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Francisco Sousa Lobo

Francisco Sousa Lobo. Já o afirmámos outrora: apreciamos a sua BD *. Demasiadas casualidades nos relacionam. Vejamos:

Chamaram-lhe “um dos mais interessantes autores de bd contemporâneos", designação com a qual obviamente nos relacionamos: check.

Não é um desenhador exímio nem o seu traço sofisticado, mas simples e invariável, irrepreensivelmente reconhecível entre os demais. Check.

A combinação prometida no poster é-nos por demais familiar: manifestos de-e-sobre BD, intercalados com peças curtas e pessoais. Check.

Ao Gravett perdoamos-lhe que tenha escrito" do "The Dying Draughtsman "with Portuguese fatalism, Koppens seems ready to end it all, but holds back because he can’t find the style or method to ‘write that goodbye note’”. Afinal, ele não conhece OS POSITIVOS, ou poderia ter-se poupado com esta para uma edição póstuma dos P+: "it seems that comics finally provide Koppens, and his creator Lobo, with the style and method to write that postponed suicide note”… Check: leiam a nossa BD, mas antes deem uns passinhos atrás e tentem agora mais de longe.

E sobretudo, liga-nos um propósito e uma atitude nos eixos que resumimos com as palavras de Pedro Moura: "obra pessoal (a saga em banda desenhada, ao mesmo tempo projeto experimental)”, que "transforma todo e qualquer passo do seu percurso em pequenas partes de um todo perfeitamente integrável". Ele fala de Francisco Sousa Lobo e não d’OS POSITIVOS, mas compreendemos a vossa hesitação: OS POSITIVOS são uma obra pessoal, saga em banda desenhada e projeto experimental: check.

Ainda o Pedro e o Lobo, no qual encontra "um pulso e uma intensidade em continuidade em cada trabalho”, “quando em vez momentos em que é convidado a produzir trabalho para se integrar num contexto maior mas Lobo aproveita-os para regressar ao cerne das suas próprias questões”. Adivinhem?, com o pretexto de escrever sobre Francisco Sousa Lobo num contexto maior acabamos por igualar o nosso latim no paralelo à questão que mais nos é própria: OS POSITIVOS. Cheeeck, please!

Avante.

O Francisco tem um site. No qual publica alguns writings. Check, check.

No advento do pós-Charlie desinteressámo-nos dos cómicos e voltámos a nossa atenção para o cartoon político (mais sobre estes eventualmente). Entre os escritos do Francisco encontramos uma peça recente sobre João Abel Manta. How wild is that...! Anyway: check.

Francisco demora-se com particular consideração numa pequena dissertação sobre -wait for it!- crítica e críticos. Caros!, se vocês chegaram aqui sabem certamente a nossa opinião sobre o tópico.

Check-muthafuckin’-check.

Compare-se com o que ideamos desses especialistas:

the ideal crit seems to be an elusive being, described by voyagers to a mystical land, something that has already happened but cannot and will not be turned into gospel, as that would spoil its return

A montagem que se segue não substitui o original, leiam até porque o descontextualizamos para efeitos de evangelização, mas aqui fica uma breve síntese para acelerar a discussão:

a lot has been gained in recent years by a questioning of the critique and a lot has been circulated on how to make it better // crits need to absorb the specificities not only of the art and design discipline they are embedded in, but also the specificities of each student’s work and aspirations // bring questions to the crits, not just work and context // a necessary shift in the preparation for the crit, and in the paradigms attached to the art critique

Check.

Ainda para efeitos de moralização e cerrar argumentos: Francisco teme que a crítica possa estar "detached from process and dialogue", e ainda que não a renegue completamente e se proponha a aproveitar "the positive aspects of the classical crit”, pretende transcendê-la tornando-a capaz de um "learning value of formative feedback”, que permita granjear (sublinhado nosso) "the excitement of suddenly running into the absolutely new, and the absolutely communal”.

