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2016:2017

Segue a habitual moral de fim de fábula.

  • Punx: ainda só em analógico e a caminho do obsoleto.
  • Artsy: falta-lhes em punk o que sobra em anacrónico.
  • Cómicos: entretêm-se a tentar engrandecer o que não pode ser maior.

Dos artsy-cómicos: a banda desenhada somente pode existir num sentido narrativo ou representacional. "Tem de dizer alguma coisa", "contar uma história", livre de qualquer outra disciplina estética ou confinada a livres jogos entre a razão e imaginação como se a exploração formal, artística, estética, não fosse uma estéril reflexão abusivamente centrada sobre si mesma e de uma pobreza intelectual que se perde entre a visão e o pensar.

Da friovilidade dos cómicos à procura dos artsys, citamos do sítio de sempre, circa 2009 mas aplicável em qualquer ano, pré e pós:

...as nossas deficiências gravíssimas neste sector, não obstante as tentativas de um par de pessoas e o trabalho, muitas vezes ingrato, dos investigadores que batalham nesta área: salvas excepções, não existem publicações específicas, não existem centros de estudos organizados, não existem instituições eficientes ao seu apoio, não existe um discurso concertado, não existe gravidade, surgindo muitas vezes tentativas ad hoc (e até “haddockianas”), não existe sequer um interesse mais generalizado por esses assuntos.
in LerBD 20 set 2009

Verdade. E em ano de pós-verdades não é preciso procurar muito para desenterrar art-fact(os) que o ilustrem. De hoje:

Best dos comics em PT: o melhor é mesmo a monstruosidade humana, mas também se aconselha o definhar da poesia e não chorem porque tudo isso é fado. Mas get's better, em verdadeira sintonia com os tempos, o realmente emblemático do ano que fecha, fact-checkin' e notícias falsas: o melhor de 2016 nem é de 2016.

Introduzir comentário? Comentamos como OS POSITIVOS?
Acho que o acabámos de o fazer. It's all good...

Fartos de cómicos que se esgotam na enumeração de listas para todos os gostos do ano que acaba, deixamos aqui a nota do estado da arte em outros tópicos para o ano que começa, aproveitando que tudo agora é política e só mesmo por escapismo obstinado nos podemos subtrair à realidade. Punx, zine makers, artsy-fartsys, hooligans e vândalos em geral: um apanhado aberto para início de 2017 no contexto de uma outra cena com banda desenhada desalinhada desdenhada de propaganda punk veggie anti-nazi.

Aquilo de não sermos elitistas e o atacarmos quando tropeçamos nessas intenções. Seleccionamos de uma miríade de previsões para 2017 duas impressões que gostaríamos que vos acompanhassem neste início de ano e de Era, e vos servissem de incentivo à acção: sabem ao que vimos a propósito do monopólio da verdade, sabem ao que vimos a propósito da produção e divulgação de informação, sabem ao que vimos a propósito de tomar em mãos esse processo, desde o primeiro dia em que lançamos o primeiro zine dOS POSITIVOS há quase 20 anos.

E sabem também que este foi um ano extraordinário com o culminar de várias tendências que chocaram todas no mesmo dia. Para o bem ou para o mal, está a acontecer à vista de todos agora. Perfect storm.

How bad is it? Muito mau.

During the past few months, news media have acutely failed to triumph over disinformation, fake news, and rumors. (...) what was lacking was a public interested in those facts - a real democratic public, one that is actively constituted around issues and concerned by those issues.
in "A rebirth of populist journalism" dez 2016

Crise económica, imprensa em mau estado, "the digital money is going to Google and Facebook, but they do not have newsrooms", o monopólio da informação às mãos de um colosso económico digital que se recusa a assumir responsabilidades na edição de notícias e promove o falso com ganhos no processo, desconfiança em relação a todas as instituições, seus líderes, e aos próprios media - que não é mais do que um reflexo da desconfiança às instituições e sua falta de legitimidade -, o assalto nazi à imprensa assume já a forma de um movimento organizado de descredito dos "mainstream media" -

"Over the years, we’ve effectively brainwashed the core of our audience to distrust anything that they disagree with," said John Ziegler, a conservative radio host, to a New York Times reporter. "Because the gatekeepers have lost all credibility in the minds of consumers, I don’t see how you reverse it."
in "Winter is coming: prospects for the American press under Trump" 28 dez 2016
[Trump] The press takes him literally, but not seriously; his supporters take him seriously, but not literally.

