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o monstro cibernético e a grande insurreição que vem

♪ Four in the morning I'm with the squad ♪ There we go, there we go, there we go, there we go ♪

A nossa verve anti-elitista obriga-nos à análise o mundo pela sua observação sem subserviência a qualquer autoridade de saber: intencionalmente escusamo-nos à academia e servimo-nos dos media à distância que nos desmerecem - não reportam o Real, moldam a realidade. Por vezes, academia e media cruzam-se e permitem-se atalhos no entrosamento da sondagem ao zeitgeist (*) com o estado da arte em aristocracia do saber.

* Para os amigos: geist. Pronuncia-se confundindo "g" com "x" e "ch" em "xj", carrega-se no "a" ou "aii" em lugar do "ei", mas termina em "ssst" igual com "t" mudo: se tudo soar a "ˈʃaisə" mais perto estás do sentido que lhe deves dar.

Nova cortesia de António Guerreiro a permitir-nos a ponte entre os dois mundos, e a terminar o seu texto consegue ainda encaixar uma referência a Walter Benjamin: perfeito. O quanto estes exemplos solitários podem justificar as nossas pretensões fica à vossa discrição, mas se o Público está para o país como outros jornais de referência estão para as nossas teses, a crónica que AG publica hoje cumpre os nossos critérios: os gentios foram expostos à informação, segue-se o vosso digest.

A tecnologia se transforma em ideologia.

Em maior ou menor grau, estamos hoje todos conectados e um processo cibernético total, do qual somos agentes e espectadores, já está consumado. E tornou-se bem claro que há hoje uma forma de governo através das redes.

A adopção de um utensílio tecnológico modifica directamente a maneira como percebemos o meio envolvente, de um ponto de vista físico, social e psicológico. As tecnologias digitais ofereceram ao capitalismo um novo campo de experimentação e de desenvolvimento, caracterizado por uma quase ausência de regras. E o Google ensina-nos que a democracia digital se baseia em filtros e algoritmos que permitem deduzir a opinião da maioria e empurrar para zonas invisíveis o que é minoritário.

A promessa inicial era bem bonita: uma sociedade e uma economia contributivas, em que a participação na produção de saber para todos seria possível. Ora, o que triunfou, afinal, foi um hipercontrolo imposto pela "governamentalidade algorítmica".
in "O monstro cibernético" 24 nov 2017

De colaboradores e resistência (esclarecida).

Podemos -e devemos- preocuparmo-nos com a facilidade com que se procede a julgamentos e se difundem hoje proclamações, veredictos, narrativas pessoais. Mas tornou-se difícil, quase impossível, mesmo a quem se quer manter à distância, não colaborar como agente.

A oposição esclarecida (não a oposição obscurantista e retrógrada) ao processo de cibernetização fez parte do programa dos protagonistas da revista Tiqqun. Das suas posições teórico-políticas decorria logicamente o apelo à sabotagem. A figura do hacker surge aí com um potencial revolucionário, aquele que sabe introduzir-se pelos lados fracos da engrenagem, que só ele conhece. O hacker espalha o pânico, a imprevisibilidade que a cibernética não pode calcular, pratica o acto insurrecional irrecuperável.
in "O monstro cibernético" 24 nov 2017

Hackers sabotadores. Da revista citada, Tiqqun, citamos do que julgamos ser o seu manifesto mais divulgado - também disponível em PT online.


Parágrafo primeiro:

Qualquer que seja o ponto de vista que adoptarmos, o presente é um beco sem saída. Não é essa a menor das suas virtudes. Aqueles que desejariam acima de tudo esperar, vêem ser-lhes retirado qualquer tipo de sustentação. Os que pretendem ter soluções vêem-se imediatamente desmentidos. Toda a gente sabe que as coisas só podem ir de mal a pior. «O futuro já não tem futuro» constitui a sabedoria de uma época que atingiu, sob a sua aparência de extrema normalidade, o nível de consciência dos primeiros punks.
in "A insurreição que vem" 2010

Punx pessimistas. Recordam-se?

Sabemos que já perdemos - mas é por isso que não nos podem parar.
in Real Nós

Do conteúdo deste, para outro dia.

real change comes from really changing

...e de termos ambos, continuamos do monstro e da insurreição no next installment. Boas leituras folks.

♪ I woke up in the morning and I had a vision
♪ These suit and ties got the nerve to call it vandalism
♪ They hella mad, say my art is really bad for business
♪ But I'mma paint a better world until the cans are empty

♪ Bang, bang, let me do my thing
♪ Give me two cans and you gon’ know my name

♪ If they catch me doing dirt I’ll plead the fifth

"A adopção de um utensílio tecnológico modifica directamente a maneira como percebemos o meio envolvente, de um ponto de vista físico, social e psicológico."

CONTINUAR

reflexões

Partilhávamos atrás as nossas notas sobre uma peça que se interroga da natureza dos comics. Pergunta-se nesta "o que é banda desenhada?". No processo, porque alguns autores abandonam o meio desencantados com o formato, transversal ao sentido do texto a importância da auto-expressão, à sua conclusão um cite comentado:

You’re focusing on form and style and canon, I guess, but a variable that feels missing to me is identity.

Hoje sentimo-nos impelidos a ir mais além nessa interpelação ao meio: tão ou mais pertinente à sua definição acresce-nos outra dúvida existencial que a precede: porquê banda desenhada?


