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I don't remember when exactly I read my first comic book" Palestinian scholar and activist Edward Said wrote in the introduction to Joe Sacco's seminal work of comics journalism "Palestine" "but I do remember how liberated and subversive I felt as a result.
Edward Said in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism"

Estamos na web a citar a citação duma citação da web, com a original ali na estante algures. Get it?

Cómicos no digital, webcomics, media e punx: é nossa intenção expor-vos uma relação e terminar numa exaltação. Segue-se um resumo que nos despacham os propósitos aos media, de onde citamos abundantemente de uma pequena seleção de artigos que, mais do que o tema em si, importa-nos o que contexto em que foram escritos.

Único pré-requisito: se chegaste aqui pressupomos que ultrapassaste todos os filtros de "espanta parvos" in place e escusamos-nos de te resumir o "4º poder" gone awry. Kudos. E com este único pré-requisito, saltamos mil páginas de catequese. 

Começamos por relembrar que a história dos comics e dos media já vem de longe. Da sua infância mesmo: é impossível sequer começar a compreender a banda desenhada na forma actual sem reconhecer a influência que esta deve à sua relação com os jornais norte-americanos do século XIX. De household names como Hogan’s Alley no New York World (1895), o Yellow Kid já no New York Journal (1896), The Katzenjammer Kids (1897), Little Nemo in Slumberland (1905), Mutt and Jeff (1907), Krazy Kat (1913), Gasoline Alley (1918), Little Orphan Annie (1924), and so on, aos cartoons políticos, às strips, aos sunday pages, quanto do seu formato e soluções visuais se mantêm ainda constantes e consequência directa desses tempo? No aspecto e soluções gráficas aos próprios conteúdos os comics foram em muito boa parte balizados para todo o sempre por esses primórdios de que emergiram e como nestes evoluíram semana após semana.

Well, that's that: lorem ipsum thiz bitch para a tese e salto quântico em frente...

Início de século XXI e as aventuras em spandex dividem atenção com novelas gráficas, de repente voltamos a associar (a possibilidade de) banda desenhada aos media, não sobre tiragens diárias de papel impresso -isso é tão século passado- mas no digital.

Comics are having their moment in the journalistic sun
in "What Journalists Can Learn From: Webcomics" 30 3 2012

O hiato entre os dois momentos é ultrapassado com o advento dessa nova tecnologia. Told ya. Hit it:

The digiterati are often comics fans and comics creators have been some of the biggest beneficiaries of technology-driven self-publishing solutions as well as social media.
in "Comics at SXSW 2012: Marvel, Symbolia and Round Table" 20 março 2012

Paradoxalmente, enquanto ameaça os media de extinção dos seus modelos tradicionais como sempre existiram, o digital permite o regresso à união comics & media como sua salvação possível - por razões bastante diferentes (*) da sua relação original (**), mas com a mesma intenção original (***).

* Insert tha "troubles and tribulation of digital media"
** Talkin'bout tha "exaggerated", "scandal-mongering", "sensationalist" "yellow journalism" wars
*** Insert tha "we're still in dire need of tha frickin' eyeballs"

Ainda do Publishers Weekly, noutro artigo:

not surprisingly, there’s lots of overlap between comics and digital culture and the creative engagement and simpatico between the two was clearly evident

the medium was celebrated, cited for an ability to creatively engage readers in a hyper-visual culture

hailed as a critical aspect of contemporary culture and storytelling
in "Eureka! Looking For Comics at SXSW" 15 março 2011

Esta é uma relação de que intuitivamente já suspeitávamos por experiência própria: não porque a tivéssemos procurado intencionalmente, mas porque algo -tipo, uh, olha onde estás...- no nosso dia-a-dia a foi impondo. E  mordemos a língua não nos adiantarmos de assunto antes de tempo, mas - e se conseguires manter a memória do facto para retoma posterior-, não deixa de ser curiosa as datas de publicação destes artigos, que como as demais devolvem-nos a 2011,12,13: uma coincidência que abordaremos adiante também.

A ligação entre comics e media não é particularmente mais interessante que a história da BD per se, e o género que nos ocupará de seguida também já está por demais documentada e comentada para lhe acrescentarmos alguma novidade digna de nota. Mas, como dissemos de início, é o contexto deste que nos importa. Falamos do graphic journalism, que por oposição ao novelo gráfico (mi = funny?) se pauta pela não-ficção -note-se, não dissemos “realismo”. Só para martelar bem o ponto que queremos fazer aqui, don't take our word on it, thiz  comics r lookin’/linkin' good for business:

while traditional journalism struggles to find its footing, comics journalism is inherently stylish, uniquely suited to sharing via social media, and popular as hell
in "How Comics Journalism Is Saving Your Media" 2012

Só o título do artigo/painel? "How Comics Journalism Is Saving Your Media" , hint hint? Na continuação:

editors, journalists and artists (...) have stretched the limits of comics to tell complicated stories in a variety of formats, from traditional paneled storytelling to interactive web pieces
in "How Comics Journalism Is Saving Your Media" 2012

Mas essa é apenas uma parte da nossa história. Do fecho desde parágrafo:

this creative nonfiction can impact public policy and reach a broader audience"
in "How Comics Journalism Is Saving Your Media" 2012

Destaque nosso, voltaremos.

