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OS POSITIVOS

fatigados digitais

Falávamos de fatiga digital à propósito da quebra de vendas de ebooks. Por várias razões que se conjugam: para todas as techs há um período de entusiasmo à sua adopção que depois arrefece, e quando essa voluntariedade cede lugar à prática do uso necessário novos hábitos e comportamentos amadurecem e estabelecem-se padrões que pouco devem a modas, e, às modas, porque não há respostas simples.

Nunca se leu tanto como hoje, mas cada meio requer a adequação ao formato certo que o sustente, e online são poucos os que conseguem suportar um long read já que o telemóvel é o device de eleição à navegação - razão pela qual no nosso fanzine nos alongamos por textos infindáveis: OS POSITIVOS, do contra, always, não quando calha...

Da relação online digital aos comics e banda desenhada –aka “webcomics”- para o final das nossas teses, de momento parece-nos que estes tendem para a longa tira vertical e o short burst gag partilhável - e daqui ao cartoon editorial é um salto: OS POSITIVOS: always on point, ainda que as vezes não...

Segue-se puff piece do Guardian de hoje para textura futura às nossas deambulações, sobre o relatório da Publishers Association do UK, igualmente de hoje: as modas, e as práticas, as quebras de vendas de ebooks associado à fatiga digital.

Primeiro, as estatísticas que nos importa despachar já - para os que a custo tentam resistir voltar ao Facebook porque já perderam 2 minutos de actualizações e é preciso scrollar aquela linha de tempo all tha time...:

Resumo de executivo: vendas: good, ebook down.

Figures released today by the Publishers Association shows that 2016 was a record breaking year for the publishing industry with sales of books and journals reaching £4.8bn, their highest ever level.
Physical sales up by 8%
Overall digital sales up 6% despite a continuation of the drop in eBook sales down 3%
in "UK Publishing has record year up 7% to £4.8bn" 27 abr 2017

No digital:

Digital sales also substantially increased in 2016 reflecting the significant investment publishers are making in new technology.
eBook sales were down by 3% continuing a trend seen for the first time last year.
Total consumer audio downloads continued to perform well up by a further 28%
Total sales of academic/professional digital books were up by 6%
in "UK Publishing has record year up 7% to £4.8bn" 27 abr 2017

Voltaremos a este aumento de vendas nas áreas do "academic and research publishers", "primary and secondary learning materials", e do áudio nas considerações de hoje.

Efabulando agora:

It’s not about the death of ebooks, it’s about ebooks finding their natural level. It was always very clear that we would have a correction and reach an equilibrium.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

O fetiche dos livros:

People have books in their house as pieces of art. This helps to explain the reinvigoration of independent bookshops, which offer a more styled, or curated, experience.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

Por contraste à inépcia dos aparelhos digitais para a literatura de longo formato, com exemplo do Kindle:

Here are some things that you can’t do with a Kindle. You can’t turn down a corner, tuck a flap in a chapter, crack a spine (brutal, but sometimes pleasurable) or flick the pages to see how far you have come and how far you have to go. You can’t remember something potent and find it again with reference to where it appeared on a right- or left-hand page. You often can’t remember much at all. You can’t tell whether the end is really the end, or whether the end equals 93% followed by 7% of index and/or questions for book clubs. You can’t pass it on to a friend or post it through your neighbour’s door.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

Da diferenciação pela positiva do livro acima e depreciação negativa do device em baixo:

It was new and exciting but now they look so clunky and unhip, don’t they?
Everyone wants a piece of trendy tech and, unfortunately, there aren’t trendy tech reading devices and I don’t think people are reading long-form fiction on their phones.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

Temos assim razões inerentes ao livro e contrariedades do device de leitura. E aquilo do $$$. Exemplos:

There are other reasons for the decline of consumer ebooks. Children’s books, which represent an area of significant growth, just don’t work well on e-readers.
Ebooks, which are not things of beauty, have become more expensive; a new digital fiction release is often only a pound or two cheaper than a hardback.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

A distinção de meios é-nos interessante porque exemplifica a separação do conteúdo ao seu suporte, e a independência do primeiro em relação ao segundo pode não tornar o primeiro mais relevante, mas transformar o segundo num novo protagonista que poderá eclipsar em importância o seu conteúdo: o perigo do arsty-fartsy ronda por perto.

