sorry folks: u forgot tha say 'please'
voltaremos quando vos for mais inconveniente

first time? drop dead.
come back on ur 3rd time here...

teses

cómicos

readings

dee and dum

fanzines

main comix/zines

meet tha crew

about us

lisbon study-o

Do press release da G.Floy Studio que lêmos aqui aqui e aqui.

Com lançamento marcado para o Festival Internacional de BD de Beja, já no próximo Sábado, CIDADES é o primeiro volume de uma colecção de antologias de histórias curtas pelos membros do The Lisbon Studio: sete histórias, oito autores e dois prefácios marcam o início desta série, num volume da melhor banda desenhada que se faz no nosso país!

Seguido de yadda yadda yadda do colectivo e daquela que é "de facto, a casa da BD em Portugal". Isso, e o anúncio da "melhor banda desenhada que se faz no nosso país": não questionamos. Ao contrário, temos por certo. Por isso temos que fazer o benchmarking. Para alguma contextualização nisso das antologias recentes por colectivos que nos chegam pelas airwaves encontramos Françoise Mouly sobre o segundo RESIST!, "the comics anthology" que apareceu em resposta à eleição do Trumpas, uma "one-shot wonder political zine" agora também distribuída com alguma representação por detrás, neste caso com a Diamond como a sua G.Floy, igualmente a sair por estes dias.

"While everywhere else there may be protest fatigue, from our standpoint it seems to be an exciting moment of rebirth for comics as political activity, it feels like a return to the Charlie Hebdo of my youth in May 1968," during the Paris student riots.
in "As female cartoonists respond to Trump era, a political anthology gains momentum" 22 maio 2017

Esperamos descobrir que a melhor bd que se faz no país a sair da sua casa oficial está na frente desse momento de renascimento excitante dos cómicos como actividade política. Esperamos. Bués. Faz isso.


Countryside: bein' outta tha City.

CONTINUAR

frame(that)book

Maybe I’m just getting middle-aged. But there are weeks when all that seems an inordinately high price to pay for a convenient means of swapping gossip and cat videos.
in "Manchester conspiracy theories reflect the price we pay for social media" 26 maio 2017

Uma das frentes que nos escapou quando nos propusemos a teorizar sobre webcomics et punk na relação da tecnologia-media foi a amplitude que a primeira assumiria. Sempre comparámos o FB a mais uma fad que desapareceria findada a novidade e substituído por qualquer outra moda, como se sucedeu a todas as iterações anteriores, do seu antecessor imediato MySpace ou retornando ao velho mIRC dos primórdios da história. Nessa equação a variável que não calculamos e principal "disruptor" foi o omnipresente smart phone com internet de bolso, em todo o lado, a toda a hora. Fastforward presente, e a tech deixa de ser um meio para um fim para se tornar o próprio fim. Exemplo: os media. Aquilo do meio e da mensagem, mas agora nem aos mais distraídos ainda escapa que a tech não é apenas o canal. A imersão é de ordem social.

Ainda em prelúdio ao Mark F, um ponto de situação: Facebook, circa meio ano de 2017, tão poucos dias depois de aqui termos estado. A relação dos media com o FB não melhorou, e como esperado a cada oportunidade os primeiros tentam abrir brechas. Aliados ao seu velho par de danças, a fricção às autoridadesnão pode ser ignorada.

No rescaldo de mais um atentado em UK, Manchester, dois meses depois de Westminster, e três dias depois de The Guardian publicar as guidelines internas do FB para a censura de conteúdo - e o que este considera aceitável na sua rede: o FB deve ser regularizado, regulamentado, sujeitado, submetido. Este título não podia ser mais elucidativo do momento:

"In Europe political attitudes to Facebook are changing" 18 maio 2017

A propósito das multas que se sucedem para defender a privacidade dos seus utilizadores citam-se os casos de França, Itália, Belgica, Alemanha, e da impotência desses quando se torna necessário subir à Comissão Europeia como única entidade de aprovar consequências substanciais dada a natureza legal da corporação sediada na Irlanda.

