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de dogmas práticos e práticas dogmáticas

Falávamos de identidade, diz-nos Bruno Campos no aCalopsia:

...O AmadoraBD tem[-se] transformado numa versão rasca do Salão de Lisboa, sem identidade própria, assolado por um caos crónico, um evento despersonalizado que esqueceu a sua história e o seu público que o visitava.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

E continuando destas, BC identifica como os "rostos mais visíveis" da transformação "pessoas como Nelson Dona, Marcos Farrajota, Sara Figueiredo Costa e Pedro Moura" a quem atribui o "delapidar progressivo da herança do festival". Acusa BC os ND, MF, SFC e PM de -

...subversão do conceito de um festival generalista virado para o grande público num evento que talvez pretenda ser mais "artístico", para não lhe chamar elitista centrado numa experiência museológica bafienta, datada e muitas vezes anacrónica.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Aquilo que sucedeu nos PNBD 2017 é só o reflexo daquilo em que o festival se está a transformar: uma festa privada, organizada sem critério e onde impera o gosto pessoal de quem tem o poder para decidir.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

In a nutshell, BC faz a "opção clara por um modelo inspirado na raiz popular que o festival teve, adaptado à realidade do mercado" – sempre destaques nossos -, por oposição à estratégia desenvolvida em anos recentes.

O AmadoraBD só é uma inevitabilidade até ao dia em que o deixar de ser, enquanto o público não o abandonar.

Ao longo destes 17 anos tem existido um maior preocupação com a "cultura" e a "arte" do que com a parte popular, o festival. (...) O conceito implementado (...) esquece que um museu e um festival são duas coisas distintas. (...) Os autores e a suas obras passaram a ser secundários no festival, [que] fazem com que o festival viva virado para o passado, transformando-o numa experiência previsível e desligada do mercado que deveria promover.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Temos então festas populares e realidades de mercado que se opõem a confraternizações privadas, elitistas e anacrónicas embrulhadas de cultura e arte.

Ie, Bruno Campos como fanboy.

E dizemo-lo assim para fazer dele o óbvio vilão desta tragédia que devem desdenhar- vilão e tragédia ambos. Mas, com um twist de argumento, talvez terminemos a nossa aventura com a sua redenção em anti-herói improvável de toda a história (*). Só não o é -vilão ou herói- porque esta não trata dele. Ou de nós.

* Cliffhanger alert!

E de identidades quase todas definidas, excepto a nossa. Espreitemos debaixo da capa - pun intented! Em teoria, nOS POSITIVOS estaríamos nos antípodas dos heróis em collants, e provavelmente mais próximos dos universos vilipendiados na peça: Fantagraphics e Drawn & Quarterly 4 ever!... Mas como antes, o que parece no papel –e monitor- não transpõe de forma tão linear IRL, tão mais complexa e sórdida em relações que se fazem, pelo que continuamos a repudiar as circunstâncias concretas da materialização de pressupostos sobre a que deveria ser a nossa primeira natureza. Se tiverem a paciência de nos ler compreenderão porque estamos com o fanboy.


I


A concluirmos em concordância a BC, primeiro temos que discordar dele: os seus argumentos não são os nossos (*).

* "...mas defendemos o seu direito a argumentar". E não têm como o saber, mas estamos a citar-nos a nós próprios, neste mesmo contexto :)

No blog Os Positivos refere-se que os autores nacionais, os tais supostamente independentes e alternativos, "submetem a sua liberdade criativa trocando autonomia por auditoria (pública)." Estão parcialmente correctos.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

"Parcialmente"...? Oh, it's on!

É uma questão de gestão de fundos

Como BC repete várias vezes, é política. Ele apresenta o caso em pleno arrebatamento neoliberal com as políticas que podemos esperar desse quadrante ideológico: austeridade.

Existem duas opções na gestão de fundos públicos para as artes:

  • Promover uma elite, organizando eventos e publicando autores que uma minoria na sua sapiência intelectual e académica adora, mas a generalidade do público ignora, muitas vezes com bons motivos.
  • Promover um mercado de qualidade, em que o mais importante não é realizar algo para agradar à elite dos "críticos", mas apresentado eventos e autores diversificados e com qualidade.

