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Web, cómicos e críticos. We're in.

Os cómicos desculpem as constantes citações mas temos que fazer um esforço de contextualização aos não-cómicos que nos leem e pouco se importam sobre a relevância destes assuntos.

Diz-nos ontem PM a propósito de critica e divulgação que:

"O crítico bastava-se a si mesmo, e a obra de BD era um mero pretexto para o crítico refletir. Ninguém questionava a falta de conhecimentos do crítico, a análise errada, a falta de conteúdo, perspetiva ou oportunidade. O crítico estava acima da crítica."

Como não concordar? Já o dissemos por tantas vezes (ad aeternum) que PM só peca pelo vagar na ilação. Mas better late than never...

Mais nos diz PM:

"É que o crítico, e toda a reflexão teórica que a banda desenhada suscita, ia disfarçando a falta de mercado, e de ritmo e projecto editoriais. Num dado momento, a BD portuguesa podia muito bem ser uma realidade virtual, inventada pelos críticos com alguma ajuda institucional."

Como não carregar em bold -como o acabámos de fazer- esta citação. Bem hajas, PM.

Mas permitam-nos escalpelar um pouco mais as suas conclusões porque merecem o benefício de algum refinamento. A sua assunção resulta de um desvio na divulgação à razão dos processos online que pela sua natureza incidem na agenda em detrimento da análise. Diz-nos PM:

"salvo honrosas excepções, faz-se muito mais a antevisão (de livros ou de eventos) do que a apreciação posterior (à leitura do livro ou à presença no evento) (...) E há que referir que o momento do “antes”, privilegiado pela regra de quem escreve sobre BD é o “imediatamente antes”. A investigação histórica perdeu terreno."

PM ocorre em dois erros crassos:

Primeiro, relaciona a importância que os autores dão aos divulgadores em detrimento do crítico:

"isto significa que, se durante algum tempo o autor (cujos conhecimentos sobre o género que pratica ninguém parece levar a sério) parecia menos respeitado do que o analista de BD (mais conhecido pelo respeitoso título de “crítico”), hoje, o autor mede a sua respeitabilidade com os tais divulgadores (de leitura duvidosa)"

- quando é óbvia que a principal e persistente lacuna desta realidade virtual a que chamamos BD portuguesa continua a ser a ausência de voz por parte dos seus autores. Voltaremos a este ponto mais adiante, mas para já constatemos que os autores nacionais são seres amorfos que raramente se manifestam, que lhes é impossível recolher uma ideia, uma impressão, uma observação, um comentário, parcos em entrevistas e nestas parcimoniosos das opiniões que adiantam, pouco mais deixando escapar do que o necessário à sustentação do momento que lhes granjeou a entrevista para começar. Não é de admirar portanto que esse vazio seja preenchido pelos divulgadores mas não se presuma como tal que os autores meçam a sua respeitabilidade antes tais criaturas -ilustraríamos esse desdém com o exemplo d’OS POSITIVOS, mas o criador destes é um cona incapaz de se reservar nas opiniões fodendo-nos a comparação.

Erro segundo:

”Para além das poucas mas muito valiosas excepções que já o fazem, começa a ser tempo de se falar mais sobre o “depois”. A qualidade do atual momento da BD portuguesa justifica essa abordagem."

Emendando: a primeira e mais persistente lacuna na BD portuguesa continua mesmo a ser a sua qualidade, e apenas podemos esperar voltar a este ponto alguma vez mais adiante já que por lá andámos na década de 90.

Ironicamente, neste momento DS comenta a crónica de PM expondo-nos a sua opinião, conseguindo neste gesto de excepção -não dizemos "excepcional"...- simultaneamente ilustrar "ausência de participação" por parte de autores que aqui acusamos, e provar-se errado com o conteúdo da dita. Mas better to try and fail...

DS debruça-se sobre a incapacidade do digital em assegurar para a posteridade o arquivo do pertinente. Nas palavras do próprio:

"A informação mais antiga vai desaparecendo da Internet: o que é pacífico quando são disparates, mas preocupante quando são matérias importantes."

Ie:

"o formato digital e suas circunstância (...) concorre para a promoção de aquilo que é, por natureza, mais conveniente a esse formato (...) Ou seja, não só a Internet promove o vápido, mas nem sequer se interessa em preservá-lo”

E para o demonstrar DS escreve "vápido" (sic(k)) em lugar de “rápido" e também não se deu ao trabalho de corrigir o lapso tão convencido que certamente ninguém se interessará em preservar o momento em alguma newsletter do dia seguinte. Well there u go.

Concordamos com DS em que o digital é muito mais dado ao impertinente - vide: OS POSITIVOS- mas novamente vemo-nos na necessidade completar as conclusões que se desenham. Além de dado aos disparates o online possui igualmente uma longa memória, e há disparates que persistirão online para lá do expectável - vide: -wait for it...- OS POSITIVOS. Ou DS n'OS POSITIVOS.

No mínimo trata-se de adequar metodologias de investigação, o que se procura e como se o faz: particularmente online, a informação sobre informação é igualmente valiosa.

