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Please keep making weird things and don’t be afraid to show the world.

I had been thinking a lot about how much the communities surrounding coding and designing personal domains inspired me to not be afraid to try something new. Around 2001 I started seeing a lot of other teenagers with their own domains. They had blogs, hostees, guestbooks, blogrolls, custom layouts made with pirated versions of Paint Shop Pro and Photoshop, tiny 8px fonts, bright colors, and were all unique.

My Angelfire and Geocities days were fueled through haphazardly put together Frontpage sites, combined with coffeecup image maps, and pilfered gifs found across the Internet. But my personal domains were all me. I started teaching myself more HTML & CSS, and finding as many helpful copy and paste JavaScript snippets I could find. I can still remember spending hours on the Internet scouring free resources created by other teenagers for really great grunge brushes to create the best layouts that represented me at that point in my life.

Friendships were made by knowledge sharing and similar interests because social networks were just starting to emerge in a modern sense, and prior to that we just created our own spaces. (...) Here at the beginning of 2017, I’m really happy to say that I see a lot of similar things that mirror that same spark I personally felt as a teenager.
in "Keep the Internet Weird" 3 jan 2017

Aqueles que prezam a liberdade de expressão, o acto de fazer e divulgar - e desprezam um autoritarismo que controle os meios de produção e canais de comunicação - não podem retirar-se para o analógico em alternativa à sociedade em rede.

Fazer fanzines sempre foi uma estratégia de negação do status quo, não uma capitulação às restrições que este impõe. DIY sempre foi uma call-to-action, não uma desculpa para artesanato. Utilizávamos as ferramentas que tínhamos ao nosso dispor, chamávamos a nós os meios de produção, apropriávamo-nos das tecnologias existentes para nos exprimirmos sem coerção.

geocities in "Cameron's World"

Há mais em comum entre estes dois universos do que queres admitir:

Nunca antes tivemos tantas possibilidades, mas, paradoxalmente, aqueles que mais entusiasmo no passado demonstravam pelo acesso a uma fotocopiadora fora de horas, hoje parecem indiferentes à destreza de um meio predominantemente imediato, gratuito, partilhável, replicável, universal.

O fanzine não se esgota no acto de produção, a sua divulgação é parte absoluta do mesmo: não apenas do objecto em si mas igualmente pela comunicação que cumpre. Online, em digital, o fanzine compreende o mesmo acto muito pessoal de criação, as suas possibilidades de expressão são amplamente mais vastas, a sua divulgação incomensuravelmente incomparável.

O fanzine digital implica outras técnicas através das quais o seu autor-editor se pode exprimir, suporta a mesma comunicação que se pode cometer sobre uma folha de papel, compensa a ausência de suporte físico com uma combinação de outros meios impossíveis nesse como vídeo, áudio, interatividade - input, feedback, ausência de uma linearidade, etc...-, ou mesmo, justamente, porque livre de um determinismo físico o seu autor-editor é livre de se exprimir de muitas outras formas.

Há seis anos atrás fizemos aqui uma apologia pelos fanzines em papel. Não nos queremos repetir nas nossas love letters ao formato - se nos estás a ler compreendes a necessidade e liberdade de editares nos teus próprios termos - mas recordamos dos excertos citados:

Against the studied hipness of music and style magazines, the pabulum of mass newsweeklies, and the posturing of academic journals, here was something completely different.

In zines, everyday oddballs were speaking plainly about themselves and our society with an honest sincerity, a revealing intimacy, and a healthy -fuck you to sanctioned authority - for no money and no recognition, writing for an audience of like-minded misfits.
Zinesters privilege the ethic of DIY, do-it-yourself make your own culture and stop consuming that which is made for you. Refusing to believe the pundits and politicians who assure us that the laws of the market are synonymous with the laws of nature, the zine community is busy creating a culture whose value isn't calculated as profit and loss on ruled ledger pages, but is assembled in the margins, using criteria like control, connection, and authenticity.

Online surgiam blogs para todos os gostos e feitios, as redes sociais eram uma curiosidade que entretinha os mais voluntariosos, o digital estava longe de ser o meio ubíquo que hoje é por via do mobile. Nesse contexto, com esse equilíbrio, o papel apresentava-se como uma escolha, uma opção entre iguais à qual dávamos a nossa preferência. Romantizávamos:

O ressurgimento dos zines por reacção à Web deriva sobretudo da necessidade de produzir objectos reais, artesanais, palpáveis. O “very hand made”, o único, versus a artificialidade da cópia digital, na qual as pequenas quantidades não são mais uma insuficiência mas um valor acrescentado contra o mass production que lhe confere um carácter mainstream.