O modelo utilizado pela Bedeteca foi o primeiro, o modelo utilizado pelo AmadoraBD costumava ser o segundo.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

O alvo do protesto? A nomenklatura ortodoxa que do topo do seu comité central apodera-se dos meios de produção (*).

* Obra feita sobre venues que outros trilharam não é grande honra. Se o ABD é uma festa do povo não aticem a cólera dos fanboys e deixem-nos ao seu folclore.

O mea culpa: somos culpados de simpatia para alguma dessa agenda e adversários óbvios a estratégias rendidas ao mercado. Não vamos contrapor argumentos com BC - diferentes escolas de pensamento? (*)- mas registamos o fundamental do apresentado a debate:

* O neoliberalismo requer mais texto do que aquele lhe queremos dedicar neste espaço - podem sempre ler o jornal, "Neoliberalism: the idea that swallowed the world" 18 ago 2017, e da última vez que vimos até entre economistas se admitia que o neoliberalismo é mau para a economia nos seus próprios termos: "The fatal flaw of neoliberalism: it's bad economics" 14 nov 2017.

A malevolência inerente aos sistemas capitalistas e etc e tal, já todos fomos devidamente avisados, sendo tópico de conversa constante.

A verdade é que o tópico mais relevante dos movimentos independentes internacionais continua a estar ausente do dialéctica chiliana nacional: a remuneração dos autores, a distribuição e comercialização de modo a permitir uma produção regular e, voltando a repetir-me, remunerada. A ausência desta questão explica-se, em parte, devido à maioria do debate ser realizado pelo crítico, o funcionário público ou o dirigente associativo, tendo como base um conceito de abstracto de "arte" onde se desvalorizam e até se criticam aspecto mundanos como o facto de os autores necessitarem de dinheiro para comer.

Eu não sou apologista do capitalismo selvagem, mas sou realista e tenho consciência num mundo capitalista, sem existir um mercado de BD não é possível remunerar os autores pelo trabalho que realizam. Tudo o que a dialéctica anti-capitalista e anti-mercado conseguiu nos 22 anos em que a CCC existe foi continuar a não remunerar os autores, pelo menos condignamente, porque os autores recebem 500 paus ou nem isso, contribuiu para estropiar um circuito independente, o qual era débil mas ficou pior após se transformar num circuito chiliano.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

E esta haverá de ter resposta nossa (*) no âmbito das teses, mas fica a nota:

O autor que faz arte pelo amor à arte sem se preocupar com o vil metal é um conceito muito poético e giro, para quem não é autor. Contudo, até os autores se transformarem em plantas capazes de se alimentarem por processos de fotossíntese, vivam num mundo pós-capitalista ou, melhor ainda, não necessitem de casa, luz ou adquirir materiais para a execução da sua arte, toda a conversa que ignora a sua remuneração não visa a sua real independência mas a manutenção do status quo de dependentes das benesses estatais, condenados a fazer BD em part-time, a emigrar ou então dedicarem-se a outras áreas como a ilustração infantil.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

* Ainda que o próprio se acerque das nossas opiniões. Diz-nos a dada altura, outro contexto, de terceiros:

É a morte lenta há muito anunciada: Quando a organização se torna um fardo em vez de um prazer, é o que acontece. – Nuno Duarte

Pois. Fardos e prazer tendem a não funcionar juntos, normalmente...

E o tique neoliberal da austeridade? Acabe-se o serviço público, os privados fazem-no melhor, e de qualquer maneira é a lei da procura e oferta quem mais manda.

Um dos maiores problemas do festival é o seu director ter as prioridades trocadas. Insiste numa perspectiva conceptual do evento enquanto experiência museográfica

Quando existe uma redução orçamental não faz sentido investir no supérfluo e desinvestir no essencial, mas é o que acontece na Amadora.

No AmadoraBD a escolha recai sempre em opções que, analisadas de um ponto de vista operacional e financeiro, parecem revelar incompetência ou má gestão de fundos camarários, ou ambas.

