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Dissimular sentidos onde estes podem ser facilmente desconsiderados é condição sine qua non aOS POSITIVOS. Mas à conta do treino também os encontramos muitas vezes onde as evidências os desmentem. E, algumas vezes, só algumas vezes, temos esta eeire sensation que algo se passa quando o significado que lhes damos se sobrepõe à sua realização natural e se resolve segundo a nossa lógica distorcida: nessas alturas desconfiamos se estaremos sintonizados num espectro do universo por explicar.

Esses momentos são procedidos de uma curta e intensa correlação de coincidências sem razão aparente.

Exemplo.

Os acontecimentos que se seguem aconteceram (*) quinta, sexta e sábado passados. Como de várias outras vezes, é uma questão de timmings.

* Os acontecimentos que “se seguem” já “aconteceram”. Notaram a confusão de tempos? I did. Timmings timmings timmings... We’ll come back to it, now follow my logic if u please:


Sara na Blimunda com Nada a Temer do Eduardo

Quinta aterramos na reprodução integral que Eduardo Filipe Sama faz sobre o seu "Nada a Temer" por Sara Figueiredo Costa no Blimunda. Se utilizamos aqui todos os nomes por extenso é mesmo porque estamos a trabalhar para o SEO dOS POSITIVOS e emprestar alguma solenidade à crónica. A sua BD está, ao jeito da de Nuno Saraiva mas noutro comprimento de onda - e o google tem ali mais um nome para indexar ao nosso site - naquela relação à política que nos toca e nos move em termos de leitura. Particularmente, porque o faz como o faz. Citamos Sara:

Importa dizer que Sama não cumpre a regra da imparcialidade jornalística, não se abstendo de comentar o papel da polícia e da repressão, apropriando-se de partes do discurso dos manifestantes.

Conhecemos esta apropriação do discurso e conhecem a nossa reflexão sobre a ideia de imparcialidade que serve ou não os leitores. Como o resumimos já no passado, "essa comunicação é intencional e o resultado varia conforme o leitor: uns repelem o discurso, outro reconhecem e entranham" (in Real Nós). Mas, mais eloquentemente, Sara mostra-se aberta à possibilidade de mudança, o que louvamos:

Uma das mais interessantes linhas de leitura desta história é, por isso mesmo, a reflexão sobre essa ideia de imparcialidade e o modo como serve, ou não, os leitores. Que tipo de imparcialidade se pode almejar quando as notícias de maior circulação revelam, tantas vezes, fraca informação sobre as manifestações, generalizações inaceitáveis sobre o comportamento dos manifestantes, poucos dados sobre o negócio na origem do movimento? Perceber que papel pode ocupar uma banda desenhada como esta na informação a que todos temos direito, lendo-a à luz de outros movimentos de informação alternativa que estão, queiramos ou não, a mudar a face da informação e do modo como esta circula, pode ser essencial nos próximos tempos.

Praticamos a não acomodação de sensibilidades que já descartámos quando somos movidos à acção pelos resultados a alcançar. Claro que fazemo-lo conscientes do perigo e, por coincidência, totalmente não relacionado aos cómicos mas a propósito de políticas, um certo sujeito apresa-se logo no sábado a recordar-nos quando esse discurso é o discurso dos outros. Falamos, obviamente, do ---

Pacheco (que) continua a surpreender!

São argumentos instrumentais para a luta política dos dias de hoje, não têm valor como interpretação histórica, quando muito são manifestos políticos de qualidade variada. Para além desse papel na luta política actual, que justifica ser discutida de per si, eles tem o efeito nefasto de divulgar uma espécie de história fast food, simplificada ao limite, e que depois impregna argumentários que se caracterizam exactamente por iludir a história, ou melhor o tempo histórico como mudança.

Uma preocupação válida, uma preocupação que nos vale contar em decrescente o três-dois-um antes de arrombarmos a porta ao pontapé e arrastarmos o leitor para dentro do nosso universo. Uma vez aqui, não há compromissos ou clemência porque estamos seguros de que lado da história estamos. O tom reconhecem-no certamente:

de repente confrontam-se com uma nova realidade em que a sua visão do mundo é considerada anormal e minoritária, já que o pensamento predominante não só não o sustenta, como não procura o compromisso ou a sua justificação: imediatamente o ataca o mais desporcionalmente possível


in O Real Nós

E o Pacheco continua bater recordes de citação útil entre os P+! Não relacionado mas digno de registo pelo resumo contundente do supramencionado momento histórico:

dizem-nos que o único meio de sair deste passado que nos aprisiona é uma purga nacional, uma espécie de acto punitivo e doloroso, que nos últimos anos se chamou de “ajustamento”. O “ajustamento” destinava-se a fazer voltar o estado, o povo, as elites a um estado natural de “pobreza”, que é o que é Portugal, um país “pobre”, e que foi “desonrado” pelas suas elites, que criaram uma riqueza artificial para o seu próprio usufruto, garantindo assim que, “vivendo acima das suas posses”, o país permanecesse “estagnado”. O “ajustamento” ao restituir a “verdade” à economia e à sociedade, eliminando os sinais dessa falsa riqueza, ou seja cortando nas despesas e prestações sociais, criava um ponto de partida para um recomeço sadio. Esse crescimento não se preocupava em ser distributivo, mas agravava as desigualdades, entendidas como um efeito colateral. A ideia de que o “ajustamento” poderia ser no fundo uma deslocação maciça de recursos de muitos para uma pequena minoria, seria irrelevante. Não por acaso teria que ser um processo longo, de décadas, e não poderia ser afectado pelas escolhas eleitorais, que estragariam tudo, como parece que estragaram.

