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class '77

the world’s most powerful medium for knowledge, communications and commerce
sobre a World Wide Web in "The Web’s Creator Looks to Reinvent It" 7 junho 2016

Porque querem os punks class ’77 fingir que não, ultrapassa-nos. O digital obriga a uma nova literacia, uma que poderá escapar às velhas mulas mas da qual os miúdos serão prolíferos na idade certa: estamos optimista pelo advir dos teens tha be. Recordamos o Crumbs, que iniciou a revolução do underground comix (*) - o que de mais punk rock a BD alguma vez conseguiu e tudo o que de bom se seguiu - sendo que a exposição máxima da sua ingenuidade em miúdo se resumiu aos funny animals da Disney:

Born in 1942, the second of five kids, Charles was a comic book fiend during the era when four-color floppies flooded the newsstands. Cherishing funny animal comics in general and the Walt Disney brand with a special passion, Charles shanghaied his siblings intro producing their own "home-made comics" as part of the "Animal Town Comics Club."
in "Crumbs in the beginning" 5 abril 2012

* Há uma exposição a decorrer agora algures sobre comix underground outubro 2016, da qual não rezará a história porque de artefactos digitais para o futuro está quieto... Aquilo das mulas.

Os miúdos de hoje são bombardeados por uma panóplia de conteúdos e linguagens tão sofisticadas que não podemos deixar de tecer comparações: se do universo Disney extrai-se um underground comix, o que alcançar quando uma nova geração nativa ao digital, aos videojogos, ao multimédia, às redes sociais e all things tech se sentir invadida por um anseio premente de desmontar o ritual do habitual? O ano passado mencionámos aqui a geração Nickelodeon nas pessoas do Rudolfo e Afonso Ferreira como exemplo de autores já à vontade entre as novas tecnologias, nos quais se encontram indícios mais que óbvios da influência destas. E estes são primeira geração, na qual - justamente- se evidenciam influências: o que podemos esperar quando estas forem tão naturais aos seus contemporâneos que são-lhes transparentes a ponto de nem se maçam em questioná-las, apenas usá-las no seu máximo impacto?

Punx ’77, têm a nossa total solidariedade, somos da mesma classe. É mesmo uma das nossas próximas tattoos: faz parte, não há que -ou porquê- esconder. & we get it. Mas. Ainda não arrumámos as botas. Somos lentos para mais correrias, e se não podemos escapar aos powers that be, também não temos mais por que fugir: wherever we stand last, we make our last stand. Mas. Não somos o fim da história. Deixemos as fundações para mais e melhores depois de nós.




Abraça o digital.

Não faças deste a tua casa, faz dele território inimigo: incursões de guerrilha exigem-se. Trata-o por tu, move-te com à-vontade, subverte. Vivemos uma época definidora da internet-to-be, com silos proprietários a canibalizar a open web em full throttle para retalhar a web numa colecção de wallet gardens, apps e afins. Não somos technophobes quando temos as nossas pinturas de guerra, e quando és a mercadoria -if it’s free, ur tha product- e não faltam tentativas de fechar o "open" pela refunda, imprimir mais uns zines para consumo dos amigos soa-nos a capitulação. Para isso tens o Facebook.

Não é um debate novo, mas cada vez mais urgente e na ordem do dia - open web, indie web, encriptação e (pretty boa) privacidade, tha works, e agora a web descentralizada também. De junho/julho passado, um resumo deste último que condensa o rationale de todos e mais alguns:

The web was designed to be decentralised so that everybody could participate by having their own domain and having their own webserver and this hasn’t worked out. Instead, we’ve got the situation where individual personal data has been locked up in these silos. (...) The original purpose of the web and internet, if you recall, was to build a common neutral network which everyone can participate in equally for the betterment of humanity. (...) So what happened to the initial dream of the web? Much of the altruism faded during the first dot-com bubble, as people realised that an easy way to create value on top of this neutral fabric was to build centralised services which gather, trap and monetise information. (...) Meanwhile, it disables fundamental internet freedoms such as the ability to link to content via a URL or the ability for search engines to index its contents. (...) The Decentralised Web envisions a future world where services such as communication, currency, publishing, social networking, search, archiving etc are provided not by centralised services owned by single organisations, but by technologies which are powered by the people: their own community. Their users. The core idea of decentralisation is that the operation of a service is not blindly trusted to any single omnipotent company.
in "A decentralized web would give power back to the people online" 9 outubro 2016

O sentimento comunitário e igualitário nas oportunidades e respeito não te deve ser estranho - de onde conheces tal ímpeto...? Continuando: como se propõem a fazer isso ainda cai no reino da futurologia mas ecoa os mesmos princípios e receios habituais desde que o Facebook e afins se tornaram os "gatekeepers to our digital lives". Muito boa gente já compreendeu que o digital tem agora uma importância desmedida sobre a realidade, e estas duas citações deveriam ser o suficiente para não querermos não estar com atenção às transformações tecnológicas que ocorrem hoje:

National histories, the story of a country, now happen on the web (...)
People think making things digital means they’ll last forever, but that isn’t true now.
in "The Web’s Creator Looks to Reinvent It" 7 junho 2016

Ameaça o digital.

Facebook bashin' - class ’77 cheers!
O que é patético quando alguns andam por lá.

Citando o Harris - um sujeito qq- na Atlantic do mês que vem -time travel!-, a propósito do quanto de usos e hábitos e controlo de comportamentos são "hijacking techniques - the digital version of pumping sugar, salt, and fat into junk food in order to induce bingeing":

Harris began to see that technology is not, as so many engineers claim, a neutral tool.

That itch to glance at our phone is a natural reaction to apps and websites engineered to get us scrolling as frequently as possible. "You could say that it’s my responsibility" to exert self-control when it comes to digital usage, he explains, "but that’s not acknowledging that there’s a thousand people on the other side of the screen whose job is to break down whatever responsibility I can maintain."

In the end, he says, companies "stand back watching as a billion people run around like chickens with their heads cut off, responding to each other and feeling indebted to each other."

"Never before in history have the decisions of a handful of designers (mostly men, white, living in SF, aged 25–35) working at 3 companies"—Google, Apple, and Facebook—"had so much impact on how millions of people around the world spend their attention"

"Our generation relies on our phones for our moment-to-moment choices about who we’re hanging out with, what we should be thinking about, who we owe a response to, and what’s important in our lives," he said. "And if that’s the thing that you’ll outsource your thoughts to, forget the brain implant. That is the brain implant.

He suspects the passive state we enter while scrolling through feeds is similar to being hypnotized—was not time well spent.

The trend is toward deeper manipulation in ever more sophisticated forms (...) and being aware of software’s seductive power does not mean being immune to its influence.

in "The Binge Breaker" novembro 2016

Da mesma edição, outro artigo, ainda a propósito de redes sociais:

Facebook is the largest "country" in the world (…) Fifty-nine percent of American Twitter users rely on the service to follow news events as they happen in real time.

The more we’ve learned about behavior on social media, the more apparent it has become that the mirror is distorted—or rather, that it distorts us. For all the hope that comes from connecting with new people and new ideas, researchers have found that online behavior is dominated by "homophily": a tendency to listen to and associate with people like yourself, and to exclude outsiders. The new information ecosystem does not challenge biases; it reinforces them.

A livre associação de cada qual é com cada um, mas um ecosistema que reforça status quo é um problema quando a tecnologia não é neutra mas manipulável por quem a garante. É aqui que nos cabe a nossa quota parte de virulência:

This problem is particularly disturbing because of another feature of social media: Its users are not passive consumers, like TV viewers or radio listeners or even early internet users. Via platforms that range from Facebook and Instagram to Twitter and Weibo, we are all now information creators, collectors, and distributors.
in "War Goes Viral" novembro 2016

Criemos interferência, criemos turbulência, atrofia, entropia. Não nos escusemos apenas porque não te achas capaz de mais do que papel, tesoura e cola. E sobretudo, porque achas que mais do que isso não é punk by tha book. Fuck tha book.