Um festival que está de costas viradas para o mercado está também de costas voltadas para o público, o que o transforma num evento incapaz de captar o interesse do público, o que acaba sempre por o condenar à morte.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

O arqui-inimigo dos mercados: a sua distorção na forma de subsídios - quando não os recebem enquanto rendas, ie. Também aqui temos de discordar das conclusões de BC.

Contudo, parece que a generalidade desconhece que é nos mercados mais competitivos que existe uma maior produção de autores alternativos. É nestes mercados que os autores conseguem realmente ser independentes dos decisores comerciais, estatais ou críticos.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Considerem-nos generalistas nessa. Discordamos desse revisionismo histórico e do whitewash do underground como movimento acarinhado pelas lógicas de mercado duma Marvel / DC circa ‘60s e ‘70s, e sem esses a insurgirem-se contra a lógica da indústria hoje não haveria tendências "alternativas" – reais ou imaginadas. Como discordamos da importância que atribui ao $$$ público, e a total distorção que estabelece na relação entre quem paga a conta e quem canta de galo nessa: o abraçar o mercado sempre foi a antítese da voz autoral, não o seu paradigma.

Ao invés, num mercado pequeno como o Português, os autores acabam por ser quem menos ordena, quem tem menos poder ficando, dependentes do estado, seja no poder central ou no camarário. O qual foi elemento fundamental no desenvolvimento do mercado da BD nacional, moldando a produção de autores nacionais de acordo com uma ideologia pré-determinada e assumida, alheia aos interesses do público, à diversidade criativa e aos interesses dos próprios autores.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Não só BC nos dá razões para não lhe estendermos a nossa simpatia, como nos desafia a torcer pela equipa adversária. Imaginem-se aterrados entre nós de outro planeta, e digam-nos que estas descrições não são pure candy entre os que militam nas nossas tendências:

Algumas pessoas têm saudades dos tempos "áureos" da Bedeteca

Costa Moura (...) os agentes subversivos que concluem para levar o evento na direcção do passado, talvez num sonho de reviver os dias de glória da Bedeteca de Lisboa e dos seus eventos, onde foram colaboradores.

Associação Chili Com Carne é um projecto anti-capitalista, anti-mercado [&] a Chili é uma associação e não se rege pelos princípios do neoliberalismo. Também convém não esquecer que na dialéctica chiliana o mercado é o inimigo, e o Presidente da Associação é um anti-capitalista convicto que não quer ser confundido com um porco capitalista. Marcos Farrajota é tão anti-capitalista e anti-mercado que nem queria ir para o AmadoraBD [e fazia] lançamentos piratas durante o festival.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Têm o nosso voto. E, como sabem, não votamos. É a nossa costela do contra a falar mais alto, se querem um exemplo óbvio das nossas discordâncias com Bruno Campos, este serve:

O que era necessário discutir, aquilo que deveria ser a preocupação no debate sobre a BD nacional, deveria ser o seguinte:

  • Métodos de edição que permitem a remuneração dos autores;
  • Distribuição, como ultrapassar as limitações existente no mercado;
  • Exportação de obras, algo que já acontece de modo esparso, mas ainda não acontece com regularidade suficiente para permitir uma remuneração ou produção regular.
  • Divulgação mais eficaz do material publicado.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

As nossas propostas: digital, online, grátis - ou tendencial para suportar os custos. "Mercados" é palavra feia de porco capitalista.


II


Mas aqui acaba a teoria, segue-se a prática e onde a realidade se embrenha em escalas de cinza. Como recorda de Campos, estes vermelhos a viver do Estado não são "alternativa", são "o Sistema", e é-nos difícil esquecer onde sempre acabam os anarquistas cada vez que os comunistas sobem ao poder.

Mashup nosso para brevidade, não vá a extensão do original desmotivar-vos à leitura.

Dona e Farrajota são literalmente alimentados pelo sistema, porque são ambos funcionários públicos.