I


Esta semana faleceu um reconhecido autor de BD contemporânea nacional. Não podemos neste espaço discutir a pessoa ou a sua obra: nunca o conhecemos, e apesar de informados dos seus trabalhos quis o acaso que a sua cronologia não coincidisse com os nossos anos formativos ao meio. Iniciou a sua produção em finais de ‘70, o seu período mais fecundo ocorre nos anos 80, quando poderia ter tido toda a nossa atenção na transição dos ‘90 ao novo século ausenta-se do país para só regressar no final da década. A nossa desculpa, da exposição em retrospetiva:

E, como quem não aparece, esquece, o nome de Fernando Relvas foi gradualmente caindo no esquecimento.
in "Fernando Relvas em Retrospectiva" 27 out 2017

Da pessoa supomos alguém tão humano como qualquer outro: deixemos a esses a escrita dos obituários que se exigem e mais justiça lhe façam. Da bd, segue-se a nossa contribuição para o adiar do esquecimento a que todos estamos condenados, e no processo tentar a resposta à nossa questão.

Não sendo a BD nem comunidade ou género, nada mais que um mero meio, nada nos liga a Fernando Relvas ainda que o seu percurso não nos seja estranho: trabalhou animação, temáticas punk, pranchas cartoon cruzado à imprensa, personagens recorrentes, hiatos fantásticos introduzidos quase ilogicamente a sequestrar narrativas, sem receio de abraçar o digital -webcomics, print-on-demand, edições em CD-Rom-, quem o leu ou conheceu diz-nos que no seu melhor retrata "o ambiente suburbano de Lisboa" com excecional competência.

Amante da noite lisboeta, retratou-a como ninguém em histórias que espelhavam uma certa marginalidade, a irreverência, o experimentalismo e a sede de liberdade que se viviam nos anos 80 em Portugal.
in "Morreu o desenhador e autor de banda desenhada Fernando Relvas" 21 nov 2017

Esta sensação de grande realismo, alicerçada em diálogos extremamente coloquiais e credíveis, é sintomática de uma grande sintonia com a realidade quotidiana, até então praticamente inexistente em termos da banda desenhada portuguesa.
in "Fernando Relvas em Retrospectiva" 27 out 2017

Pesem as referências entre nós, o seu melhor não transitou ao digital e a ilustração de caricaturas punks não retornaram com o seu regresso: por alturas da reedição do "Violeta" não nos conseguimos entusiasmar e a única nota que alguma fez lhe fizemos neste espaço enunciava essa expectativa frustrada com o caminho que trilhava: "esta é uma conversa difícil que alguém vai ter que ter."

São escolhas debatíeis pelos critérios de que se socorram, algumas afirmações serão mais difíceis de precisar mas entram a registo –

Um dos melhores desenhadores portugueses de sempre, que efectivamente é
in "Fernando Relvas em Retrospectiva" 27 out 2017

- outras mais autoritárias perante factos, como a indesmentível prolificidade da sua carreira. É dessa que vos convidamos a uma reflexão maior.


II


Identidade. Encontramo-la em Fernando Relvas? A sua obra é rica em formatos, estilos e cânones: estes últimos ajudou a definir, estilos e formatos trabalhou tantos quantos podemos querer à realidade nacional. Mas, talvez pela abundância de temas e técnicas, temos dificuldades em indicar uma.

Fernando Relvas, que nos últimos anos tinha trocado o desenho em papel pelo digital, não só nunca se fixou em técnicas e materiais específicos, como não é fácil reconhecer uma linha estilística muito nítida na extrema variedade das obras que nos deixou ao longo de uma carreira de quatro décadas.
in "Fernando Relvas (1954-2017): o talentoso boémio da BD portuguesa" 21 nov 2017

Essa mesma fluidez torna penosa a celebração do autor: dizem-nos que o fazemos ao lê-los, mas o que ler em Relvas? A sua adaptação de Viagem ao Centro da Terra, "claramente de encomenda, sobre o qual o autor não quer nem ouvir falar" ? Rainha Ginga, "prometia ser um dos seus melhores trabalhos de sempre", não publicado? O Rei dos Búzios, "em termos gráficos e sobretudo cromáticos (...) é do melhor Relvas de sempre", mas nunca concluído? Particulamente, quando o apreciamos especialmente no p/b? Espião Acácio, interrompido com "elementos de ficção científica perfeitamente estranhos à história que lhe retiraram todo o sentido e piada apesar do próprio considerar estes últimos episódios como os seus preferidos"? Citamos da mesma retrospectiva anterior, na qual podem acompanhar a miríade de tendências em que o autor se ocupava e na qual não descortinamos linha condutora excepto onde lhe apontam "exemplo(s) típico(s) da forma como Relvas por vezes se dispersa". Talvez essa tipicidade seja a única identidade que lhe podemos aspirar. Talvez "o talentoso boémio da BD portuguesa" se revele entre as suas peças quando essas se desviam do guião que lhes devota. 

