sorry folks: u forgot tha say 'please'
voltaremos quando vos for mais inconveniente

first time? drop dead.
come back on ur 3rd time around...

teses

cómicos

readings

dee and dum

fanzines

main comix/zines

meet tha crew

about us

aqui há festa

há aqui uma mensagem, que começa com "desisto" e acaba em "kuti-kutchi-cu!"

Da BD mais artística à Manga para "teenagers", do Design experimental à Ilustração para a infância, esta Festa irá juntar uma enorme "bibliodiversidade" graças à forte expressão de todas dessas entidades convidadas, oferecendo um grande número de estilos e géneros gráficos e narrativos, tal como a Bedeteca sempre apresentou desde a sua fundação.
in "Confirma-se! Há festa na Bedeteca!" 14 abr 2017

Anuncia-se a comemoração dos 21 anos da Bedeteca. Se aos teens nada diz, cremos que lhe devemos alguma menção na génese dos próprios P+: até que ponto, à data, poderíamos ter surgido apenas como mais um zine anarcho-punk com a literatura que se adivinha, não houvesse então uma paisagem editorial de BD mais aberta disposta a arriscar fora dos modelos habituais? Entre outras considerações (*), devemos às Bedetecas e Polvos e pequenas editoras dos finais dos anos 90 o trabalho de sapa de voltarem a colocar a banda desenhada no patamar do "cool" o suficiente para, sem a termos procurado, esta ter encontrado o seu caminho até nós. Consideremos OS POSITIVOS actuais: já antes do Trumpas a BD desce a segundo plano -quer pela urgência de registos que recolhemos para as teses, quer pela (ir)relevância da mesma (numa tese que se debruça justamente sobre BD!). Ainda que não possamos desconsiderar outros factores (*), a insípida cena de BD hoje só reforça o desencanto. Pelo contrário, e pelo momento e movimento conseguido à data, kudos então aos João Paulo Cotrim e gang.

( * vide "Humor & Depressão" )

Com um programa de festas bastante variado e focado no presente, importa-nos não este ou sequer o passado ido mas ramificações futuras - na parte que nos toca. E encontramos dois eixos a explorar. Da festa:

  • O passado e a história da instituição não é esquecido e até é celebrado com alguns dos projectos (...) oferecendo verdadeiras prendas aos visitantes desse dia! É a eles que devem dar os "parabéns".
  • No acervo da Bedeteca de Lisboa, juntamente com os mais de 10.000 volumes de revistas e livros, estarão lá exemplares desta folha para consulta e para todo o sempre!

Comunidade. E arquivo.
Combinemos os dois, semper digital.

Online communities close all the time, and for all kinds of reasons — usually a lack of time, funding, or interest. But how they decide to dissolve the collective contributions of a community impacts how they’ll be remembered.
in "Closing Communities: FFFFOUND! vs MLKSHK" 13 abr 2017

Das comunidades, em digital, a entrosar ao arquivo de seguida, com alguns exemplos recentes, e ilações a bedetecas e BD. Tal como a dita, apresentamos o caso de duas entidades a sofrer do mesmo destino, debandando aos sete ventos –ou ao Instagram mais próximo mas refreamos-nos de tais comentários por hoje- os seus constituintes e artefactos, alma e razão de ser, FFFFOUND, "a community around the curation of art and other imagery [marcada para] close on May 8", e MLKSHK, "a community for sharing images and vídeos (...) switching to read-only mode in April and closing entirely on May 1". Um caso de estudo interessante porque além servirem uma mesma audiência e fecharem portas no mesmo momento, fazem-no de duas formas diferentes. No primeiro caso, uma restrição na exportação dos seus conteúdos limita a recuperação destes, que aliado a uma restrição da sua indexação por terceiros inviabiliza o seu arquivo. No segundo caso, os seus actuais promotores esforçam-se por permitir que não só os seus actuais utilizadores recuperem os seus conteúdos, como procuram formas de que o projecto se prolongue em formato aberto para a posteridade. Um resumo.