Existe um sistema que impede ou, no mínimo, faz tudo o que está ao seu alcance para evitar a existência de um mercado. Curiosamente, é composto por malta que anda sempre com o punk na ponta da língua mas devem sofrer de dislexia, o slogan que surge na literatura é "fuck the system" mas eles leram "suck the system", o que apesar de ser similar não é o mesmo.

É um sistema que vive de costas voltas para o mercado porque tem acesso aos fundos do estado, que vai pagando contas.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

So far: so what?

Primeiro, aquilo da autenticidade: continuam tão agarrados ao $$$ como os tais do mercado, apenas o enrolam nas intenções. Podemos –vamos!- pregar-vos da cartilha DIY outro dia, mas ou milita, ou não. Mil e uma outras formas de o ser ao invés de se limitar a uma wanna-be editora como qualquer outra, ainda se o disfarçam copiosamente.

Contudo, em vez disso anda-se num discurso que só revela hipocrisia ou um grave problema de dissonância cognitiva.

O problema é que a Chili é vendida por alguns como sendo "independente" e "alternativa" quando não representa nada disso, para além de ajudar a denegrir editoras que o são de facto [e] consideram que outras pequenas editoras são "inferiores" porque precisam de ter lucro para investir e recuperar o capital investido.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Não seremos tão perentórios a afirmar que a Chili consegue denegrir outras editoras, mas toca-nos da forma errada o discurso e talvez a keyword seja mesmo o "conseguir". Mea culpa pt2. de agendas e intenções: somos os primeiros a incentivar à apropriação da coisa pública, mas a nossa lógica é de infecção antes da cura. Na Chili a prática sobre a teoria tem sido a de subserviência a mais do mesmo: continuamos nos antípodas de BC em mercados mas de sítios diferentes ambos notamos a disparidade do "faz o que eu digo, não o que eu faço". O que nos trás ao segundo ponto: a prepotência de tentar controlar a narrativa.

Essa vantagem competitiva só é problemática porque em vez de ser usada para promover o mercado de BD nacional, é usada para o inverso: denegrir os autores ou editores não passam no teste de pureza chiliana que avalia o pensamento alternativo.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Não o fazem, mas não vos será necessário um esforço imensurável para nos convencer que o gostariam de fazer. O nosso problema com a nomenklatura por comité central e economia planeada? Bem, está na própria descrição. Se não vos chega, Bruno poupou-nos a prosa:

Quando se reduz um evento a uma visão limitada de um universo vasto, como é a banda desenhada, ignorando a maioria dos intervenientes, não tendo sequer a vantagem apresentar novas correntes ou tendências, aquilo que se está a instituir é efectivamente um festival de amigos para amigos, os tais que partilham um "pensamento" que apesar de se cognominar de "alternativo" se quer único, devido à superioridade intelectual que não possui quem o promove, alheio a qualquer relevância cultural, para além da visão míope dos promotores do dito evento.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Novamente nesse ponto estamos no canto de Bruno Campos e reforçamos o nosso problema com a ortodoxia do comité central.

O facto de a CCC ganhar prémios não era um problema, caso os prémios fossem atribuídos por mérito, algo já chegou a acontecer com Nunsky. O que os torna problemáticos é serem o reflexo da chilificação do festival, o qual está cada vez mais de costas viradas para o mercado e para o público, para além de ter sido obtidos graças ao nepotismo da política de filhos e enteados institucionalizada por Nelson Dona nas normas dos prémios.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Apesar de extremamente crédulo da benevolência dos mercados, a abordagem de BC é pragmática. Se nos querem discutir essa conclusão, primeiro rebatam-lhe esta:

Todos os fundos que foram gastos pela Bedeteca, seja no tempo de Cotrim seja no de Rosa Barreto, não serviram para construir qualquer infraestrutura que perdurasse. A morte lenta daquele serviço só foi sentida por aqueles que lá trabalhavam ou colaboravam, uma vez que o público não se importou muito com o seu desaparecimento.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

E por "público" contabilizem os gentios, não os peeps que respiram bd.