Enquanto produtores de conteúdos somos no digital condicionados a procurar soluções agnósticas que lhes permitam a universalidade de acessos em qualquer suporte. Em papel idolatramos o formato fixando neste os conteúdos de tal forma que em algumas peças não podem ser separadas deste sem destruir o próprio sentido do seu texto. O reconhecimento desses princípios não invalida nenhum dos meios: a anulação de quaisquer textos resulta pura e simplesmente da sua não leitura. E tal como no digital há uma resistência natural ao formato longo servido em telemóvel e outros ecrãs, no papel essa barreira resulta da adoração do objecto enquanto... objecto. Do decoupling de funções do livro-objecto:

Once upon a time, people bought books because they liked reading. Now they buy books because they like books.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

Recordemos-nos então do sucesso da literatura académica e aprendizagem no digital mencionados atrás, assim como o aumento das vendas dos audio-books (*) que o relatório regista: entre os que não sentem o apelo ao objecto físico per se e priorizam a informação disponível e o seu consumo, o digital parece continuar a ser a ferramenta de eleição.

* The rise of audio is one area of digital success. Audio is becoming something of a new battleground in publishing, where audio publishers want to see books on submission at the same time as physical publishers, while physical publishers have become disinclined to acquire books without audio rights. 
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

Punx, a prestar atenção ainda? O objecto é o final da viagem, o veiculo de informação a bagagem para uma: reconhecer a diferença para chegar ao destino é fundamental. Estamos nisto para sentar no sofá a fazer cócegas aos livros, ou a escrever literatura para levantar do sofá?

I think your average reader would say that one of the great pleasures of reading is the physical turning of the page. It slows you down and makes you think.

O long read faz-te pensar, o livro promove o long read, o digital facilita a acção. Usa ambos. Agir sem pensar não é de bom tom. Não agir não ajuda. Aqui estamos em sintonia com a indústria:

The last thing any seller or publisher of physical books wants is the death of the ebook. “We want people to read. We don’t mind how they read,” People who read, sooner or later, will buy books.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

Nota sobre estes números anteriores já que estamos no tópico: são relatórios da indústria, depois há o que lhe escapa ao radar.

The figures from the Publishing Association should be treated with some caution. They exclude self-published books, a sizable market for ebooks. And, according to Dan Franklin, a digital publishing specialist, more than 50% of genre sales are on ebook.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

Bottom line, passamos agora a palavra ao público. 
Ou, da secção de comentários à peça, duas participações que ilustram a nossa postura ao tema:


"so it's you!" + "why u wanna copy other peoples ideas?"... ou o que está no meio.

I think people like books because of the other sensory stimulation, apart from reading it. Admiring the craftsmanship, the feel of the pages, the SMELL of it. These all add to the enjoyment. I have no doubt e-books have their place and will continue to grow, but I don't foresee the end of paper books in my lifetime. People didn't stop painting portraits or landscapes when photography came along; they didn't stop going to plays when movies came along. They aren't going to stop reading books either.

Add to the list of Kindle's UI woes the arbitrary restriction on sharing text. You can't simply copy and paste. Instead, you're forced to share a clunky URL that displays the the copied text along with some boilerplate about the book on Amazon.
in "Kindles now look clunky and unhip" 27 abr 2017

O fetiche de um objecto. As limitações de outro. Novamente da nossa experiência pessoal e história das tecnologias, e onde homem e a máquina interagem: i) todas as limitações de uso inerentes à tecnologia são ultrapassadas na sua evolução; ii) há comportamentos e hábitos que nada devem à tecnologia: esses, não mudam. Compreender a diferença de ambos é fulcral.

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no retalho do espírito dos cómicos

De há um par de dias mas nunca é tarde para deixar a nota.

A loja portuguesa Kingpin Books foi nomeada para os prémios Eisner, apelidados de "Oscars" da BD!

"Congratulations! Your store has been nominated for the 2017 Will Eisner 'Spirit of Comics' Retailer Award. This award was created by Will Eisner as a way to honor the hard work put in by comic book store owners."
in "2017 Will Eisner Spirit of Comics Retailer Award: Kingpin Books" 24 abr 2017

...Ie, uma nota à divulgação pelo "Leituras de BD", não à efeméride em si: esta seguirá o seu curso, a nós interessam-nos aquelas outras reflexões que só tangencialmente se implicam aos temas óbvios que aos outros importam.