Where once there was a feeling that the capitalism and tech ideas coming from the US were good for Europe, attitudes are changing. Politicians across Europe have started to question the role of tech giants in EU member states. The political attitude across Europe’s is changing now heading towards the conclusion that something must be done.
in "In Europe political attitudes to Facebook are changing" 18 maio 2017

Se os Estados não podem cooptar o FB, estala o verniz.

Facebook counts a quarter of the world’s population – 1.94bn accounts – as monthly active users, WhatsApp has 1.2 billion users, while Facebook-owned Instagram has 700m monthly active accounts. This vast scale has given it an air of an unstoppable behemoth trampling over rivals and across borders.
in "In Europe political attitudes to Facebook are changing" 18 maio 2017

Das fronteiras, toca aos Estados. Nos rivais, inclui os media. Onde toca aos últimos, same 'ol $$$:

Facebook’s main engine is its advertising business
The reason Facebook is so good at attracting advertising and is in the process strangling traditional media – is the sheer amount of data it holds and employs to better target ads at users.
in "In Europe political attitudes to Facebook are changing" 18 maio 2017

Onde voltamos aos primeiros:

Facebook is more deeply integrated into users’ lives than most apps and is no longer just an app users might tire of and discard. It has also amassed an almost unrivalled amount of data on citizens around the world.
in "In Europe political attitudes to Facebook are changing" 18 maio 2017

E todos sabemos a quem cabe manter dados sobre os cidadão do mundo. E nesse tópico será importante não esquecer o óbvio:

Facebook is not alone in this; it is Google’s primary business model too.
in "In Europe political attitudes to Facebook are changing" 18 maio 2017

Os powers-tha-be não parecem esquecidos. A Comissão Europeia, recorde-se, "has led investigations into Google, Apple, and others" - others como a Microsoft. O Google não escapa ao esforço de regulamentação, tão intrusivo na nossa rotina diária quanto o FB, mas porque opera de forma mais invisível onde o FB se tornou a praça pública global segue estes desenvolvimentos em segunda linha - não há tanto tempo atrás também teve as suas desavenças por via da sua "rede social", o Youtube, e também à razão de publicidade e terroristas.

Mas é o FB que está no front line. Continuando no assalto à rede do Mark Zee:

Linked to this is an anxiety that the online war is being lost.
Many of the initiatives reflect concerns about Facebook in particular.

For all the harsh words and threatened fines that have been thrown at social media companies over recent months, in the UK and across Europe, there is a feeling that they are not doing nearly enough, quickly enough, to tackle the problem.
MPs delivering an unusually withering assessment of the tech industry: "There is a great deal of evidence that these platforms are being used to spread hate, abuse and extremism. That trend continues to grow at an alarming rate but it remains unchecked and, even where it is illegal, largely unpoliced. The evidence suggests that the problem is getting worse."
in "Social media, extremism and fears we are losing the online war" 25 maio 2017
Government sources have said that May would want to see social media companies that do not take action over inflammatory content to be held to account – although they added they hoped that change would come about voluntarily. Cooperation between major industrial countries could help force the social media companies to:
  • Develop tools that could automatically identify and remove harmful material based on what it contains and who posted it
  • Tell the authorities when harmful material is identified so that action can be taken, and
  • Revise conditions and industry guidelines to make them absolutely clear about what constitutes harmful material.

in "Theresa May calls on tech firms to lead fight against online extremism" 25 maio 2017

E aquilo de o fazerem de forma voluntária, não um pequeno detalhe a deixar escapar, mas preocupar-nos-emos com esse mais tarde. Temos agora que fazer o papel do advogado do diabo. Queremos mesmo criar as condições dos Estados policiarem a Web como descrito atrás? (Resposta, "não") Se a internet é o lugar onde se conquistam "hearts and minds", devemos crer na benevolência de quem nos oprime - perdão, governa? Sabemos que a nuance está toda no último item, "hat constitutes harmful material", e dependendo do teu sentido de awareness à ilusão de que "não há alternativas", saberás como rapidamente essa se torna elástica para incluir propósitos e excluir proposições.

