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Afonso Ferreira e Rudolfo

YOUNG TURKelodeonS

Depois de na nossa última incursão nos termos ocupado de dinossauros, procuramos hoje retratar a sua correspondência em gerações mais novéis que tenham prosseguido esse legado de BD alternativa, implicada em igual preponderância entre o quotidiano mundano e o ordinário arrogado. A exemplo dessa continuidade da irreverência e escatologia abordemos Afonso Ferreira e Rudolfo.

Apesar da nossa preferência pelos trabalhos de Rudolfo - que seguimos com uma maior curiosidade, já aqui dissemos no passado que o consideramos um dos projectos mais interessantes a sair do lamaçal da BD mais recente em portugal-, estes autores partilham de diversas similitudes entre si, tantas outras diferenças os distinguem, e ambos prosseguem uma atitude iniciada pelos seus predecessores ainda que adequando-a na quota-parte que lhes cabe à contemporaneidade expectável.

Sobre as similitudes e diferenças, ler qualquer outro gaijo que não nós. Abordemos as inferências da atitude.

No que a todos une por óbvia graça das suas afinidades, constatamos que editorialmente se movem pelos mesmos meandros da geração que os precede, vendo-se publicados com regularidade pela mesma chancela dos ditos ou alternando fanzines e antologias de sua autoria com o mesmo apetite à causa que aos anteriores os compelia na década de ’90 – Marcos Farrajota faz mesmo um “cameo” num Molly #2 acabado de sair.

E como aos seus precursores, aludiremos à mesma dificuldade: a causa em si.

Gostamos da BD de ambos: são-nos mais próximos –na sintaxe, não da semântica- do nosso universo e infinitamente mais apetecíveis à incumbência das aventuras inverosímeis de um fantástico heroísmo pacóvio ou à ficção banal de novelas por televisionar. Apesar de igualmente fantasiosos em hipérboles e animais –e ademais objetos- falantes ou outros devaneios extraordinariamente impossíveis, -e falamos especialmente de Rudolfo- às suas BDs podemos arrancar desabafos confessionais e autobiográficos à escala humana: por mais irreal que seja o seu argumento, descortinamos nestes uma autenticidade nevrálgica que por comparação a outros escritos que se travestem dessa ambição são incapazes do mesmo feito.

Mas-

Ainda que não os possamos implicar em concessões ao cortês ou delicado, as normas e consensos que quebram há muito que não chocam. E na que é a nossa principal ilação e diferença a registar: não é suposto.

Na origem da sua BD ainda estão os comix underground, o fuck you primordial ao sistema que antecede em espírito o próprio punk, avozinhos de outra época que se metamorfosearam em “alternativos” no ajuste de temas em final de século, no qual se manteve o satírico e o humor, envaideceu-se o biográfico, e perdeu-se a sua relevância social ou a capacidade de provocar. A propensão para o confronto tornou-se expectável e contida, e a sua ameaça dissipou-se em comodidade de consumo tolerável.

"what had seemed like a revolution simply deflated into a lifestyle”
Spiegelman

E como nos vangloriamos da duplicidade de sentidos dos nossos textos –quando não da sua triplicidade: temos uma coisa por trilogias... -, para melhor compreenderem a dupla ironia da citação anterior, ler Ted Rall.

Não concebemos que Afonso Ferreira (n.1988)e Rudolfo (n.1991) pesem nas suas referências mais imediatas as décadas de sessenta/setenta do século passado: bastará ler algumas das suas histórias para compreender que o seu imaginário se prende com realidades bastante mais atracadas a sensibilidades deste início de novo século, no qual pela primeira vez uma nova geração alcançou a maioridade já depois do advento da Internet. As suas referencias são outras. Infelizmente –mas o juízo de valor é nosso e não dos seus autores, temos mesmo dúvidas se estes, pelo contrário, não se regozijem pelas mesmas-, não são tão revolucionárias como os comix dos tempos da avozinha. O choque não move à acção: o choque é a acção. Vêm-se assim na estranha –para eles, natural- condição que nos caracteriza nesta nossa modernidade: possuem as ferramentas para o afrontamento, mas as suas provocações findam-se pelo entretenimento como objectivo pleno. Sem (pre)juízo de valor, repetimos, notemos que esta é a primeira geração Nickelodeon a alcançar a maioridade: não pretendem a transformação do mundo, aceitam-no como é, ainda que não se coíbam de energeticamente gozar com ele. Infelizmente –e é a terceira e última vez que nos miseraríamos neste texto- mesmo que a sua BD possa ser violenta ou excrementícia ou repulsiva ou ofensiva: hoje ela não é deveras ofensiva a ninguém nem os seus autores –cientes ou não- o querem que seja.

A renovação dos cómicos entre gerações é sempre uma mais-valia a enaltecer, não a temer ou desamparar -particularmente para aqueles que, como nós, desesperam por algo que valha a pena ler. Queremos acreditar nesta nova leva de autores. Estes, nativos num mundo global, digital, pós-tudo e trocista em cima, movem-se com evidente à-vontade no universo de referencias que perfilam. Da nossa parte, gostávamos que em devido tempo desenvolvessem uma consciência crítica do passado para que o seu futuro possa ser diferente do presente que lhes legaram. Da nossa parte, queremos que tenham o tempo, espaço, e oportunidade. Pessoalmente, gostávamos que aspirassem ofender. Pessoalmente, gostávamos que a pose tivesse propósito.


Resumidamente, por Afonso Ferreira.

Voltaremos a revisitar estes autores, brevemente - esperamos.

Nota de rodapé: “hey! porquê os miúdos e não um Marco Mendes ou afins?” a) OS POSITIVOS estão mais próximos do trash-crass-punk-comix e somos mais fãs do cartoon: u do tha math b) quem não percebeu ainda qual é o verdadeiro propósito destas crónicas? told ya, we do tha 3 level of meaning thingy, dumbasses! c) mas, Marcos Mendes, né? yeah, we can do that, o mês ainda só vai a meio ;)


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