Chegamos assim ao ponto que queremos que guardem para futura referência sobre media e comics para debate no punk-porco-sujo-e-agressivo. Do artigo que íamos escrever mas parte escreveram por nós - e vem com misto de ironia/cinismo que não andaria longe do nosso- um apanhado de dois lugares diferentes pelo mesmo autor:

journalism will survive, but it will reach a limited audience, as the sparsely attended productions of Aristophanes or Racine in small New York theaters are all that is left of great classical theater” (…) former New York Times writer Chris Hedges worries, prognosticating a bleak future in which news is only for the elite, the rest of us left to fed on Kayne West and Kim Kardashian’s kerfuffles

Could comics save the day? That’s right, comics – those immensely popular picture and word stories you always flipped past the real news to get to – can they bring real news back to the masses?
in "Uncensoring Comix Journalism: An Introduction for Educators" 24 10 2013

[comics] as an artistic medium capable of eloquently representing the human condition and reporting with the passion, accuracy and troublemaking spirit all but missing from the traditional media
in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism" 10 agosto 2011

graphic journalism are comics about reality, about our world – not fantasy, nor escapism.  This medium is still in its infancy, but illustrates a clear path forward, one especially critical for students growing up in an media-satured world, in which it’s hard to tell Kayne from Kosovo, the kerfuffles from the real news.
in "Uncensoring Comix Journalism: An Introduction for Educators" 24 10 2013

E aqueles dois últimos textos? "when we look at simplified images, we place ourselves into those images. Comics are subjective, in that we place ourselves in the story" ... say "CHEESE"!  (fará sentido aqui, prometo). Já sobre o "comics make the news into art" estamos conversados.

Thirty-something Brooklynite, self-professed news-junkie and author Sarah Glidden laments that Iraq has become "yesterday's news," which editors now treat like yesterday's bread - a stale subject. While the troops' boots remain on the ground, foreign media bureaus - what's left of them - are in exodus and, thus, the continuing occupation of Iraq has steadily retreated from the headlines and into the backwaters of the paper, lost to microscopic print somewhere near a full page Macy's spread, the final destination before disappearing entirely. Glidden couldn't stand to be an idle bystander, watching from the safe distance of Internet Explorer as the story of the Iraqi occupation slowly died, the stories of refugees fleeing the war-torn nation consigned to footnotes in a future history text to be ignored by future college students. So, Glidden decided to take the news into her own hands.
in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism" 10 agosto 2011

A referência ao Internet Explorer não nos é tão inútil como poderás pensar, mas este texto já vai longo sem entrarmos agora em todo o tech-é-o-meio-é-a-mensagem. O destaque final é nosso, again, voltamos a ele no punkass-muthafucka part of tha series. Continuando:

For the uninitiated, Glidden's quest to report from Syria without journalistic experience or funding and to do so in comics, may seem laughable. (...) And while many readers may not take her chosen medium seriously, Glidden, also observed, the average American reader - her 30-something urbanite friends in particular - don't take serious news seriously anymore. Her friends "hate journalists, distrust the media and want to tune out"
in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism" 10 agosto 2011

Voltando ao SXSW de 2012,

comics journalism is growing, not shrinking, comics drive traffic to sites and comics engage readers who share them like nuts. News sites need to think about the kind of engagement comics can offer.”
Bors in "Comics at SXSW 2012: Marvel, Symbolia and Round Table" 20 março 2012

Fuckin’-A!

Mas.

Duas coisas. Primeiro, estamos a focar-nos no comics journalism sem que estes sejam a única relação entre media e cómicos - longe disso - apenas a mais imediata que nos interessa ao caso. Segundo: e aqui temos que vos esfriar o entusiasmo. Estes anos marcam também um pico de optimismo sobre o futuro dos comics e das novas tecnologias que coincidiu com alguma ingenuidade típica das fases pioneiras que precedem cada nova inovação. O case study a largar aqui para ilustração é o da “Symbolia" de Erin Polgreen citado num destes artigos - e agora começas a suspeitar porque os escolhemos :) Citando:

in recent years she’s noticed the growing “trend of comics nonfiction storytelling on the web, but not much comics nonfiction has been optimized for the ipad. Why not bring something like Comixology’s guided-view to the news; it’s a way to get more people excited about comics and journalism
in "Comics at SXSW 2012: Marvel, Symbolia and Round Table" 20 março 2012