(hint: o que acabámos de fazer agora mesmo? A propósito de integrar este “trabalho” num “contexto maior” voltamos às “nossas próprias questões”: sim, referimo-nos obviamente aOS POSITIVOS ainda que não o tenham percebido: doubl-o-check)

Finalmente, acaso do alinhamento de pensamentos e percursos, ainda sobre críticos: iniciámos o nosso mais recente manifesto cómico com desconhecimento total do supra mencionado texto de Francisco Sousa Lobo, mas a citação que se segue podia fazer parte do nosso prefácio:

"she has harsh words for the authoritarian voice that emerges in the bad crit, one that does not allow anyone else to speak. ‘I am not a fan of the brutal crit. I don’t get the point of humiliating people in public, and even when there is valuable criticism in it"

Biiitchis: este É o enunciado a que nos propomos com o nosso summer project!

Mas nem tudo são rosas, senhores:

NOS POSITIVOS, intersectamos uma BD pessoal com propaganda veggie anti-nazi (teremos que ficar pelo claim, as explanações seriam morosas...). Francisco também envasa o pessoal com um tema que lhe é caro e recorrente. Infelizmente, esse tema é a nossa velha arqui-inimiga: a Arte.

Montagem sobre Pedro Moura - a quem pedimos desculpa pela incidência das nossas referencias mas não é que sobejem outras opções-:

Francisco Sousa Lobo procura responder com a sua obra aos “desafios contemporâneos de diálogo com outras áreas artísticas, sobretudo aquelas informadas pelas artes visuais, experimentais, galerísticas”, o “mundo das artes plásticas”, com uma BD “inclinada para com formas de interrogação interna da própria banda desenhada” na qual “tem criado no seu trabalho contínuo, aturado e produtivo um diálogo constante com esse outro mundo”. Em resumo: "o mundo da arte é tratado por Lobo com respeito, conhecimento e inteligência(...)".

Ie, artsy-fartsy.

Nota: a citação anterior prosseguia com certas considerações sobre a mesura da arte no seio da banda desenhada que optamos por não reproduzir neste espaço pois não queremos dignar a opinião que o seu autor expressa na continuação dessas linhas aqui.

Continuando:

Recordando, e esta é para nós a dimensão redentora da infeliz paridade com que Francisco arranha as suas linhas que - para nós!- o mantém interessante: se por um lado desperdiça o seu -e nosso!- tempo com “a ideia da crise tríplice da arte: crise da forma, de conteúdo e da relação entre uma e outra”, yada yada yada, essa crise é simultaneamente perseguida “para procurar também os intervalos que se instalarão na sua própria tarefa de criador e, tendo em conta o estranho e descentrado projecto autobiográfico, a sua própria vida”.

E check. Mate.

Esse distintivo pessoal faz-nos toda a diferença, separa-o das restantes banalidades-boçalidades que infestam o panorama nacional e levam-nos a lugares difíceis de alcançar porque pouco devem ao racional.

E por conseguinte ao previsível e planeável.
E por conseguinte ao reproduzível e imitável.
E por conseguinte ao insincero e hipócrita.

Ainda que não o suspeite, Francisco Sousa Lobo passou de raspão num seu outro writing ao core de toda a nossa BD, se bem que se tenha perdido pelas conclusões:

God appears so often in contemporary independent comics // the independent comics author has a solitary, absolute power over his creation, and taps directly into the potentials of his own minor world in a radical way. He discovers godlike attributes in his process – the puppet master, the sustainer of life, the all-seeing eye // He is the first cause and primal mover // The God character can appear as projected image of the author himself"(retirado do seu The Comic God)

Não se demorasse Francisco Sousa Lobo pelo artsy-fartsy, saberia já ele que tipo de deus é o seu? NOS POSITIVOS, tratamos o nosso por tu.

Estas são apenas as similitudes mais evidentes para gentio cruzar à laia de pesquisar aleatoriamente referencias online ao autor que hoje nos ocupa. Convenhamos que a análise poderia ser enriquecida se a complementássemos com o espreitar desinteressado dos seus outros livros nas prateleiras da FNAC ou, ainda mais cabalmente, visitando a sua exposição. Mas, sobre isso, estamos conversados.

* infelizmente o público dos cómicos não é exactamente o género de ler além do óbvio, mercê da dieta a que se reduzem na sua maioria - ou consequentemente não seria o público dos cómicos e sim dos literários. Para não evitar mal-entendidos, sejamos óbvios então: nós gostamos da bd do Francisco, mas esta arrisca-se perder-se no artsy-fartsy. E não parece, mas isto continua a ser serviço público. De nada.

André Oliveira