O seu inconformismo, reconhece, também o levava a impacientar-se com alguma facilidade: "Cansava-se um bocado das histórias e começava a divagar, o que funcionava bem na imprensa, mas às vezes se nota quando as histórias são recolhidas em álbum."
in "Fernando Relvas (1954-2017): o talentoso boémio da BD portuguesa" 21 nov 2017

Nesse ponto estamos tentados a concordar com a sugestão feita por um certo crítico que arrisca "afirmar que Relvas estava menos preocupado em ‘contar histórias’ do que dar corpo à sua necessidade de expressar o desenho, (...) e de se aproximar, numa qualquer ideia de comunidade, ao leitor e leitora", quiçá por hábitos adquiridos à data da sua temporada mais pujante que passa na imprensa:

Ao sabor das circunstâncias e da própria actualidade, acompanhando o ritmo semanal da produção (...) tudo isto à mistura com alguns copos e boémia q.b., que o Relvas nunca foi de deixar para amanhã o que pode viver hoje.
in "Fernando Relvas (1954-2017): o talentoso boémio da BD portuguesa" 21 nov 2017

Aproximamo-nos assim de reconhecer a identidade do autor nas suas obras? A nossa suposição. E a podermos assevera-lo positivamente conseguimos igualmente a nossa resposta à pergunta: porque desenhava Relvas? À superfície, algumas vezes pelas razões comezinhas de sempre, mas o seu desapontamento com "as regras do jogo" de editoras estrangeiras em mercados profissionais são-nos indício de uma vontade em privilegiar o gesto expressivo, "liberto (...) do espartilho da história em 44 páginas, tão característico da BD franco-belga", que novamente nos devolve à essência dos comics como os entendemos.

Infelizmente, apenas o podemos supor porque não o é evidente na sua obra à razão das suas  peças pós-milénio.


III


A introspecção é uma fatalidade de circunstâncias fúnebres, pedimos aos nossos cómicos que nos acompanhem nesse exercício: poderá parecer que nos dispersamos mas confiem que adiante cumpre os seus propósitos.

Quando falávamos de filósofos gregos? Um sumário possível por Nigel Warburton em "Grandes Livros de Filosofia" .

Eudaimonia não pode servir qualquer outro objetivo: é o lugar onde este tipo de cadeia de justificações encontra o seu fim.

Eudaimonia: uma vida feliz

Eudaimonia é frequentemente traduzido como «felicidade», mas tal opção pode revelar-se muito enganadora. É por vezes também traduzido como «florescimento», termo que, embora algo estranho, tem conotações mais apropriadas, sugerindo, por exemplo, a analogia entre o florescimento das plantas e o florescimento dos seres humanos. Aristóteles acredita que todos os indivíduos anseiam por eudaimonia, o que significa que todos os indivíduos querem que as suas vidas corram bem. Uma vida eudaimon é uma vida de sucesso.

Aristóteles afirma que procurar apenas o tipo de rigor apropriado à área em que a pessoa trabalha constitui um sinal de inteligência. Os julgamentos acerca de como viver só são válidos até certo ponto, não podendo ser aplicados a todos os indivíduos em todas as circunstâncias, o que demonstra que não há regras rígidas.

Eudaimonia não significa um estado mental jubiloso. Trata-se, pelo contrário, de uma atividade, de um modo de vida ao qual são inerentes prazeres específicos, mas que não pode ser avaliado em acções particulares. Há que ter em consideração a totalidade da vida de um indivíduo antes de se poder afirmar com segurança que determinada pessoa atingiu eudaimonia e tal como Aristóteles afirmou, de forma memorável, uma andorinha não faz a primavera, nem um dia feliz garante uma vida feliz. Uma tragédia perto do fim da vida de alguém poderia colocar uma ênfase completamente diferente na questão de saber se a vida dessa pessoa no seu todo correu ou não bem. Há, então, alguma verdade na ideia de que não se pode afirmar que a vida de alguém foi eudaimon antes da sua morte. Aristóteles considera mesmo o modo como acontecimentos posteriores à morte do indivíduo podem afetar a avaliação do êxito final da vida da pessoa.

As virtudes e akrasia (debilidade de vontade)

Aristóteles revela-se particularmente interessado na acção e não tanto no comportamento justo.

Para Aristóteles, a palavra traduzida como «virtude», ethikai aretai, significava simplesmente «excelência de carácter», e não continha quaisquer implicações morais, de acordo com a aceção contemporânea de «moral». Ser virtuoso, no sentido que Aristóteles lhe atribui, significa apenas possuir traços de excelência de carácter e agir de acordo com eles. Akrasia refere a situação familiar em que a pessoa sabe o que deve fazer para tornar a vida melhor, mas teimosamente escolhe aquela que sabe ser a pior. O conceito aristotélico enuncia uma acção voluntária (...) vencidos pelo seu apetite e sucumbem à tentação dos prazeres imediatos, em vez de agirem de uma forma que os conduza à prosperidade a longo prazo. Não obstante o facto de saberem até certo ponto o que é bom para eles, não escolhem essa opção por não conseguirem inferir casos particulares do princípio geral.

Podemos discutir ética aristotélica em próxima ocasião, mas -spoiler alert- entre as críticas que se lhe faz contam-se o egoísto e elitismo.

E novamente, finalmente, a pergunta: "porquê BD?"

Para OS POSITIVOS é-nos fácil responder. Quando nos dirigimos para fora, para vos pregar até vos caírem as orelhas: bd como meio de expressão bastante directo. Quando nos dirigimos para dentro e dispensamos público: por razões que não vos dizem respeito (mas um binge-reading da nossa depressão anterior às teses e publicada ao longo de vários meses em moldes quase abstratos é agora francamente mais acessível se lida a eito em dez minutos). Nessas ocasiões a bd é ainda uma forma de expressão, apenas não um meio e sim um fim em si própria. Introspecção feita.