[Symbolia is] a Tablet Magazine of Illustrated Journalism, that will be subscription-based and will focus on “general interest stories and themes using multimedia, comics and journalism”  (...) The journal will be completely digital and she said that it will not focus on “breaking news, but on the longtail news.” Polgreen said she’s compiled a “database of creators, illustrators and writers, and editorial standards are going to key. I want to advance the field of comics journalism, it’s about practicing what I’ve been preaching” (...) “People will get paid,” Polgreen emphasized, “journalists need to be paid and we’re looking at ways to offer a revenue share.” She said she’s also looking “media partnerships. We’re going to be an iPad app and we’re looking for ways to creatively syndicate our content and move it to different distribution channels.
in "Comics at SXSW 2012: Marvel, Symbolia and Round Table" 20 março 2012

Fast forward para 2015:

Symbolia Comics Magazine To End After Current Issue"
in diddo, 16 março 2015

Razão? A mesma que nos levaria a discutir o "internet explorer" acima. Ou, nas palavras dos próprios, "a lot has changed since we launched Symbolia":

we don’t want Symbolia to be a one-note media organization. There are other opportunities out there to tell stories using games, virtual reality, and other emerging technologies
in symboliamag.tumblr.com 13 março 2015

Apenas um exemplo, outros há. O bottom line: a tecnologia evolui, usos impõem-se. Voltamos agora aos webcomics, aqueles que se impuseram so far:

But webcomics are a slightly different animal. Not necessarily looking for mainstream recognition, many webcomics are defiantly indie
in "What Journalists Can Learn From: Webcomics" 30 3 2012

Disclaimer: a recordar - começamos esta série de textos justamente pelo expoente máximo da bd digital que se impôs no hábito de milhares de utilizadores: os spandex do dollar sign. Não os ignoramos -ignoramos-, não os menosprezamos -menosprezamos-, e se começamos por eles foi justamente para os tirar do caminho. Mas são animais diferentes. O digital industrial e os webcomics não se confundem excepto entre os mais confusos... Exemplo do mesmo report do SXSW 2012 sobre o "Operation Ajax", peça digital tão elogiada e complexa que arriscamos poucos a irão tentar repetir tão cedo:

In a presentation called, “Reinventing the Graphic Novel for the iPad,” [Daniel] Burwen offered a very detailed history of the making of Operation Ajax (...) Burwen discussed the difficulty of recreating the traditional pacing of print comics—often tied to end of page and page turns—in a digital work where there are no pages. It took him 3 years to complete Operation Ajax (not counting 2 years developing the script) with a team of about 60 people and the work manages to combine traditional comics storytelling with an array of digital effects.
in "Comics at SXSW 2012: Marvel, Symbolia and Round Table" 20 março 2012

Estamos muito longe do típico misfit aspirante das belas artes fechado no seu quarto ao som de bandas manhosas e a rabiscar doodles com papel e caneta. E ficamos a saber que o Burwen vem de um "background as digital artist for videogames”. Times a changin'.

Por contraste, diziamos, webcomics. Let's talk punk.

"The sort of people attracted to this are underdogs"

Apesar das incertezas, os comics estão agora extraordinariamente bem posicionados nos media como não estavam desde que se tornaram sinónimo de literatura infantil inócua mas sedutora de inocentes. E ainda que só o faça no gutter que separa as vinhetas, pelo menos o género reportagem que nos ocupa já transpira à politização dos cómicos.

it became clear to [Ted] Rall that even as reports flooded his television, the news had really stopped: the corporate media no longer asked real questions (...) "The insurgent sensibility is what drew us into the field" (...) we're going to slash and burn and it was very punk rock
in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism" 10 agosto 2011

Tão punk rock, que recorre aos meios clássicos do punk rock:

And so, to go against the heavy tide of the mainstream media, Archer and his fellow comics journalists have had to create a do-it-yourself culture, which means they not only write and draw, but self-publish, fund, market and sell their work to a skeptical, even cynical public.
in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism" 10 agosto 2011

Porque, e comin' full cycle agora,

The real marginal art is not comics, but journalism itself.

Este post acabava ali, mas entretanto a folhear a intro da "Revisão" achámos que vem a propósito da epidemia de jornalistas gráficos. Teen, para que um dia este não seja o funeral eulogy com que vão recordar a tua cena:

“Que engodo!" (... ) “fiquei algo desapontado com os seus discursos relativos à BD" (...) "nenhum deles pensava muito sobre a BD, raramente discutiam esse assunto" (...) "Não era uma gangue nem uma célula revolucionária. É o que dá ter fantasias do PREC, meu!!!"
Marcos F. in "Revisão" 2016

PRECários do flip-a-burguer: não estão a falar de vcs, mas estou a falar com vcs.

Next issue: bein' punk.

Comics ... seemed to say what couldn't otherwise by said, perhaps what wasn't permitted to be said or imagined," Said reflected on why comics seemed so dangerous to his elders and so popular with his peers. "I knew nothing of this then, but I felt that comics freed me to think and imagine and see differently."
Edward Said in "Warning: This Article Contains Graphic Journalism"

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