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a Resistência resiste à sobremesa e escolhe o deserto

in "The Raccoons of the Resistance return. And they are mobilizing" 10 mar 2017

Attention itself is supplementing financial capital as the determinant currency in our society.

…e na continuação do esforço iniciado de maior clareza aos temas abordados, parece-nos útil ainda dedicar umas linhas para crítica interna. Apesar da inevitabilidade do digital, não chegámos a este estado por acidente: onde outros aproveitaram o canal que se lhes abriu, entre os de sempre, a resistência habitual. Exemplo com o artigo que se segue, mas longe de ser uma excepção considerem-no uma tendência, e tradicional. Uma que está em franca regressão na ordem do dia nas suas praticalidades, mas cujo motivo de fundo merece alguma ponderação pois se foram precoces em conclusões ao conceder tão prontamente, poderão ainda ver-se certos se fracassarmos nas nossas guerras nos próximos tempos.

O resto do post tem por base o "Deserting the Digital Utopia" 4 out 2013.

Antes, uma alegoria para intro.

Nós somos contra o digital: o digital potencia o capitalismo.

Nossa resposta: o digital é uma forma de comunicação e informação, potencia aquilo que assim quiseres. O papel também potencia registos e comunicação e tudo mais, apenas pior.

Nós somos contra o papel: potencia o capitalismo.

Nossa resposta: no passado escreviam em pedra, argila, peles e pergaminhos...

Nós somos contra a escrita. Potencia o capitalismo.

E é por isso que somos primitivistas :)

The ideal capitalist product would derive its value from the ceaseless unpaid labor of the entire human race. We would be dispensable; it would be indispensable. It would integrate all human activity into a single unified terrain, accessible only via additional corporate products, in which sweatshop and marketplace merged. It would accomplish all this under the banner of autonomy and decentralization, perhaps even of "direct democracy." Surely, were such a product invented, some well-meaning anti-capitalists would proclaim that the kingdom of heaven was nigh—it only remained to subtract capitalism from the equation.

Surely!

It would not be the first time dissidents have extrapolated their utopia from the infrastructure of the ruling order. Remember the enthusiasm Karl Marx and Ayn Rand shared for railroads!

Railroads bad!

By contrast, we believe that the technology produced by capitalist competition tends to incarnate and impose its logic; if we wish to escape this order, we should never take its tools for granted. When we use tools, they use us back.

Introdução feita, segue-se enunciado:

Here follows our attempt to identify the ideology built into digital technology and to frame some hypotheses about how to engage with it.

E a conclusão final, que revisitaremos no final:

Looking ahead down this road, we can imagine a digital feudalism in which finance capital and attention have both been consolidated in the hands of an elite, and a benevolent dictatorship of computers (human and otherwise) maintains the Internet as a playpen for a superfluous population.

Ah, feudalismos... Todos os destaques nossos, e datando de 2013 não vamos bater demasiado no ceguinho porque em digital quatro anos são já muitas eras idas. Algumas das observações conseguem mesmo da nossa concordância. Uns cites aleatórios:

"that which does not compute does not exist"

"more and more of life is fitted to the digital grid"

"the algorithm is the fundamental mechanism perpetuating today’s hierarchies"

E onde começamos por concordar nas premissas base: o digital que corremos o risco de ter em breve é um exclusivamente devotado ao $$$, monopólio e vigilância.

The project of computerizing the masses extends the unification of humanity under capitalism. No project of integration has ever extended as widely or penetrated as deeply as capitalism, and the digital will soon fill its entire space.

Only when we understand the protagonists of our society as networks rather than freestanding individuals can the gravity of this hit home: digital collectivity is premised on market success, whereas we all experience failure in isolation. In the social networks of the future—which advertisers, credit agencies, employers, landlords, and police will monitor in a single matrix of control—we may only encounter each other insofar as we affirm the market and our value on it.

Apesar da óbvia constatação da potencialidade do digital para democratiza os meios de comunicação -

This culminated with the classic imperative of the do-it-yourself counterculture -"Become the media"- just as the global telecommunications infrastructure was miniaturized

- conseguem apresentar essa emancipação como mais uma infelicidade que nos aflige: deixamos de ser consumidores passivos para nos tornarmos-mos produtores de informação, e isso é… mau. Oy?

We have become the media, and our demand for autonomy has been granted—but this has not rendered us free. (*) The demands of consumers have been defused by turning them into producers: where the old media had been top-down and unidirectional, the new media derive their value from user-created content.

* Outras "infelicidades" do digital:

The more widespread digital access becomes, the more we will see social and economic polarization accelerate.

Porque, quando o digital elimina barreiras e facilita a comunicação entre pessoas, elas simplesmente revertem para um estado de felicidade extrema com a situação das coisas, em vez de se rebelarem? Pois, é-nos natural que a polarização social acelere perante uma maior troca de informação, e emparelhar com um maior hiato económico desta forma é enganador.

Consumers reprised producers’ demand for self-determination in the marketplace: first as a demand for individuality, and then, when that was granted, for autonomy.