E, no-va-men-te, aos cómicos que nos leem, devolvemos a pergunta: porquê BD?

No teu obituário a circular entre canais da especialidade: o que vão estes discernir da tua identidade a gerações futuras? Vão sequer encontrar alguma...?

Autenticidade, comics ed, pt2.

Do título: porque tratamos de uma arte visual entendam-no de "reflexo, imagem difusa produzida por luz refletida". E podes reler novamente a imagem no topo da página: nesta parte do mundo faz-se em zig-zag de cima para baixo, esquerda à direita. Cheers.

o monstro e os monstros

CONTINUAR

"still remains very unclear to the public at large"


unclear

The power of cartooning as a medium still remains very unclear to the public at large. Part of this, in my view, lies with focusing too closely on this specific mode of cartooning as the only worthwhile path. All too often, people who makes comics that resonate with the public at large are hardly ever discussed as cartoonists.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

Os comics renegam os filhos quando esses não saem ao pai - razão da peça se ocupar de netos. Dessa e outras considerações adiante: artigo publicado ontem no The Comics Jornal 20 nov 2017 que certamente fará as suas rondas online pelo remanescente da semana. A proposta geral: é necessário ser-se mais abrangente na definição dos comics (*), não os reduzindo a um convencionalismo que predomina - ou justificá-los à luz de teorias artísticas abstractas, acrescento nosso.

* O autor favorece o "cartoon", nós equiparamos em intenções comics, comix, cómicos e até -mas omitiremos por hoje- artsy-farsy. De fora -por agora- fica o punx.

If we often wonder why even great comics feel so marginal alongside film or painting, our obsession with one type of cartooning above all others might be part of the reason. Comics seems to react in an extremely hostile way to people who break with the unwritten rules.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017


Which makes more sense to people in general? The one that uses panel grids and loves (…) simplicity? Or the one that doesn’t emulate any master but instead uses words and pictures in the way that they must be used for this specific narrative?
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

Concluiremos sobre o não copiar de fórmulas e o adequar texto e imagens a narrativas específicas, mas antes a necessária sequência de lógica que se exige à dita, com referências para todas as sensibilidades: Jack Kirby, Charles Schulz, Stanley, Kurtzman, Charles Burns, Dan Clowes, Chris Ware, Todd McFarlane, Dorothy Iannone, Seth, Joe Matt, Raina Telgemeier, Allie Brosh, Johnny Craig…, e fechamos com Julie Doucet.

A ortodoxia dos fanboys -ou frentes progressistas como o próprio TCJ- recusa ao cânone dos comics qualquer peça que se arrisque demasiado ao largo do template prescrevido pela na fase dourada norte-americana, colocando em estranha posição todos aqueles que precederam o modelo e os que posteriormente escolhem ignorá-lo. Ao antes e depois o artigo identifica ainda uma terceira tendência no desprezo pela comparação ao que é suposto: o ao lado, obras exteriores ao meio produzidas por autores que nada devem aos comics mas cujas peças são abrangidas por uma sua definição menos relutante.

Regressando à ortodoxia, comecemos hostilidades:

The comics and zines from this era and movement are considered fringe in terms of what the medium "is." Some readers even considered them offensive affronts against the very idea of cartooning, rolling their eyes at self-indulgent experimentation. This points to how conservative "alternative comics" was even in the last decade, and continues to be. Art cartooning is still judged successful when most of the things Kirby did are applied to non-genre topics. Emotional and intellectual themes are where a serious cartoonist should apply themselves, as long as grids and clear storytelling are adhered to.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

Da terceira via, dois exemplos.

Edward Gorey could arguably be the most read cartoonist of all time. His work is rightly held in clear storytelling. Gorey’s surrealism qualifies him as of the select few artists who use words and pictures in as intellectually and emotionally expansive way as possible. And for this, the world embraces Gorey, an undeniable treasure of American arts. Comics, of course, omits him from the Eisner Hall of Fame because… he didn’t work with a grid? The text is… on the other page? The argument cannot be made that Gorey’s text and images can be separated, thus making him a true blue cartoonist. And yet…

Shel Silverstein might be a possible rival to Gorey for the "most widely read" cartoonist title. Even the most conservative comics person can see the skill in a Silverstein drawing, still, not only is Silverstein absent alongside Gorey from the Eisner Hall of Fame, he didn’t make the far more progressively minded Comics Journal Top 100 list in 1999.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

…e a pergunta:

Why does comics shy away from them?

E a resposta.

What is "cartooning?" It means different things in different milieus of the comic-book world.

For readers of this website, and for the artists of the past that shaped the aesthetics that this publication champions, "cartooning" means combining all three practices (writer, penciler, inker - with "inking" being either assumed or not applicable). This would, in theory, provide a rather wide tent for what this art form can mean. Words and pictures in some degree of cooperation.

But the discussion of cartooning is, of course, far more conservative than that.

While all approaches are encouraged or paid lip service to, a "true cartoonist" is defined rather narrowly. What is this generally agreed on notion of orthodox cartooning? If you want orthodox, I think Jack Kirby.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

Monster Magnet sayz ♪ ...I was thinking how the world should have cried ♪ On the day Jack Kirby died... ♪ :

In telling a story visually, Kirby’s synthetic visual approach is highly effective.