É complicado. Exemplifiquemos. Alguma forma de decidir certo e errado, ciência-alike? Não. Do caso em mãos:

Facebook cannot stop hateful material being published.
Facebook executives seem genuinely hurt by accusations they are not doing enough, and are offended by the idea they do not take these matters seriously, the fact remains that it is really struggling to contain the problem. Its moderators told the Guardian they face a "mission impossible" trying to keep the site clean.
in "Social media, extremism and fears we are losing the online war" 25 maio 2017

Mesmo recorrendo a "software that stops some images" e "investing heavily in artificial intelligence" -

The truth for Facebook, and for May, is that any number of moderators, and any number of algorithms, might not be enough.
in "Social media, extremism and fears we are losing the online war" 25 maio 2017

Uma verdade difícil. Não há muito tempo, ainda no rescaldo da polémica do Youtube, dizia a responsável pela investigação:

YouTube’s enforcement of its community standards was "a joke" and that Twitter and Facebook were too slow to deal with hate-filled content. She said: "These are incredibly powerful organisations. They are able to analyse algorithms and behaviour in a sophisticated way in order to target potential consumers with adverts. It’s time they used more of that power, money and technology to deal with hate crime and to keep people safe."
in "Internet firms must do more to tackle online extremism, says No 10" 24 mar 2017

...mas, aparentemente, há falta de vontade, acresce a falta de capacidade. Infelizmente, como all things tech, só a vontade importa, todas as impossibilidades técnicas de hoje são algoritmos resolvidos amanhã. E a vontade política é clara: as tecnológicas devem submeter-se. Do mesmo artigo citado atrás, Boris Johnson - uma daquelas pérolas de pessoa que não se podia inventar mesmo se quiséssemos ...-

"I do think the responsibility for this most lies with the internet providers, with those that are responsible for great social media companies. They have got to look at the stuff that is going up on their sites. They have got to take steps to invigilate it and to take it down where they can". Johnson also called for a debate about whether internet companies should publish pictures and video of terrorist attacks as they are taking place.
in "Internet firms must do more to tackle online extremism, says No 10" 24 mar 2017

A supressão da liberdade de informação, especialmente em momentos de tensão. Viram como funciona? Mas fear not, não os podendo vencer, junta-te a eles. Ou, todo o cuidado é pouco. Se não nos podem tirar a liberdade, tentam usá-la contra nós. No contexto de atentados terroristas, quem o questiona? Mas, mesma frase, no contexto de manifestações anti-autoritárias:

"When incidents like this happen, people’s first thought should be getting any footage that can be helpful to the police."
in "Internet firms must do more to tackle online extremism, says No 10" 24 mar 2017

Certo. É assim que funciona. É complicado.
Outro exemplo:

Pornography and pirated intellectual property can be detected and zapped by algorithmic analysis. But that’s the easy bit. The hard part is making judgments about human interactions: bullying, hatred and exploitation. Whether words or pictures constitute bullying can be determined only from the context, not by examining them individually against a checklist.
in "The Guardian view on moderating Facebook: we need to talk" 22 maio 2017

Aquilo do contexto. Aquilo das interações humanas. Aquilo da censura.

Fechamos este "save game" com o editorial do The Guardian no tópico. Os Estados arriscam o seu "say", os media dão a sua ajudinha, os big tech preparam a resposta, nós temos que conseguir navegar entre todos. Ao fim do dia as escolhas que nos apresentam são entre capitalismo vs autoritarismo sendo que o primeiro destrói como consequência, o segundo destrói por prepotência.

