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o fim do elitismo soft

Livro da treta. E hey, nós não temos o hábito de mandar abaixo só porque sim - se procurares bem, mas bem mesmo, e semicerrares os olhos também, vais sempre encontrar um fundo pedagógico nOS POSITIVOS - mas neste caso abrimos uma exceção e nem nos vamos dar ao trabalho: é mau, medíocre, o livro inteiro podia ser despachado no título e 10 páginas, o resto é repetição e nada de novo.


"O Fim do Poder" de Moisés Naím

Saltamos já para a sua conclusão para vos poupar os 20 minutos que o levas a ler: ainda que tenha feito um apanhado geral de sintomas que não vamos necessariamente discordar aqui, termina a recomendar mais poder aos partidos porque estes e só estes podem e devem concentrar o poder necessário para tomar decisões difíceis que as populações são incapazes de desbloquear, demasiado tendenciosas para com -imagine-se...- os seus próprios interesses.

E a pérola para nós nem é o sugerir o regresso ao e reforço do modelo partidário (jiiisus, really?!), mas que para tal acontecer estes devem assemelhar-se mais na aparência às novas alternativas que os ameaçam, sem que se demore muito na questão mais óbvia: porque surgiram essas alternativas em primeiro lugar?

Demasiado mediocre para vos conseguir colocar aqui alguma citação que resuma a coisa, tentemos antes desenhar a linha que nos separa. Citamos:

Assim, enquanto, em circunstâncias normais, a participação política é para pequenos grupos de ativistas, noutros casos, como nas revoluções, o ativismo político torna-se o foco obsessivo de sociedades inteiras.

OK. Parece-nos que TODA a sociedade deveria ter um forte interesse na participação política em circunstâncias normais. Pessoalmente desconfiamos bem que a revolução é o abalo necessário. Mas o autor segue outro raciocínio:

Portanto, o desafio é evitar revoluções dispendiosas e arriscadas

Hum, de onde conhecemos esta aversão ao dispendioso e arriscado...? E sim, nitidamente ESSE é o desafio. Yep.

Mas esta lengalenga não é nova ou velha. Hoje mesmo a Tess vem-se com essa conversa. Novamente, não discordamos necessariamente aqui do seu apanhado de sintomas, e voltaremos a estes no fim, mas, 'miga, parece-me mal ter que te recomendar o livro (cof-cof) do Moisés: o poder já não é o que era, agora tens mesmo que aceitar que há mais pessoas com mais vontade de escolher por si.

Let's jump in, shall we?

Em Portugal, talvez se sinta mais porque o jornalismo propriamente dito começa a não ter meios suficientes para resistir ao populismo e ir um pouco mais longe do que as gracinhas de um deputado.

really? u gonna get real on this shit right here?! e... "começa a"? tipo, como, agora "começa a", mas antes era 'tava rock'n'roll...? 'miga? Tão?

Toda a gente sabe que as democracias liberais enfrentam hoje o desafio dessa comunicação imediata e sem limites, que acaba por esgotar qualquer assunto em menos de 24 horas.

OMG! OMG! she's gonna spill tha beans! :)

Mas, pior ainda do que isso, é a deturpação da própria ideia de democracia liberal, até agora a melhor que se conseguiu inventar, reduzindo-a ao alegado valor supremo da “democracia direta” ou “participativa”, como se chamava antigamente

(som de disco a riscar) uh, desculpa?

(este mal sempre existiu mas, sem a internet, nunca se conseguiu afirmar)

oh, u-a-dumb-person-u?

e da transparência total, transformadas em verdades absolutas.

yep, transparência total iiiis baaaaad! say it like ya mean it: "U CANT HANDLE THA TRUTH!

E o resto da prosa segue nessa linha:

Um referendo é sempre mais “democrático” do que umas eleições legislativas. Uma comissão parlamentar de inquérito é o cúmulo da transparência. E quem disser o contrário, sobretudo se for um político, está a cometer um atentado à democracia. Mesmo exagerando, este clima que ninguém contesta, políticos ou jornalistas, com medo de ficarem mal vistos, cria mais males do que bens e arrisca-se a dar um forte contributo para a vaga de populismo que hoje varre as democracias europeias, como todos os dias constatamos.

Duas coisas, primeiro: foda-se, contestem caralho! Não ficam mal vistos, pelo contrário, vcs são uma merda pq não contestam corno. Segundo: porque, deus sabe, esse populismo deve-se mais à "democracia direta" da "internet" do que ao compadrio e corrupção dos partidos tradicionais, certamente.

Nota 1:

Para alguma ironia sobre jornalista a queixar-se de populismo, ver aqui e aqui.


