Humor e Depressão.
all my people in the place put your fists in the air
all my down muthafuckas get up outta your chairs
all my real down peoples, we got love for you here
'cept for that muthafucka right there: get him!
all my down muthafuckas get up outta your chairs
all my real down peoples, we got love for you here
'cept for that muthafucka right there: get him!
Aqui não poderão encontrar um resumo contundente dOS POSITIVOS porque estes permanecem imoderadamente elusivos à nossa capacidade de objectivamente os sintetizar sem afectar particularidades do seu autor que deverão permanecer vagos (1). Assumam-nos presentemente como parte intrínseca da nossa experimentação com o quotidiano, no passado companheiros de viagem de diferentes incidentes arrebatadores, e de futuro reserva de sanidade que a vivência permitirá aconchegar em segurança de doses maciças de escárnio e peçonha para com toda a cretinice que no decorrer de uma vida se acumula.
Esta é uma secção em construção, o verdadeiro about resultará sempre da soma das BDs. Podem encontrar aqui alguma contextualização adicional.
UPDATE: na crítica ao ROADTRIP#1 no blog LER BD escrevemos um long post sobre OS POSITIVOS. Com as devidas considerações pelo contexto, podem lê-lo como o “sobre” oficial.
OS POSITIVOS (P+) não são a típica bd de fanzine.
Os P+ só mesmo por desconhecimento de causa se assumiram como fanzine: se na década passada tivesse tido o cuidado (ou sequer o interesse) de pesquisar, teria utilizado outro termo para descrever as mal agrafadas fotocópias onde se reuniram pela primeira vez, em vez do “magazine” de “fã”. Não sei como concatenar os termos mas teria feito mais sentido apresentar ao mundo os P+ como um “panfleto” de “puberdade”. Poderá parecer mesquinho, mas é na diferença que vai entre um puberpan (inventei) e um fanzine que OS POSITIVOS moldaram a sua personalidade. Peço que leiam esse parágrafo novamente, a apreensão do fosso que separa essas duas realidades é fundamental para compreender os P+.
Para melhor entenderem o objecto em análise, permitam-me que o decomponha nas suas duas vertentes: banda desenhada e militância dos direitos dos animais. Os P+ sempre sempre viveram entre estes dois mundos: tiveram a origem que tiveram, terão sempre uma grande carga pessoal, pautada por um forte realismo (confundido com “pessimismo”e dai o título “OS POSITIVOS”), mas são ao mesmo tempo um objecto virado para fora, apenas não para todos. E este é o segundo aspecto a reter: os P+ não pretendem agradar a todos.
BANDA DESENHADA
Não me vou alongar muito sobre o tema, especialmente no covil do lobo! Não tenho a bagagem para suportar o assalto, mas gostava de ajudar a clarificar o campo onde os P+ jogam: no simbólico, quase iconográfico! Se pensarmos na trindade da vida interior, distinção visual e traços expressivos, os P+ têm muito do primeiro, quase nada do segundo e gastam o que lhes resta no terceiro.
OS POSITIVOS não pretendem quebrar o status com pretensões artísticas de reinventar o meio nem o pretendem perpetuar com homenagens a jovens repórteres belgas de oitenta e um anos ou mutantes de aço vindos de outros planetas, mas estão algures a meio, na linha das bds autobiográficas, introspectivas, pessoais.
Pior que a industria que pretendem imitar, os fanzines de inspiração belg-ó-marvel são ainda mais estéreis e desprovidas de alma. Mas as primeiras bds são-me igualmente aborrecidas. Nem as deveríamos considerar banda desenhada e sim ilustrações sequenciais. Ou, no verdadeiro significado da palavra, o tal graphic novel, que sempre me suou mais a portefólio de designer gráfico com uma máquina fotográfica e tempo livre para o Illustrator, do que a uma boa história de comics. (...mas divago - tenho que ter tento na lingua porque nesta discussão rapidamente caio no flaming e corro o risco da censura. Em jeito de resumo: leiam o [d]ejected #1. - se o Pedro Moura achar relevante esta discussão, tenho muito para me queixar da bd nacional...)
Entre estes dois universos, o da banda desenhada industrial e o da bd alternativa, os P+ são alternativos (mas não tão far-off que caiam no experimental-ó-inócuo) disfarçados da simplicidade do cartoon industrial. Como refere o texto do Pedro Moura, em termos de linguagens esta bd joga a vários níveis e a simbiose bastarda entre o conteúdo “pesado” e o traço “simples” é uma das vertentes que venho a tentar apurar nas histórias. Se quiserem, e se me perdoarem algum excesso, podem pensar nos P+ como um cruzamento do desenho simples do Quino com as histórias ácidas de um Peter Bagge. Ou, como os caracterizam o Pedro, ““o estilo de desenhos, a figuração simplificada e sem olhos, a composição de páginas, a utilização de tipos de letra variados recordará mais uma banda desenhada infantil ou de tiras comerciais de jornais (digamos algo desde a Turma da Mônica a Dilberts-Cathys)”. Isto, claro, sendo perfeitamente n-ã-o discutível da minha parte que eu não sou um grande desenhador mas que isso também não vem ao caso.
