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Sobre "alternative newspapers".

Other names for such publications include alternative weekly, alternative newsweekly, and alt weekly, as the majority circulate on a weekly schedule.
in Wikipedia novembro 2016

Retomamos a citação final do nosso post anterior, retirado de Bors 2009:

I find that it’s really hard to get those “off official topic” cartoons published. (...) in dailies, it’s next to impossible. Altweeklies love it and sometimes prefer it over something that’s very “news of the week.” (...) we’ve always had that kind of freedom in altweeklies.

Antes de abordarmos a liberdade dos altweeklies e da sua preferência pelo off-topic ie, por tópicos persistentes na oposição ao ruído do dia, um breve resumo do que estes são. Da Wikipedia:

An alternative newspaper is a type of newspaper that eschews comprehensive coverage of general news in favor of stylized reporting, opinionated reviews and columns, investigations into edgy topics and magazine-style feature stories highlighting local people and culture.

As keywords aqui a reter são o stylized reporting, as reviews e colunas opinadas, e a investigação sobre tópicos edgy que as general news não cobrem. Familiar? À realidade nacional e com a devida distância, conheceste algo parecido que dava pelo nome de fanzine. Mas não são fanzines, são jornais mesmo, sem ilusões o fanzine seria ainda uma alternativa a esta alternativa.

Ainda da wikipedia:

Its news coverage is more locally focused and their target audiences younger than those of daily newspapers.

Para nichos e teens. Mais?

Alternative newspapers represent the more commercialized and mainstream evolution of the underground press associated with the 1960s counterculture. Their focus remains on arts and entertainment and social and political reportage.

Sucessores da contra-cultura do underground em que se alternam reportagens sobre as artes -pah, não há forma de nos livrarmos destas...- e tópicos político-sociais. E mesmo que hajam alguns alties "conservative" ou "libertarian", são "predominantly left-leaning" nas suas posições editoriais, cujo discurso vai do "satirical, ironic tone" ao "straightforward approach".

Obrigado Wikipedia.

Teen, wikipedia: não precisas de a aceitar como a verdade absoluta, mas podes aceitá-la enquanto a verdade como os outros a entendem, e essa preposição já te dá as bases necessárias para trabalhares quando esse incide sobre "os outros".

Tal como a imprensa generalista enfrenta os seus desafios, também os altweek sofrem com o impacto das novas tecnologias, ainda que o factor "local" lhes granjeie ainda as receitas de publicidade que os maiores perderam. Sobre o "local" vs "internacional" ou afins, falaremos para a próxima.

Definidos, porque nos importa abrir esta entrada ao altweeks? Pela feliz coincidência de tópicos que aqui se sobrepõem - e que podemos explorar na súmula de um único artigo do The Comics Journal do ano passado.

Obrigado TCJ.

Quid pro quo, muthafucka: há que escarrapachar a palavra "journal" por todo o lado, a academia curte disso.

NOS POSITIVOS sempre fomos apologistas que o melhor formato para o comix underground seria a sua publicação barata, massiva e descartável, como a que só é possível em jornal. Quanto mais panfletário o formato, melhor -panfleto enquanto folheto, o "estilo violento, satírico, polémico ou difamatório" (*) damos por adquirido. Se algo nos insatisfaz em todos os zines passados dOS POSITIVOS foi que por mais rasco o papel, nunca era papel jornal.

in "Dicionário Priberam da Língua Portuguesa" 31-10-2016

E porque gostamos desse formato? A peça do TCJ descreve-o best:

Unlike comic books, or even traditional newspapers, for the most part you didn’t buy an alt-weekly newspaper, much less hold on to it. You picked them up from a pile somewhere, read them or didn’t, and then threw them out
in "Alt-Weekly Cartoonists Finally Get Their Day at Society of Illustrators" 23 março 2015

A natureza descartável, renovável -e queremos crer reciclável- destes está em perfeita sintonia com o que consideramos ser a forma ideal à literatura que aqui nos ocupa: este não é um fim em si, mas um meio para outros fins.

Mas o apego ao formato não é a nossa única razão: como saberão da imensidade de teses que por aqui compilamos nos últimos tempos, viemos do fanzine mas exaltamos-vos a abraçar o digital. Tempos mudam, e deves adaptar-te ou morrer. Hoje é-nos claro que o melhor formato já não é em tecnologia de árvore morta, mas sobre plataformas que te permitam estar no telemóvel de toda a gente a qualquer hora em qualquer sítio, com a óbvia vantagem à reflorestação do planeta.

Do do artigo citado, "Alt-Weekly Cartoonists Finally Get Their Day at Society of Illustrators" - só o título senhores, só o título - outra razão ao debruçamos hoje sobre os alt: a influência do underdog e do unsug hero.