That’s a common end to online communities: we’re shutting down next month, your work will be deleted, thanks for participating.
These two communities shared a lot in common. Both were very creative, focused on curating imagery, but how they’re shutting down are very, very different — how it was communicated, the tools for saving your contributions, and the future of the community.
  • FFFFOUND provides no export or backup tools. A handful of user-created scraping scripts exist for those tech-savvy enough to use them, but in general, most users will be unable to preserve their contributions.
    More upsetting is the fact that FFFFOUND only allows Google, Bing, and Yahoo to crawl their archives (...) As a result, the Internet Archive is forbidden from archiving FFFFOUND.
  • MLKSHK gave its users about ten weeks’ notice, compared to FFFFOUND’s four weeks, but offered backup tools since 2014, allowing its users to request a ZIP file of all their images. They also offered an API, allowing developers to build libraries and other tools.
    MLKSHK’s permissive robots.txt allowed all crawlers, which in turn led to comprehensive historical snapshots, almost daily, in the Internet Archive’s Wayback Machine from launch until today. The MLKSHK creators also reached out to Archive Team, the group of volunteer archivists who preserve sites like Geocities, and asked them to archive the site. Collectively, they grabbed nearly 2TB of images and other assets, which will eventually make its way into the Internet Archive’s collections.
    Preservation is important, but [MLKSHK] went much further: they donated it to the community that helped make it great. [MLKSHK] gave the code, assets, and anonymized database to a small workgroup of volunteers, who open-sourced the code with permission and raised over $3,000 in a fund drive to cover startup costs to get it off the ground.

in "Closing Communities: FFFFOUND! vs MLKSHK" 13 abr 2017

Abordámos o arquivo em digital antes, um tópico ao qual o autor do anúncio com que abrimos este texto não é indiferente. Desse mesmo blog, as lamurias do desaparecimento do sítio oficial da Bedeteca de anos idos e as congratulações do seu recuperar por portas travessas – ou, aquilo da comunidade.

Em 2011, por falta de pagamento ao serviço externo que sustentava o sítio em linha bedeteca.com levou com que este fosse desactivado levando consigo vários arquivos que registavam exaustivamente a História recente da BD e Ilustração portuguesa, de 2000 a 2010. Falamos de 10 anos de actividade na www que foi produzido um enorme arquivo de mais de 10000 recortes de imprensa (alguns remontando aos anos 90 e a fanzines seminais na crítica de BD), 1000 notícias (de eventos e lançamentos de publicações), várias ferramentas pedagógicas e o arquivo de programação da própria instituição. As ferramentas pedagógicas incluíam a Bedeteca Ideal (uma listagem de títulos para a criação de uma Bedeteca particular ou privada), as fichas "BD Boom" (para formadores e professores) e os exercícios de BD do CITEN (um curso de BD criado na Fundação Gulbenkian). Tudo isto foi reduzido a zeros…
Em pleno século XXI, foi amputado à Bedeteca de Lisboa a sua página oficial. Em pleno século XXI isso significa não existir realmente, sem a maior ferramenta de promoção da própria instituição como uma forma de promoção à leitura.
in "Big Brother Free Zone" 18 jan 2017
Longlive the Copytheft!

Desapareceu o sítio em linha da Bedeteca mas o leitor Ricardo Baptista salvou a informações dos Dossiês feitos entre 2000 e 2009, São quase 10 anos de História e algum pensamento crítico salvos pela pirataria fandom.
in "Dossiês de ontem" 31 dez 2016

Da importância do salvaguardar o digital, ainda na Bedeteca, um outro caso. De há uma outra década, "Bedeteca de Lisboa celebra 10.º aniversário em ambiente de crise" 22 abr 2006:

"Este ano faremos a mostra apenas na net, em Outubro, apoiada por uma boa campanha de rua e de imprensa, além do catálogo"
in Púbico 22 abr 2006

Provavelmente haverá um catálogo algures, mas mostrem-nos a mostra na net? Demos razão a quem de direito:

Não é de admirar que as suas (poucas) actividades desde então não tenham tido impacto público ou que "As salas de leitura vazias são uma constante na Bedeteca de Lisboa" – embora isso também se deva ao facto de haver poucas aquisições/novidades. Como se sabe não se fazem bibliotecas sem livros mas isso é uma outra história…
in "Big Brother Free Zone" 18 jan 2017

Comunidades, copythefts fandom, catálogos na net e "não se fazem bibliotecas sem livros"? Contemos essa história, que hoje ainda se desenrola: arquivos no digital. Exemplificando com o supramencionado Internet Archive, há uma muito grave lacuna nessa frente, uma que, novamente, implica uma Bedeteca, circa década de 90 do século XX. Do mês passado –mas baseado num mesmo artigo de outubro 2016- foi feito novo call-to-action do Internet Archive para a digitalização de livros, num gesto que pede não só a colaboração das bibliotecas no esforço mas igualmente a sua responsabilização na manutenção desse acervo.


superman-digi-thingy!

