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revolução digital comediana

Every conversation I’ve had over the last few weeks with comics folk has been some variation on the “we’re going through a revolution” talk. How we consume all our media is changing so rapidly that it’s hard to predict what will be the winner, or even what will be the concept of a winner.
"The current comics industry in two charts" 06/09/2016
Marcha circular dos corpos celestes no espaço.
"revolução", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa

Sobre o digital, as we stand.

O download legal ou ilegal de música provocou um choque em cadeia na indústria, e o regresso ao vinil por fetiche apenas prova que mais ninguém realmente espera que formato algum venha a destronar o digital. Situações semelhantes ocorrem noutras indústrias, como o cinema e os videojogos a modificarem radicalmente os seus modelos de negócio para responder ao desafio das novas tecnologias - chama-lhe uma espécie de vinil: "Nintendo's next console will reportedly use cartridges" 2 set 2016. Mesmo entre a indústria livreira, o digital provocou um "disrupt" que obriga editoras a estratégias ousadas e muitas livrarias a fechar portas numa economia de leitura no digital onde pressupostos de séculos idos são colocados em xeque.

Excepcionalmente, a acreditar nos reports mais recentes, ao contrário de todas essas indústrias os cómicos estão-se a adaptar bastante bem ao digital: não só os seus números crescem, como não canibalizam as vendas em papel, igualmente em alta.

A adaptação às novas tecnologias tem as suas bases óbvias de conveniência. Primeiro, pelo lado da produção: à escala indústrial atacá-los numa abordagem "digital first" parece ser o passo mais lógico e eficiente quando todo o processo de criação e desenvolvimento já ocorre exclusivamente no computador. Do lado da distribuição, uma vez digital, imediatamente acessível -falamos da indústria dos comics: onde dizemos "acessível" leia-se "vendível" - em qualquer parte do mundo a qualquer hora sem os encargos de transporte, armazenamento, (demasiados) intermediários, etc, parece-nos um no-brainer. Com uma distribuição de custos irrisórios, o preço de (más) decisões editoriais torna-se igualmente mais suportável, e podem-se fazer apostas em nichos de mercado que anteriormente seriam impraticáveis. Sem esse receio de experimentar e relaxando os critérios de entrada a novos temas e autores, descobrem-se novos leitores que se desconhecia a existência. E assim chegamos à audiência, onde se encontra o maior mistério à actual simbiose de vendas.

Seguem-se as duas ideias mais populares sobre esse crescendo em mãos dadas dos dois formatos, papel e digital, para o meio em particular que nos ocupa.

Ideia A), o artefacto colecionável:

after tasting digital comics, many fans go back to 'the real thing,' a comic book they can hold, collect, archive, share and have creators sign

Ideia B), os outros:

The audiences for print and digital overlap some, but not a lot (...) Digital comics serve a customer base that is somewhat different (...) either located far from a comic shop or unwilling for space reasons to hold on to a large physical library

A ideia A reporta o fanboy, o querido à indústria tal como a conheceste, a ideia B é uma tentativa muito esfarrapada para acomodar uma audiência que sempre existiu fora do direct market e que o spandex-on-tights tem agora oportunidade de agarrar. Podemos traduzir adequadamente o "pessoas que vivem longe de uma loja de BD" por "alguém que não vai entrar nesse antro de geekismo cruzado de cultura macho-infantil", e "não querem ter uma grande biblioteca física" por "não têm horas suficientes no dia para ler catálogos e preencher impressos de pré-encomendas com a antecedência necessária para as leituras do próximo mês", ie: tha rest of us folks. Como o dissemos da última vez que por aqui andámos, o mercado dos comics tem hoje mais do que um canal de vendas, e parece-nos que ao contrário da música ou mesmo da restante literatura, a BD -indústrial- agradece ao digital o acesso a mais leitores, não necessariamente a um maior consumo pelos mesmos.

Porque, nem tudo são rosas, senhores.

Vá, certamente desconfiavam que se vos estamos a elevar por um lado, é porque com a outra mão fechamos o punho para vos acertar bem nos balls...

Mais leitores, não necessariamente melhores leitores. Ainda a acreditar em reports recentes que sairam agora sobre o ano passado - leia-se "Digital Comics declined in 2015" 11 julho 2016- o digital como fuga para a frente necessariamente acabará por alcançar um limite à sua expansão.

North American digital comic sales declined roughly 10% to $90 million in 2015, down from $100 million in 2014, according to an analysis by ICv2. This is the first sales decline after a six year run of growth as the format exploded beginning in 2010.

O digital trouxe mais leitores aos comics, e a esses trouxe-lhes mais autores e obras e acesso a outros géneros como os "manga and Euro-comics", mas mesmo alargando as audiências, estas têm os seus ciclos e limites naturais. Neste ponto o autor da prosa que agora leem lançar-se-ia numa diatribe sobre a validade dos comics indústriais, particularmente aqueles que encarnam tão exemplarmente o mercado norte-americano, e quais os seus ciclos e limites naturais. Mas em prol de uma exposição neutra do actual estado da arte refreamo-nos de o fazer. Ur lost. Mas no mesmo artigo citado adiantam-se razões que, novamente, são uma tentativa esfarrapada de dizer o que diríamos, na forma neutra e redonda que deixamos em registo:

[factors in explaining the decline] perhaps the most important being the slowdown in new device purchases. Now that smartphones and tablets have reached near saturation levels, there are not large numbers of new consumers coming into the market for digital content, at least in North America. And without those surges in new digital consumers, catalogue purchases of digital comics are less robust, as longer-term digital consumers have already acquired much of the backlist that they want in their libraries.