BC insiste na função de mercados como resposta ao catering de gostos, nós alertamos aos riscos de gatekeepers – mercados inclusive, mas ortodoxia arsty igualmente. Escolhemos viver fora do mercado e não encontramos virtudes na sua determinação arbitrária de gostos, mas na sua versão popular pelo menos são uma escolha. Na sua versão autoritária, não. Com a agravante tão ou mais prejudicial que nos obriga a torcer por de Campos: o mercado seca as alternativas com base no gosto da maioria, por mais rasteira que seja. A nomenklatura é elitista e dogmática, imune à vontade da maioria: do topo da sua torre de marfim mata as alternativas com intenção deliberada. Não é acidente que o supramencionado underground comix surge nos States, não na ex-URSS.

Julgo que terminamos as analogias políticas por aqui.

Num mercado pequeno em que a produção se encontra limitada a pequenas editoras com pouco capital para investir, eventos municipais como o AmadoraBD são fundamentais para potencializar o trabalhos dos autores e editores. Mas também podem ser um obstáculo que impede o seu desenvolvimento, caso seja tomada a opção de utilizar meio milhão de euros para promover aquilo que só meia dúzia aprecia.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Nem BC nem Costa Moura são donos da razão, e o meio milhão deve ser utilizado naquilo que, independentemente de quantos apreciam no presente, mais levará a fazer/haver no futuro - ie: aquilo que é sustentável, e esta pode ser a nossa veia veggie a falar mas o que os muitos querem hoje não garante o seu amanhã. Como lá se chega, depende da abordagem, e esta pode ser festa popular ou arte culta. Da nossa parte, já notámos na última ronda que fizemos nestes tópicos que nos aproximarmos em sensibilidades da Chili, mas é entre as abordagens pragmáticas que mais tendências e variantes de BD têm de facto tido a sua oportunidade de escapar à ditadura das maiorias, mesmo quando essas estão em minoria.

Se OS POSITIVOS quisessem jogar pelas regras do jogo teriam o seu lugar, ou, pelo menos, a sua oportunidade entre os demais. O próprio BC, fanboy mode, não levanta entraves ao diferente:

A presença de autores independentes/alternativos não é um problema se for um contributo para um festival diversificado, contudo não é isso que se tem vindo a verificar.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Já o comité central não admitirá –se o poder evitar- alternativas à alternativa: os P+ nunca poderiam ser.

Como nunca foi um movimento de autores mas de críticos, o mercado e os problemas que o afectam estão ausentes da retórica chiliana. Foi criado um conceito abstracto, posteriormente são seleccionados autores para serem editados como representantes de um movimentos, esquecendo aqueles não encaixavam nesse conceito e nos critérios estilísticos propostos, ou por outros motivos.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Perguntem-nos por quem estamos?


III


ON WITH THE SHOW
"It's all good, party-people: não se chateiem"

Antes e sobretudo, falamos de um festival de BD, who gives a flying fuck? Not this punk. Ressalva feita,

Não cremos em objecções de maior à persecução de visões promotoras, em última análise depende sempre da dita, não da originalidade do mecanismo em si: não se questiona o promover, mas o que promover - e nem chegámos ao como promover. Kuddos aos comissários de exposição por terem uma visão, pior seria se não tivessem nenhuma. Se essa passa pela "a presença de autores desconhecidos" ou "a exposição dos livros", ou ioga rítmica –inventámos- é da estratégia dos ditos e à sua responsabilidade. Mas recuperamos crítica feita à laia de advertência: além de sustentada, a estratégia deve ser sustentável – pior será se não o for. Pior e mais polémica só a evidência que o autor traça:

Na Amadora cada ano que passa se torna mais evidente que a banda desenhada serve de desculpa para promover a visão dos comissários quando o que deveria existir era uma utilização destes recursos para promover a BD.
in "Amadora BD na Intersecção da Cultura e da Politica em Portugal" 24 nov 2017

Apontam-lhes uma incompatibilidade entre a visão dos comissários, por um lado, e a promoção da BD por outro. A haver uma objecção tão sentida, é-nos legítimo supor das partes visadas o rebate da afirmação anterior, o seu silêncio seria gritante.


Jesus. Kant.

não fui eu que o disse