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Ted Rall vs Matt Bors

Ou, a inexorável marcha do progresso.

Ah, a guerra do print vs web de há vinte anos renovada numa discussão que teve os seus quês de fricção vai para quase dez anos e que ainda hoje tem os seus pozinhos de engraçada.

Segue-se um novo capítulo à nossa exposição dos webcomics por via do cartoon editorial, justamente sobre a evolução de ambos no seu cruzamento, por dois dos principais nomes a reter desta última nas tendências de tempos recentes que nos importam - e de como o erro dos seus juízos à data se manifestam hoje nas opções que apresentamos aos teens no nosso não muito inocente ou desinteressado apelo à acção.

Revisitamos uma entrevista ao Ted e Matt publicado no The Comics Journal #300, uma escolha que se justifica por várias razões.

A spectacular anniversary issue featuring intergenerational dialogues between alt wiz Kevin Huizenga and reigning Maus king Art Spiegelman; indy comics publisher/cartoonist/musician Zak Sally and Love & Rockets co-creator Jaime Hernandez; Bottomless Belly Button auteur Dash Shaw and Asterios Polyp elder auteur David Mazzucchelli; inflammatory muckraker Ted Rall and editorial cartoonist Matt Bors; super-popular Zits! cartoonist Jim Borgman and newly syndicated Keith 'Knight Life' Knight; comics artist/teachers Joe Kubert and Steve Bissette; Martin Luther King chronicler Ho Che Anderson and American Flagg! creator Howard Chaykin. And much, much more...

dezembro 2009

Primeiro e mais óbvio, pelo supramencionado exercício de arqueologia histórica: conseguimos vectorizar neste um passado do qual podemos tecer uma continuidade ao presente e no seu seguimento lógico pronunciar um futuro imediato.

Com a vantagem que estes não possuíam à partida no seu exercício de futurologia: nOS POSITIVOS estamos sempre certos - we-can-time-travel, biitchis!

A segunda razão prende-se com a importância de cada um e a relação de ambos. Como o declarámos, são dois autores que têm uma importância relativa no cartoon editorial “alternativo” que partilham dos mesmos pressupostos e das mesmas sensibilidades ainda que sejam de duas gerações diferentes –e esse é o ponto de partida e chegada da entrevista que aqui abordamos: como ambos se revêm num sentimento comum apesar da diferença de experiências que necessariamente os separa. Felizmente para nós, e apesar da sua proximidade de temas e intenções e obedecendo às mesmas premissas, o que não podiam prever à data da entrevista original – e que lhes complementaremos na nossa análise- seguiram direcções opostas no que respeita à web, e dessas diferenças extraímos e expomos-vos –novamente- o caso pela oportunidade de um certo tipo de comunicação orientada em formato gráfico.

Terceira razão: cuz it’s funny! And we want fu-niiiiii at this moment in time & life.

Publicada em dezembro de 2009 no The Comics Journal 300, T&M vaticinam sobre o futuro por vir, nosso presente, e sobre as suas suposições faremos os nossos próprios prenúncios. A ironia não nos passa despercebida, tal como não lhes passou a eles.

As for the future, we can look back and laugh at our speculation when it comes. I saw this transcript of a meeting in 1998 that some journalism outfit put on about the future of editorial cartooning. (...) Reading it is hilarious. They were talking about the impending death of print and this weird thing called the Internet. Hearing them speculate about it is priceless. (...) I’m not sure if that was the mood at the time or just another example of people not able to deal with change very well.

Vamos pois começar por aqueles a quem lidar com a mudança não lhes é fácil. Como poderão ter adivinhado pelo tweet inicial, falamos do Ted.

Conhecemos o Rall primeiro por via dos seus comics, não dos seus cartoons. “My War With Brian” (1998), “2024: A Graphic Novel” (2001), e só nos “Atitudes” (1 e 2, 2002, 2004, - do 3, 2006 só descobrimos o mês passado) nos importámos em conhecer a sua faceta editorial. Algures de 2002 o “To Afghanistan and Back: A Graphic Travelogue” dava-nos a conhecer ainda uma outra das suas polivalências: o comentário político em prosa. Caso seja necessário dizê-lo, gostamos das suas BDs, e dos seus cartons. Em todos esses aspectos sempre encontrámos alguma similitude entre o Rall e OS POSITIVOS: do comentário político ao traço muito próprio e invariável do seu estilo, e começando pelo seu “War with Brian”. E apesar da exposição que passamos a fazer de seguida, caso seja necessário reforçá-lo, é-nos raro encontrar um cartoon seu que choque ao nosso credo, e admiramos-lhe a tenacidade de continuar a ser extremamente radical nestes sem concessões à inocuidade dos seus pares. Quando o Rall foi despedido do LA Times nem tivemos que esperar pelo desenrolar da história nos dias seguintes para saber de antemão que o caso transpirava a conspiração com a polícia para o remover de cena. Dito isso, há o resto. Ou, há algo... Citamos do Fleen, “the webcomics blog about webcomics”, sobre o TD:

On the one hand, he does solid, provocative, cartoon-based reportage from places most people would never think of going. On the other hand, he often seems to be provacative purely for the sake of being provacative, making illogical, self-contradictory agruments in online fora. On the other other hand, in person he’s thoughtful, engaging, funny, and interesting. At the same time seeking to support the cartooning talents of the future as trying to roll the industry back to the past, espousing positions both populist and elitist
in "Hell, damn and spit" maio 2010

O incentivar/suportar talento futuro ao mesmo tempo que tenta puxar a indústria para trás é a base da nossa exposição de hoje. Mas antes, um outro comentário dirigido ao Rall, ainda pelo gang dos webcomics, Scott Kurtz:

Ted,
You’re the reason I made a tee shirt that reads “I’m killing newspapers by reading webcomics.” Because people like you keep whining about those of us who deign to let our readers see our comic strips for free. All of your business models are based on the idea of scarcity. Technology has left the viability of that model in the past. Your work is no longer a limited commodity. And the papers don’t want to subsidize it any longer. You guys gotta get over it.
in dailycartoonist.com outubro 2009

O destaque é nosso, e resume no essencial o “problema” do Ted.

Literalmente, um comentário dirigido: o Ted e o Scott –e mais uns tantos- esgrimam argumentos nos comentários sobre a validade de produzirem um DVD de um evento já decorrido. O Ted opõe-se, e a sua oposição é sintomática de toda a sua filosofia que –novamente- nos serve de base à nossa exposição de hoje. Defende Teddy que tal DVD é injusto para quem pagou anteriormente para assistir à conferencia, e à declaração de que “they decided they are not going to make the video available”, ele é o primeiro em comentário com um:

Correct decision. Giving content away for free eliminates the incentive for others to pay for it.

Reforçado com um:

If the DVD were priced at $350 plus $800 (round-trip airfare to Vegas plus a few nights hotel), that would probably be acceptable.

Da qual destacamos as duas respostas óbvias que se impõem. A variação óbvia do acesso universal digital vs a experiência presencial:

Are you equating watching a DVD as the same as being there? If not, then why would do you think a DVD should cost the same as travel, hotel, and seminar?

E a variação humorística do mesmo:

Since the DVD won’t be available I’ll definitely look into making a time machine, going back in time, paying the $350, and attending the seminar.

À data que nos ocupa, Bors partilha das opiniões do Rall e também ele se mostra relutante em relação à web, como veremos. Mas antes de continuarmos, façamos já a separação de águas. O Ted persiste a sua cruzada contra um modelo de negócio que parece incontornável hoje, e é cada vez mais uma voz no deserto, ainda que –crédito lhe seja dado- se mantenha consistente aos seus princípios. O Bors, partindo das mesmas assunções, é o mentor à frente do The Nib - Political cartoons and non-fiction comics, provavelmente o mais bem sucedido projecto actual de cartoons editoriais e de jornalismo gráfico que existe exclusivamente em formato digital online e primordialmente destinado à leitura no mobile. Se o Rall não se conseguiu –não quis- adaptar à web –veja-se o seu sítio, consulte-se o seu arquivo de cartoons, um imbróglio de frames e plataformas, o Matt não só se adaptou ao novos meios, como os usa na sua máxima extensão para um máximo impacto, sendo hoje uma referência sumária em todas as citações aos comics no digital.

Mas em 2009, nada poderia adivinhar essa discrepância de trajectos, e a análise da sua similitude de presunções à data é-nos bastante relevante ao ajuizar das diferenças actuais, e futuros desenvolvimentos.