Today, people get their information online — often filtered through for-profit platforms. If a book isn’t online, it’s as if it doesn’t exist.
Bringing universal access to all books has not been achieved. Why? There are the commonly understood challenges: money, technology, and legal clarity.
in "Transforming Our Libraries from Analog to Digital: A 2020 Vision" 13 mar 2017 (original: outubro 2016)

As obras que caem no domínio público serão digitalizadas. As mais recentes já vêm em digital. Sobra aquele período de tempo que chamaremos daqui em diante "má sorte teres nascido livro impresso no limiar da internet". Ou, claro, faz depender a tua posteridade dum tal de copythefts fandom que te dê algumas horas por dia. Hell, se o Isabelinho se dedica a recuperar bds do antigamente, pode ser que amanhã um teen de hoje salve a tua bd de ontem. Pode acontecer.

The materials up to the 19th century would be digitized and available and that the 21st-century materials, since they were born-digital, were going to be circulated effectively. But the 20th-century material (are to) be caught in machinations of copyright law — most remaining out-of-print, and all seemingly locked up by late-20th-century laws that appeared to make digitization risky.
in "Transforming Our Libraries from Analog to Digital: A 2020 Vision" 13 mar 2017 (original: outubro 2016)

Algumas notas adicionais já que estamos aqui. Como antes reparámos a propósito do Internet Archive, movem-se pelo mesmo princípio de descentralizar/redistribuir a carga e responsabilidades, por oposição a modelos centralizadores orientados ao $$$.

I believe this time we can pursue a decentralized approach
Three major entities have digitized modern materials at scale: Google, Amazon, and the Internet Archive, probably in that order of magnitude. Google’s goal was to digitize texts to aid user search and its own artificial intelligence projects. Amazon’s book-digitization program helps customers browse books before purchasing them.
in "Transforming Our Libraries from Analog to Digital: A 2020 Vision" 13 mar 2017 (original: outubro 2016)

E fazem um muito bom caso pela sua lógica, "distributed preservation":

If we are striving to build the modern-day Library of Alexandria, we should avoid the fate of the first Library of Alexandria: burning. If the library had made another copy of each work and put them in India or China, we would have the complete works of Aristotle and the lost plays of Euripides. Our community should preserve multiple copies of the books that are bought and digitized. While many libraries may be content with access to the collection on a cloud-based server, we can empower and encourage a number of libraries to store local digital copies of their books.
in "Transforming Our Libraries from Analog to Digital: A 2020 Vision" 13 mar 2017 (original: outubro 2016)

Segunda nota, voltando ao Google, e cruzado à nossa cruzada com a AI. De uma notícia mais recente:

In its youth, Google Books inspired the world with a vision of a "library of utopia" that would extend online convenience to offline wisdom: upload all those pages into the ether, and they would somehow produce a phase-shift in human awareness. Instead, Google Books has settled into a quiet middle age of sourcing quotes and serving up snippets of text from the 25 million-plus tomes in its database.
in "How Google Book Search Got Lost" 11 abr 2017

Porque perdeu o Google o entusiasmo com a digitalização de todos os livros à face da Terra, quando ainda recentemente ganhou o último (?) dos processos em tribunal que o impediam desse empreendimento? Bem, talvez não tenha perdido o entusiasmo, apenas reorientado o mesmo - notem a nuance: quem nos diz que esse projecto ainda nos tem como leitor final?

To date, the full experience of reading a book requires human beings at both ends. We know Google can’t legally make its millions of books available for anyone to read in full — but what if it made them available for machines to read? Machine-learning tools that analyze texts in new ways are advancing quickly today (...) to progress, researchers need big troves of data to feed their programs. If Google could find a way to take that corpus, sliced and diced by genre, topic, time period, all the ways you can divide it, and make that available to machine-learning researchers and hobbyists at universities and out in the wild, I’ll bet there’s some really interesting work that could come out of that.

Maybe, when some neural network of the future achieves self-awareness will be able to read all the books we’ve scanned — really read them, in a way that makes sense of them. What would it do then?
in "How Google Book Search Got Lost" 11 abr 2017

No tópico de notas, somos lembrados que podem encontrar um apanhado dos dossiês Bedeteca 2000-2009 aqui, mais arquivos da dita aqui, e que o domínio original (bedeteca.com, actualmente a reencaminhar para a Mundo Fantasma) expira a 21 de abril e já antes debatemo-nos com a ideia de ficar com ele para efeitos de festa :)

"create, update, expirate"

print my broadsheet