Quando a volatilidade de certos comics estão dependentes de "gimmicks", seja na forma de capas alternativas ou como desculpa para dar uso à última coqueluche de consumo electrónico, estamos conversados. Não podemos deixar de pensar que a subita multiplicação de subscrições "flat-rate" a serviços digitais é apenas o reconhecer paradigmático da natureza das peças que têm em mão.

Sobre o lado mais obscuro do "all-you-can-download subscriptions that offer thousands of comics for a flat monthly or annual fee" cruzado à questão dos DRM falaremos um dia destes, mas a propósito destes e do boom cómico, com alusões à qualidade dos ditos, e no seguimento de grandes "revoluções", relembramos aqui um exemplo do início deste ano:

Over the last 10 years, Dynamite Entertainment, IDW Publishing and BOOM! Studios have done what few mid-size comic book publishers have been able to do: survive.

Com o título "Three publishers changing the comic book industry" 24 Jan 2016, é-nos dito que o seu sucesso resulta de um esforço muito intencional de "adapt their own properties for television and film":

key to their success has been licensing well-known media properties // The explosion of television and film content over the last decade is part of what has made the business sustainable // Ideally, publishers want to partner with rights holders that generate big, recurring media events — namely film releases // Without that regular infusion, the core fans will stick around, though overall interest will wane

À relação de causa e consequência entre comics, digital e iphonalaxies, a observação no primeiro artigo não podia ser mais sucinto:

Creators have been uploading web comics since the rise of the commercial internet in the '90s. However, mainstream comics didn't migrate online in any significant numbers until smartphones and tablets became commonplace.

Daqui à vacuidade destes comics é um salto, não vos aborreceremos com as nossas teorias. Seguem-se as da Heidi :)

I do find that the constant race for the new hot take is gliding right over a lot of good comics, especially graphic novels from smaller and more adventurous publishers. There’s a lot of good work being done by committed creators. Periodicals — especially all the relaunching and rebirthing going on — have sucked a lot of the oxygen and attention out of the room. I was told today that getting attention for off beat projects is getting harder almost by the day, and my news feed backs that up.

(destaques nossos)

E a Heidi está certa, até certo ponto - porque não está a olhar para o sítio tempo certo. Não devemos confundir o formato à forma ou totalizar o meio aos meios: o uso que se faz do digital não é o único possível e apesar de menosprezado entre aqueles que se ocupam do mercantilismo dos comics, outra revolução igualmente digna de nota já teve o seu início. A diferença deverá ser evidente no vídeo que se segue, circa 1974:

"On this day in 1974: CBC investigates the fast-changing world of comics"
25 Jan 2016 sobre 25 Jan 1974

O mundo a que esta reportagem pertence é-nos já tão distante que o nosso presente lhes seria ficção científica. E apesar das diferenças de realidade, uma realidade muito específica manteve-se inalterável todos estes anos: a indústria dos cómicos. Como um timeleapse de quase quartenta anos, é arrepiante como a reconhecemos no meio da imagem enquanto tudo à sua volta rodopiava. Hoje poder-se-ia fazer súmula desta mesma reportagem apenas com mais grotesco e excesso e menos inocência.

Mas então, tal como agora, a possibilidade de algo diferente insinua-se. Do post onde encontrámos o vídeo, sobre intervenientes no mesmo:

Another fan relished titles like The Fabulous Furry Freak Brothers, a series about "a bunch of freaked out friends who live together and smoke a lot of dope and have a good time," because it moved away from the traditional American superhero storyline to portray '70s youth culture.

This movement signified a more progressive mindset among comic book artists who were starting to self-publish, spawning a DIY ethos that would influence a generation of alternative comic artists of the '80s and '90s.

E como do underground se semeou o alternativo, já no advento do digital se semearam outras possibilidades mais dignas de nota que se extingam na bitmitização dos cómicos à volta sobre si próprios. Recordando, "creators have been uploading web comics since the rise of the commercial internet in the '90s", e essa é a verdadeira revolução a assinalar à banda desenhada que o digital permite: os webcomics. Não é uma dança nova: a indústria procura monopolizar e capitalizar, nas suas franjas a ameaça de algo independente paira no ar. Então como agora, uma maior acessibilidade à produção e consumo da BD sem censores our directrizes continuará a permitir-lhe uma lufada de ar fresco, mas particularmente agora, esta está extremamente bem posicionada no advento de algo maior: são os próprios media que se confrontam com a sua maior revolução de sempre.


e se comprar um novo telemóvel, estou a contribuir para mais vendas de BD! it's a win-win situation!

Eeee esqueci-me o que ia dizer. Hell with it, a revolução vai ter que esperar, duty calls e entalado pela tecnologia: goes to show.

on a sidenote: não aspirei, mas fiz as camas - some revolutions are doomed to fail

dead scene