Nota 2:

Mas, espera, o Moisés não diz no seu livro (palavra forte, chamemos-lhe "rabisco de guardanapo") que a internet, e passo a citar:

As novas tecnologias de informação (incluindo, mas não só, a internet) desempenham um papel significativo na organização do acesso ao poder e da sua utilização. Mas a explicação fundamental para o facto de as barreiras ao poder se terem tornado mais débeis tem a ver com transformações de factores tão diversos como o rápido crescimento económico em muitos países, os padrões migratórios, a medicina e os cuidados de saúde, a educação, e até as atitudes e os hábitos culturais - em suma, com mudanças no alcance, estado e potencial das vidas humanas.

Afinal, não é bem a internet... É a vida. E mais algumas vezes o Moisés vai tentar separar as águas downplaying a importância da internet mesmo nos casos do facebook e twiter e a sua real importância para a Primavera Árabe por exemplo. Enfim, parece-nos sempre que essa coisa de acusar as novas tecnologias de populismo é dor de corno de jornalista fora-de-época. Não que a web seja uma santinha -fuck it: olhem para nós a regurgitar up on this bitch qualquer merda que nos apeteça- mas temos sérias dúvidas que antes desta a humanidade fosse essa coisa asséptica que pintam, talvez estivesse apenas escondida de vista pela intelligentsia bem pensante?

E gets worse.

A mania dos referendos como expoente máximo das democracias liberais também pode ter efeitos nefastos, desvirtuando a responsabilidade de quem decide

U CAN'T HANDLE THA TRUTH!

(...) e colocando as democracias à mercê de emoções muitas vezes irracionais, que reflectem tudo menos aquilo que está à escolha dos eleitores.

TOLD YA.

Há casos, certamente poucos, em que o referendo até se pode justificar. Mas é com certeza por alguma razão que a Constituição alemã os proíbe.

Porque os alemães nunca se enganaram. Vendo bem, se calhar é uma boa ideia não lhes pedirem a opinião...

Colocar tratados internacionais (no caso europeu, constitucionais) à mercê de um plebiscito nunca foi uma boa ideia.

Estamos entendidos.

Correspondem a opções de fundo sobre a inserção internacional das democracias que não podem variar ao sabor do vento. E traduzem um amplo consenso político que lhes dá legitimidade. O caso português é evidente.

Evidente.

A Europa só muito dificilmente teria sobrevivido se todos os governos em todas as circunstâncias tivessem sujeitado os sucessivos tratados a um referendo popular.

Verdade.. Mas, Tess, esta Europa não é um caso de sucesso. Lê-te:

Sabemos que a Constituição europeia foi morta e enterrada num referendo em França (a Holanda rejeitou-a logo a seguir) e que, de uma forma mais ou menos hipócrita, os líderes europeus negociaram em seu lugar o Tratado de Lisboa, mais modesto, pelo menos na forma, para justificar a sua ratificação parlamentar.

Perguntaram, e estes respondem não. Continuam em frente como se não fosse nada. É a escola do Moisés em acção. Diz "TTIP"?

Ora. partilhamos com a Tess a sua chamada de atenção final:

Habituámo-nos a falar dos partidos nacionalistas, populistas e xenófobos como se estivéssemos em presença de uma versão soft desses três radicalismos que várias vezes destruíram as sociedades europeias. (...)

--- mas discordamos da conclusão dessa análise:

Habituámo-nos a dizer que estes movimentos crescem em toda a Europa porque, no fundo, vão ao encontro daquilo que as pessoas normais sentem nas suas vidas e que as elites pura e simplesmente ignoram.

Logo, retomando as sugestões acima descritas, obviamente a solução passa por as "elites" "ignorarem" as "pessoas normais". Oh, u guys... MAS!

O que vemos hoje é, mais uma vez, a falta de coragem dos partidos democráticos para denunciar a natureza desse extremismo agressivo que envenenou a primeira metade do século passado. Pelo contrário, o caminho que muitos escolhem é a cedência, para não dizer a capitulação, perante os seus ódios mais perversos.

---mas afinal os partidos políticos são a merda que são e não há volta a dar. Let's move on, shall we?

On a lighter side

E por falar no antigamente é que era bom, populismo e shit goin' down tha hill...:

Estamos tão sedentos de substância que já nos decidimos pelas nossas leituras de verão: estas próximas semanas tentamos fechar mais alguns livros pendurados e nas férias atacamos o "Da Alvorada à Decadência" de Jacques Barzun. Mais de oitocentas páginas em letrinha miúda, alguma coisa temos que encontrar. E são os últimos "500 anos da vida cultural do ocidente" com a promessa de um final decadente - soa perfeito: a sua leitura coincide com a silly season do COMICS ET AL.

"E, levando mais longe os meus pressupostos sobre as suas preferências, procurarei escrever tal como o diria oralmente, com apenas um toque de pedantismo aqui e ali para mostrar que compreendo os gostos modernos."
Barzun in Nota do Autor



...já estamos a gostar

e fica melhor!