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So take pride punks! You’re either a sex slave or a media buzz word.

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Em março anotámos aqui para memória futura a relação entre comix e punk, um de dois eixos em torno dos quais OS POSITIVOS oscilam. Nesse registo, um mix de desabafo, graças por, lamento de, e premonição de tanguices a caminho, falámos de liberdade e da imensa (gigantesca, abismal!) minoria com assiduidade nesta.

Apenas um mês depois, essa minoria soma uma comparência: Marcos Farrajota, conhecido divulgador, promotor e editor de tantas bds que não podemos deixar de recomendar, publicava o primeiro de vários artigos (três à data) justamente sobre o mesmo tema.

Aproveitamos assim para sugerir a sua leitura a todos aqueles que como nós apreciam o tópico. Num resumo acessível da história da BD nacional, estado da arte, as suas intersecções com o universo fanzinesco e afins, o seu autor contribui nos seus excertos para uma área de saber que nos é muito cara e da qual pouco ou nada se manifesta nos meios habituais.

Dito isso,

Primeiro: fodam-se os meios habituais. Segundo: o contributo de Marcos Farrajota não é de menosprezar, ainda que tenhamos notado uma pequena lacuna no seu esforço que nos propomos a corrigir. Afinal, a variante punk na BD é-nos próxima: ao contrário do artsy-fartsy shock-chique, o punk inspira na BD uma estratégia e um propósito que nos é inerente, na senda de uma "culture that is used, consciously or unconsciously, effectively or not, to resist and/or change the dominant political, economic or social structure" (ah, pesquisa, sou teu pai?!).

Diz-nos o autor no início do seu segundo artigo:


Marcos Farrajota, 2014

Se aqui aparece a observação e selecção pessoal, é porque não conheço nenhum estudo que faça ponte entre as duas cenas.

Nesse aspecto ficámos surpreendidos por o autor ignorar um dos mais conhecidos e divulgados estudos que pontapeia as duas cenas: o artigo de Guy Lawley, I Like Hate and I Hate Everything Else, publicado na compilação “Punk Rock: so what”, do mesmo Roger Sabin que nos trouxe entre outros livros o “Adult Comics: An Introduction” ou o “Comics, Comix and Graphic Novels: A History of Comic Art”. Mas apesar de citar no seu primeiro artigo um outro livro do Sabin, o igualmente recomendável “Below Critical Radar: Fanzines and Alternative Comics from 1976 to the Present Day”, Marcos Farrajota não teve oportunidade cruzar esta informação e de se familiarizar com o seminal “I Like Hate...”, cujo subtítulo é paradoxalmenteThe influence of punk on comics”.

Para benefício de todos e do próprio, fazemos nós aqui um resumo. Seguem-se citações do Guy, retalhadas para manter a intenção do texto e a capacidade de concentração dos nossos leitores.

Diz-nos Guy que:

in some important ways, the origins of punk itself are closely linked to the comics

- porque -

parallels between punk music, with its up-from-the-streets, back-to-basics, anyone-can-do-it attitude and these energetic, primitive drawing styles are easy to make

comics, with their crude vitality and immediacy of communication, but forever excluded from the mainstream of cultural life, seemed to provide an ideal medium for the expression of punk ideas

Ao longo das poucas páginas onde perfaz a sua tese da dialéctica punk bd, o autor centra-se no universo América / Inglaterra, alternando entre autores e obras do underground, newave ou mesmo do mainstream industrial. Por ordem alfabética:

  • Alan Grant
  • Alan Moore
  • Aline Kominsky
  • Art Spiegelman
  • Batton Lash
  • Bill Griffith
  • Brendan McCarthy
  • Brett Ewins
  • Bruce Carleton
  • Charles Burns
  • Charles M. Schulz
  • Clay Geerdcs
  • Dave Geary
  • David Lloyd
  • Eddie Campbell
  • Edwin Pouncey
  • Francoise Mouly
  • Frank Miller
  • Gary Panter
  • Gilbert Hernandez
  • Grant Morrison
  • Greg Irons
  • Harvey Kurtzman
  • J.D. King
  • Jaime Hernandez
  • James Thurber
  • Jamie Hewlett
  • Jay Kinney
  • John Wagner
  • Kaz
  • Ken Weiner
  • Leo Baxendale
  • Mark Newgarden
  • Matt Feazell
  • Matt Groening
  • Neil Gaiman
  • Pat Mills
  • Paul Gravett
  • Paul Karasik
  • Paul Mavrides
  • Peter Bagge
  • Peter Milligan
  • Peter Stanbury
  • Phil Elliott
  • Ray Lowry
  • Robert Crumb
  • Robert Williams
  • Rory Hayes
  • S.Clay Wilson
  • Simon Gane
  • Spain Rodriguez
  • Steve Dillon
  • 2000AD
  • Anarchy Comics
  • Andy Roberts
  • Arcade
  • Bad News
  • Charlie Hebdo
  • Comical Funnies
  • Cynicalman
  • Deadline
  • Escape
  • Hate
  • Jimbo
  • Knockabout Comics
  • Kultur Dokuments
  • Last Gasp
  • Love & Rockets
  • Metal Hurlant
  • Neat Stuff
  • Raw
  • Savage Pencil
  • Sniffin’ Glue
  • Stop!
  • Tank Girl
  • The Beano
  • Viz
  • Weirdo
  • Zap

No seu core Guy regressa ao papel de John Holmstrom e da revista que este fundou, simultaneamente inventando o termo Punk e cruzando-o de origem com a BD:

The magazine that gave the scene its name was also big on comic strips and cartoon art, largely thanks to editor/ cartoonist John Holmstrom.
Punk magazine was the result: less of a compromise between their two visions (comics ou review magazine), more a unique hybrid that was to influence hugely much that followed.

