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anti-teses

manifesto comum

A adaptação do "The Communist Manifesto" 2018 de Karl Marx et Friedrich Engels por Martin Rowson lê-se em tão poucas páginas que nem se sentiram na necessidade de as numerar. E perdoem-nos se iniciamos a apresentação deste livro com tão pequeno detalhe, mas habituados que estamos ao que escapa às evidências, deixemos a outros a discussão da sua superestrutura, tratemos da infra: a composição da BD per se.

Rowson lança-se num "forward!" como foreword ou introdução, no qual discorre em texto literário na parte superior da página sobre um fundo de cartoons na metade inferior. Nestes ilustra a longa marcha da humanidade começando dos primórdios das primeiras sociedades e terminado onde começa a nossa "história" propriamente dita, uma sucessão de comportamentos grotescos cujo silêncio das composições reforça o sentido de violência extrema. Procissão de excessos, multidão contínua que atravessa várias páginas, diferentes personagens elevam-se acima de outras, explorando, oprimindo, matando os que se apertam debaixo de si. Os de cima mais satisfeitos, os de baixo em agonia perfeita, todos sujeitos à traição e ao infortúnio. O cenário escurece gradualmente com a desumanização das personagens que se fundem em paisagens cada vez mais infernais, a marcha transformada em torrente de corpos e carne, finalmente fantasmas, desagua literalmente como espuma maldita onde o manifesto começa: "a spectre is haunting Europe". Sem um separador que interrompa a sequência, Marx e Engels iniciam-nos numa viagem que arrasta o leitor entre várias passagens, e o mesmo movimento contínuo perfaz o capítulo I: "Bourgeois & Proletarians". Além do preto que sobrecarrega as páginas numa escuridão geral, o vermelho das entranhas das massas estropiadas a segunda cor mais protuberante. Capítulo II, "Proletarians & Communists" muda de formato e inicia-se no interior de um "Kapitalist Komedy Club" com um open mic nite, onde os nossos narradores tomam o palco e prosseguem a sua exposição.

open mic nite no Kapitalist Komedy Club

Menos monólogo e mais participativa com as interjeições da audiência, este capítulo será o mais próximo aos cânones de BD, intercalado no capítulo III "Socialist & Communist Literature" de retorno à sucessão de cartoons caricatura sem fala, regressando no IV "Positions of the Communists in relation to various existing opposition parties" à BD dos diálogos e painéis, e de regresso em "Aftermath" ao silêncio da pantomima do cartoon político.

Este último capítulo é escrito exclusivamente por Rowson sem recurso a palavras de Marx e Engel já que trata da sua herança. Consegue-se uma síntese poderosa de passado, presente (e futuro?) - uma sequência avassaladora cujo impacto começa pelo contraste com o final do capítulo anterior. Nesse, Marx e Engels lançavam-se corajosamente das barricadas contra os seus opressores munidos do manuscrito do manifesto e da bandeira vermelha, com a igualmente famosa exortação final a ocupar o destaque a página: "working men of all contries, UNITE!". O depois reutiliza justamente esse momento de arrebate para modelo de uma merecida estátua de homenagem, usando a mesmíssima pose heroica dos nossos personagens no instante que se lideram a carga apenas uma página atrás. O resto é História: clica nas imagens para o slideshow.

Tech, $$$, os media.

Mas além do discurso maior ocupa-nos o sinuoso, e Rowson não desilude nos pormenores que escapam às evidências: a garantia do sistema interiorizada como imposição pelo próprio permite dispensar a opressão externa.

Clica nas imagens para o slideshow.

E da desesperação, a força. Ou a máxima que nos conhecem: sabemos que já perdemos, por isso não nos podem vencer.

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