam, balões acusam a sua origem esgueirando-se desta, mas as personagens cerram lábios prancha atrás de prancha como estátuas de mármore sobre quem pairam palavras. Em certos enquadramentos sugerem-se lábios desprendidos, mas a qualidade da impressão ou o plano escolhido impendem a sua realização. Dois únicos inserts de pormenor permitem-nos uma boca aberta, ambos recortados das suas faces como se resolvidos em pós-produção com recurso a figurantes senão mesmo stock-footage. Nunca é o leitor confrontado com uma expressão que insista dos seus actores um inebriar dos beiços: se a intenção dos seus autores passava por insinuar a frigidez destes pela invariabilidade dos seus rostos, alcançaram-no com sucesso - mesmo o orgasmo que nos devolve em fade in à nossa protagonista é padecido de boca fechada (*).

* Um estranho contraste à experiência desse vosso escriba - mas também nos separa o pick up line inicial.

Propomos em consonância ao intento da peça e apenas na variável analisada – sobre a sequência que derrama rimas em off nada podemos acrescentar – que esta seria resolvida em maior plenitude pelo contraste de comportamentos até então expressados (ou, falta deles...): em vez de sensualidade em fade out, volúpia, lascívia, carnalidade, hardcore. O que recebe e o que dá, invertidos, já que é ele que a deseja e ela que o afasta: quão mais sentida será assim a partida! E, respeitando os inserts, claro.

Não se confunda a proposta com shock value gratuito, esta é muito mais pertinente. Relendo a história com a mesmíssima sequencia substituindo apenas a página 97 pela sugerida, imediatamente antes do consentimento pecaminoso slash convite à malandrice da nossa heroína, antes da continuidade mais do que evidente na 98, e em lugar de luzes que se apagam uma splash page em toda a sua glória, o final eleva-se em escala: aquele cigarro que fica por acender sem lume, aquela chuva que cai do céu entre a qual o nosso herói que se afasta a contragosto, aquele verso final de "fazer brincadeiras" com os "olhos levantados" –quão mais evidente podia ser essa metáfora? Hélas, os protagonistas não abrem a boca. Talvez devessem.

Ricardo Cabral

Da mesma constelação de FA, ao contrário de FA algumas vezes folheado, como FA os seus caminhos não se atravessam aos nossos.

Para uma coletânea intitulada "Cidades", o autor não escolhe o óbvio reforçando-nos na convicção que o exercitar de alguma preguiça tem as suas mais valias. Hélas optou por algo mais imaginativo, quiçá derivado de exercícios contínuos do seu fanzine (*) de dezembro passado, do qual nada sabemos e mesmo com um galardão às costas pouco mais iremos descobrir .

* Confirma-se: "O terceiro capítulo de "Terrea" será publicado na antologia TLS Séries- Cidades" in "Terrea III 26 maio 2017 Portanto, aquilo dos prefácios: preferencialmente, a utilizar com propósitos.

Em qualquer revista, qualquer parte do mundo, por mais rodopios que nos injungissem de olhos vendados, naturalmente apontaríamos à sua peça sem hesitações: "classic ‘tuga". Indiferente a juízos - intemporal, e como tal, desfasado do presente - é da nossa sina desde o século XX, meados da década de setenta que rejeita o realismo anterior, regressa nos oitenta, prossegue nos noventa, dois mil a somar. É o nosso "covfefe": a quintessência da BD nacional que uns poucos por dentro reconhecem e dispensam mais explicações – se, como o "covfefe" original, tivesse acepção alguma no mundo real. Peça de autor, como mandam as regras. Fantástico, não façanhoso. Com história, sem diálogos. Mamas, no dick. (Note-se a vírgula...) Conclusão inconclusiva. Interpretações por adivinhação. A lista continua, e parece-nos apenas adequado que se este livro, a primeira publicação da GFloy com autores portugueses, aqui termine. Século XXI, década de dez: a tradição cumpre-se. Esperamos ansiosos pela sua próxima peça num futuro volume, agora que Ricardo Cabral já comprovou que domina as bases e a repetência desnecessária.

Em resumo...:

Obviamente, recomendamos - ou estariam a ler sobre nuvens no deserto.

Summer time in tha city: it blossoms

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