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Steve Bannon: 'We're going to war in the South China Sea ... no doubt'


Trumpo, national security adviser Michael T. Flynn, his top strategist Stephen K. Bannon, e um stack of newspapers: that's gonna work!
Only months ago Donald Trump’s chief strategist predicted military involvement in east Asia and the Middle East
in The Guardian 2 fev 2017

Parece-nos que estamos sempre a dançar à volta do mesmo tema. No seguimento do longo excerto sobre arte e punx -

For many years, I was torn between understanding myself as an artist and as a revolutionary. As I considered the future through the hyperbolic lens of youth, I felt I would eventually have to make a stark decision: either throw myself into the serious business of fighting oppression, or turn my back on my principles and content myself with making things of beauty to be ignored or consumed by the very society I wanted to destroy.

- um contrapeso ao nosso eterno queixume da inutilidade dos artistas de serviço: às vezes, estes querem mostrar trabalho, até quando, provavelmente, seria uma boa ideia, por uma vez, não o fazerem.

Antes de nos abeirarem demasiado de um precipício do qual não há retorno e continuando com as leituras em dia sobre um outro antes, uma descrição de época a recordar esses tempos de apologia pela grande guerra em início de século. Então, como agora, elites, artys:

As exceções a este quadro mental apolítico eram poucas, pois não era fácil combinar uma vida estética palpitante e exigente com qualquer espécie de causa política. Para muitos artistas, os assuntos públicos pareciam indignos da sua atenção. O seu desdém pelos políticos, pelos movimentos de massa e pelo jornalismo igualava o seu desprezo pelos negócios em geral.

- e as massas.

Quanto às massas, quando ouviram os ardinas gritar: «Foi declarada a Guerra!», sentiram-se como que abaladas. Os seus pensamentos dispararam em todas as direções. Não podia ser, e todavia era. A palavra guerra tinha sido proferida um milhão de vezes anteriormente, com medo ou com esperança, e suscitava todas as imagens que o orador tivesse à disposição; mas a perspetiva imediata de combate era como uma explosão na alma. No momento seguinte, as emoções mudaram — pânico para uns, alegria para outros; alívio pelo final do suspense, entusiasmo positivo para a acção, determinação negativa de morrer de preferência a render-se; tudo isto projectado contra um fundo caleidoscópio de rostos — filho, irmão, marido, amigo.

À mistura com a preocupação por si próprio e por aqueles que lhe eram queridos, havia um súbito espasmo de amor fraternal por todos os concidadãos, de classe alta ou baixa. O perigo e a glória tornavam-nos uma totalidade compacta de iguais a braços sabia Deus com que males. Era, além disso, estimulante e justo. O pensamento abrangente simplificava tudo; toda a gente compreende a guerra e se curva ao seu único objectivo. Motivos há muito adormecidos abriram-se para a vida: o heroísmo — arriscar a vida sem pensar em si, para defender a pátria, com as suas mulheres e crianças; a virilidade — praticar feitos sobre-humanos debaixo de fogo: derrotar agressores desumanos que cometiam atrocidades.

Tudo considerado, a guerra representava a libertação da monotonia da existência, com todas as suas manhas mesquinhas para alcançar fins egoístas. Abria-se uma nova vida, liberta de propósitos corruptos e autocomplacência grosseira.

Ah, Patriotas...
Mas não são os únicos idiotas:

Mas a brecha intelectual era mais grave do que a política; as classes educadas não tinham desculpa. Por definição — a sua própria justificação jactanciosa — os intelectuais eram pensadores independentes, sempre na vanguarda das últimas verdades em arte, ciência e pensamento social.

Da noite para o dia, em massa como se fossem carneiros, transformaram-se em superpatriotas exaltados.

O aspeto mais notável desta resposta de vira-casacas não era ser a mesma em todos os países beligerantes — esse facto podia inferir-se das características comuns da cultura ocidental. O que é verdadeiramente espantoso é a unanimidade, inaudita em qualquer outra matéria que não fosse a guerra e o inimigo. Passando os olhos pela lista de grandes nomes da literatura, da pintura, da música, da filosofia, da ciência e das ciências sociais, não conseguimos pensar em mais de meia dúzia que não vociferassem todas as palavras de ordem ofensivas e jactanciosas. Encher-se-iam páginas de citações repetitivas e dolorosas, se fosse aqui tentada uma pesquisa completa dos participantes nesta aberração. Uma mão-cheia de exemplos mostrará o que se esperava que os poucos dissidentes dissessem e a coragem que foi necessária para recusar ou dizer o contrário.

Os mais moderados diziam: «Matai, mas não odieis.»

E o take away para os nossos artistas antes de voltarmos ao mesmo:

Este fenómeno cultural sem precedentes requer uma explicação. Não aconteceu nada de parecido com isto durante as guerras napoleónicas. Nessa altura, muitos intelectuais conseguiram permanecer calmos por sobre os chefes dos estados em guerra. (…) Mas nunca antes de 1914 se tinha visto a volúpia do derramamento de sangue em toda a classe intelectual. O que levou a elite a renunciar aos seus ideais, aos seus hábitos e às suas amizades?

A explicação seguinte é: o patriotismo normal, revigorado pelo antigo e profundamente enraizado instinto de agressão que pode transformar-se numa vocação e tomar-se o distintivo da nobreza, como aconteceu na Idade Média e nos séculos seguintes. Podia dizer-se também que o patriotismo pacífico tinha sido exacerbado em ismos violentos — nacionalismo, imperialismo, monarquismo, jingoísmo, anarquismo, niilismo — pelos anos de crise e afrontamento anteriores à guerra. Contudo, temos de pensar duas vezes. É verdade que alguns intelectuais se tinham tornado doutrinadores, «nacionalistas integrais», mas a maioria não o eram e a sua mudança súbita devia alguma coisa à sua redescoberta da importância da justiça nos negócios públicos. (...) Estas noções formaram o material da propaganda incessante, requerida para um «estado de guerra psicológico», um novo modo de agressão e uma nova forma de arte. Foi levada à perfeição não somente pelos jornalistas, como seria de esperar, mas pelos romancistas, poetas e críticos, artistas gráficos e fotógrafos. Contudo, outro motivo, embora talvez menos consciente, animava esses fazedores de cultura: pela primeira vez nas suas vidas tinham-se tornado importantes, úteis, desejados. (…) Ao mesmo tempo que desprezavam o mundo, os criadores do novo sentiam que esse sentimento era retribuído. A guerra permitiu que estes líderes não reconhecidos se voltassem a unir à sociedade, aclamou-os como soldados, louvou-os e pagou-lhes pela sua capacidade de combater – ou escrever comunicados, desenhar cartazes, censurar correspondência e fazer investigação histórica em prol do “esforço de guerra”. Eram, por fim, homens práticos.

E, por uma vez, para isso, antes tivessem ficado no fartsy. Estarás entre a mão-cheia de dissidentes com a coragem para recusar ou dizer o contrário ao nacionalismo que se adivinha? Ou estás entre os condenados a repetir os mesmos erros?

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