Portanto, agora que já somos produtores dos nossos próprios conteúdos, e exigimos mais "self-determination in the marketplace", esta é-nos dada. E, "pior" ainda, com esta exigimos também maior "autonomia", e, deus nos livre, se calhar vamos consegui-la? Spoiler alert: alguns parágrafos adiante, é-nos dito que a alcançámos. E isso é… mau. Oy!

Competition and market expansion have always stabilized capitalism by offering new social mobility

E agora defendem que competição e mercados expansivos estabilizam o capitalismo e oferecem uma maior mobilidade social. WTF: se vamos criticar o capitalismo não emparelhes este tipo de observações...

Mas direitos ao assunto, e com a vantagem que alguns anos após o texto original nos dá, onde borregam que nem gente grande:

But now that the entire world is integrated into a single market and capital is concentrating in the hands of a shrinking elite, what could forestall a new wave of revolt?

Aparentemente, a resposta é trolls nazis que não se escusaram ao digital e conseguiram no processo a Casa Branca. That’s who. E se nos acompanhas nas teses sabes que metemos grande parte da culpa deste sad state of affairs nos punx 77 que em 2013 publicavam textos como o que aqui citamos hoje para meter o medo do digital às criancinhas.

Mais contradições, cruzemos estas duas afirmações:

Those who will never be millionaires can still dream of a million youtube views.

As in the financial market, corporations and individuals alike may try their luck, but those who control the structures through which attention circulates wield the greatest power. Google’s ascendancy does not derive from advertising revenue or product sales but from the ways it shapes the flows of information.

Portanto: podemos escolher entre $$$ ou a partilha, e se o primeiro é corno porque quase que o fazem soar como um objectivo digno enquanto milhões de views é vaidade e inútil? Não, se logo a seguir descobrimos que aquilo de ter milhões de views é a base do poder real porque quem controla a atenção controla o mundo?

Agora, aquilo da vigilância, e feudalismo yet again:

Statists will use the rhetoric of digital citizenship to justify mapping everyone in new cartographies of control, fixing each of us to a single online identity in order to fulfill their vision of a society subject to total regulation and enforcement.

Como combatemos? Entre outras frentes, com a neutralidade da web, open source, anonimato, fuck them DRM. Tudo vias que, neste artigo, são… más!

Liberal gradualists fighting for online privacy and net neutrality: it is a mistake to think that the tools built to rule us would serve us if only we could depose our masters.

Cabrões desses gradualistas liberais… Ou, parece-nos que os autores do artigo falham em perceber que as ferramentas que se usam para nos controlar ainda não o fazem convenientemente: neste momento discutem-se para que lado vão tombar, e com os punx a abdicarem do digital, o resultado será óbvio: depois terão efectivamente razões para se queixarem.

Exemplificamos com a queixa de uma "infraestrutura inquestionável":

The structure itself will be nonnegotiable. We can even imagine the rest of the population participating on an apparently horizontal and voluntary basis in refining the programming

Os que acompanham do debate dos DRM percebem a ironia dessa afirmação: o que mais poderíamos querer para salvaguardar a web em prol da humanidade! é garantir que esta não pode ser violada aleatoriamente pelos powers that be, definindo e trancando as regras que a regem para que ninguém a possa monopolizar. Muita, muita literatura corre nesses domínios. Mas, e o outcome dessa estrutura como a apresentam aqui?

...while rendering the infrastructure itself unquestionable—the more participatory a system is, the more "legitimate."

Participatório e legítimo… mau.

Mas nem tudo é mau. Nem nós atiramos pedras: o método é sempre o mesmo, mesmo entre nós: bite the hand that feeds é um dos nosso mottos, por boas razões. Voltas dadas, todos chegamos às mesmas conclusões quanto te moves por objectivos, não filosofia. No artigo debatem várias vezes a "liberal individuality" cruzada à "economy identity". Yadda yadda yadda à parte na definição do indivíduo online damos-lhe razão no ponto em que este é um reflexo de um modelo de identidade económico, não aquele que desejaríamos. A nossa resposta mantém-se: apropriação. A deles, afinal, é a mesma.

If a different digital is possible, it will only emerge on a different foundation.

Genuine freedom means being able to determine our lives and relations from the ground up. We must be able to define our own conceptual frameworks, to formulate the questions as well as the answers.

Understanding the expansion of the digital as an enclosure of our potential doesn’t mean ceasing to use digital technology. Rather, it means changing the logic with which we approach it. Any positive vision of a digital future will be appropriated to perpetuate and abet the ruling order; the reason to engage on the terrain of the digital is to destabilize the disparities it imposes. Instead of establishing digital projects intended to prefigure the world we wish to see, we can pursue digital practices that disrupt control.

A diferença que fazem alguns aninhos em digital. Em 2013, acusavam os programadores de serem os novos burgueses:

Understood as a class, programmers occupy the same position today that the bourgeoisie did in 1848, In the revolutions of 1848, the bourgeoisie sentenced humanity to two more centuries of misfortune by ultimately siding with law and order against poor workers.

Hoje sabemos que vão a caminho de serem os novos operários.
Either way, nunca fomos de rótulos, importa mesmo é o que fazem:

On the other hand, if a critical mass of programmers shifts their allegiances to the real struggles of the excluded, the future will be up for grabs once more.


emancipação, criminosos conformados e nossos iguais

happy propaganda day