DIREITOS DOS ANIMAIS
Desde a sua origem que os P+ se cruzam com ambientes anarco-vegetarianos mas esse é apenas um daqueles acidentes felizes de agenda. Se a Igreja Católica defendesse a acção directa como solução prática para acabar o genocídio dos animais, OS POSITIVOS estavam a sair nas newsletters do Vaticano. Caracterizar OS POSITIVOS enquanto anarquistas requer algumas reticencias. Se OS POSITIVOS são anarquistas nos métodos, são-o à falta de melhor. A agenda cruza-se em várias frentes (o racismo, os nazis, o capitalismo) e enquanto vão todos na mesma direcção faz-se a boleia. Mas tal como há punks demasiado punks para serem punks, os P+ não têm uma ideologia específica, apenas várias personagens com muitas opiniões. Sobre os direitos dos animais, como disse, esse é um não tópico para não vegetarianos e afins, por isso não me alongo mais aqui, excepto para dizer que---
--- não se pode compreender OS POSITIVOS sem aceitar que eles não se destinam a uma audiência mainstream.
Tal como não pretendem a “indoctrinação” dos demais como escreve Pedro Moura. Pelo contrário, a atitude dos P+ é que esse barco já partiu à muito tempo e os P+ destinam-se nesse aspecto exclusivamente àqueles que partilham da militância. Nesse aspecto, os P+ são mesmo pós-propaganda. Ao observar que “a vitória dos anarquistas Positivos só é natural por ser deles mesmos o discurso que nos é entregue”, o Pedro Moura está no fundo a reconhecer a estranheza com que muitos leitores mergulham nos P+: de repente confrontam-se com uma nova realidade em que a sua visão do mundo é considerada anormal e minoritária, já que o pensamento predominante não só não o sustenta, como não procura o compromisso ou a sua justificação: imediatamente o ataca o mais desporcionalmente possível. Procurar “uma forma mais equilibrada seria entender as distâncias de inscrição cultural e as circunstâncias que permitem uma maior ou menor circulação cultural, participação educativa e democrática, e procurar soluções de aproximação” é tudo o que OS POSITIVOS por natureza não irão fazer.
Compreendo a conclusão do Pedro Moura quando diz que ”o seu propósito mais profundo vê-se encurralado numa forma de comunicação algo deslocada e paradoxal” mas não concordo. Essa comunicação é intencional e o resultado varia conforme o leitor: uns repelem o discurso, outro reconhecem e entranham.
Os P+ só mesmo por desconhecimento de causa se assumiram como fanzine: se na década passada tivesse tido o cuidado (ou sequer o interesse) de pesquisar, teria utilizado outro termo para descrever as mal agrafadas fotocópias onde se reuniram pela primeira vez, em vez do “magazine” de “fã”. Não sei como concatenar os termos mas teria feito mais sentido apresentar ao mundo os P+ como um “panfleto” de “puberdade”. Poderá parecer mesquinho, mas é na diferença que vai entre um puberpan (inventei) e um fanzine que OS POSITIVOS moldaram a sua personalidade. Peço que leiam esse parágrafo novamente, a apreensão do fosso que separa essas duas realidades é fundamental para compreender os P+.
Para melhor entenderem o objecto em análise, permitam-me que o decomponha nas suas duas vertentes: banda desenhada e militância dos direitos dos animais. Os P+ sempre sempre viveram entre estes dois mundos: tiveram a origem que tiveram, terão sempre uma grande carga pessoal, pautada por um forte realismo (confundido com “pessimismo”e dai o título “OS POSITIVOS”), mas são ao mesmo tempo um objecto virado para fora, apenas não para todos. E este é o segundo aspecto a reter: os P+ não pretendem agradar a todos.
BANDA DESENHADA
Não me vou alongar muito sobre o tema, especialmente no covil do lobo! Não tenho a bagagem para suportar o assalto, mas gostava de ajudar a clarificar o campo onde os P+ jogam: no simbólico, quase iconográfico! Se pensarmos na trindade da vida interior, distinção visual e traços expressivos, os P+ têm muito do primeiro, quase nada do segundo e gastam o que lhes resta no terceiro.
