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André Oliveira

Regressamos à análise de outro conhecido autor português, André Oliveira.

Um nota sobre este nosso serviço público e a total ausência de qualquer pesquisa e/ou cruzamento de referencias: focámo-nos exclusivamente sobre o livro em mãos, e ademais considerações que se possam fazer sem a benesse de um wi-fi gratuito que logremos parasitar permanecerão para futura ocasião.

Ocorre-nos no imediato que estas e outras histórias são publicadas online com alguma regularidade e porventura permitindo já uma análise mais abrangente: certamente a sua leitura poderia completar ou reenquadrar as impressões aqui abrangidas.

Contrariamente a um certo timbre cuja potencialidade o anterior artista a chamar-nos a atenção possui de atribuir às suas peças, não nutrimos qualquer afinidade às obras aqui revistas: move-nos unicamente o nosso sentido de serviço público, e sobretudo a casualidade de ser o único autor nacional que nos acompanhou na nossa primeira semana de férias.

Continuando-

Ao artista são-lhe reconhecidos méritos na escrita para BD.

Antes: é a designação pacífica entre os nativos? devemos preceder as nossas efabulações com ainda esse debate...? Sim, devemos!, porque este vosso escriba é igualmente culpado de não creditar um argumento separado da sua concretização gráfica com o mesmo pendor que atribuímos à obra singularizada num só individuo. Desdenhamos a dualidade de autoria na banda desenhada como concessão mercantil de um formato aos mais ignóbeis géneros que este permite. Nunca, em caso algum, pode uma BD ilustrada por segundos mediante instruções ditadas possuir a candura, sensibilidade e toque de nervo que uma peça exclusivamente pessoal possui. NOS POSITIVOS atribuímos uma desmedida importância à narrativa e às múltiplas formas de insinuar nas barbas do leitor uma mensagem enquanto na realidade dizemos o seu  oposto. Também não acreditamos em levar o leitor pela mão na História, só pelas histórias. Para citarmos do DEJECTED OMNIBUS:

OS POSITIVOS estão entranhados de uma estranheza por via das suas constantes descontinuidades que lhes vaticinam um propósito menos imediato à ligeireza da sua leitura superficial. Este é um território minado de desígnios acantoados sob um edifício de intenções idearias num universo de complexões pouco habituais para o meio zinéfilo / webcomic nacional que já se alonga por perto de um milhar de páginas impressas em fanzines próprios. As dificuldades do seu julgamento justificam-se pela extensão de uma obra recursiva e nos próprios intentos do seu criador que emaranha o incentivo à participação dos leitores com a interdição do que se dispõe a partilhar com esses, sem que se coíba de esparramar na mesma páginas ambos(*). A essa estranheza o seu criador intitulou Humor & Depressão.

* Devemos ir além da análise processual dOS POSITIVOS - onde facilmente se identifica a transmissão assumidamente insolente de uma mensagem de propaganda veggie anti-nazi destinada a afectar o comportamento do seu receptor – e arriscar uma interpretação da troca de significados implícitos à pertença de uma cultura e experiência específica. OS POSITIVOS permitem-se então à descoberta de sentidos menos imediatos se o leitor relacionar os códigos e signos nos P+ com as notas de rodapé expositivas do espírito do seu criador e respectiva comparação cronológica que triangule o seu passado, presente e futuro. Então, os P+ assumem-se como uma interacção dinâmica em processos paralelos que o leitor de banda desenhada generalista desqualificará de “uma merda” mas cujo verdadeiro sentido só pode ser alcançado através do entendimento entre intervenientes e o próprio texto – que o seu criador deliberadamente atravanca enquanto se resolve entre propaganda e psicanálise, a arte e sua antítese.

É pois, com alguma voracidade, que procuramos argumentistas de BD.

Calhou-nos trazer connosco a compilação de peças por André Oliveira em colaboração com diversos desenhadores conhecidos do público português – passe a ironia da frase. Nesse sentido devemos antes de mais salientar que tal livro possui em si a vantagem de nos permitir avaliar o seu ofício ante uma rica variedade de temas e estilos que de outra forma seria impraticável de conferir, mas somos igualmente confrontados com a limitação natural que as nossas observações devem aos constrangimentos inerentes do contexto de publicação original da mescla de peças versus um todo único, intencional e coerente.

Ora, -

As expectativas geradas pelo mérito que lhe é reconhecido conjuntamente às supramencionadas mais valias malograram o nosso deleite do dito objecto. A enfâse que pretendíamos capitalizar no argumento simplesmente não se cumpre.

Começando pela primeiríssima história, secundada pela segunda, repetindo a fórmula pelas mais diversas vezes –quiçá mais prático enumerar as exceções...-, as histórias socorrem-se quase exclusivamente de uma resolução gráfica para a narrativa, o que nos causa uma imensa estranheza considerando a generalização envolvente à pena do seu autor.

Não menosprezamos a consciência e o engenho de conciliar em medidas desiguais texto e desenho mediante a intenção desejada, na qual o protagonismo de ambos deve e pode ser desgravitado sem todavia sacrificar a respectiva banda desenhada num todo menos eficaz – antes pelo contrário. É pois expectável de um mestre argumentista que este consiga ir além da óbvia peça literária em 3 actos para ilustração à posteriori e atente ao combinar de meios que perfazem o meio, em mútuo benefício ou benefício de uma soma que os transcenda. Certo.

Mas o sistemático retrair do texto em prol do desenho nos seus desfechos não nos parece atribuível ao entrelaçar natural de ambos como é próprio à BD mas a debilidades das conclusões formuladas que não conseguiram co-habitar na alternância ou simultaneidade ambicionável, ou à displicência de o fazer. Por demasiadas vezes, fica-nos a impressão que o seu autor recorre à escrita para um setup mais célere que depende de um punchline visual sem o qual não sobrevive, evitando enredear ambos numa continuidade e dedução cabal sem razão aparente além do óbvio atalho.