Very little has been written about the impact that these wide-ranging artists had collectively on the comics field and well beyond

The mainstream commercial success of the packaged ‘graphic novel’ has insured that model as the dominant narrative thread for comics histories since the ‘90s, further marginalizing so much lively, innovative short-form work that was produced for these ephemeral toss-aways.

The alt-weekly peak in the 1990s (...) Those papers were part of a long-tradition of non-mainstream comic strips appearing in non-mainstream news outlets (...) By appearing in the alt-weeklies, several generations of talented cartoonists gained access to audiences well beyond the world of fans of college papers, mini comics and zines. Their work was brought to the attention of alternative music and other fringe culture fans

Exemplificam com o Matt Groening e o seu "Life in Hell" -

"Bonus! Annoying catoons drawn crummier than your kid brother could do Plus! Tons of profiles of up-and-coming local bands you've never heard of that have broken up by the time you read this"

if, at age 23, Matt Groening hadn’t gotten a job at the Los Angeles Reader (...) there likely would never have been a Life in Hell, which means no The Simpsons, which means… well, “entertainment” would be different.

A colaboração de Matt Groening no LA Reader começou no atendimento de telefones e o entregar jornais antes de lhe aceitarem publicar pranchas, que nos prova que para fazeres algo de significativo não precisas de lhe indexar um pagamento - pelo contrário, pode-se fazer o caso de que o despreendimento às cláusulas de um qualquer contracto fomentam a liberdade de criação.


Na eventualidade de querem interpretar erroneamente o parágrafo anterior, uma clarificação: se te meterem a atender telefones ou a entregar jornais na base do estágio não renumerado, faz por passar o dia ao telefone em linhas eróticas ou despeja todos os jornais no primeiro contentor e tira o resto do dia para desenhares.

- mas expandem rapidamente a um panorama mais geral:

There’s a way in which the animation culture of the ’90s and 2000s and what goes on now with Adult Swim and all that [has its roots in] the strips in the alternative-weeklies (...) It was sort of this thing that was going on and the exploded into something else that left the original behind.

A maturação do subversivo em something else that left the original behind não é nada de hoje, é um processo trívial e permanente. Mas depende sempre do mesmo factor, a sua visibilidade.

Another reason why alternative-type cartoonists were beginning to get more regular work in mainstream publications at that time was because many of the art director were influenced and were fans of the same materials the artists themselves were

A sua inoculação à subversividade depende apenas de cada um, esta pode diluir-se e manter apenas a forma sem o conteúdo, ou podemos insinuar o conteúdo em todas as formas. Uns poucos resistem na segunda tradição, as engrenagens da sociedade tendem a moldar-te à primeira opção.

E que artistas são estes? Surpresa. Condensado de citações desse artigo, por nenhuma ordem em particular - alguns desconhecemos mesmo mas fica a referência:

Além de aparições por Robert Crumb, Kim Deitch, Denis Kitchen, Spain Rodriguez, Ron Cobb, Vaughn Bode e Gilbert Shelton, temos Mark Newgarden, o já citado Matt Groening, Jules Feiffer, Lynda Barry, Tom Tomorrow, Charles Burns, Ben Katchor, James Sturm, Michael Kupperman, Kaz, Drew Friedman, Feiffer, Mark Alan Stamaty, Stan Mack, Tony Millionaire, Gary Panter, Carol Lay, Doug Allen, Jim Woodring, Peter Bagge, Gary Panter, Roberta Gregory, Derf, Alison Bechdel, Marc Bell, Ellen Forney, Keith Knight, Ward Sutton, Jen Sorensen, R. Sikoryak, Karl Stevens, Shannon Wheeler e até o Chris Ware.


Destes, alguns já eram à data personalidades incontornáveis dos comix underground, outros foram eventualmente reunidos no "Raw" de Art Spiegelman, e o resto é história: acresça-se o "Weirdo" de Crumbs mais a avalanche de alt-comics subsequente, e os comics conseguiam escapar às prateleiras dos putos. Duvidamos que o artigo seja completamente inclusivo na listagem feita, mas o grosso da ideia passa: enquando os spandex se vendiam no quiosque e acabavam em plastificados para coleção e monetarização futura, qualquer pessoa podia pegar nestas publicações, que -

Unlike comic books or even magazines, in their original form, these strips were quickly read, or not read, and then thrown away

Anos antes da novela gráfica, já depois do comix underground, atingia-se o formato ideal no print. Seremos capazes de o fazer de novo, agora em digital?

There was nothing like walking the streets of the city and finding what had been tacked to my drawing board only hours before, now lining it’s gutters, block after block. What more confirmation could any artist want that they were of their time?

E tu? Vais continuar desfasado da época que vives?

a good cup of coffe, a good comic - but can't throw them both to trash when I'm done

A indústria da imprensa impressa