Should Facebook be policed as a public space or a private one? We need a wide-ranging debate on this giant company’s responsibilities.

The problem of Facebook’s moderation defies easy answers. There have to be limits on what can be published there. But who should set and enforce them? A wide-reaching democratic debate is urgently needed: this is a social problem, not one for technocrats.

Facebook became one of the largest media companies in the world by positioning itself as not a media company at all. That way it could not be held to the same kind of legal responsibilities as its competitors were. Now that Facebook has grown so large that it is no longer just a media company but a kind of hybrid beast that does not fit into any of the traditional categories, the question of who should control its content is hard to dodge and harder to answer.

At the moment, Facebook claims the right to determine its own policies. The main policy is that nothing should be taken down without a complaint.
in "The Guardian view on moderating Facebook: we need to talk" 22 maio 2017

CONTINUAR

ensaio pessoal

Em contracorrente abraçámos o formato longo, e nesse propósito, ainda de embalo do nosso parêntesis de ontem -vide "um certo estado de desilusão que nos assiste por graça da gravidade do momento"-, falemos hoje de um género próximo, o "ensaio pessoal". Especificamente, de como este se tornou um espécime raro. Se falharmos em evidenciá-lo no discorrer das nossas observações, esta é uma fábula pelo DIY e pelo escrever por gosto, não por obrigação.

Do The New Yorker, definição do objecto, e sua maleita actual:

They were too personal: the topics seemed insignificant, or else too important to be aired for an audience of strangers. A specific sort of ultra-confessional essay, written by a person you’ve never heard of and published online, that flourished until recently and now hardly registers. The change has happened quietly, but it’s a big one: a genre that partially defined the last decade of the Internet has essentially disappeared.
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

Mudança de hábitos e respectiva afecção cultural.
E não se considerem livres de pecado.

Even those of us who like the genre aren’t generally mourning its sudden disappearance from the mainstream of the Internet.
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

Na era do Facebook o long read pessoal em sítio próprio é tão uncool como a cassete quando o CD invade o mercado.

Aquilo dos hábitos que mudam e artefactos culturais que os implicam.

São modas, esperaremos pelo seu regresso e fazemos por esse - nOS POSITIVOS cumprimos a nossa quota-parte: insistimos nos ensaios pessoais ainda se enterrados várias camadas abaixo nas teses. E fomos pioneiros em canais de comunicação alternativos:

The genre’s biggest migration has been to TinyLetter, an e-mail newsletter platform. TinyLetters are doing what personal blogs did fifteen years ago: allowing writers to work on their own terms and reach "small readerships in an intimate, private-feeling, still public enough way."
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

Familiar? Yeah, we-that-good: aquilo do adivinhar o futuro. Mas temos que distinguir entre o que prevíamos, e o que nos apanhou de surpresa. Em duas partes, o pessoal, o business. Se não estás interessado no rationale podes saltar já para o fim.

I
DO PESSOAL E IMPESSOAL

Do up-&-comin' e subsequente decay do género. Começa com o DIY, a vontade de fazer e os meios para o fazer.

Consider what gave rise to the personal essay’s ubiquity in the first place. Private blogs and social platforms—LiveJournal, Blogspot, Facebook—trained people to write about their personal lives at length and in public. "People love to talk about themselves, and they were given a platform and no rules."
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

E velha história de sempre, devidamente seguido daquilo do $$$ e da apropriação do género.

Attract viral audiences on the cheap 
Then the invisible hand of the page-view economy gave them a push: Web sites generated ad revenue in direct proportion to how many "eyeballs" could be attracted to their offerings. By September, 2015, online first-person writing was so abundant [it] could refer to a "first-person industrial complex" in a takedown of the genre. One could "take a safari" through various personal-essay habitats—Gawker, Jezebel, xoJane, Salon, BuzzFeed Ideas—and conclude that they were more or less the same, there were far too many "solo acts of sensational disclosure" that read like "reverse-engineered headlines."
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

E down-down-down it goes.