Recordando afinidades entre ambos os universos, conclui o que sabemos hoje:

a) o punk contribuiu para uma certa BD, mesmo entre a mais comercial:

If the moribund pop/rock music of the mid-70s was in dire need of the kick up the arse given to it by punk, it’s fair to say that comics needed one too. Between 1976 and 1986 there was a fundamental shaking up both of the comics mainstream and alternative publishing. Since 1986, US publishers have struggled to consolidate and continue those advances. The entry of British writers like Neil Gaiman, Grant Morrison and Peter Milligan into the mainstream (directly following from the successes of Alan Moore and Frank Miller) brought punk-influenced subject matter like oppositional politics, alternative sexuality and the everyday life of ordinary people into the medium more widely than ever before.

b) mas falhou em assumir-se como uma predominância no meio:

Despite this evident link, many prominent creators had no direct punk influences themselves. There was some crossover with punk fanzines, but obvious punk subject matter in DIY comics was in a minority
for a story telling medium like comics, there was perhaps another fundamental problem: fuelled by beer, amphetamines and solvents (in the UK at least), punk lived for the spiky moment.
(punk) was not as dominant in comics as it was in music, nor as all-pervasive as the input from hippy had been before it. The 60s counterculture was arguably more easily assimilated by the mainstream than punk for many reasons.

Pelo meio somos recordados das origens no underground, o advento do small press, do d.i.y., o newave.

Pausa. "Never trust a hippie", mas!

the (hippie + punk) encouraged the expression of individual identity in a conformist culture, questioning of authority, and mistrust of the established political process. The '60s rhetoric of  'The Revolution' and punk's rallying call of 'anarchy' are not so far apart.

Temos defendido essa união vezes sem conta.

Mas, repetimos, apenas estamos a ser picuinhas em espírito de colaboração para a dita investigação. Este resumo não desvaloriza em nada a compilação de Farrajota. Apesar de mais sintetizada e actualizada para incluir alguns exemplos pós 1999 e um nadinha de nada menos anglo-centric, ainda que o próprio admita desconhecer o tão óbvio texto do Lawley –ou qualquer outro neste domínio-, alcança com ligeiras diferenças a principal tese deste, os mesmos autores chave e obras de referência.

Notámos ainda uma segunda lacuna no artigo de Marcos Farrajota onde infelizmente nada podemos acrescentar. Na continuação imediata da citação inicial que nos levou a este resumo, diz-nos Farrajota a propósito do cruzamento entre BD e punk:

Quem vive num dos mundos será impossível viver no outro: são raros os casos de intersecção mesmo a nível internacional.

De facto, quem conseguirá encontrar no nosso pequeno eido BD alguma que se assuma punk? (Diguemos, assim que já lá para mais de uma década, e que o arrogue de forma tão descarada no subtítulo da mesma? Nada? "true underground comix" e cenas? E que só o ano passado deixou cair o "d.i.y" para cortar caracteres...? Nope? Got nothing...?) 1

1 Again,o Real Nós: “este é o perigo dos especialistas: a sua aparente autoridade explode no momento que as suas escolhas subjectivas são confrontadas com factos reais, obrigando todos os interessados a descartar os seus escritos. Bem hajam.

"Punk is ours to claim. It is not ours to own."

lifeisposers.com

Bónus:  antes de fecharmos, só uma sugestão, pertinente...

Entendemos a cultura punk como algo porventura mais abrangente que o grafismo do site punk.pt parece querer assentir (mas confesso, não li boi dos seus artigos: já mal tenho tempo para ler BD, já não leio sobre BD, não me chateio em ler o que não é BD, quando tudo o que quero é sossego para fazer BD).

O punk é-nos uma vertente particular, complexa, e maleável. Os punks não estão mortos nem conservados em formol. Há-os de várias espécies e feitios, há punks demasiado punks para serem punks: Darwin no seu melhor. Dito isso, e sobre isso, entremos em detalhes e constatemos que há um problema óbvio na correlação de música e BD: a primeira pode ser consumida em privado mas o seu pleno faz-se no acto social: o concerto é o seu zénite, a sua consumação máxima. A segunda pode ser compartilhada mas o seu pleno faz-se no singular: a leitura isolada é o seu uso optimal. Não é pois fácil conciliar os dois. Sabemo-lo bem: devíamos ter sido uma banda hardcore, em vez disso somos uma banda desenhada... Dumb.


d.i.y comix + d.i.y. punx: feels right...
Some brief notes on the unholy union of punk and comics: They share a lot of similar themes: juvenile escapism, societal alienation, general freakiness, art shit. Comics are more solitary - it's just you and the page and the world that exists between the page and your brain. Punks have shows, bands, zines, and you might even get laid. I've never heard of anyone getting laid at comics convention.
janelleblarg.blogspot.pt

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