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Parte dois: de bd de género dentro de um nicho e OS POSITIVOS.

Para compreenderem parte do nosso desapontamento à análise de Marcos Farrajota sobre Banda Desenhada e Punk em Portugal basta-vos virar o disco e folhear as páginas de Afonso Cortez. Este foca-se sobre as capas dos álbuns editados, em detrimento de quaisquer outros suportes -uma escolha que justifica por razões de distribuição e acesso- e remete para trabalhos futuros esforço idêntico sobre fanzines, “flyers e outros trabalhos de ilustração”. E absolutamente não negligenciável, opta por terminar o seu relato no advento do virtual ie digital. Explicitamente não preocupado com banda desenhada, que remete para MF, permitam-nos no entanto fazer-vos notar uma tendência nos exemplos que esse autor acaba por selecionar para o seu split:
 

in "Corta-e-cola Discos e histórias do PUNK em Portugal (1978-1998)" de Afonso Cortez 2017
clica nas imagens para ampliares

Retirados da selecção de AC, não MF.
Parece-nos que há toda uma outra relação entre punk e bd ainda por explorar: é demais evidente que na totalidade dos gráficos anteriores se recorre a elementos e linguagens decalcadas directamente do universo da BD. Mesmo se apenas encontramos ilustrações que bebem da BD, não deixa de ser curioso que deliberadamente ou não, com mais ou menos conhecimento de causa, uma comunidade tão marginal –os punk- se apoie com tanta evidência na mais desprezada das artes visuais: a bd. Uma opção que podemos atribuir à urgência de meios –caneta, papel!- e espírito DIY enquanto uma da artes mais acessíveis e democráticas na qual qualquer um se pode exprimir.

Essa era a relação que gostávamos de ter lido em Marcos Farrajota.

Infelizmente MF aborda o punk na BD, não o seu contrário. Opção infeliz porque não nos parece que haja qualquer escassez de literatura sobre as criaturas de crista espetada, seja a propósito de estilos gráficos ou qualquer outra curiosidade cultural. A vasta maioria redigida de fora, para fora: destinada a consumo entre aqueles que não o são, escrita por aqueles que não o foram. Ocasionalmente, alguma literatura que cruza esferas: destinada para fora, escrita por alguém de dentro. Raramente, literatura de dentro para dentro em forma de análise exaustiva. Punx et comix, especificamente, de dentro para dentro, é toda uma outra criatura: o unicórnio mágico.

Menos interessados na Tank Girl portuguesa – deixamos à vossa imaginação como se resolve essa analogia, mas resolve-se- ou semelhantes, interessava-nos a descoberta de peças visuais menos óbvias às quais se pudesse equiparar princípios reconhecíveis de bd, e talvez sobre esses construir alguma história e consequência – porque, que nos importa a história se não pelo seu valor à acção?

Concedemos que  -tal como entre gentios-, os punx estão-se nas tintas para a BD: nos anos compreendidos no livro esta é executada como solução gráfica informal, não um recurso estético cuidado. Razão para uma maior urgência em documentar artefactos que os seus próprios criadores depreciavam como descartáveis à mesma velocidade que os produziam. Igualmente, um esforço que apenas se justifica entre uma minoria dentro de outra minoria. Ie, um muito exíguo nicho de gente. Farrajota, correctamente, identificou-nos entre esses.



É curioso ver que o Over-12 e OS POSITIVOS ao serem dirigidos por elementos punk (...), os trabalhos têm de ser vistos de uma forma ‘holística’, ou seja, não basta procurar uma ou duas BDs sobre o Punk nas publicações mas temos que olhar para toda a linha editorial ‘engajada’ como a obra dos seus autores.
in "Punx Comix banda desenhada e punk em Portugal" de Marcos Farrajota 2017

Não podendo falar pelo O12, nos P+ a bd e o punk são meios, não fins, entre uma comunidade que despreza bd numa sociedade que despreza a dita comunidade. Nessas condições, como MF sucintamente observa, apenas com a devida distância se podem reconhecer padrões.

E tivesse Marcos Farrajota limitado o seu registo ao excerto anterior toda esta segunda parte seria desnecessária. Aquilo do objectivo e subjetivo. Hélas, MF emitiu uma opinião.


II


Circunscritos ao straight edge década de 90 - a propósito da qual o autor interroga-se se “será que há alguma coisa interessante sobre o modo de vida de um elemento da comunidade Straight Edge portuguesa?”- MF descreve OS POSITIVOS entre incursões de bd autobiográfica combinada com devaneios de power-trips. Justo, mas francamente incompleto, um desconhecimento de causa que apenas podemos compreender porque o próprio concede que não nos segue com grande atenção:

Admito a minha falta de vontade para ler estas BDs
in "Punx Comix banda desenhada e punk em Portugal" de Marcos Farrajota 2017

Podemos incluir OS POSITIVOS na quase totalidade das categorias que ocupam Farrajota em relação a outros autores, e, salientamos, com recurso às mesmas BDs que foram publicadas apenas na década de 90:

Violência? Nome do meio. Drogas? Temos. Sexo? Front & center. Homossexualidade? Feito (*). Feminismo e personagens femininas? Grosso modo os gaijos são as bitch delas. Die young stay pretty? Não leste mesmo OS POSITIVOS. Skins? Dos bons e dos maus. De porcos nazis para os outros porcos? Todos maus. Música? Ao pontapé! (Há outra forma de música...?) Concertos? Exemplo abaixo. Blitz? Aqui.

* Hum, dito assim...


"let the new kids set the pace"
(fun fact: clica aqui!)

Escolhemos este exemplo com um propósito maior. Ao caso, enquanto MF cita referências incontornáveis da cena punk à década, nessa mesma altura nas páginas dos P+ temos bandas de liceu que tocam covers dessas bandas: uma diferença sobre a qual continuamos a construir.

O autor do "Punk comix" conclui algures bombasticamente que toda a bd em PT é punk. Conseguimos rapidamente desacreditar essa hipótese. Em sentido contrário, mesmo nunca tendo sido publicados fora dos fazines sentimos-nos confiantes quando fazemos 20 anos non-stop de pulhices diversas a reclamar um claim à short-list da coisa, se autenticidade importa. Especialmente, justamente, porque nunca nos apanharam fora do zine. Hélas, o nosso desenho está todo errado, ninguém o percebe e só irrita quem o lê. Ah, espera---

Até daqui a outros 20. Terminamos com um EP de um Rotten, UK, só não aquele que os punks do formol imaginam: o mundo não pára de rodar.



fins de outubro