"The web is already decentralized," Mr. Berners-Lee said. "The problem is the dominance of one search engine, one big social network, one Twitter for microblogging. We don’t have a technology problem, we have a social problem."
in "The Web’s Creator Looks to Reinvent It" 7 junho 2016

Enquanto se (re)inventa a tech, o social precisa de acompanhar passo. Voltemos ao social, aos media, aos conteúdos - e à prática. Teens, agora vcs:

Há dias Pacheco in Público recordava a maleita habitual dos media actuais, "um "jornalismo" sem edição nem mediação centrado no imediato e no entretenimento", no qual o "tempo mediático é cada vez mais curto" por culpa das novas tecnologias e superficialidade de hábitos que esta permite, com a consequência previsível:

"vive hoje dos rumores interpares nas redes sociais, de consultas rudimentares no Google e não se dá ao trabalho sequer de ir ler ou ver como se passaram os eventos sobre os quais escreve e fala"
José Pacheco Pereira in "O esquecimento como arma política" 15/10/2016

- adiantando o conceito de "as polémicas do esquecimento":

"polémicas que só existem porque ninguém se lembra de como era antes"
José Pacheco Pereira in "O esquecimento como arma política" 15/10/2016

Vá-vá, não vamos bater nas "consultas rudimentares no Google": aqui nOS POSITIVOS estamos a correr uma ongoing experience para provar que é possível viver apenas destas quando sabes o que procuras - já reparam que tentamos manter as citações no dúbio e efémero? Long story de quem se lembra como sempre foi: queres fundamentar uma análise de cultura pop só na base de filósofos oitecentistas? Nigga, please!

Já cobrimos a esterilidade dessa imediatez antes, assim como a solução vaticinada por muitos desde então. Ainda esta semana igualmente no Público -um Observador de armário-, sobre a crise de relevância do fotojornalismo:

Não acredito que o fotojornalismo, em si mesmo, esteja a atravessar uma crise de relevância. Em geral, a maior parte dos media noticiosos está a lutar para se adaptar a novas formas de distribuição (...) compete ao jornalismo dar sentido à realidade, colocando-a em contexto, explicando a sua relevância e as suas nuances às audiências (…) a importância do fotojornalismo tem a ver com o story-telling. Não se trata apenas de mostrar, mas explicar o mundo, explicar o que está a acontecer. (…) Acho que como jornalistas profissionais temos a responsabilidade de não ceder ao imediatismo e ao querer ser três segundos mais rápidos do que a concorrência escrevendo o que estamos a ver em 140 caracteres. Pelo contrário, devemos lembrar-nos da importância da compreensão e da contextualização dos acontecimentos e tentar passar isto de alguma de alguma maneira. (…) O trabalho de um fotógrafo vai muito para além de carregar num botão para registar uma coisa. Para se tirar uma fotografia é preciso estar no sítio certo, à hora certa e com as pessoas certas e a sua confiança. Isto requer muito trabalho de preparação e investigação. E há inúmeras histórias por este mundo fora que podem ser trabalhadas a um ritmo mais lento, ganhando acesso e conhecimento sobre a vida das pessoas que vão aparecer nas nossas histórias. (…) Com tanta gente a fotografar tanta coisa, penso que o maior desafio de um fotógrafo é trazer alguma coisa de diferente daquilo que toda a gente está a fazer. Isto pode querer dizer ir mais fundo do que toda a gente, oferecer um ponto de vista diferente ou procurar uma aproximação estética alternativa.
in "Os jornalistas profissionais não devem ceder ao imediatismo" 16/10/2016