Diz-nos o leitor de BD, que "não podia deixar passar este momento que premeia o espírito e o coração":

E o LBD não podia deixar passar isto por duas razões, primeiro porque é o reconhecimento da qualidade de uma loja de BD portuguesa, e segundo porque considero o Mário um amigo e sei o importante que isto é para ele.
in "2017 Will Eisner Spirit of Comics Retailer Award: Kingpin Books" 24 abr 2017

As congratulações são merecidas, e em ano que o AninComics é posto a pasto pelo próprio, duplamente meritórias. Mas notamos uma necessidade de chover na sua parada do agridoce no final do anúncio feito:

MUITOS PARABÉNS MÁRIO, e claro, estendidos à EQUIPA DA KINGPIN BOOKS!
Vocês Merecem!:)
Já agora, foi o Mário Freitas que fez o logo que este blogue usa há muitos anos ;)
in "2017 Will Eisner Spirit of Comics Retailer Award: Kingpin Books" 24 abr 2017

Porra. E não se pode perdoar o gaijo tantos anos depois?


O logo de Mário Freitas no blog "Leituras de BD" 2017

Não sem o seu valor antropológico com um manancial de significantes que podemos extrair do título apenas: "Banner Mário Super Extended.jpg".

No tema do tema, os "Will Eisner Spirit of Comics Retailer Award", de inscrições fechadas no início do mês, os interessados podem saber mais sobre estes no sítio oficial. O nosso take away:

Anyone — retailers, professionals, fans — may place a name in nomination.
in "Eisner Retailer Award Current Info"

Bom ter amigos assim. Ah, e aquilo dos concursos.

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"avoidable blind spots”

De dia 18 mas só o soubemos hoje pelo LerBD 24 abr 2017:

Do mais recente shout out de Pedro Moura ao trabalho de Francisco Sousa Lobo em alternativa aos comics, reclama o primeiro que a BD nacional merece uma atenção mais alargada fora fronteiras (*) exemplificando para tal com a última obra do segundo, "It’s No Longer I That Liveth". Continuando a não ler FSL -mas na esperança de um dia o conseguirmos fazer, porventura quando este mudar de registo (**) - registamos a falácia de PM em convencer-nos com este seu exercício.

(*) Porque dentro destas pouco mais resta para percorrer do circuito, sobra repetir as voltas.
(**) Desistimos das suas obras, ainda não do autor.

Ainda que clame da importância da peça e a enquadre num percurso mais extenso e sustentado, em momento algum se apresentam razões para que a obra justifique a tal “a wider, international attention". Pedro Moura resume Francisco Sousa Lobo na sua biografia, bibliografia, e temas recorrentes transversais, substantivando generosamente sobre estes e adjectivando qb para lhe dar alguma cor, mas sem se padecer em escalas de qualidade ou comparações extrínsecas. Ora apenas a descrição da dita não nos basta para lhe elevar o mérito: a mais científica exposição de um calhau não o torna um diamante, ao putativo “porque?” que se impõe à pretensão do seu review não se dá uma resposta cabal ou sequer se adianta uma hipótese a defender, enuncia-se somente uma checklist que a quantifica. Outras obras se poderiam alinhar sobre o mesmo signo, sem por isso merecerem especial alusão.

Namely, that of self-subjectification and graphic life writing.

Uma ocorre-nos.

Consideremos o seu autor e percurso. Do autor:

Lobo has been studying, working, and living in the U.K. (...) an accomplished visual artist, experimenting with a multitude of disciplines.

Da técnica, que nos dizem ser simbólica:

More often than not very regular page compositions, with strict grids or simple panel divisions, and within the panels he explores many non-naturalistic approaches. His characters are constructed with minimalist, thick black loose lines. The backgrounds can appear with a few details.

Da peça, um "summer narrative" no qual:

"the events themselves are less important than the inner turmoil in which they plunge the young Francisco. The returning Francisco will not be the same as the one who arrived in Évora".

