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É bonito de saber que as gerações mais idosas se entretêm a puxar o lustro à memorabilia e até esperamos que nessa idade se deem a pequenos desacatos por "dá cá aquela palha" -ie "moldura digna para embrulhar um desenho original vs cartolina preta e acetato em cima da fotocópia": o importante é mesmo que se ocupem no saudosismo de tempos idos quando a banda desenhada ainda era sinónimo de algum respeitinho salutar.

Mas. Por favor. Respeitem o respeitinho. Era preciso esta?:

"não é pelo facto de se mostrarem originais verdadeiros que alicia os iniciados (nesta arte) a interromperem os seus jogos nas tabletes para se deslocarem às exposições que não tenham trabalhos seus"

Esta divisão entre "eles" (“iniciados”) e um "nós" implícito -pressupomos que "os mestres" por oposição à vil escória anterior- que no seu egoísmo desmedido só saem de casa se for para admirar os seus próprios  trabalhos e que no entretanto se entretêm a jogar jogos de computador sem que prostrem ante a magnificência e solenidade da leitura de uns - uh- quadradinhos... do antigamente soa-nos algo paternalista. Como o é o parêntesis do “arte” que não passou igualmente despercebido, a intenção era desconsiderar ainda mais os jogos?

Da miríade de argumentos a que se recorre para justificar a BD enquanto arte e as escusas apresentadas para que historicamente se inicie apenas esse debate a partir de um certo limiar de maturidade e reconhecimento do meio, quantas dessas mesmas razões podem estar na base de uma justificação dos videojogos para igual revindicação? O "só para crianças", a confusão do todo com um só género em particular, as acusações de violência sobre os seus incautos leitores - perdão, jogadores- etc.? Metade dos estudos sobre BD em cultura popular só precisa mudar o título para se manterem relevantes. Hey, até já dividem espaço nos comicons e a atenção dos cospyanos, só nos falta um par de académicos que descubram a proporção divina no pacman para termos o pacote completo.

No tempo de vida de um Crumb passámos de BD como literatura pulp descartável inconsequente para arte com "a" pequeno.

Os irmãos Crumb, 1959, período "ainda não é arte mas espera mais 20 anos"

E os videojogos andam por cá há muito menos tempo: se tentarmos adivinhar o futuro pelo passado em vez de nos limitamos a olhar pelo retrovisor parece-nos demasiado óbvio que a evolução dos jogos torna-os muito mais promissores no domínio da arte que a evolução da banda desenhada para as décadas que se seguem. Tão ou mais importante que a capacidade atual e futura dos jogos para nos arrebatarem em experiências imersivas, sensoriais, intelectuais, [a-tua-definição-de-arte-aqui] – possivelmente de modo mais completo que o cinema, a música, a literatura, a arquitetura, etc-, vemos na massificação e acessibilidade do desenvolvimento de jogos a sua potencialidade para os tornar meios de expressão tão pessoais e válidos como o pincel ou a caneta.

Capazes dessa expressão pessoal e fora do controlo de uma estratégia meramente comercial –vide: “cómicos”-, mais arrebatadores que as restantes artes e agregadores de quase todas essas e inclusive da própria BD, e possuem de origem a a interatividade que a BD digital tenta desesperadamente arranhar sem sucesso... Parece-nos que o palmarés para  9º arte está em risco de ser desviado para outras paragens: a competição é forte - e até ai batem pontos, hint hint...

bónus: find that guy!

Parece-me que até vejo ali um gaijo com menos de 40 anos na audiência - ainda que se calhar veio ao engano: provavelmente interrompeu um jogo na tablet a pensar que o esperavam originais em molduras e só encontrou fotocópias em acetatos :( bummer

keep playin'