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Interrompendo o vosso domingo para comentar o quotidiano com subterfúgios encaixados de tópicos à nossa última instalação dos cómicos no digital: webcomics, media e tu. Três notícias, duas daquele jornal de sempre -porque, bem, algum tem que ser - e uma da Wired - porque, bem, consumo e cultura popular global faz parte do pacote. Como elas se ligam e onde vamos com as três deixamos-te à imaginação, mas se nos seguiste nos últimos tempos já sabes a resposta.

I

Primeiro, "O que andam os músicos indie a fazer no Facebook?" 09 outubro 2016 pergunta Hugo Torres este domingo no puffpiece de cultura D.I.Y.

Parêntesis: conheces o Hugo "editor online" de outras peças que já deviam ter cruzado com os teus interesses. Do seu perfil: "Há uma geração que se fez online (...) que se conheceu no IRC, no ICQ, no MSN, no email, no MySpace, no hi5, no LinkedIn, no Facebook, no Twitter (...) que jogou mais à bola com os dedos do que com os pés (...) a rede é o seu ambiente familiar". Curiosamente, não nos diz nada.


Se estamos aqui, também pouco ou nada do que -grosso modo- José Marmeleira e Joana Amaral Cardoso escrevem sobre BD nos chama a atenção. Houve um tempo que BD no Público era sinónimo de Carlos Pessoa, para o bem ou para o mal -grosso modo e como manda o bom tom destas coisas triviais que não merecem um departamento próprio ou é despachado com o par anterior- é agora paredes meias arrumado à laia de uma tal de LUSA.

Shiiit, o único puffpiece que o Público trouxe de menos enlatado foi o agora clássico-e-seminal “A banda desenhada nunca vai morrer” de Tiago da Bernarda 21 novembro 2013, por absolutamente motivo algum excepto o efeito normalizador que a imprensa empresta à realidade, desta feita permitindo às gerações futuras fonte de citação respeitável para a cronologia oficial da bd TUGA.

"TUGA" assim em maiúsculas, para ser tão descaracterizada como aquela tal da LUSA.

Citamos, remontamos, da remontagem do estudo que ele próprio cita:

construir uma audiência é uma tarefa lenta, “desproporcionada” e muitas vezes frustrante para artistas sem rudimentos nem recursos financeiros para contratar ajuda profissional

problema é que (...) há uma tarefa feita por tentativa e (muito) erro que pode comprometer tudo o resto: a comunicação

há um padrão: “Promover um produto musical não-adaptativo [é o mercado que tem de se adaptar e não o produto] para audiências pré-existentes e eventuais obriga a [investir] uma quantidade desproporcionada de tempo”

Esta é à parte, não é importante ao grand scheme só o nosso mau feitio a falar. Fica a nota:

Os anúncios “frios” do Facebook dão pouco ou nenhum retorno, mas são vistos como um investimento obrigatório

E o mais útil à humanidade aqui ó:

Ao contrário dos que trabalham com editoras ou profissionais da comunicação, os músicos independentes não aperfeiçoam o uso destes meios ao longo de anos nem podem passar esse conhecimento, como acontece dentro de uma empresa. Nem podem substituir-se a si próprios por alguém mais actualizado quando uma plataforma muda substancialmente ou passa de moda e é marginalizada.

We good?

II

Leitura seguinte, "How the Alt-Right Grew From an Obscure Racist Cabal" 9 outuro 2016 na Wired. Peça sobre o "National Policy Institute, the think tank that built the movement (alt-right)", um think tank “dedicated to the heritage, identity, and future of people of European descent in the United States, and around the world” ie: white supremacist, e "one of the four most influential organizations of academic racists in the country". Oy-oy! Não passou despercebido o "academic racists"...? Continuando, segue-nos a lógica - retalhado e remontado para vosso benefício:

the ideological tentpoles of the alt-right movement, have swum out into the mainstream

NPI’s moves come from a well-worn playbook. “The alt-right is just a rebranding of white supremacism for the digital age"

do so on a bland website (...) that bland website is a real key: you have to make the web work for you

like most of the alt-right, (Richard) Spencer (o racista-mór que preside à coisa) is very Internet-savvy. He knows that most of his target audience isn’t going to sit down with a tome on the “biological reality of race,” one of Spencer’s recurring phrases. That’s why he has a Twitter account and runs sites like fodetefodetefodete.com to deliver his ideology in bite-sized chunks.

Até um nazi percebe que depender de tomos de literatura é um big no-no de perda de tempo e em vez disso empacota o seu veneno em bite-sized chunks nessa coisa das webs. Mas havemos de lá chegar, este post é apenas um teaser - diz lá em cima no título! Bónus sobre a nossa pequena resenha:

whether because of economic stagnation, a culture of xenophobia and fear, growing distrust for traditional institutions, or—more likely—all of that and more, people’s loyalties are up for grabs

III

Last but not least, façamos aquela coisa do time-travelling e voltemos dois dias atrás até sexta e ao nosso crítico literário preferido no mundo inteiro - ie quando desce do pedestal e trata sobre os media, não de literatura - num artigo que fala sobre -uh- hoje, domingo: "A neurose de domingo" 07 outubro 2016

Sabemos que fomos inoculados de maneira irreparável com o vírus da sociedade do trabalho e do regime de repouso e lazer que lhe corresponde, quando passamos a sofrer de um mal que Ferenczi e Karl Abraham, discípulos e colaboradores de Freud, diagnosticaram e ao qual deram um nome: a neurose de domingo.

Vamos-lhe perdoar o pedantismo de referências mas por pouco nos perdia logo ali nesse primeiro parágrafo. Felizmente temos-lhe ainda alguma fé e cheirou-nos ao Abolition of Work também fresco na memória. Siga:

Esta modalidade neurótica não se deve ao facto de sentirmos aproximar-se a segunda-feira, dia de trabalho; deve-se antes ao facto de sentirmos que o tempo homogéneo global (que o capitalismo como um culto permanente, sem tréguas, instituiu) sofre uma interrupção. A burguesia assalariada da sociedade moderna não tem apenas direito ao repouso, tem também direito ao lazer (as rubricas da “cultura para o fim-de-semana”, dos jornais e revistas, são uma consagração deste direito).

Repouso vs lazer:

O repouso é ainda a continuação do trabalho, uma condição que o trabalho requer para poder continuar. O lazer é diferente: é um tempo “perdido” para o trabalho e para uma economia da utilidade.

Lazer mercantilizado = cultura, e , António, é por isso que ainda temos fé :)

Ou melhor, seria um tempo perdido se não fosse captado como mais uma forma de mercadoria. O lazer-mercadoria é hoje um dos sectores mais rentáveis da economia. Reside aqui o grande valor económico da cultura, descoberto há muito tempo, mas só recentemente formulado com o rigor dos números porque antes se temia que exaltar a utilidade económica da cultura continha o risco de confundi-la com o que é útil.

E porque três é um número mágico:

Ao repouso e ao lazer, é preciso acrescentar uma outra entidade, um terceiro termo: o ócio.

Fala-me desse tal de ócio?

Ao contrário do lazer, o ócio não é convertível em mercadoria. É do ócio que nascem, tradicionalmente, as letras, as artes, a filosofia. Ele obriga-nos a um confronto com a interioridade, é o tempo diante de nós.

O que liga estes três artigos? Ociosos do mundo, segui-nos na nossa última instalação aos webcomics tha be.

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