Ted Rall, nascido em 1963 (tem hoje 53 anos) "has been considered the “bad boy” of American editorial cartooning", cujos cartoons "landed him on right-wing hit lists like Bernard Goldberg’s best-selling book 100 People Who Are Screwing Up America. Rall was #15". Matt Bors, nascido em 1983 (33 anos, menos 20 do que o TD) "is the youngest nationally syndicated editorial cartoonist in the country". Ambos são "known for picking fights with the cartooning establishment", e quem convidou e contractou o Bors tornando-o o mais jovem cartoonista americado de sempre “sindicatizado” foi, u guess it, Ted Rall.

Segue-se um mashup para contexto à entrevista.

Sobre a imprensa:

The late ’80s and early ’90s corresponded to an explosion of new alternative weekly newspapers (...) But the great newspaper meltdown was already under way

...pelo que em 2009:

The state of the industry is rather dismal, so it’s hard to feel positive about the future

O que a crise provoca:

Papers are slashing content and freelance rates.

E como se reflecte no cartoon editorial:

The physical space allotted to comics is more conducive to a one-panel gag since they are shrinking. (...) Are we moving backwards?

How many editorial cartoons that run in Newsweek, the New York Times or USA Today express an actual opinion? Most are illustrations. They show what’s happening, not what’s wrong or what the cartoonist thinks should be done.

The bland house-style cartoon started attracting artists who were better suited to be a caricaturist in the mall — they like drawing funny pictures but don’t have anything to say.

If anything, it’s a cartoonist’s duty to set an agenda, to make us think about stuff we would otherwise remain ignorant about or simply forget in the daily blizzard of celebrity gossip and random chaos.

Sobre os good old times:

Looking back at the 1990s, it was a good time to be an editorial cartoonist with a different approach

Voltaremos aos anos 90 a propósito dos alternative-weekly. Destes, e a propósito de nichos ainda que não de forma explícita - e voltaremos ao assunto-, via imprensa local:

Websites can’t support foreign bureaus. (...) Going in the other direction, local cartooning interests me greatly.

You are working for a much smaller audience, but it’s focused and you can really gain some notoriety locally. And there’s nothing like upsetting locals.

Making fun of the president feels more glorious, but going after the mayor hits harder.

The readers are more connected to local work. It’s like a concentrated example of what editorial cartoons can do.

O digital permite hoje que o nicho não seja mais necessariamente uma determinação física, o “local” assume-se nos interesses partilhados, não na topografia regional. Dai a muitas outras vantagens do digital é um piscar de olhos:

Bors: Reader feedback has changed in a huge way with the Internet. It’s instant. Did you hear from readers a lot?
Rall: Most of the time, it felt like tossing a bottle into the ocean. You didn’t hear anything.

Comunidade. Para o bem e para o mal. Enter tha Webs. A opinião de ambos:

You can put your work up on the Web as much as you want, but only print really pays

Putting everything online for free is not taken seriously by most comic artists

It’s just a business model that only will work for a handful of people

That’s why it’s not much of a consideration for editorial cartoonists.

The model for editorial cartoons is linked to the news cycle so there has to be a different way to make money online

Even if the webcomics model could work for editorial cartoons — and it’s hard to see how (...) a small cadre of loyal fans who love your work enough to pay for it — makes no sense for a medium that is dedicated to changing as many hearts and minds as possible. It’s a mass medium.

E fazemos aqui um reforço particular das palavras de Rall, para considerações adicionais nas nossas conclusões finais. Diz ele:

the only thing more annoying than the lame posturing of a few ridiculous tools like Scott Kurtz (PVP) and the Penny Arcade guys (who apparently have Roman orgies every time a staff editorial cartoonist loses his job and winds up unemployed) is the term “webcartoonist.” What the fuck does that mean? Oh, I know: Cartoonists who post their stuff online for free and sell visitors to their websites merchandise like T-shirts and books. And who attend lots of comics conventions. Well, gee, what cartoonist doesn’t do that? We all do. We all have been. Everyone is a webcartoonist now.

A solidariedade de TR ao staff de editorial cartoonista que perdem o seu emprego é skin deep apenas. Não muito depois do comentário anterior:

I mean, a lot of the staff cartoonists who lost their jobs never deserved to have been hired in the first place. It’s damned hard to feign shock and amazement that a paper would fire them.

What’s disconcerting beyond the ridiculous Amway-like rhetoric (“You too can make BIG CASH MONEY making comics FROM HOME!”) is that free has become a religion for the e-vangelists. They give cartoons away for free that they could sell (...) Not only are these guys driving down the prices for all of us who are trying to make a living, they’re doing the same thing editorial cartoonists are doing by lowering the quality.