Every gesture, emotion, plot point is unambiguous. Nothing is left to (mis)interpretation. Kirby knows how reduce [tudo] to a coherent world of icons, [tudo tem] a correct way of being rendered and communicated within Kirby’s visual world. Everything is reduced to a certain level of visual complexity so as to achieve a reality that synthesizes from top to bottom. Imagine something, imagine anything… it’s easy to conjure up in your mind how Kirby would draw it. Kirby knew how to borrow cinematic techniques. He crops his characters, sets up "shots," and establishes location for maximum clear storytelling: the interest here is telling a story solidly and clearly, using whatever effective methods exist.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

A Kirby, expoente máximo de um certo padrão em comics, contrapõe com um Lyonel Feininger a datar dos primórdios do meio/medium, com o qual estabelece similitudes a nova inversão de golden ages pelos underground comix que lhe seguiram. Da liberdade de desenho e contar histórias:

Lyonel Feininger’s The Kin-der-Kids doesn’t look totally foreign to work seen in an underground zine.

The beginnings of comics resemble the contemporary avant-garde very closely [&] the promise and visual exuberance of early comics has been explored now for decades within cartooning, but mostly regulated to the underground.

Early newspaper cartooning, takes everyone’s breath away, but feels like a medium from a different universe. There’s no grid, the cartoons lack strict "cartoon integrity" (meaning they look exactly the same from the first panel to the last), and the narrative drive is off-kilter at best, non-existent at worse. Feininger’s characters aren’t engaged in a simulation of reality, and their purpose isn’t to tell you a clear story. Instead, they offer a different view of what cartooning could have been. Movement, exploring environments, sounds, color are what’s happening here. And the loose narrative whips you around a world to confront you with these sensations. A static image or painting would bring you one arrangement of these experiences. But a comic with these elements in play allows for a richer template and for the experiences to be controlled through time and space.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

E uma nota à interferência da evolução tecnológica sobre a arte: note-se a influência de linguagens cinematográficas em Kirby e na BD comum, versus a coexistência negligenciável dos seus primeiros tempos:

The beauty and visceral punch of early newspaper strips was very much part of the publication. Just because cinema happens to exist when these comics are made doesn’t mean film needs to be a concern for cartooning. The free-of-cinema work of Feininger feels more relevant within these pages.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

Last a registo do artigo: a tal necessidade de abrangência maior à definição do meio, e, entre linhas, talvez comecem a suspeitar onde o vamos concluir.

With a growing community of artists making comics completely on their own terms, an acknowledgement that in the tree of cartooning, Kirby and Iannone are equally strong branches might be a good start. These days, we often talk about encouraging artists with the logistical support of comics shows, community, and payment. But proclaiming the open promise of cartooning loudly and passionately might be just as important in keeping some people who belong here committed to their project.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

$$$. E por oposição a este…? Isso. Fim de exposição, mashup nosso com intuitos descarados de evangelizar as nossas teses. Exemplo Dorothy Iannone, "art's original bad girl" 13 mar 2013:

Iannone tells autobiographical stories about her life with words and pictures that cannot be separated. The situations in her work are far more heartbreaking, the emotions they illicit cut deeper. Iannone’s An Icelandic Journey, we see real emotional honesty as the collapse of one relationship and the beginning of another is chronicled. Comics associates honestly with cringe-worthy shock, Iannone with awareness of the complexity of feeling.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

Demasiado não-comics? Doucet então:

Doucet’s stories are often short explorations of highly specific emotions, fears, or strands of thought. Still, figure drawing and loose grids are employed: it’s comics.

I have a personal theory as to why Doucet abandoned comics, Doucet, being a extremely sophisticated artist, continued to sharpen and evolve. Her mature comics work, My New York Diary, is as sharp a piece of traditional cartooning as one can find in the alternative era. But after that story, Doucet leaves comics.

My theory is that Doucet looks at what people define "real" comics as, pushes her work in that direction, and thinks, "Well… why bother with all this if this is what people want?"

I’d argue that the comics community’s view of what a serious artist must apply themselves to is a pressure that doesn’t need to be grafted on to every artist. Someone like Doucet can master the ins and outs of traditional cartoon integrity but probably notices quicker than most what a closed system it is, how much feeling it excludes and how much one gives up to offer one’s entire art up to it.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

O take away final que nos parece mais pertinente:

I think advocating for approaches that don’t cohere with Kirby or Schulz or DeCarlo is important in building a commitment within developing artists to outdo themselves within the set of rules that they have established for themselves.
in "Feininger’s Grandkids" 20 nov 2017

Autenticidade, comics ed.
Hélas, omite do meio outros meios que o sustentam e transformam: novamente aquilo da evolução tech e consequências na criação, distribuição e leitura. Grelhas, formatos, regras, clássicos, formol… e o seu contrário. Tentados igualmente a filosofar do abandono dos comics quando nos aborrece a sua presunção comum e tecermos outras comparações de "the loose narratives" num mundo que nos confronta...

Palavra final a comentários em fim de página, Kim O'Connor says:

You’re focusing on form and style and canon, I guess, but a variable that feels missing to me is identity.


tha wee-one is strong on identity!

reflexões

CONTINUAR

os media a consumo

We face a future in which we become dead-eyed consumers, tapping at things that do not know us or love us.
in "Tap tap tap" 18 nov 2017

Ainda a semanas do mês natalício e já as resoluções de ano novo começam a fazer o seu caminho. Segue-se novo touch down em $$$ e jornalismo, circa finais do ano de todas as alternações.