Mas fomos demasiado precipitados no condenar do digital: há data os blogs predominavam e era-nos impossível prever que o Facebook viria a açambarcar a presença digital dos nossos autores-editores esvaziando-lhes o impulso de qualquer actividade digna desse nome online. Onde a história nos deu razão:

Recordamos aqui que o digital não matou o zine, apenas o tornou mais interessante já que a facilidade de acesso às redes sociais filtra os ímpetos boçais de muita pobre gente que assim não vai mais além do facebook.

E onde fez um desvio considerável do guião escrito:

Apesar da boa probabilidade que a Internet contem em si para matar o zine resolvendo questões tão caras ao meio como a distribuição gratuita e rápida, o alcance de uma audiência imensamente mais vasta e as ferramentas necessárias para gerir essa comunidade, na prática as novas tecnologias deram azo a uma nova mentalidade que não as utiliza como substituição mas sim complemento dos zines. A democratização das novas tecnologias de desktop publishing e a massificação das redes sociais provocaram o efeito inverso ao vaciná-los de anti-corpos que lhe garantem uma saudável imunidade ao monopólio digital: o zine não só sobrevive à Internet como se aproveita desta para a ultrapassar restrições do passado.

Contrariamente ao sugerido, os nossos autores-editores fracassaram no uso da internet em complemento do zine impresso. Em parte por iliteracia digital, não compreenderam a evolução da web e confundiram-na com o Facebook per se, em parte porque a sua veia arsty falou mais alto mas apenas em analógico, e passe o paradoxo com a aparente comodidade que a adopção do Facebook demonstra, no digital nunca quiseram arriscar o grau de complexidade que no papel tanto se orgulham. Menosprezámos um sentimento que já conhecíamos de trás:

The strategy of the zine rebel is one of removal: of communicating feelings of alienation by alienating herself from society. And the zine that records this struggle is not used as a medium to broadcast discontent to the dominant society, but as a way to share personal stories of living on the outside quietly with other disaffected individuals.

This is not merely a means-over-ends political strategy; for most zine writers there is no abstract strategy at all, no means and no end: just the authentic act. Alienated from mainstream political institutions, and wary of any constraint on their individuality, most zine writers reject a strategic model of politics and communication entirely in the search for a more authentic formula. The only thing that stands this test of authenticity is a highly personal act of expression: making a zine. For in producing a zine the individual commits nonviolent propaganda of the deed, creating an authentic medium of communication, expressing the thoughts and feelings of an authentic individual.

O equilíbrio que igualava ambos os meios foi completamente bordejada em prol do artesanal em analógico e o completo abandonar de competências no digital à fé de plataformas proprietárias fechadas. O papel já não é apenas uma preferência entre opções possíveis: a predominância absoluta do digital torna-o é um meio ao qual a sua escusa corresponde a um acto de capitulação.

Incentivamos ferreamente os autores-editores a reclamarem de volta o seu espaço, o seu domínio, os seus conteúdos, os seus processos. Mas entre uma comunidade que privilegia o DIY, a liberdade e autonomia de criação, a expressão própria, “control, connection, and authenticity”, estes estão estranhamente ausentes na frente que se exige, já que produção de um “zine” digital é um “highly personal act of expression”, um “authentic act ” tão artsy como o possível em analógico.

A derrota é duplamente constrangedora. Além de se escusarem ao digital como opção tão ou mais válida e interessante que o papel, e resistirem à aquisição de competências nesse domínio para explorarem as suas possibilidades, enquanto agentes de uma “culture whose value isn't calculated as profit and loss on ruled ledger pages” não têm qualquer pudor em converterem-se eles próprios no produto mercantilizado de big tech corps. A open web é um debate bastante mais abrangente e urgente que não iremos aprofundar neste momento, mas particularmente acutilante seria entre indivíduos sensíveis ao monopólio das ferramentas de expressão, produção e divulgação.

NOS POSITIVOS privilegiamos o zine como means to an end, e embora não sejamos estranhos ao seu uso como veículo introspetivo, na crescente carência de outras vozes que ecoem uma estratégia concertada e persistente de política e comunicação, queremos recordar-te que podes - deves - usar o digital como “medium to broadcast discontent to the dominant society” já porque outros o fazem por ti, apesar de ti, contra ti: o digital não é uma opção.

digitaliza o teu zine