Kurtz tried to give PVP away for free to newspapers a while back and there were no takers. Why? Because it’s terrible. Incompetently written. Awful characterization. Plastic, cold artwork.

Aqui entramos na veia elitista do Ted. Mais nas conclusões. Fechado o parentesis sobre o Rall, da sua argumentação self-contradictory, apenas para manter os cómicos entre nós acordados:

Look at Alan Moore’s stuff. Watchmen is actually pretty lame. So is V for Vendetta. Both reflect unsophisticated minds regurgitating vapid pol-speak minus serious ideas.

Um parágrafo depois, sobre o seu livro "2024", um take à distopia do Orwell actualizado para referência de final de milénio, muito em linha com o que "Watchmen" e "V for Vendetta" fazem às suas permissas:

The sales were abysmal, so I must have failed to some extent as a writer.

Finalmente, onde tudo se torna interessante. Ted pergunta:

Is everything going to be Web-only from now on, as e-vangelists like Scott Kurtz (PVP) would have us believe?

E a inimizade entre o TD e SK é já parte da mobília web caso ainda não tenhamos carregado bem essa tecla.

As if it’s not bad enough to be suffering a crisis of faith and economics, we have to put up with a Greek chorus of assholes like Scott Kurtz, who recently sold T-shirts that read “I’m killing newspapers.”

Sobre as t-shirts já sabemos. Agora ficas a saber que vender t-shirts não é a única forma de pagar as contas na indústria dos webcomics: também podes vender bilhetes para eventos, como o Rall pretendeu exemplificar na discussão anterior. E a cor do dinheiro ninguém descrimina, pergunta ao Ted-e-ao-Scott.

Mas o verdadeiramente engraçado é a resposta de MB:

in recent years, I was holding out hope that some opportunities would develop for a sort of online staff cartoonist/blogger (since that is obligatory these days) position for a news site. I think we are far enough along in the digital revolution to say that isn’t going to happen on any worthwhile level.

Um jovem Bors a decretar que a revolução digital afinal não cumpriu a sua promessa? Para compreendemos a falácia do Bors, hoje um dos principais se não o principal exemplo de que o Bors 2009 se enganou redondamente, está no momento em que proferiu essas palavras.

O “I think we are far enough along in the digital revolution to say that ---” teve a infelicidade de se pronunciado em finais de 2009, demasiado cedo para a outra revolução digital que estava ao virar da esquina e que se tornaria no actual estágio definidor da sociedade humana: o mobile.

Sendo o próximo o da inteligência artificial, que já aqui afloramos na parte que nos interessa e mais haverá a dizer, mas abordemos um estágio civilizacional de cada vez, ok?

Para contextualizar, recordamos que o primeiro iPhone é lançado em 2007. Em 2009 vai na sua terceira versão e é ainda um aparelho de luxo. O mais acessível android apareceu em 2008, mas teria de esperar até 2010 para superar o iPhone em vendas de unidades nos States - e se esta sucessão de datas vos cria uma sensação de dinamismo do mercado em crescendo exponencial, para atenuar essa impressão, recordamos que o líder incontestável a superar era ainda a RIM, ie Blackberry. Resumindo: o mobile mantinha-se uma pequena novidade inconsequente.

Seguem-se dois gráficos para ilustrar essa realidade medieval de há 8 anos trás. Importa-nos o ano 2009:

Symbian (principalmente, Nokia) era à data o sistema operativo dominante, num universo de uma disparidade de outras soluções ainda - Bada OS (Samsung), Palm OS e o webOS (Palm). Os Blackberrys são hoje uma empresa de software que muitos se espantam por saber que ainda existe, os Nokia dominavam o planeta no espectro oposto e são hoje uma pálida aquisição da Microsoft, os Palms desapareceram sem deixar vestígios... O que um par de anos muda. Mais, comparemos estes não em percentagens mas em unidades vendidas, e o abismo torna-se ainda mais evidente:

O que nos dizem os gráficos? Que à data da nossa conversa entre Rall e Bors, a verdadeira revolução digital ainda estava por acontecer: essa não foi a internet, mas sim a internet no bolso. Último gráfico, para compreenderes o impacto, porque nos ocupamos destes assuntos, e porque te queremos convencer a aproveitar a oportunidade que te cai no colo:

in "All digital growth now coming from mobile usage — comScore" maio 2015

Antes de voltarmos ao cenário de desolação que ocupa os nossos dois intervenientes sobre o fim da imprensa às mãos da web, note-se que esta regista um acréscimo de acessos nos últimos anos. Se a web limitada ao desktop canibaliza a imprensa, a web de bolso aliada às redes sociais traz-lhe uma lufada de ar fresco, um novo renascer, uma metamorfose da qual queremos que tu te okupes enquanto todas as hipóteses estão na mesa e as portas abertas. Não podendo ser precisos nas datas -mais ano menos ano aconteceu por volta de 2013, 2014, 2015, dependendo do mercado que se avalia, do tipo de trafego que te interessa, etc – o mobile destrona o desktop, e para ilustração este gráfico é um exemplo tão bom como qualquer outro, mesmo se o escolhemos especificamente porque se ocupa de sítios de imprensa. Da conclusão do report que acompanha o gráfico:

One of the more interesting findings in the the report concerns the way that many traditional magazine and newspaper publishers have been able to tap mobile audiences for growth. Once given up for dead, many of these media properties are showing strong growth on the basis of mobile usage. The mobile growth also speaks to the audience demand for what I would call “real content” — as opposed to content created largely or exclusively for PR or SEO purposes.

Dois destaques nossos: o mobile como audiência acrescida, e o conteúdo real, de que abordaremos quando te explicarmos o conceito de autenticidade – para outro dia.

Continuando à conversa. Ainda o Bors:

What I find disturbing is that online sites aren’t running cartoons at all

Doesn’t seem like we are a part of their future.

We are rapidly headed into the webcomics age, which I don’t think bodes well for political cartoons. I have no idea where the future is headed, but I don’t think the Internet is the savior it is sometimes portrayed to be.

Se o Bors 2009 conhecesse o Matt 2016! E as ironias não terminam aqui. Se o MB, que alguns anos depois criaria o tão conseguido NIB que no essencial prova ao seu younger self o quando o seu pessimismo não se justificava, pelo contrário o Ted Rall, pessimista ao momento da indústria mas optimista ao futuro da profissão, respondia a Bors:

Bors: - You seem pretty optimistic about newspapers. Why?
Ted: - Despite all the evidence to the contrary, I remain optimistic about print newspapers for a variety of reasons. The biggest one is that old technologies don’t vanish unless new ones that are better in every way supplant them.

E qual a biggest reason para o print ser melhor que o digital? Novamente aquilo do falar antes de tempo:

But print newspapers will always do something that digital can’t do. They’re portable.

Oops.

E depois veio o mobile. Mais uma ironia, o Ted saiu-se com essa nem um parágrafo depois de dizer que:

But of course, it’s impossible to predict what will happen.

Pois. Continuando.

Se TD se manteve numa dieta restrita de pensamento no que respeita à web, Bors, que aqui partilha do seu desprezo ao digital, mostra já a abertura suficiente que nos deixaria adivinhar uma adaptação aos novos media como a que mais tarde veio a protagonizar. Mashup para acelerar, começa no negativo mas com vontade:

I feel that editorial cartoons in particular are facing a crunch that other genres are not. All sorts of cool dailies are exploding online. Graphic novels are still in their relative infancy while taking off and gaining recognition. Editorial cartoons seem to be less relevant than they were. Not to me, but in a lot of people’s minds. We’re having such a hard time finding a stable model.

Algum soul searching:

Phones are the next step, I suppose.

E o arregaçar de mangas:

That’s not a generational divide — it’s being lazy and out-of-it. What cartoonist can’t scan their work? Little old grannies can scan in pictures these days. Photoshop’s been around for over a decade. It just adds to the belief that we are out of touch.

Ou a class ‘77.

E, finalmente, a resolução:

Someday I’d really like to see people as enthused about this genre as they are about graphic novels right now.

- e a solução:

Even if the “webcomics model” could work for us, I’d take it at this point. But I think we would lose something important about editorial cartoons. They are supposed to be out there engaging fans, casual readers and foes alike. So paying clients, even online, is still something that should be sought out.

E resolveu-o. Na impossibilidade de encontrar clientes que paguem, plural, fê-lo encontrando apenas um único paying client. O resto, sabemos como correu e está a correr, e esperamos para ver o que acontece a seguir: a evolução do NIB é um apontador evidente ao resto da indústria, e quando este saiu do Medium e entrou em hiato antes de regressar pela First Look Media a história parecia ter sido interrompida artificialmente. Mas, nas palavra de alguém, “it’s impossible to predict what will happen”.

