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tu sei la donna della mia vita, lei la donna dei miei sogni

A não ser que sejas um teen com menos de 15 anos, provavelmente reconheces a coisa pelo seu título original: “Tu és a mulher da minha vida, ela a mulher dos meus sonhos”.


Pedro Brito e João Fazenda

Mea culpa / disclaimer / praises for: este é um livro que nos acompanha na sua ausência desde que foi publicado pela primeira vez, e aproveitámos o embalo da sua reedição internacional para colmatar a sua carência de longa data na nossa biblioteca.

Primeiro e mais que tudo, pelo interesse que lhe atribuímos a nível pessoal, obviamente pela escolha inteligente do título que nos acossa desde que o conhecemos, ainda que a natureza desse desassossego não seja da mesma ordem da narrada no livro.

Segundo, porque foi para nós uma das poucas leituras nacionais que na época nos retribuiu um ensejo de temas e teimas que ainda hoje escasseiam entre os cómicos da casa, uma das raras surpresas na bd nacional que nos recordamos de ler na idade certa.

Apesar do agrado e ainda que o tivéssemos sempre na lista dos inevitáveis nunca nos motivámos para o adquirir. Até agora. E embalados no revivalismo da ocasião, fizemos também algo que já não fazíamos há mais de uma década... relemos um livro, o dito.

Os “livros inevitáveis” dispensam nova leitura. São-me peças de troféu a acumular por motivos de egocentrismo frívolo, uma indulgência que o digital despreza. Mas o toque, senhores, o toque... Trouxemos um “3ª edição, julho de 2002”, que acusa uma curvatura insinuada de quem já tem todos esses anos de estante pressionado entre os seus pares. E o papel, algo áspero e gemado em novo amadurou num apalpe seco, crespo... E delicia das delicias, perfeita vitima do acaso, o sol incidia diretamente sobre as páginas reforçando a sequidão das mesmas... improvável de prever e impossível de resistir. Marchou no momento. E consumado o acto, a relação manteve-se.

Entre a surpresa das partes esquecidas e as que envelheceram menos bem (as meta-referências) 1, o único senão de maior que acusamos permanece ainda e sempre o invariável filtro poético nº 3 com o qual peneiram as bds, diluindo a força das suas histórias e o aperto que estas devem causar ao subordiná-las a um pretenso realismo por decalque de uma naturalidade imprópria ao formato. Esse véu romantiza o que deve humanizar, aflição que atrapalha particularmente os nossos argumentistas que procuram alcançar na sua escrita um “naturalismo” que em boa verdade o meio não exige, diríamos mesmo que o desaconselha: a concordância ao real pode mesmo impor a sua distorção - contam as intenções senhores, as intenções, não o maneirismo das mesmas.

Exemplo:

- Mas nem duvido que seja frígida!
- Frígida?! A frigidez feminina é muito relativa!
- Relativa?! Então?
- Não acredito na frigidez das mulheres. Sem contar, é claro, com os casos clínicos, o resto é pura incompetência dos homens.
- O quê?!
- É uma desculpa de mau pagador da parte dos homens. Dizem que as mulheres são frígidas, simplesmente para esconderem a sua incompetência na cama.
- Olha lá! De que lado é que tu estás?
- É verdade! O problema da nossa geração e das seguintes é que vemos demasiados filmes porno e ficamos com uma má ideia do que é realmente o sexo. Pensamos que para satisfazer uma mulher temos que nos pôr naquelas posições surreais, puramente fotográficas e que temos de ser autênticos martelos pneumáticos. Como é que as mulheres podem ser frígidas, se levarmos em conta dois importantes factores. Primeiro, têm vários pontos erógenos, enquanto que nós direcionamos tudo só para um ponto do nosso corpo... É claro que não nos aguentamos à jarda, e consequentemente, não as conseguimos satisfazer. Para além de que somos por vezes bem egoístas.

O mesmo exemplo, sem o filtro poético nº 3:

- Sabes... Acho que a Sofia é frígida.
- Come-a no cu. Ela gosta.

Por comparação a outros livros mais óbvios há uma atenuação clara no dramatismo prosaico, e a referência máxima que a todos ocorre – e que, por outras razões eludiu a nossa biblioteca igualmente por tanto tempo- será inevitavelmente o supra sumo das internacionalizações nacionais, “O Amor Infinito que te tenho e outras histórias”, cuja história principal que dá titulo ao livro nos está entranhada à essência: simplesmente não haveria POSITIVOS sem essa protensão 2.


Paulo Monteiro

Ao jogar no polo da abstração onde o primeiro investe em realismo, o hiato não podia ser mais notório.

Exemplo filtro nº 3:

- Rondarei todas as noites o teu prédio, depois de te levar a casa...
- Fumarei cigarros a fio até de madrugada, porque sei que nunca descerás as escadas para vir ter comigo.
- Respirar-te-ei ininterruptamente e sem repouso, sempre que estivermos juntos...
- Morderei os lábios para não te beijar...
- E ficarei distante e fechado sobre mim mesmo quando nada fizer sentido.
- Nos momentos menos dolorosos direi parvoíces e riremos todos...
- E ninguém saberá do amor infinito que te tenho.

O exemplo sem o filtro poético nº 3:

- Podes dar meia-volta? Tou danado prá foder!

Por contraponto, encontramos noutros meios formatos mais adequados aos que mais-querem o filtro nº3. Trouxemos este livro com o primeiro, e a comparação merece-nos a referência:

happy valentine’s day!

Footnotes:

1. Niiiga pliise: I’m tha champion up on this biiitch, don’t feel bad about it!
2. Protensão: técnica, baseada na aplicação controlada de forças, destinada a aumentar a resistência das estruturas. Confrontar: pretensão (1. Acto de pretender. 2. Direito que se julga ter a alguma coisa. 3. Exigência. 4. Vaidade, orgulho, presunção.) in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, sublinhado nosso...

With apologies aos autores, mas hey! há uns tantos gaijos que agora sabem que os vossos livros existem e antes não sabiam... De nada!

Bónus round:

OS POSITIVOS: na discrepância entre realismo e realidade.

Querem “fácil”, leiam patinhas.