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São três, claro.

I don’t like to have too much of a routine other than I try not to get up early.

No ano passado notávamos a propósito do Katchor a estranheza de como ele se enviesou no nosso radar, para logo de seguida registarmos as mais valias dessa coincidência. Hoje continuamos das coincidências aplicadas à banda desenhada e arte no digital, massas e $$$, criatividade e falta dela. Do final do mês passado, em entrevista a um seu ex-editor, "Legendary Cartoonist Ben Katchor on the Agony of Creativity" 27 mar 2017, com um sem número de passagens a revisitar futuramente quando alinharmos textos para as teses.

Porque começou a fazer BD, familiar a todos os do-it-yanos.

I wish there were a comic strip that felt like it was written by my favorite writer and drawn by my favorite painter." And I said, "That doesn’t exist." So I had to make it.

Do realm do d.i.y. ao fanzine militante com uma carga ideológica é um salto, e também aqui encontramos pontes generosas aos comentários do Ben: a melhor BD é aquela que tem assunto. Segue-se Ben em "the rare privilege of creative work" a propósito de políticas de organização do trabalho, uma visão cínica de uma sociedade estratificada em camadas de imbecilidade que sufocam a criatividade:

My father was a big influence on me — his politics and his view of the world coming from Poland before the Second World War as a socialist. He made me pretty cynical about things, even of having a career.

If you do any kind of work that vaguely involves having some creative inspiration, that’s a rare job. Most jobs don’t call for creativity, and most people aren’t going to be asked to be creative or to shake things up. Most people are just frustrated, I think, because nobody wants their ideas. The real question is how to live with creativity being stifled. How do you not shoot somebody, go crazy? People in advertising talk about creativity, but they’re just coming up with gimmicks. If they were creative, they would rethink the market economy.

O excerto acima arranha tópicos que já abordamos a propósito de profissões e lazer, mas no espírito de coincidências também se cruza a conversas de elevador ao décimo primeiro dia de abril no ano 2017 do senhor: quando alguém nos pergunta "se não temos sentimentos", regressamos às mesmas conclusões * de outras épocas e que hoje novamente revisitaremos.

* Temos para nós que o "advertising" é das mais merdosas das ocupações possíveis numa sociedade em espiral consumista -o parente trafulha de uma mais nobre ocupação, a comunicação- e poucos outros ofícios conseguem abandalhar-se ainda mais por baixo, sendo "comercial" um desses eufemismos para uma vida humana frustrada. Mais da incapacidade de imaginação do marketing e revendas para outros dias, a ilação de um "ficam em casa" pressupõe um silencioso "porque aqui há muito maluquinho" a arrematar.

Da migração do Ben Katchor para o digital:

He’d started drawing his strips on a graphic tablet, and (...) I was slightly devastated, and it struck me as an odd move: how could someone who chronicles Knipl’s world swap an ink nib for a stylus? The next time I saw him, he had a simple answer to that question: he had more control over the way the panels looked, and in his opinion, the strip was better. For him, art tools aren’t things to be fetishized; if anything, they are antithetical to the comic strip’s appeal as a story for the masses, rather than a work of art for the privileged few.

I know a lot of painters get into the pleasure of smearing paint around, but that’s not my interest in picture making. I don’t think of making pictures as this fun activity. It’s just kind of the other end of the spectrum of writing. It’s agony.

I mainly draw digitally now. There is no original, which is great. I feel like it’s more like being a filmmaker, just making this image that has no material basis. And these digital styluses may be more sensitive than a pen. It’s a good interface between my hand and the digital realm.

E chegamos ao fulcral da questão: "the beauty of mass reproduction" aliado ao "the pleasures of digital production". Aos que ainda conseguem acompanhar as nossas teses - admitimos, estas enrolam-se, mas é parte do processo das parir! - não é segredo algum que circundamos em torno de um conceito chave que já anunciamos mil vezes sem nunca o precisar: AUTENTICIDADE. Os mais atentos até já compreenderam que esta se baseia em parte nas ideias do famoso escrito do Walter Benjamin cruzada à aura -aqui, aqui e aqui por exemplo, ou mais antigo ainda- e actualizado à reprodução digital. Palavra ao BK:

I don’t sell my strips. Nobody really pays enough for a strip to make it worth selling. They wouldn’t even pay what I’m paid for one-time reproduction rights. I just keep the work together like a manuscript. Mostly people just cut the strip out of the magazine and tape it to their refrigerator door, so why would they want to buy it? But if they want a big one, something with more presence on the wall, I make digital prints. I really encourage people not to think about original art — the idea of these rare objects. That’s why I gravitated toward comics. I could have been a painter, and I said no. I hate the idea of making these single objects that somebody’s going to own and that no one else can see. I like mass reproduction, so everybody can have this thing in their life as a print or in a book.

Estivemos aqui também na ética dos fanzines a propósito do heart & soul de os fazemos por processos industriais. Também então se colocava a questão dos sentimentos. Então como a agora, a resposta é a mesma: artsy can go fuck itself, e devidas ilações. A autenticidade é única, mas não se define em unidades.

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