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A propósito de palavras, outras: publicaram hoje no Público uma reportagem intitulada A música da Lisboa invisível tem milhões de cliques no YouTube.

Antes: aos teens recordamos que devem sempre manter as vossas reservas sobre tudo o que vos dizem – o nosso credo pessoal não podia ser mais manifesto nesse aspecto: “não te conformes à lógica dos outros porque não há filosofia que melhor te sirva do que aquela que emana de dentro” (o Real Nós, circa há bués), que abrange mais do que vem agora a propósito mas inclui igualmente o que lês num jornal ou vês numa televisão - desconfiem sempre e abstenham-se de grandes considerações além do seu valor noticioso (a acção que promove) e não equiparem notícia com factos com realidade. A primeira interpreta a segunda para alterar a terceira.

Com a devida distância – e termos como "sunday press", "leech" e "appropriation" são alguns com que qualificamos estes feel good pieces – é no subtexto que devemos encontrar a importância da dita. Felizmente desta vez facilitaram a coisa e publicaram-no num outro artigo à parte com um título muito mais sumarento e é este que nos importa: "Isto é produção cultural massiva de Lisboa"

Especificamente:

Existe uma dissociação entre as representações destes territórios – representações que determinam como se gere e como se governa, que determinam as políticas públicas – e aquilo que realmente são. A música e as formas contemporâneas e orgânicas que as pessoas têm de consumir e produzir cultura nestes territórios permitem-nos ler o próprio território.
(...)
É engraçado isto existir: evidencia a potência, a capacidade de auto-organização, o facto de as redes sociais permitirem criar circuitos no donut, na periferia. É bom o pessoal perceber que se pode auto-organizar, que consegue dar a cara. Por outro lado, permite-nos ler a cidade a partir do potencial que isto tem, da capacidade de congregação, de encontro, de resistência e resiliência. Tudo isto é feito autonomamente, sem acesso a meios de produção da parte das escolas e das políticas de educação sociais e culturais, sem espaços de legitimação próprios qualificados.
(...)
A verdade é que a maneira como as pessoas fazem cultura nestes sítios é muito orgânica: não fazem workshops, auto-organizam-se, fazem o estúdio no seu quarto e isso permite haver esta novidade: isto é produção cultural criativa, massiva, da cidade de Lisboa.

E esta sim, é a informação a reter da reportagem principal e o alcance da mesma não deve escapar a quem sabe ao que vimos e como lá queremos chegar, ou até de como pensamos a banda desenhada à semelhança da música.

Claro que, falamos de meios, não de fins. Meras ferramentas - além da forma teremos que abordar o conteúdo e neste ponto não há qualquer engano:

Isto não é música underground.
A possibilidade de esta cidade invisível ser legitimada pela cidade vigente não deixa de confirmar uma relação de poder de uma sobre a outra

Wanna-be-mainstream ou deep underground? Been there. Entretanto a recomendação mantem-se e uma segunda reportagem não valida a primeira: desconfiem de todas - desconfiem até de nós, estamos sempre no entre-linhas e não no que dizemos: do away with tha words punx!

Mas voltemos ao "como". Ninguém o diz mas caímos smack in tha middle no d.i.y., e não pela erudição queque do artsy-fartsy mas como necessidade primária de fazer com o que não se tem. De longe, o mais interessante. Bottom line:

A linguagem que surge dessas músicas, e o que expressam taxativamente, tem muito a ver com o território e com esta construção de Lisboa em que as pessoas ficam enroladas em sítios (...) mas também funciona muitas vezes como catarse e expressão do dia-a-dia, das dificuldades e das coisas boas, da contingência que faz com que esses bairros existam, de se estar ali segmentado, segregado. No rap isso é mais notório – em ultima análise, se não conseguir tocar instrumentos, consigo sempre cantar.

Aos teens acrescentamos: ainda mais acessível do que cantar? Papel e caneta. E não há mal algum em começar com lápis e borracha.

(mike-drop-and-outta-here!)

já ela...