E remate contextual nosso, prosa alheia:

A broad understanding of his work would reveal that comics-publishing is not seen as a separate activity, but a natural consequence or facet of his artistic research, both on a formal and a conceptual level.

Cruzando a BD no contexto de uma obra mais abrangente e substituindo “pesquisa artística” por outras afinidades e começamos a vislumbrar algo de particular. However essa relação não é tratada aqui hoje porque "this is not the place to attempt a comparative study between these “two” activities", mas suffice to say, "sometimes his comics address the artworld" e, sometimes, também nós tratamos desse mundo.

E agora com uma maior petulância:

Every single new project can be seen, no matter the tone, genre, or other details of a given project, as an integral part of generally the same gesture.

Been there, doing that, com as devidas diferenças:

Mental health and religiosity are major recurrent themes in Lobo’s output.

A religião pontua por mínimos, o nosso par de recorrências genericamente embrulhadas no "Humor e Depressão" são de outra ordem – com o mesmo sentimento:

The mixture between the problems of paranoia, Messiah complexes, the discrepancy of art-making and its communication with people “outside” the loop, the paradox of debilitating and empowering faith, the pains of growing and the ensuing responsibilities… these are some of the ingredients of Lobo’s comics autobiographies and auto-fictions

Repetimos, são de outra ordem as nossas tribulações: confundem-se nos sintomas, não padecem da mesma maleita. Diz-nos PM:

Francisco is dealing with profound crisis of his own that cannot be solved easily. In fact, the abyss of nihilism is whispering and calling him to the edge, and Francisco courts the idea of letting himself go.

Ie, um loser.
São palavras de PM. E as últimas a que lhe emprestamos voz:

The last paradox of the book (...) is that this seemingly “destruction” (...) does not end in a total entropy. And the reason is because we are holding the book in our hands. As in his whole continuous oeuvre, it’s not that Francisco Sousa Lobo will manage to salvage, as it were, the ruins of his own past and painful memories and experiences, but that through their transfiguration, by turning his books into cartographies of those ruins, they may be, in fact, redeemed once again into cohesive elements of his own graphic self.

Familiar, ainda que os autores citados quiçá não possuam as mesmas referências.

A falta delas é gritante, voltemos à tal da cor para exemplo: crítico e artista foram educados para determinadas paletes que o nosso treino imediatamente repele.
FSL privilegia nesta um amarelo que o crítico enuncia de referencia ao sol do Alentejo.

The most unpopular colors for both men and women are brown, orange, and yellow.
in "The Impact of Color on Conversion Rates" 21 abr 2017

Aquilo do digital. A diferença dos viewports à página impressa é parte de uma diferença mais abrangente que engloba uma multiplicidade de disciplinas sobre os quais o académico citado poderia divagar em prosa semelhante à aludida, se capaz dessa impressão e não limitado ao formato padrão da historinha em quadradinhos de suporte aos processos mentais das suas personagens. A relação texto-imagem capazes de sentidos menos evidentes pode por vezes surgir em formatos tão menos nobres e corriqueiros que poucos seriam capazes de os apontar antes de outros lhes darem as bases. Veja-se os comics.

Não o censuramos: a falta de referências não é acidental, e não se cinge aos meios, também implica intenções. Peças há que se pretendem, apesar da retórica, interpretáveis. Outras há que em última instância não se querem deixar descortinar. Nesse ponto importa saber se a verdadeira arte requer público ou sobretudo só exige existir? Aquilo da autenticidade.

Mas, seria necessário saber onde procurar.

E porque a arte dispensa o leitor, nOS POSITIVOS não queremos artsy:
we're now deep into bio-fict-editorial-cartoon, biitchis!

noutros espectros

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sem respostas simples

Most people couldn't care less about comics. Some people say that comics are crap. And, then, there are the fanboys. Unfortunately the last ones are those who build the canon and that's, dear readers, why all comics canons are ridiculous. To the penultimate I say: I hear you and I even think that, from your point of view and being in your shoes, I would say exactly the same. However, you're committing a mistake: it's the comics canon that is crap, not the art form of comics.
in "And Now For Something Completely Different... Yet Another Ridiculous Comics Canon" 22 abr 2017

I’m sick of titles and characters that nobody gives a crap about.

