sorry folks: u forgot tha say 'please'
voltaremos quando vos for mais inconveniente

first time? drop dead.
come back on ur 3rd time around...

teses

cómicos

readings

dee and dum

fanzines

main comix/zines

meet tha crew

about us

pergunta-nos Pedro Moura

« o que significa "alternativo"? »

Se servir para enfiarmos a carapuça, pois bem.

Interroga-se Pedro Moura, a propósito de BD. E quanto o faz!, num só parágrafo enumera tantas daquelas questões existenciais que pesam sobre o mercado editorial:

...que editoras trabalham, como é que elas se coordenam no mundo editorial, quantos títulos têm sido publicados, quantas novidades, quantos desses títulos se integram em lógicas de coleção e/ou autorais, quais são as políticas de criação, como tem sido tratado o património da banda desenhada, que géneros têm surgido, medrado ou sido transformados, que novas linguagens, suportes ou modos de circulação têm sido experimentados, que categorias ainda fazem sentido identificar na ‘cena’...
in "La bande dessinée au tournant. Thierry Groensteen (Les Impressions Nouvelles)" 30 mar 2017

Tratando da "paisagem editorial contemporânea no espaço francófono", rapidamente acrescenta que essas mesmas dúvidas não são descabidas de estender ao panorama nacional, ainda que nada os ligue. O próprio aponta à enormidade do exercício, e se admite uma falta de imaginação para "o esforço titânico que seria necessário para chegarmos a um ponto tal no nosso país", não é lesto em complementar a lista anterior com preocupações mais localizadas à pátria, como:

Em que medida a actividade editorial das pequenas grandes editoras de banda desenhada, de longe mais competentes e diversas que as ditas "grandes" se traduz numa vida sustentada da banda desenhada? Qual a razão da quase total ausência de uma recepção diversificada da banda desenhada nos meios de comunicação de massa, ou pelo menos um seu tratamento digno, sem passar pelos disparates costumeiros?
in "La bande dessinée au tournant. Thierry Groensteen (Les Impressions Nouvelles)" 30 mar 2017

Moura, imaginamos que ainda exausto do supra mencionado esforço de imaginar a imaginação de tal esforço, complementa adiante um...:

Em Portugal (...) foram poucos os gestos que se criaram desta natureza, mas pessoas como Nuno Pereira de Sousa, Marcos Farrajota e José de Freitas, por exemplo, têm lançado balanços inteligentes e equilibrados, cada qual à sua maneira, com distintos instrumentos e posicionamentos, sobre o panorama português.
in "La bande dessinée au tournant. Thierry Groensteen (Les Impressions Nouvelles)" 30 mar 2017

...com um:

Faltam mais gestos deste tipo, sobretudo com uma perspectiva crítica

...falhando em reconhecer na enumeração anterior a referência mais gritante em gestos de perspectivas críticas bedéfilas neste canto da Ibéria: OS POSITIVOS.

Hell, 287 entradas que o Google devolve no tema. Da sua relevância não nos acusamos, perguntem ao algoritmo que as ordenou.

Proposição perfeitamente aceitável e desculpável porque, como admite o próprio, atravessa um momento de recalibragem de conceitos e perdeu de vista o sentido de alternativo.

Ora, no tópico de disparates costumeiros, banda desenhada alternativa e pouca imaginação, temos o nosso quê de bagagem que podemos trazer à praça: ajudemos Pedro Moura.

A complexidade do "alternativo" em PT já foi por diversas vezes discutido entre aqueles que têm uma imensa dificuldade de encontrar o outro do qual se distinguem, num mercado onde nenhuma banda desenhada consegue vender mais do que uma centena de livros, e a amálgama de estilos e temas são tão versáteis e populares e inócuas que não se destacam acima dos demais ou assumem a diferenciação de um "us vs them". Nestas condições, o conteúdo das peças – a substância da sua razão de ser!- é, convenhamos, inconsequente, e o último reduto cientificamente válido ao verdadeiro investigador, invariavelmente, recai na crueza dos números. Infelizmente e como sabemos, esses não geram gráficos de comparações dramáticas quanto todos se arredondam por baixo. Neste cenário, o verdadeiramente alternativo só pode ser aquele que, menos do que uma circulação de merda, tem vendas negativas -ie, ao invés de percorrer o percurso do editor para o leitor, move-se do leitor de volta ao editor. Porque o verdadeiramente alternativo num contexto tão paupérrimo não pode ocorrer em paralelo e apenas e tão só no seu sentido inverso: mais do que o prejuízo de zero livros vendidos, o alternativo-a-mais-do-mesmo será aquele que escolhe a retoma das suas próprias publicações e exclui-se da circulação geral se esta é já de si tão miserável que só lhe resta ser uma contra-circulação.

Quando essas condições ocorrem, sabemos para lá de qualquer dúvida, que há obra.

Mais: pós-modernidades consideradas, desse movimento não podemos evitar um outro debate: além do sentido que ocorre, podemos-nos simplesmente excluir desse circuito - vide "o papel e digital".

Ou, para não vos maçar com literatura -é sexta-feira, ninguém nos está a ler a caminho do fds, a começar por nós próprios - passamos a palavra a NPS, online um dia antes de PM, onde se cruzam todos os tópicos anteriores e mais alguns, se os quisessemos desenvolver, e não queremos.

Senhoras e senhores, um possível outro a título de exemplo.

Os livros com autoria de youtubers portugueses têm tido, de um modo geral, sucesso de vendas. A generosa quantidade de seguidores dos seus canais no youtube, permite-lhes divulgar ao seu público-alvo a apresentação dos mais diversos produtos por si concebidos ou nos quais participam.

No dia 18 de janeiro foi colocado à venda. O resultado não se fez esperar. Uma semana depois, o livro conhecia nova edição. A terceira surgiria já em fevereiro e, segundo a Manuscrito, chancela da Editorial Presença, atualmente encontra-se na quinta edição, o que é compatível com as filas de centenas e centenas de fãs que têm pacientemente aguardado pelo seu autógrafo nas diversas apresentações que a banda desenhada tem tido no país. Esta popularidade gerou ainda mais seguidores no canal de Wuant, que, em menos de 3 meses, angariou mais de 500000 fãs no youtube, tendo neste momento 1 milhão e meio de seguidores do seu canal.
in "Wuant O Início" 29 mar 2017

Pequenas editoras mais diversas e competentes de BD: ‘tão-se a sentir bastante alternativas neste momento? E nem sequer é particularidade nacional: do registo que fizemos sobre as vendas do ano passado, dizia-nos a autora da peça sobre um sucesso em particular -

Something that I’m entirely ignorant about, a comic apparently from someone famous for playing Minecraft on YouTube, ""DanTDM: Trayaurus and the Enchanted Crystal". How that gets you to sell almost 100k books, I’m not sure I understand fully, but that’s OK. (...) I have no idea, I’m almost fifty! Either way, it racks up a very impressive 99k copies sold, making it a real world significant hit.
in "Tilting at Windmills #257: Looking at BookScan 2016 – More Than 10 Million Sold" 7 mar 2017

É uma cena agora.
Uma cena alternativa à banda desenhada.

A maior dificuldade em inverter o modelo que hoje impera reside no facto de "não se perfilar outro no horizonte", na medida em que a própria linha do horizonte se situa no interior desta teologia económico-política. 

António Guerreiro in "o débito universal" 31 mar 2017

Mais imaginação precisa-se. Bom fds.

solidariedade para a frente