Repetimos que compreendemos e aceitamos – e somos igualmente culpados de- um uso diferenciado de texto e imagem em BD quando razões há para tal, mas questionamos a magnificência de um argumento que não pode ser concretizado verbalmente e só subsiste na forma de um storyboard anotado. É-nos critério de validação para uma boa história que esta possa ser, no mínimo, oralmente reproduzível sem prejuízo do seu sentido.

A ligeireza do argumento – na relação à expectativa empolgada pela intelligentsia- é-nos confirmada pela concretização tímida das pranchas que os ilustradores das diversas histórias (não) arriscam, dividindo-se invariavelmente em vinhetas que nos exasperam pelo seu imediatismo. Devemos aqui o respectivo mea culpa recordando que nos incluímos no rol de praticantes de um formato regular e previsível de composição de pranchas, mas por motivos que pouco devem ao classicismo da BD. Sentimos pois este contrassenso nas obras que André Oliveira reúne neste volume, onde por um lado a enfâse escorrega para o desenho mas por outro este evita assumi-lo repartindo-se em estruturas desimplicadas e desprovidas de quaisquer relações mais dinâmicas entre si além de continuidade elementar. Sem desmérito do nosso critério de avaliação anterior - primeiro e máximo para uma boa história- no que respeita à banda desenhada não se coaduna com a nossa concepção de mestre argumentista um uso pouco inspirado de disposição cénica que não evidencie essa supremacia de expedientes visuais: ao argumentista recai a quota-parte de confiança ou capacidade para experimentar formatos mais ousados na criação de sentidos.

Exceção modesta na história “Água” com Jorge Coelho, mas esta não produz qualquer mais valia cénica além do efeito visual, pelo que não nos inclinamos a atribuir ao argumento qualquer intervenção nas opções feitas.

(A propósito, não lemos nós já uma variação dessa história no Crumbs, com o resultado que aqui notámos...? Teremos tropeçado num leitmotiv das obras de André Oliveira? Freud explica?)

Finalmente, na relação ao desenho não podemos deixar de referir como o nosso desapontamento com a expectação criada em torno da escrita é exacerbado  quando verificamos que quanto melhor o artwork (as curtas de natal por Sónia Oliveira, Joana Afonso e Pedro Potier, por exemplo), mais evidente se torna a secura do argumento. Quer tenha o desenhador sentido a necessidade ou liberdade de  maximizar perante o vazio granjeado ou o argumentista abreviado ante as competências do primeiro,  coincidência ou não as histórias tecnicamente mais interessantes são as que mais notoriamente denunciam a ausência de substância de um argumento que mereça essa substantivação.

Infelizmente, e em sentido inverso o autor revela uma predileção para o fartar com uma verborreia que sofre do síndroma a que chamamos “o poético balão quadrado”: pequenos segmentos de frase tangencialmente sequenciais mas apenas quanto baste, artificialmente espaçados no tempo para efeitos de dramatização, cuja imensa contemplação denota o pesar de um qualquer drama, por mais ínfimo que seja na sua escala – ou importância.

Não partilhamos da sensibilidade de André Oliveira, e essa sua veia poética não só não nos convence como nos aborrece: já algures abordamos a irritante voz off flutuante incapaz de um pensamento contínuo que desabafa ao relanti: não nos repetiremos, podem ler aqui.

Exceção à história “Todas as cores do mundo” com Susana Cavalhinhos, cujo equilíbrio texto / desenho é o mais coerente pela positiva, mas pensamos que se teria maximizado a sua eficácia na prancha final através de uma sequencia gráfica mais densa, de limites enredados, indefinidos - mas da desarticulação entre texto e desenho e a sua falta de ambição já tratámos... - deslocando o balão final para o canto inferior direito com maior proeminência.

Parêntesis: deveríamos avaliar neste ponto as pranchas silenciosas do autor nas quais este não recorre de todo a diálogos? Mas o que podemos aclamar de André Oliveira, o argumentista, numa peça sem texto? E, sobretudo, o que saudar da sua obra se as preferíssemos sobre as suas peças mais poético-literárias-enfadonhas? Evitemos essa conversa: como as BDs em questão, manter-nos-emos mudos.

Enfim, um problema de expectativas mal geridas: não devíamos ter procurado a resolução das BD ao nível do discurso: nenhuma história possui uma ressonância que perdure ao virar da página, nenhuma história sobrevive sem o suporte visual, nenhuma história possui um valor acrescentado. Não decretemos “argumento” onde apenas encontramos modelos previsíveis sobre formatos conhecidos com conclusões corriqueiras.

Em retrospectiva há que ponderar se doses múltiplas de pares de pranchas era o suficiente para encontrarmos autor. Achávamos que sim, e ainda o julgamos ser, mas não neste livro. Mas enfim, alegremo-nos: para este autor, o sucesso há-de chegar - é suposto. Pelo menos, assim nos diz a publicidade.

Em pós-scriptum


ah, summer time & summer projects: our workbench for tha remaining sunny afternoon :)

Apesar do romantismo poético que melosamente se espalha pelas suas peças, uma das curtas conseguiu-nos um eco, e por mais ténue que fosse, teve o mérito de perfurar por 1m90 e 90kg de gaijo já muito entediado, algo ébrio e nada dado a mariquices de poesia sensível com alguma –muita- má vontade por alturas da releitura deste livro. Falamos do “Esqueleto ao Piano” com Inês Galo, uma narrativa mal encetada mas com os ingredientes certos e uma excelente resolução.

Loverboy