Longo texto para repetir em pt_PT o que já aqui dissemos da banda desenhada e media antes. Estes últimos estão no limiar de uma transformação radical, os primeiros estão extraordinariamente bem posicionados para tirar partido dessa ocorrência. De artigos já citados, compare-se a intenção à descrição:

In comics journalism, more so perhaps than in any other medium, the reporter’s role is consistently emphasized. He is often present, not merely as a voice or a talking head, but as a moral viewpoint and as a participant in the events described. "You become part of a story if you’re a journalist," Sacco says. "I mean, you can try to write yourself out of it, but you become involved."
in "The Case for Comics"

Sacco, who has published a number of works of graphic journalism from war zones, sees himself as a sort of one-man documentary crew, "a set designer and director," responsible for visualizing, to the best of his ability, the events set before him
in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism"

Art Spiegelman argues, "The phony objectivity that comes with a camera is a convention and a lie in the same way as writing in the third person rather than the first person. To write a comics journalism report you’re already making an acknowledgment of biases and an urgency that communicates another level of information."
in "The Case for Comics"

Cartoons are "infinitely more effective" in evoking the emotions he felt than words alone - the reader not only sees his words, but in his choice of images and in the fevered stroke of his pen, his angst resonates
in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism"

Intenções: não é nossa convencer-vos a seguir carreira em jornalismo - na medida que nos cabe, por favor evitem tornarem-se corporate whores, sendo que nada se prostitui mais do que o jornalista circa dois-mil-e-hoje -mas sempre foi assim, não foi? É nossa intenção sim evidenciar-vos que os próprios media estão sedentos do tipo de conteúdos que são naturais aos comics. Porquê? Porque o digital-no-mobile os obriga a compreender que direcção evoluir, e felizmente para nós as pistas que nos dão são francamente motivadoras.

Importam-nos os media? Com sorte, cada vez menos, se os conseguirmos circundar com sucesso.

E aqui separamo-nos da class ’77 se pretendem o passe de magia ignorando-os. Nós pretendemos ultrapassá-los em pragmatismo. Estes, enquanto ruído hegemónico, poderão finalmente estar debilitados o suficiente para os tirarmos da sua miséria: insistirmos no fanzine - que já foi a alternativa de comunicação possível- é abdicar de o fazer. Somos irrepreensíveis nesse departamento: na era dos fanzines fomos culpados do abate de mais árvores que a nossa consciência nos deixa perdoar. Mas sempre o fizemos como meio para um fim. Esse fim é agora realizável de forma mais eficiente por outros meios. Romantizamos o zine e ainda editamos nesse formato aqueles conteúdos que não vão ver a luz do ecrã -quase dizíamos "dia"-, mas esses conteúdos são enterrados em zine justamente pela auto-exclusão de que são garante. E quando editamos um desses zines, não fazemos um press-release a anunciá-lo ao mundo.

Focamo-nos nos webcomics mas por deus popula os air-waves com tudo o que tens, o importante é marcares presença. Fanzina no digital, começa quatro blogs hoje, se dás valor aos teus conteúdos tem tudo a um click de backup para re-importar noutra plataforma do dia para a noite. Cria lastro, cria arquivo, cria histórico, sequestra os resultados dos motores de pesquisa.

Be a goddamn punk!

♪ Like maybe I don't choose punk rock,
because punk rock chooses you.
♪ You know, I've seen the same bands so many dozens of times,
♪ but with dozens of different names
♪ across dozens of different state lines.
♪ And I won't always admit it, but I think
♪ that the world's better off with the world better in it.
And so if we're picking sides,
I guess that I am for every shitty three-chord high school punk band.
♪ Oh yes I am, oh yes I am.

random quote tha boot:

“nas naturezas complexas este traço transcende geralmente a mera sede de poder - representa também um amor estético pela ordem

atenção ao zeitgeist