But an ad-based publishing model built around maximizing page views quickly and cheaply creates uncomfortable incentives for writers, editors, and readers alike.
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

Na peça associam o género maioritariamente a autoras, no feminino. A nossa oportunidade para ilustrar o exemplo desse desconforto anterior:

The online personal essay began to harden into a form defined by identity and adversity. The commodification of personal experience was also women’s territory: many women wrote about the most difficult things that had ever happened to them and received not much in return. Personal essays cry out for identification and connection; what their authors often got was distancing and shame.
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

Fastfoward presente e mais um prego no caixão, novamente pelos nossos frenemies habituais, os media.

The market had overinflated. A year and a half later, it barely exists.
Some of the online publishers that survive have shifted to video and sponsored posts and Facebook partnerships to shore up revenue. Personal essays have evidently been deemed not worth the trouble.
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

O not worth the trouble é enviesado com outra razão, enter parte 2.


II
AGORA TUDO É POLÍTICA

Dêem-nos o crédito de termos iniciado as nossas teses antes do Trump, mesmo se rapidamente nos apercebemos do maná que esse se tornava no tópico do jornalismo e debate analógico-digital. O que não previmos e nos embarcou no mais recente capítulo dOS POSITIVOS foi o impacto da sua eleição cruzada às novas tecnologias em outras frentes. Como a dos ensaios pessoais:

It’s clear, in any case, that the personal-essay boom is over.
After the Presidential election, many favored personal-essay subjects—relationships, self-image, intimate struggle—seemed to hit a new low in broader social relevance. The personal is no longer political in quite the same way that it was. Individual perspectives do not, at the moment, seem like a trustworthy way to get to the bottom of a subject.
Writers seem less interested in mustering their own centrality than they were, and readers seem less excited at the prospect of being irritated by individual civilian personalities.
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

IE, o fim do "eu" nos blogs coincide com a sua multiplicação nas redes sociais onde se desdobram em registar todas as suas variantes à luz de qualquer razão que se encontre - e o filtro que a acompanhe. Na frente dos média o que não ecoa a Trump ou política significativa, não guia atenções:

"I want to encourage people to talk about mostly anything other than themselves."
"I feel like the 2016 election was a reckoning for journalism. We missed the story. Part of why we missed it might have been this over-reliance on ‘how I feel about the day’s news’—and now the journalism world recognizes that we need to re-invest in reporting."
"The political landscape has been so phantasmagoric that even the most sensationally interesting personal essays have lost some currency when not tied head-on to the news, there just hasn’t been much oxygen left for the kinds of essays that feel marginal or navel-gazey."
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

Na lógica do capitalismo tudo se apropria -haveremos de chegar ao MF (*)-, o underground não é aquilo que lhe escapa mas o que lhe está em contra-ciclo. Exemplo: nós. Mas não somos os únicos, uma pequena -cada vez mais reduzida- resistência, uh, resiste.

* MF = Mark Fisher, de Marcos Farrajota já a seguir.

Do final da peça base citamos um excerto que vos é próximo.

No more lost-tampon essays, in other words, in the age of Donald Trump.

I find myself missing aspects of the personal-essay Internet that the flashiest examples tended to obscure. I still think of the form as a valuable on-ramp, an immediate and vivid indication of a writer’s instincts. I never got tired of coming across a writerly style that seemed to exist for no good reason. I loved watching people try to figure out if they had something to say.
in "The Personal-Essay Boom Is Over" 18 maio 2017

Senhores, então? Façam um pequeno exercício de memória: porque começaram a fazer fanzines? Façam a ponte, dêem o salto, apropriem-se do digital. Mah punx?! E cómicos, a internet não precisa de ser um espaço de divulgação acéfala. Olha o Isabelinho. Olha o Farrajota. Olha o Isabelinho e! o Farrajota. Sigam o exemplo.