Esperemos que a história nos faça justiça às teses: antes de borbulhar entre cabecinhas bem-pensantes que aqui chegámos já o avisávamos que viríamos. E se outros colocam a tónica no $$$, arriscam a perder-se no trajeto: esta é uma paragem – antes, uma portagem – mas todas as estradas vão dar à autenticidade. Também aqui nos devem justiça: se não a precisámos ainda, não é porque não espreite em todas as oportunidades. Mas, a crer no geist, ainda e sempre o $$$ a atordoar a Razão. Mashup sumarento para lazy sunday.

We are now walking through a media desert. While access to content is astronomically high, the content that we read is dead, lifeless, and derivative.
in "Tap tap tap" 18 nov 2017

Exemplo.
Notícias que são conteúdos que são lixo. Aquilo de andarem todos de cabeça cabisbaixa – duplo intento: reconhecem este comportamento entre os vossos pares?

Her interactivity style was simple: swipe down, double tap on something that looked nice, and continue. Tap tap, swipe, tap tap, swipe. Tap tap, swipe. Tap tap, swipe. It was a way to pass the time. She did not see as much as sip, taking in an undifferentiated stream of content.

This tapping forced broadcast media – curated, edited, and audience-tested television and radio – to rethink its models. First it had to shock and outrage. We are now at the heart of the maelstrom. Our complex machines ask of us little more than a tap or a swipe and our media is free and ever flowing. Television and radio have pumped up the anxiety in order win back users they’ve already lost. Online media is controlled by robots and robotic humans that create content that is exactly on point, a zeitgeist-chasing machine that is unparalleled in history.
in "Tap tap tap" 18 nov 2017

E a nossa benevolência à peça termina nesta análise. Onde os nossos caminhos se separam: enter $$$, onde ironicamente continuam a enredar no seu próprio demise.

We built our own demise. We created content without context and we gave it out for free. We can turn things around, however. First, we must pay content creators.
In the coming era of frictionless payments and always-on Internet, we must help each other. We must really connect. We must treasure and nurture the spaces designed for this sort of coming together and avoid places and people that would tear us apart.
in "Tap tap tap" 18 nov 2017

Mais ou menos explícito, subentende-se uma lógica de capitalizar sobre os conteúdos (*).

* Demasiado on the nose terminar com um “capitalizar sobre a informação”.

Já entre os que estão sintonizados às nossas indagações, presente e conclusão lógica -que escapa ao autor do artigo...?-, este tropeça inadvertidamente no autêntico.

We must decide, ultimately, what the world looks like when the backlash begins. We must prepare for a reboot of all of our systems. We must be ready for the death of TV and radio as we enter a world in which media is piped in in different ways and via other sensory pathways. We have had enough of the old, fake way.
We need to prepare for the real.
in "Tap tap tap" 18 nov 2017

Mas perdoemos o TechCrunch, essa entrada marca pontos em autoridade entre os techies. Poderemos encontrar o mesmo soul searching aos media entre outlets do jornalismo de referência? Shiiiit, sabem que se não tivéssemos já a resposta nem fazíamos a pergunta! Segue-se um long read abreviado do manifesto do The Guardian16 nov 2017 (*). A mesma abordagem, os nossos reparos iguais.

* Que deveriam ler na sua totalidade: saltamos a sua história mas parte dessa é razão de ser da sua seleção habitual entre as nossas teses.

The circumstances in which we report, produce, distribute and obtain the news have changed so dramatically that this moment requires nothing less than a serious consideration of what we do and why we do it.

Now we are living through another extraordinary period in history: one defined by dazzling political shocks and the disruptive impact of new technologies in every part of our lives. The public sphere has changed more radically in the past two decades than in the previous two centuries – and news organisations, including this one, have worked hard to adjust.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

The past three decades – since the invention of the world wide web in 1989 – have transformed our idea of the public

This technological revolution was exciting and inspiring. After 600 years of the Gutenberg era, when mass communication was dominated by established and hierarchical sources of information, the web felt like a breath of fresh air: open, creative, egalitarian. As its creator, Tim Berners-Lee, put it, “this is for everyone”. At first, it felt like the beginning of a thrilling new era of hyper-connectivity, with all the world’s knowledge at our fingertips and every person empowered to participate – as if the internet was one big town square where all our problems could be solved and everyone helped each other.

But it has become clear that the utopian mood of the early 2000s did not anticipate all that technology would enable. Our digital town squares have become mobbed with bullies, misogynists and racists, who have brought a new kind of hysteria to public debate. Our movements and feelings are constantly monitored, because surveillance is the business model of the digital age. Facebook has become the richest and most powerful publisher in history by replacing editors with algorithms - shifting entire societies away from the open terrain of genuine debate and argument, while they make billions from our valued attention.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

$$$, pt1

This shift presents big challenges for liberal democracy. But it presents particular problems for journalism.

The transition from print to digital did not initially change the basic business model for many news organisations – that is, selling advertisements to fund the journalism delivered to readers. For a time, it seemed that the potentially vast scale of an online audience might compensate for the decline in print readers and advertisers. But this business model is currently collapsing, as Facebook and Google swallow digital advertising; as a result, the digital journalism produced by many news organisations has become less and less meaningful.