OS POSITIVOS não pretendem quebrar o status com pretensões artísticas de reinventar o meio nem o pretendem perpetuar com homenagens a jovens repórteres belgas de oitenta e um anos ou mutantes de aço vindos de outros planetas, mas estão algures a meio, na linha das bds autobiográficas, introspectivas, pessoais.
Pior que a industria que pretendem imitar, os fanzines de inspiração belg-ó-marvel são ainda mais estéreis e desprovidas de alma. Mas as primeiras bds são-me igualmente aborrecidas. Nem as deveríamos considerar banda desenhada e sim ilustrações sequenciais. Ou, no verdadeiro significado da palavra, o tal graphic novel, que sempre me suou mais a portefólio de designer gráfico com uma máquina fotográfica e tempo livre para o Illustrator, do que a uma boa história de comics. (...mas divago - tenho que ter tento na lingua porque nesta discussão rapidamente caio no flaming e corro o risco da censura. Em jeito de resumo: leiam o [d]ejected #1. - se o Pedro Moura achar relevante esta discussão, tenho muito para me queixar da bd nacional...)
Entre estes dois universos, o da banda desenhada industrial e o da bd alternativa, os P+ são alternativos (mas não tão far-off que caiam no experimental-ó-inócuo) disfarçados da simplicidade do cartoon industrial. Como refere o texto do Pedro Moura, em termos de linguagens esta bd joga a vários níveis e a simbiose bastarda entre o conteúdo “pesado” e o traço “simples” é uma das vertentes que venho a tentar apurar nas histórias. Se quiserem, e se me perdoarem algum excesso, podem pensar nos P+ como um cruzamento do desenho simples do Quino com as histórias ácidas de um Peter Bagge. Ou, como os caracterizam o Pedro, ““o estilo de desenhos, a figuração simplificada e sem olhos, a composição de páginas, a utilização de tipos de letra variados recordará mais uma banda desenhada infantil ou de tiras comerciais de jornais (digamos algo desde a Turma da Mônica a Dilberts-Cathys)”. Isto, claro, sendo perfeitamente n-ã-o discutível da minha parte que eu não sou um grande desenhador mas que isso também não vem ao caso.
DIREITOS DOS ANIMAIS
Desde a sua origem que os P+ se cruzam com ambientes anarco-vegetarianos mas esse é apenas um daqueles acidentes felizes de agenda. Se a Igreja Católica defendesse a acção directa como solução prática para acabar o genocídio dos animais, OS POSITIVOS estavam a sair nas newsletters do Vaticano. Caracterizar OS POSITIVOS enquanto anarquistas requer algumas reticencias. Se OS POSITIVOS são anarquistas nos métodos, são-o à falta de melhor. A agenda cruza-se em várias frentes (o racismo, os nazis, o capitalismo) e enquanto vão todos na mesma direcção faz-se a boleia. Mas tal como há punks demasiado punks para serem punks, os P+ não têm uma ideologia específica, apenas várias personagens com muitas opiniões. Sobre os direitos dos animais, como disse, esse é um não tópico para não vegetarianos e afins, por isso não me alongo mais aqui, excepto para dizer que---
--- não se pode compreender OS POSITIVOS sem aceitar que eles não se destinam a uma audiência mainstream.
Tal como não pretendem a “indoctrinação” dos demais como escreve Pedro Moura. Pelo contrário, a atitude dos P+ é que esse barco já partiu à muito tempo e os P+ destinam-se nesse aspecto exclusivamente àqueles que partilham da militância. Nesse aspecto, os P+ são mesmo pós-propaganda. Ao observar que “a vitória dos anarquistas Positivos só é natural por ser deles mesmos o discurso que nos é entregue”, o Pedro Moura está no fundo a reconhecer a estranheza com que muitos leitores mergulham nos P+: de repente confrontam-se com uma nova realidade em que a sua visão do mundo é considerada anormal e minoritária, já que o pensamento predominante não só não o sustenta, como não procura o compromisso ou a sua justificação: imediatamente o ataca o mais desporcionalmente possível. Procurar “uma forma mais equilibrada seria entender as distâncias de inscrição cultural e as circunstâncias que permitem uma maior ou menor circulação cultural, participação educativa e democrática, e procurar soluções de aproximação” é tudo o que OS POSITIVOS por natureza não irão fazer.
Compreendo a conclusão do Pedro Moura quando diz que ”o seu propósito mais profundo vê-se encurralado numa forma de comunicação algo deslocada e paradoxal” mas não concordo. Essa comunicação é intencional e o resultado varia conforme o leitor: uns repelem o discurso, outro reconhecem e entranham.
(1) ver os dizeres da t-shirt do Realizador...

Melhor albúm BD 2011 (cof, cof, eu comprei isto em 2010...?!)
(provavelmente o) Melhor zine BD 2011