SMALL PRINT:
...até onde o exemplo se aplica. De Isabelinho e MF -o ‘tuga-, keep up tha good work, mas notamos ainda o fetiche do papel.

And I'll pubish your texts later, if not as official book as a bloody pirate xeroxed zine!
in "My 25 Favorite Comics"
23 maio 2017

Essa valorização do papel -a vontade de paginar neste o que está online, grátis, e em formato mais cómodo, prático, próprio- só se entende pela atribuição de um valor acrescido implícito ao gesto. Somos insuspeitos de querer depreciar um fanzine xeroxado – estiveram a ler-nos?- mas recordamos-vos que um outro canal de comunicação surgiu no entretanto ao qual os que o deviam valorizar se escusam. Questionemos esse valor acrescido da sugestão de MF. Este, parece-nos, propõe-se a responder à necessidade de uma hipotética-e-perfeitamente-artificial (in)disponibilidade dos textos. Imaginemos uma reversão da importância de tal gesto se algo que existe em digital não pode ser transposto para um rol de folhas agrafadas: essa impossibilidade torna o valor das ditas muito relativo, muito depressa. Se os escritos que Isabelinho promete podem ser facilmente reproduzidos em papel, um outro fanzine nativamente digital que faça um uso pleno do meio não o será mais. A haver escolha, às preferências de cada um; a não haver relação, não hierarquizamos as alternativas. A sugestão de Farrajota ainda sugere esse juízo de valor. E valores. Mas, aquilo das tecnologias e modas que passam…

E de modas que passam e ensaios pessoais em formato alongado, não podemos ignorar entre as referências dos que resistem publicando textos merecedores da nossa atenção aqueles de um outro crítico de BD que vão à estampa electrónica no LerBD. Mais espaçados no tempo, mais alongados no monitor, tememos que os seus objectos de estudos e escritos subsequentes já padeçam preocupações demasiado particulares aos seus ensaios pessoais para encontrar entre as putativas audiências quem as acompanhe com sentido de oportunidade. Voltamos à advertência inicial, "mesmo aqueles que gostam do género..." Mas dessas modas, tratamos aqui:

A anulação de quaisquer textos resulta pura e simplesmente da sua não leitura.

frame(that)book

CONTINUAR

anti-


There’s something magical about being young, broke, full of dreams and there at the beginning of something.
in "Comics Vs. Hitler: An Interview with Mark Fertig" 17 maio 2017

Inbetween a dualidade esquerda-direita e o autor cujas teorias abordaremos na próxima, uma daquelas notas a combinar comics e nazis, vox-pop(i) e media, passado-presente, economias narrativas, mercados e cultura - ao qual não nos podíamos escusar. Do TCJ, à pergunta "why Hitler and Nazis in general became such pervasive comic book villains", diz-nos o autor do compêndio:

Nazis are great fodder for pop culture entertainments because they offer such narrative economy. As soon as we see that swastika we know everything we need to know—no wasted panels, paragraphs or minutes of running time. There’s also no risk of readers or viewers gaining sympathy for the Nazis and switching over to their side; it’s one less thing writers have to worry about.
in "Comics Vs. Hitler: An Interview with Mark Fertig" 17 maio 2017

Tempos de maior inocência. Hoje essa identificação é mais problemática, toda uma constelação de nazis literais por lulz provocam uma confusão -intencional por vezes, hilariante quando acidental- de personagens e desígnios que põem em cheque esse velho recurso estilístico/narrativo da BD. Da Wired, dessa mescla:

In practice, that looks a lot like racism and xenophobia, but hey, semantics.