O perigo da simplificação e da história fast-food cruzou-se no nosso inconsciente numa outra história que nos trouxe de volta a quinta-feira, quando soubemos ao acaso que um dos grandes da BD (mais-uma-vez-aparentemente) se prepara para se retirar desta. Este é um autor que não é imediatamente conotado a uma ala descaradamente política dos comics mas cujas obras não só não se escusam a esses temas como os têm enquanto substrato, ainda que no tal registo pop fast-food que passa por pastilha mastiga-e-deita-fora.

Some guy other guys think-him-a-frinkin'-genius

The decision came, Moore explained, when he realised he felt too comfortable in the medium. “I think I have done enough for comics. I’ve done all that I can. I think if I were to continue to work in comics, inevitably the ideas would suffer, inevitably you’d start to see me retread old ground and I think both you and I probably deserve something better than that,” he said.

Alan -google-baby-u-there?- Moore, por razões que lhe acodem, considera que é altura de mudar de ares. Também ele é eloquente na prosa com que se justifica---:

I know I am able to do anything anyone is capable of doing in the comic book medium. I don’t need to prove anything to myself or anyone else. Whereas these other fields are much more exciting to me. I will always revere comics as a medium. It is a wonderful medium.”

Mas como não imediatamente cruzar com uma outra leitura nesse mesmo dia que tão sucintamente resume uma mesma vontade de renúncia, despojada dos lirismos que a fama obriga. Falamos, obviamente, do mais recente desabafo daquele outro senhor, este cá da terra:

This one guy me-right-here-guy thinks he's onto somethin'!

Well... to tell you the truth, I'm speechless... How is such a monster even possible? It's simple existence (...) proves that there's no future. This art form definitely deserves to die!

Destaque nosso :) Entre o "it is a wonderful medium" e o "this art form definitely deserves to die!" vcs escolham, o resultado é igual.

E nisto chegamos a sábado. Onde, por incrível coincidência, as teias de considerações que nos emaranham nos cruzam com mais uma peça deste puzzle no momento que lemos os senhores que se seguem.

On tha subject of metaphorical winters!


Paco Roca, "O Inverno do Desenhador"

Por uma muito intencional ignorância nossa – decidimos explicitamente evitar a segunda volta de novelas gráficas do Público e adquirir os livros apenas e só se os encontrarmos fora de circuito e fora de tempo mas não nos vamos demorar agora a explicar porquê... – calhamos a agarrar o “Inverno do Desenhador”. Só no seu título recordamo-nos dos dois velhotes que dias antes ventilavam cá para fora o seu abandono destas artes. E surpresa das surpresas quando nos inteiramos da história do livro: um livro em BD sobre autores de BD que, em tempos idos muito politizados – ainda é tranquilo chamar a um estado fascista “politizado”? - , ao contrário dos acabadinhos de citar exemplos de cima, apostam na importância e possibilidades do meio a ponto de contra corrente tentarem um projecto de autor. Outros tempos.

Nesse momento caímos em nós: o universo está em linha, yet again: demasiada informação não relacionada a querer à força criar padrões em demasiado pouco tempo, sinapses a ameaçar histeria total que o álcool não atordoa, um urro de arrogância cresce de dentro: estamos sintonizados.

E apercebemo-nos do seu fio condutor.

Não é a política.

A dimensão política na qual se cruzam estas BDs e notícias não são terrivelmente óbvias mas são demasiado evidentes até para os mais distraídos que o queiram reparar: tamanha simplicidade não se presta à nossa interpretação - we dig deeper.

O que não estamos a ver? O que nos falta? Falta sexta-feira. E assim que o suspeitamos, por passe de magia nos surge a revelação. As nossas leituras empurraram-nos de quinta para sábado, sábado devolve-nos a quinta, voltamos a sábado e mais uma vez ele nos atira para trás. Falta o meio desta história. Mas o meio não é o meio quando não há linearidade. O meio da história é, na verdade, o fim da história, se a este chegamos em último. Chegamos assim ao fim da história, e esta é uma história sobre... saltar no tempo.

Gotta have-a-shitload-of-patience!


Daniel in "Patience"

Sexta estivemos a ler novamente o Daniel. Uma história sobre viagens no tempo. Uma história de amor que corre mal ao longo de uma cronologia irregular –estamos a arriscar aqui, como um porradão de outros livros, só lemos talvez três páginas a cada três meses se tanto: ainda não chegamos ao fim apesar do tempo que ali se espreguiça pelas estantes. Mesmo fisicamente, estes objectos estão sempre a retornar e adiar. E time travel é o tema que une todas estas BDs e notícias.

Sama diz que não vai ter golpe, já teve golpe, e toda a entrevista deambula entre os três tempos, passado presente e futuro. Pacheco também fala do futuro a partir do presente com base no passado. Alan tem tantas BDs a cruzar todos que já geram outros tempos paralelos onde coexistem em simultâneo, e volta-nos ao radar numa conferência em que revê passado e aponta para futuro. Isabelinho apercebe-se hoje que o seu tempo passou quando não se reconhece em listas que abarcam o passado do meio para a posteridade. Paco e o Inverno falam do passado, numa história cuja cronologia, pasme-se, salta livremente entre épocas, a propósito de, pasme-se pt2, BD, sobre, wait-wait-wait: a luta pelos princípios e valores pessoais dos seus protagonistas.

Oh universe, u sooo funny, but I saw it comin' long ago.

Besides, I already know how to time travel.

--- and I'm in no rush to go back to tha future.

E às vezes, só às vezes, não há qualquer relação ou nexo possível nesse emaranhado de coincidências e tudo se resume a uma leitura abusivamente distorcida da factos e textos para efeitos de entretenimento-fim-de-estória. My bad :) Just goin' full circle here:"dissimular sentidos onde estes podem ser facilmente desconsiderados é condição sine qua non aOS POSITIVOS".

desconstruindo...