Publishers that are funded by algorithmic ads are locked in a race to the bottom in pursuit of any audience they can find – desperately binge-publishing without checking facts, pushing out the most shrill and most extreme stories to boost clicks. But even this huge scale can no longer secure enough revenue.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

Real

We have experienced a huge number of political and social shocks, a dramatic undermining of the business model for serious journalism, and what many believe is an unprecedented level of disruption to our planet, our nation states, our communities, ourselves.

What is becoming clear is that the way things have been run is unsustainable. We are at a turning point in which, in writer Naomi Klein’s words, “the spell of neoliberalism has been broken, crushed under the weight of lived experience and a mountain of evidence”. (Klein defines neoliberalism as “shorthand for an economic project that vilifies the public sphere”.) Perhaps the markets don’t have all the answers after all. The Financial Times columnist Martin Wolf, who says that many had not understood how “radical the implications” of worsening inequality would be, suggests that the political backlash to globalisation could possibly produce a “fundamental transformation of the world – at least as significant as the one that brought about the first world war and the Russian revolution.”
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

Fake.

Readers are overwhelmed: bewildered by the quantity of “news” they see every day, nagged by intrusive pop-up ads, confused by what is real and what is fake, and confronted with an experience that is neither useful nor enjoyable.

Many people get most of their news from Facebook, which means that information arrives in one big stream – which may contain fact-based independent journalism from transparent sources alongside invented stories from a click farm, or content funded by malevolent actors to influence an election.

This has created a crisis for public life, and particularly for the press, which risks becoming wholly part of the same establishment that the public no longer trusts.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

Case study: The Guardian, digital savvy e sem paywall, for tha liberal radical peeps.

A sense of responsibility to the public  - a celebration of more people getting educated, of more people engaging in politics, from different walks of life, from poorer communities

We believe in the value of the public sphere; that there is such a thing as the public interest, and the common good; that we are all of equal worth; that the world should be free and fair. We will follow five principles:

  • We will develop ideas that help improve the world, not just critique it;
  • We will collaborate with readers, and others, to have greater impact;
  • We will diversify, to have richer reporting from a representative newsroom;
  • We will be meaningful in all of our work;
  • And, underpinning it all, we will report fairly on people as well as power and find things out.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

E a tecnologia que o suporta.

We must embrace the new ways that people are engaging in the world, not long for a lost past when the ballot box and a handful of powerful media was the end of the story.

While many news organisations saw the internet as a threat to the old hierarchies of authority, forward-looking editors embraced this hopeful new future for journalism, by investing in digital expansion - and by understanding that journalists, in this new world, must be open to challenge and debate from their audience.

Our readers want to be nourished – by meaningful journalism about technology, economics, science, the arts – not fattened up with junk. We can be fun, and we must be funny, but it must always have a point, laughing with our audience, never at them. Their attention is not a commodity to be exploited and sold.  Rather than overwhelming readers with stuff we demand they consume, we will edit for a meaningful experience. In print and in digital, we will be explanatory, visual, keepable.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

$$$, pt2

À parte, para devida consideração. A dada altura a peça confunde-se com um peditório à subscrição – terão que o ler... – novamente devolvendo ao primeiro artigo que nos ocupou atrás. Como esse, depois de enunciar a importância de um jornalismo de qualidade, recorda-nos da necessidade de o pagar. Novamente, onde as nossas viagem partem ways. E, como atrás, como o próprio texto é insuspeito das sementes (*) que alimentam o nosso caminho.

* Com pozinhos de populismo, cruzes credo ai jesus...

[To] challenge the economic assumptions of the past three decades, which have extended market values such as competition and self-interest far beyond their natural sphere and seized the public realm. We will explore other principles and avenues through which to organise society for the common good. In doing this, we want nuance and knowledge, surprises and context and history, because power and influence might not reside where they used to; as identities change, the political assumptions of the recent past should not dictate our perspective on the present. We should be guided by curiosity, not certainty. We like experts, but that’s not enough; we must also ask why more people don’t.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

Last, not least: o futuro do jornalismo:

If people long to understand the world, then news organisations must provide them with clarity: facts they can trust, information that they need, reported and written and edited with care and precision. If people long to create a better world, then we must use our platform to nurture imagination - hopeful ideas, fresh alternatives, belief that the way things are isn’t the way things need to be. We cannot merely criticise the status quo; we must also explore the new ideas that might displace it. We must build hope.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

E de um futuro em risco de nos ser roubado basta-nos o manifesto de há quatro anos do The Guardian - que estamos a guardar para better days desde que o lemos, e haveremos de republicar entre OS POSITIVOS quando a altura de o cruzar a outras tendências se tornar mais gritante. Se, ie, entretanto não perdermos de vez a guerra pela web aberta.

The Rise of the Reader 9 out 2013: open web created genuinely new possibilities for journalism – and journalists who resisted the technological revolution would damage both their own interests and the interests of good journalism.
in "A mission for journalism in a time of crisis" 16 nov 2017

E no interesse do bom jornalismo, este deve sobreviver ao consumo dos media.

ainda unclear

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"the lost art of hidden tracks"


(i)change coms, change tha world: fall in love ed.
The hidden track these days is seen as a relic of the past.

Dizíamos que "o sentido da vida nas faixas escondidas do digital tornou-se um pouco mais difícil", e a propósito de arte e tecnologia voltamos ao tópico: não vos estamos apenas a dar música. Como antes: redes, identidades, descoberta , comunidade (*). E sempre, autenticidade.