Indigna-se hoje Isabelinho -que devemos ter citado mais vezes neste último mês do que nos 20 anos dOS POSITIVOS anteriores. Abordemos então esse comic canon pela perspectiva da indústria já que não podemos depender do fanboy. Se as preferências deste deviam -em teoria- conduzir a indústria dos comics, só alguém muito novinho neste mundo não saberá que o processo ocorre no seu inverso: é a indústria que condiciona as preferências desse.

Continuando do ponto em que ficámos: formatos, e as suas vendas.

So when is a comic not a comic? The answer might well be "When it’s a book" – a response by no means as simple as it might seem.

A citação acima é retirada os arquivos do Guardian, circa 1982, com o headline:

Ironically, while the market for comics is depressed, comic books flourish as never before
in "The decline of comics – archive" 9 nov 2016

- tratando de seguida, entre outros tópicos, das diferenças de formatos entre comics e comic books. Entre outras menções a merecer registo, deixamos cair esta em dia de festa na Bedeteca -

One reason for the success of comic books is that they have been accepted, albeit sometimes grudgingly, in schools and public libraries.
in "The decline of comics – archive" 9 nov 2016

- e sobretudo a referência ao $$$ como segway aos nossos tópicos de hoje:

Rapidly rising prices probably contribute to this decline. Very few comics now sell for less than 20p, and some have deteriorated in quality.
in "The decline of comics – archive" 9 nov 2016

Deterioração da qualidade e $$$? Tratemos destes, 35 anos depois, recordando as vendas do ano passado. Os mais interessados devem cruzar com os registos feitos aqui, aqui e aqui, e desses seguir todas as outras ligações.

I

Comics is one of only a few categories in adult fiction in which print sales were up.
in "Graphic Novels Had a Strong 2016, Though Comics Sales Slowed" 10 fev 2017

Como o mundo dá voltas: a BD on tha rise, e a sua equiparação a ficção adulta sem o habitual asterisco de rodapé. E o extra dos heróis em collans:

Rumors have been circulating among retailers since the end of 2016 that sales in the direct market have been stagnant at best and may be headed for a precipitous downturn in the new year.
in "Graphic Novels Had a Strong 2016, Though Comics Sales Slowed" 10 fev 2017

Good times ahead, dizemos nós. Mas mais do que nos importarmos com o mercado dos comics, queremos destacar a correlação destes ao tempos que vivemos. Por vezes, quando pesquisamos nos sítios menos óbvios encontramos daquelas pérolas que fazem as delícias de fanzines do contra com cultura. Citamos:

Retailers attributed the drop to the anxiety-producing political climate surrounding the 2016 presidential election. [There is the] crappy political climate—especially in New York City. Our constituency, as they say, is out fightin’ the fight, which is great, and then for our customers who are coming in, the product that’s coming in is absolutely [terrible]."
in "Graphic Novels Had a Strong 2016, Though Comics Sales Slowed" 10 fev 2017

Da relevância dos comics - neste caso, a irrelevância do spandex - estamos conversados. Conclusões, e, desafio-vos a encontrar esta correlação em PT em qualquer outro sítio que não nas nossas páginas.

Joe Field, cofounder of Free Comic Book Day, blames a soft comics market on the election year. Field says: "There’s been a lot of attention taken away from the market over the last several months. This happened in 2008, it happened in 2012. Starting in 1992, if you look at all the presidential years, most of them—six out of seven of them—were down years for the comics business."

Uma pérola, we tell ya.

Dos troubles e tribulations do direct market, aka super herói em formato panfleto, um recap condensado com foco à guerra de formatos e a insustentável leveza de conteúdos que resulta de uma estratégia mercantilista pura e dura:

Single-issue comic books are taking a dive in sales

In direct market comics stores, periodical comics (especially superhero comics) are the cornerstone product, though book collections sell increasingly well. But periodical comics are also an embattled format, as the popularity of trade paperback and hardcover releases grow among customers at comic book shops.

But most problems and complaints in the direct market—which specializes in, and depends on, sales of superhero comics from the Big Two—can be traced to whether retailers are unhappy or dissatisfied with the current state of comics published by Marvel and DC Entertainment.