Voltamos assim ao elitismo de Rall, e aqui incluimos toda a old school do alternativo subversivo que ainda rejeita a web. A opinião reinante bem pensante:

And of course 99 percent of everything sucks.

There will always be lame cartoons drawn by amateurs — for a while, until they drift away

And we can call attention to those who are doing good cartoons, while pouring derision and scorn down upon the hacks.

But now that there’s no gatekeeper, all the shit is everywhere. It used to be off the page. Now it’s damned near impossible for readers to distinguish what’s good because it’s surrounded by crap. That’s not good for the profession.

Gatekeepers aqui e aqui. Neste aspecto é-nos demasiado evidente que Rall expressa aqui sentimentos corporativistas que colocam a profissão antes do público. Ou, regressando novamente ao tweet inicial, Rall funciona numa lógica de pirâmide com a elite no topo e os restantes na base, sendo que no topo só há espaço para uns privilegiados poucos segundo o seu mérito. NOS POSITIVOS não somos contra o reconhecimento do mérito a quem o merece, mas somos contra a exclusão dos demais à razão de corporativismo do mesmo. Aqui, o Ted tem que ir pastar ao largo. Paradoxalmente, volta-nos do pasto justamente por via do seu optimismo pelo print, que é afinal um optimismo pelos conteúdos. Nesse ponto encontrar-se connosco ainda que o próprio se pudesse espantar com isso. Pelo Rall:

Print is dead, but it’s a lot more alive than the Web. (...) There aren’t even that many computers in the U.S. Print ain’t going away. What is going away is lame, fat, clueless, out-of-touch print. New print is a-coming.

A forma que esse new print assume, é o core do nosso debate. Se nesta entrevista encontramos um Ted já institucionalizado na sua radiquês -inventámos- e um Bors ainda idealista ao ponto de acreditar na importância da imprensa escrita, a evolução do segundo prova-nos certos, a institucionalização do primeiro alerta-nos para os habituais perigos de sempre a conseguir evitar, this time around, e once again. Apesar de se manter seguro das suas convicções, o Ted não é assim tão anti-web:

However, Web comics do open a window into a possible post-print, post-professional future on the Web.
in “The Golden Age for Editorial Cartoonists at the Nation’s Newspapers is Over” 2010

Ela apenas é anti-amador, aqueles que praticam do ofício, sem o profissionalizar. Voltámos às elites, e percebes o nosso problema com o problema do Rall. Do mesmo white paper, um ano depois da entrevista Ted / Bors, onde concordamos com o Ted e concluímos o seu exacto contrário:

The experience of the 12-year-old genre called “Web comics” — comic strips created exclusively for an online audience — have not, as a rule, attracted political-minded cartoonists. To the contrary, their reliance on building an audience and selling related merchandise (T-shirts, etc.) obviates political Web cartoons, which usually cannot have recurring characters. The most successful Web comics focus on cultural niches such as video games and computing.

... concordamos que os webcomics como existem não nos excitam minimamente pelas razões que aponta. É a sua potencialidade que nos move, e nos move a promovermos esta entre os teens e quem nos lê. Discordamos do Ted na solução: a melhor forma de tornar os webcomics relevantes, não é encontrar modelos mais proveitosos de se financiarem, mas simplesmente se abstraírem dessa demanda. Voltaremos aqui, é maior do que BD, cómicos ou web: é a framework total. Diz-nos Ted:

No doubt, some talented artists soldier on as a labor of love. But they are the exceptions — and even they don’t stick around forever.

Perguntamos nós: mas, porque haveriam de o fazer para sempre? Porque não apenas e sobretudo enquanto o for por vontade e sem restrições, quaisquer que sejam? E socorremo-nos do Bors, circa 2009:

That may sound corny, but drawing these things is addictive.

Um cartoon conjunto por Ted e Bors, 2009.

yes, there is no way we know what will happen.
Prognostication is a sucker’s game for sure!
Ted Rall

Próxima: altweeklies.

I find that it’s really hard to get those “off official topic” cartoons published. (...) in dailies, it’s next to impossible. Altweeklies love it and sometimes prefer it over something that’s very “news of the week.” (...) we’ve always had that kind of freedom in altweeklies.

alties