- personificam uma guerra cultural que, como nos é recordado, aliada à impunidade com que todas as normas são quebradas num mundo pós-verdadeiro e os seus perpetradores assumem a pose de "we make our own reality", colocam em xeque o futuro do jornalismo:

...is especially troublesome because norms of democracy are what give the press its place in public life and representative government; if these can be broken without penalty that means the press can be shoved aside and not much will happen".
in "Winter is coming: prospects for the American press under Trump" 28 dez 2016

Mas com todas as crises vêm oportunidades. A constatação da dificuldade de manter os habituais métodos a uma realidade que os dispensa - quando não os despreza - obriga a novos métodos (*).

Da peça:

It is possible that journalists in the U.S. will be inspired to do a better job and change what needs changing. (...) Facing the same kind of hostility in multiple countries where similar conditions are found, journalists may discover a new level of international cooperation. There’s already an global movement for fact-checking in journalism. Maybe another one will emerge around the realization that fact-checking is not enough **
in "Winter is coming: prospects for the American press under Trump" 28 dez 2016

Where it gets good:

Consequently, we need to take a deep look into the current epistemological abyss and, at least partially, accept that news media exist in a world where showing the facts, just the facts, is not enough.

Populist journalism needs to be reinvented.

in "A rebirth of populist journalism" dez 2016

E para desdramatizar o termo, se te é o caso -

Populism is a nasty word. But its primary meaning - working in the interest of the people instead of that of the elite - is not horrific. Populist journalism, and even quality populist journalism, has existed in the past. The muckrakers of the Progressive Era perfectly exemplify that: Their reporting was sensational and rabidly adversarial, politically engaged with a reformist agenda — going against the grain of what would become the dominant ideal of “objective journalism” in the 1920s — but for all that, they didn’t disregard facts. Their populist reporting style was close to the interest and language of the working-class people, but that is not incompatible with accuracy, verification, and facticity. Actually, muckrakers cared for more than pieces of information. Their “exposés” not only unveiled facts, but also stories.
in "A rebirth of populist journalism" dez 2016

E, na longa tradição dos Muckraker (***), e onde estes se cruzam aOS POSITIVOS, e onde esperamos que OS POSITIVOS te incentivem ao processo:

Identifying with ordinary people, (...) to assemble facts into stories that were compelling and challenging for the system.
in "A rebirth of populist journalism" dez 2016
The term is a reference to "the Man with the Muck-rake" that rejected salvation to focus on filth. (...) The men with the muck rakes are often indispensable to the well being of society; but only if they know when to stop raking the muck...
in Wikipedia
Journalism as the organized movement of the whole intelligence or fact: when journalism draws connections between people and society, between the "integrity of the social body" and "the welfare of the individual," between isolated facts and an all-encompassing inquiry

If there’s one thing that 2017 could hope to emulate, it’s the muckrakers’ ability to produce journalism that is genuinely concerned with the interest of the people, fiercely adversarial but never personalized (fighting corruption is not about replacing one man but about understanding the system), and obsessed with connecting facts together into a broader inquiry
in "A rebirth of populist journalism" dez 2016

Faz o que sempre fizeste, mas fá-lo também em digital agora sff porra.

E, sai do Facebook bro, para um punx-indie-artsy passas mesmo por poseur:

Google and Facebook can achieve huge net profit margins because they dominate the content made available on the web while making very little of it themselves. Instead, they both have built their advertising businesses as "free riders" on content made by others
in "Forget AT&T. The Real Monopolies Are Google and Facebook." 13 dez 2016

* IE, conferir as nossas teses.
** Sim, ainda aquilo das nossas teses.
*** Idem idem aspas aspas dOS POSITIVOS: "It’s easy to paint a picture of muckrakers as honest reformists and brilliant storytellers only concerned with the truth — a naive and misleading picture of a glorified past, (...) muckraking in general need to be taken with a pinch of salt."

à ascensão da nova ignorância