Exemplo. Falando-nos PM -autor, crítico e divulgador- de "raras excepções" e DS da sua incapacidade de "recuperar informação interessante que foi publicada há quinze anos" online, somos tentados a combinar ambos os enunciados num só rápido exercício utilizando para tal o site de PM2 - outro. Julgamos que será pacífico entre a comunidade que o seu blog cumpre com os requisitos necessários: mais de uma década de existência permitir-nos-á o manancial de informação relevante, debruça-se sobre análise e exposição na oposição que os termos acarretam à divulgação, seguramente uma das excepções que a PM primeiro se refere no que respeita a “investigação histórica”, etc e ademais.

Contrariamente ao rol de blogs de divulgação - fun trivia, diz-nos o dicionário que "divulgar" e “vulgarizar” são sinónimos- que tendem para a agenda do imediato que privilegiamos online, PM2 debruça-se em tempo próprio às leituras que lhe ocorrem atribuindo-lhes um valor que normalmente nada deve às fases da lua. Pagará ele o preço dessa “apreciação posterior à leitura do livro”? Uma leitura rápida pelo seu site parece indicar que sim.

À data desta consulta os seus 10 artigos de rosto acusam participação do público em apenas dois. Prosseguindo para “mensagens antigas” navegamos até à próxima lista de 10 artigos e novamente destes 9 passa sem qualquer comentário por parte de putativos leitores. Insistimos para mais “mensagens antigas” e a penúria de público revela-se em apenas mais dois artigos dignos de comentário e outros 8 que parecem passar em branco. Insistimos, e novamente temos sete artigos trabalhados, suados, pesados, comparados, investigados, que nem um leve reconhecimento arrancam ao leitor, com apenas 3 a merecerem algum retorno da parte destes. Parece-nos que PM2 fala para uma audiência inexistente, pouco participativa ou desinteressada da sua selecção de temas ou respectivas conclusões. Estaremos pois condenados ao blog noticioso da agenda do amanhã?

Haveremos de nos debruçar em maior detalhe sobre a audiência de PM2 em post próprio para esse efeito.

Mas provaremos PM1 e DS errados com -espante-se!- factos. Quando comparamos os artigos que PM2 publicou no seu blog com os comentários dos seus leitores, uma pequena revelação se - uh - revela.

(um gráfico + dados reais? must be science! spooky!)

Paradoxalmente a sobreposição de ambos coloca-nos perante uma troca de impressões entre leitores e autor do site que superam imensuravelmente as entradas específicas deste último.

Brinco, estão mensuradas numa coluna de excel: as maravilhas que pequenas rotinas conseguem quando lhes apontamos um endereço e começam a agregar :)

Para compreendermos a perplexidade dos dados basta recordar como há poucos parágrafos atrás notávamos que os seus artigos raramente pareciam conseguir arrancar um comentário dos leitores. Pior: somos confrontados com situações tão peculiares como as de novembro e dezembro de 2011 em que surgem comentários sem qualquer publicação de artigos.

“WTF”, diz lá do fundo da sala a única alma que nos acompanha ainda… WTF indeed.

Uma consulta atenta dos dados permite-nos a solução do aparente paradoxo: não há qualquer relação entre os artigos e os comentários - uma consulta desatenta do gráfico diz-nos o mesmo mas a sugestão que lê-mos exaustivamente os ditos soa mais definitivo. Tal como PM2 publica fora de uma lógica de agenda, também os seus leitores podem comentar os artigos sem nenhuma ordem de urgência: contrariamente ao blog de divulgação do amanhã imediato cuja validade expira no ainda hoje, os conteúdos de PM2 prolongam a sua validade ao ponto de permitirem um diálogo imune a qualquer imperativo temporal.

Isso, e queremos acreditar que PM2 faz jus à sua própria reivindicação repetida algumas vezes de eliminar os comentários de penis enlargement que não nos desvirtuem a amostra - ainda que alguns disfarçados de outras preces acabem por lá perdurar...


Totalmente não relacionado: sobre análises de queries quantitativas, leram esta: http://www.theguardian.com/books/gallery/2016/feb/23/say-what-books-with-the-words-removed-punctuation-maps-in-pictures ? crazy kool I say...

O quase-romântico imaginário da correspondência manuscrita sobre cómicos que ainda persiste em algumas boas almas fará bem em chegar às pazes com novas tendências e realidade que a todos nos toca. Entretanto, no meio do desinteressante de ontem podemos sempre encontrar algo digno do arquivo para o amanhã, é só uma questão de procurar :)

Regressaremos a estes temas no já supra mencionado prometido post -hey, que querem que vos diga? obrigamo-nos a explorar ideias para potenciais desenvolvimentos nos meses que se aproximam… - para já apenas adiantamos que cultura popular implica um nivelamento por baixo (vulgo a tal da “vulgarização”) e não querem mesmo abstrair os cómicos da esfera desta, querem?

Bem, parece-nos que PM2 talvez queira: voltaremos.

errata