* Já de comunicações escondidas cruzados a identidade, descoberta, comunidade: o propósito é para continuar escondidas!

Nearly everyone who came of age in the nineties remembers hidden tracks, those Easter eggs of the CD era. CDs still exist, of course, but the days when they were the primary vehicle for compiling, transporting, and playing music are long gone.
in "Behind the Music" 6 maio 2015

Do digital online, da nostalgia, e do disclaimer final para relativização.

I’ll concede that I may have developed a case of early-onset nostalgia. Having been born in the early eighties, my habits of media consumption were formed well before I applied for dual citizenship from the Internet.

That thrill of discovery, of sharing a secret with the artist, was one of the great pleasures of the CD. I get wistful for the leisure that hidden tracks represented, for artists and listeners both. If you took the time to sift through silence -even if the discovery was little more than a studio outtake- you never felt cheated. The sense was not that you’d abused your daily allotment of close attention, but that you’d exercised a kind of diligence: you’d stuck it out, like a runner finishing a marathon. When artists hid these songs, they did so with full confidence that their audiences would search for them: that listeners were thorough.

That said, the act of detection was often more satisfying than the hidden track itself.
in "Behind the Music" 6 maio 2015

The hidden track was born of the LP age.

A "arte" da faixa escondida surge com o vinil, analógico por excelência, que pelas suas propriedades requer que esta esteja visualmente escondida no disco. Exemplo:

The Monty Python "Matching Tie and Handkerchief" [is] a three-sided record with with concurrent grooves, an impressive technical feat pulled off by recording engineer George Peckham. Peckham later invented another vinyl phenomenon, the “run-off groove,” in which hard-to-see messages are placed onto the dead area of the wax.
in "Hidden Tracks: Nowhere Left To Hide" 9 nov 2017

Mas havia sempre pistas entre aqueles que as procurassem. Enter digital no formato CD, o arqui-inimigo de qualquer punk circa '90. A hipótese de descoberta exige agora tempo e a audição do registo, duas componentes mais naturais à música.

When vinyl was music’s preeminent medium, though, there were analog clues to an album’s secrets: you could examine the surface of a record and watch the needle make its way through every groove. It was when the CD, that tesseract of a medium, flourished that hidden tracks did, too.
in "Behind the Music" 6 maio 2015

Como no exemplo anterior, uma possibilidade "artística" sobre uma componente tecnológica.


"I got me a hidden track!", mas este é todo um outro (pequeno) livro vermelho em tech, politics e cultura

The Red Book, formulated by Philips and Sony, explains the detailed technical specifications of the format. The Red Book also hid within its specifications a number of quirks that bands would later discover and take advantage of. They introduced a number of opportunities to do really interesting things with albums that you couldn’t do during the vinyl era.
in "Hidden Tracks: Nowhere Left To Hide" 9 nov 2017

Artists took advantage of this broad canvas almost from the very beginning, but arguably the first group with major exposure to do so was Nirvana.

Case study, o que perdemos na relação à arte, consequência de avanços tecnológicos: então, e agora:

Beck's hidden track [in] "Mutations" 1998 didn’t become a topic of conversation — how could it, when so few of us even knew what it was called? Instead, it was the closest thing to music for its own sake: a secret discovered by audiophiles scouring every last one and zero of their CD collections for hidden meaning.
in "Behind the Music" 6 maio 2015

All you have to do to listen to “Diamond Bollocks” right now is open up Spotify: no waiting, no hunting, and certainly no absence of metadata. Hidden tracks are obsolete, and not just because no one listens to CDs anymore. Artists can’t afford to have listeners go unstimulated; after a few seconds of silence, they’ll simply scroll through the rest of the track or abandon it altogether.

Which makes me wonder: Are fans still cultivating that sense of intimacy with artists that hidden tracks provided?

As a teenager, living life entirely offline, I had little sense of Beck’s personality beyond what I could glean from his music. There were no tweets about his haircuts, no photos of his breakfast to like. Today, fans consume so many forms of media at once that sitting quietly, waiting for a hidden track to start, can seem like meditating.
in "Behind the Music" 6 maio 2015

A par do zeitgeist, terminamos de volta a cites de finais de 2017. Nowhere to hide, e a faixa escondida transforma-se em faixa bónus, o genuíno tornado comodidade - a obra de arte na era da evolução tecnológica.

We gained a lot when albums went fully digital, but we also lost a bunch of stuff along the way.

We have digital equivalents of all these things, so it’s not like we necessarily miss them. But perhaps the one thing we lost that we’ll never get back is the hidden track. It was one of the few things about an album that couldn’t easily be converted to MP3 or Spotify. Why is that? Simple: When everything’s a file and Siri can dig it up for you if you ask nicely enough, there’s simply nowhere to hide anymore.

These days, we just call these extra pieces of art what they are: bonus tracks. No hiding necessary. It’s not like Spotify will let us hide them anyway.
in "Hidden Tracks: Nowhere Left To Hide" 9 nov 2017

Difícil, não impossível. E mantemos posições: okupem, não recuem para cantos obscuros da rede.

É ao underground que chamamos de casa, mas já várias vezes vos incitámos a sair desta e okupar as ruas: é no mainstream que se fará a luta.
in Real Nós set 2017


Sorry: a hidden track não está no final, tens que procurar noutro sítio - hint hint...

os media a consumo

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