Comics shop retailers are also concerned about the pricing of Marvel titles, which is comparatively high.
in "Graphic Novels Had a Strong 2016, Though Comics Sales Slowed" 10 fev 2017

I could depend on ordering a Marvel first issue and knowing that I would be able to sell a minimum 35 copies, and if you added a popular character to it and creators, writers, and artists who have followings, you’d add more and more copies to the order to where that 35 could be 100 or 200 copies. But, Marvel has released a number of series over the past few months where we have not hit 10 copies sold of a first issue.

A acabar, aquilo do asterisco de rodapé: a bd é agora para os adultos maaaaas vende bem entre as crianças.

Kids’ Graphic Novels Grow Everywhere.
General bookstores appear to have an easier time than the direct market, with sales spread across a wider range of publishers and particularly strong growth in children’s and YA comics.
in "Graphic Novels Had a Strong 2016, Though Comics Sales Slowed" 10 fev 2017

II

Dizíamos no arranque, nem tudo são rosas senhores. Fora os comics, do declínio da venda de livros em geral, e do digital em particular.

The book market has taken a different path from the music and home video markets, where research from industry associations shows that consumers continued to increase digital spending last year (*). The book industry’s experience with digital sales differs from that of music and video because of two factors.

  • First, electronic devices are optional for reading books (unlike for listening to music or watching video), and the current range of e-book reading devices—including smartphones, tablets, and dedicated e-readers—has not delivered the quality long-form reading experience needed to supplant print
  • Second, a new consumer phenomenon, "digital fatigue," is beginning to emerge.
in "As E-book Sales Decline, Digital Fatigue Grows" 17 Jun 2016

* A diferença explica-se em parte pelo tipo de uso que fazemos dos aparelhos: o consumo de música e vídeo necessariamente exige um aparelho digital, estando estes fortemente relacionados. A leitura é uma "possibilidade" nesses aparelhos, mas não a sua razão de ser e muito menos um imperativo dos mesmos. Desta relação preocupar-nos-emos noutra ocasião.

O sucesso de vendas de e-books parece estar associado ao entusiastas da leitura já que os estudos mostram que quanto mais generalista for o device -ie, menos dedicado ao acto específico de ler livros- menor o consumo destes.

Dedicated e-readers such as Nook and Kindle—still remain the most important factor affecting e-book reading and sales. In contrast, tablets, were used for only 28% of e-book reading time, while smartphones, with the highest penetration among book buyers (73%), accounted for only 12% of e-book reading time.
in "As E-book Sales Decline, Digital Fatigue Grows" 17 Jun 2016

E, a devida consequência na dualidade print / digital:

Since consumers almost always have the option to read books in physical formats, they are indicating a preference to return to print.
Unless the e-reader device market is recharged with lower-price, higher-quality options, consumers tiring of their digital-device experience will have further digital fatigue, leading to continued e-book sales erosion.
in "As E-book Sales Decline, Digital Fatigue Grows" 17 Jun 2016

O que não é bom ou mau. Nos P+ não somos apologistas de um em detrimento de outro, mas do que fazes com eles.

fatigados digitais

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entretanto, no submundo da literatura, os parasitas fazem o seu festim.

Fala-se no sujeito que chega atrasado: mais vale tarde do que nunca :)

Não podemos arrogar a originalidade do processo, mas congratulamos-nos que as nossas práticas de há uns aninhos atrás têm continuidade hoje.

Real Nós, publicado em 2013 a propósito de zines de 2012 sobre práticas anti-sociais que começámos em 2011 :)

As "entrevistas parasitárias" são uma série de folhas que um autor é entrevistado (...) sendo que estes panfletos são colocados em livros alheios pelo mundo fora.
in "Parasitical Interviews no Singular – Uma Festa para os 21 Anos da Bedeteca" 21 abril 2017
Instruções: download, print, fold, deploy, annoy.

Been there. Mas o relevante à causa e digno de nota hoje -além da potencialidade à subversão associada mas dessa pouco importa ao caso se o tema se esgota no artsy-farsty(*) - é mesmo o gesto de minar um modelo comercial doente que parece convidar esse tipo de parasitismo. Não o lamentemos: se a enfermidade o sujeita ao abuso, este poderá paradoxalmente apontar para uma cura. À vossa imaginação.

(*) Again, importa-nos a atitude, do conteúdo dos ditos panfletos nada temos a comentar.

aqueles que não vêem

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