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anti-teses

contemporaneidades

Os contemporâneos nada dizem, tudo sugerem.

Sobre o sucesso dos graphic novels -e enquanto esperamos um regresso em força aos comic books por reação-, a banda desenhada explora na variante artsy novas fronteiras ao meio, limites para lá dos quais devemos procurar uma nova nomenclatura para descrever o objecto formalmente parecido com os comics mas a não ser confundido com esses.

Abandonada a conformidade narrativa rapidamente se tornam desnecessários personagens e cenários identificáveis enquanto tal e reina o abstracionismo. No seu lugar, "coisas", se não mesmo "espaços", tornam-se os verdadeiros protagonistas simbólicos destas não-narrativas não-representativas. Qualquer informação, o sentido mais próximo que poderemos esperar de uma comunicação efetiva, resultará da deduzida ante as sugestões feitas, nenhuma imagem ou sua sequência poderá ocorrer na sujeição que resulta da simples funcionalidade dos seus elementos visuais como suporte de uma narrativa literal.

Em nenhum outro aspecto é mais visível a falência do valor literário -e literal- dos art comics que na ausência de personagens reconhecíveis como tal, com atributos físicos que se lhe possa associar uma função, traços psicológicos que lhe possam atribuir uma motivação, entidades vivas que reajam previsivelmente às casualidades que os rodeiam. O traço adquire um novo protagonismo, o texto perde o seu, tempo e espaço alternam funções porque o seu humano, eterna referência, torna-se estranhamente desumano. A narrativa clássica confronta-nos com o espaço, o tempo discorre invisível das acções que neste se sucedem: o pós-narrativo obriga-nos a pesar o tempo pela percepção de objectos, cores, formas, disposições, tamanhos – e a sequencialidade não é um dado adquirido. Ou a naturalidade. A física de Newton segue the way of the dodo com a poética aristotélica, a relação texto e imagem uma coincidência acidental se sentimentos similares os sobrepõem no momento, rapidamente separados para trajetórias díspares.

Felizmente, somos apenas humanos, procuramos sentido onde só há aleatoriedade, criamos epopeias com conflitos entre protagonistas a quem emprestamos de boa vontade mais vida inteligente do que a que lá existe para começar. A estória subsiste retoricamente longe da representação literal: onde duas imagens poderem ser comparadas lado-a-lado, surge uma (espécie de) narrativa.

Mais do que a sua negação, o pós-narrativo é a sua multiplicação por diferentes formas: não se implodiu a capacidade de contar estórias, explodiu-se o drama clássico em três actos. Removeu-se o conflicto, o tempo, o herói, qualquer figuração, mas em abstracto o ponteiro dos segundos num relógio nos conta uma incrível epopeia de realização com o culminar em êxtase – ou a inutilidade existencial de um mundo moderno em permanente repetição: depende de quem o olha. E quanto mais olhamos, mais descobrimos: podemos descer aos milésimos de segundos nos relógios digitais.

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