Some days the movement—built in large part on racism and xenophobia—is white nationalism; others it’s white supremacy or just plain old far-right extremism. The Pepe the Frog-obsessed wing goes by either the "alt-right" or the "so-called alt-right" (or the "alt-lite"), and people get worked up over which phrasing you use. Some media outlets have given up trying to put a name to its members at all.
in "Your Handy Field Guide to the Many Factions of the Far Right, From the Proud Boys to Identity Evropa" 22 maio 2017

De clássicos como os "national socialists" e "klansmen" aos mais recentes "identitarians" todos se consideram "realists", palavra-chave quando voltamos ao Mark Fisher. Por contraponto, e em complemento ao seu realismo, do mesmo set de puff-pieces fica a nota da dificuldade de definir o povo à esquerda, justamente por falta de identidade deste.

Since many antifascists are also anarchists, they’re not big on hierarchy.
Extreme left groups seem to pop up only when white nationalists do, and their uniform is intentionally nondescript, [so] it’s hard to keep track of who they are.
The factions of the far left tend to be smaller, looser affairs makes categorization difficult; that antifa activists are encouraged to maintain anonymity makes it nearly impossible.
in "Your Handy Field Guide to the Surprisingly Few Factions of the Far Left, From Pastel Bloc to BAMN" 23 maio 2017

Combinando comunistas, anarquistas, SHARPs -well that brings back tha 90s!- um sentimento que se estende pela peça cruza as nossas teses:

The far-left’s online footprint is significantly smaller than the far-right’s.
in "Your Handy Field Guide to the Surprisingly Few Factions of the Far Left, From Pastel Bloc to BAMN" 23 maio 2017

Ainda que assinale a excepção no "doxing", vemo-nos obrigados a registar o óbvio:

To many netizens right and center, the language of the far-left is ponderous and dour, while the alt-right’s memes and slogans, with their mix of chaos and mockery, are recruitment gold: if the internet is where hearts and minds are won, then the antifa’s online ringleaders need a cardiologist and a therapist on their team.
in "Your Handy Field Guide to the Surprisingly Few Factions of the Far Left, From Pastel Bloc to BAMN" 23 maio 2017

Que os nossos punx se escusem à Web não é novidade, é a nossa mágoa. Uma a qual fazemos paralelismos a outras escusas: a nossa aos comics. Voltemos ao TCJ:

For a while it looked like superheroes would be remembered as a fad of the 1940s.
Guys in tights suddenly seemed childish and silly. The rise of the superhero comic had been so bound up in the war that once the fighting ended, nobody knew what else to do with the characters. The world at the end of the war had grown up; superheroes comics needed to grow up too, but the writers and artists who had been banging out the stories as fast as they could since the late 1930s weren’t ready to do it. So, readers moved on. Only Donald Duck was as bulletproof as ever.
in "Comics Vs. Hitler: An Interview with Mark Fertig" 17 maio 2017

à procura da originalidade mas a perder a esperança

Os comics parecem-nos perdidos por estes dias. Continuamos desiludidos com eles -aquilo do "childish and silly" (*)- e fazemos uma interpretação muito pessoal de um comentário feito nessa entrevista:

Comic books now occupy a markedly different place in world popular culture

* Para Isabelinho também, mas por outras razões :)

Felizmente, há esperança para wee-ones se a história ensina alguma coisa:

Then the generation that fought the war started having kids—tons of kids—and remembered how important the superhero comics had once been to them. Their nostalgia for comics, coupled with a surging youth-oriented consumer culture, reignited an interest in superheroes. They may have moved on from comics, but they didn’t hesitate to encourage their children to start reading them.
in "Comics Vs. Hitler: An Interview with Mark Fertig" 17 maio 2017

Para nós pode ser tarde de mais, mas há que preparar o futuro. Citamos do sujeito a quem apontamos baterias a seguir: reinventar passado-presente-futuro.

The new defines itself in response to what is already establised; at the same time, the established has to reconfigure itself in response to the new. How long can a culture pesist without the new? What happens if the young are no longer capable of producing surprises?
in "Capitalist Realism"

ensaio pessoal

CONTINUAR

o academismo em forma de oráculo

Título inspirado na mais recente crónica de António Guerreiro onde contextualiza escritos de pseudo-filósofo franco. Exercício que como outros antes deste mesmo autor, recomendamos. Adverte-nos AG para os perigos do populismo cultural:

Banalização e degradação do pensamento, numa forma de discurso animada por propensões demagógicas que visam atrair o maior número de pessoas (...) produzido e estimulado pelos mesmos que, mal viram um pouco a cabeça (uns para a esquerda, outros para a direita), deparam com o monstro do populismo político.
in "O populismo em forma de oráculo" 19 maio 2017

E os perigos do "charlatanismo" do "género oracular", para o qual estamos particularmente sintonizados:

Como todo o populista, este também é anti-sistema. Não fala a mesma linguagem técnica dos filósofos profissionais para evitar o jargão técnico. (…) O seu discurso "filosófico" é para ser compreendido pelos não iniciados, pelos afásicos e surdos para as coisas da filosofia, mas despertos para a tagarelice mediática (…) para partilhar no Facebook e para alimentar a cultura jornalística do clique.
in "O populismo em forma de oráculo" 19 maio 2017

A leitura merece a vossa atenção. Vão, nós esperamos.

Dito isso, nossa vez. Academia? Charlatões? Oráculos? Filósofos? E do tipo francês? Facebook? Tagarelice mediática? Senhores: isso, e muito mais.

Tratamos de uma trama transformada em tragédia que termina com a fatalidade do nosso herói e a elevação do vilão da história que lhe sobrevive à fama. Trataríamos somente a teoria materializada no que afecta às nossas teses –marxistas pró-capitalistas que abraçaram as novas tecnologias para derrube da sociedade-, mas a crónica de AG recorda-nos a necessidade de contextualizarmos este registo com um pequeno asterisco em jeito de introdução. E dá-nos o mote ao método:

O seu método, diz ele, consiste em ler toda a obra de um autor e tudo o que se escreveu sobre ele. Uma descarada mentira.
in "O populismo em forma de oráculo" 19 maio 2017

Se eles o dizem. Pelo que em concordância à natureza dOS POSITIVOS, recorreremos exclusivamente a um único artigo para extrapolar a literatura que se segue: resumimos de um long read do The Guardian.

Neste retrata-se um grupo particular de indivíduos que em tempos idos terá adivinhado o nosso presente, de tão absurdas e impossíveis que eram as suas linhas de investigação. Importam-nos estas últimas, mas falemos dos primeiros, primeiro. Centro de estudos sui-generis –a Wikipedia descreve-o de "student-run interdisciplinary collective" 2017- batizado de CCRU, "the Cybernetic Culture Research Unit" foi uma unidade de investigação da universidade de Warwick e entidade quase mítica de muito curta e atribulada duração. Ilações à vossa consideração, mas reza a história que para o seu final –

drifted (...) into a vortex of more old-fashioned esoteric ideas, drawn from the occult, numerology, the fathomless novels of the American horror writer HP Lovecraft, and the life of the English mystic Aleister Crowley, who had been born in Leamington, in a cavernous terraced house which several members moved into.

Shit u not.

I

"good drugs"

Há na peça referências a "good drugs", mas sobretudo sobressai desta uma atitude não muito tradicional em relação à academia. Que, obviamente, teve o desfecho que se adivinha.

For decades, tantalising references to the CCRU have flitted across political and cultural websites, music and art journals, and the more cerebral parts of the style press.
It became a kind of group mind
The CCRU existed as a fully functional entity for less than five years.
[They] saw themselves as participants, not traditional academic observers. [As suas] gatherings [atraiam] "every kind of nerd under the sun: science fiction fans, natural scientists, political scientists, philosophers from other universities" but also cultural trend-spotters.
Even inside the permissive Warwick philosophy department, the CCRU’s ever more blatant disdain for standard academic practice became an issue. CCRU became a "very divisive" presence in the philosophy department. "Most of the department really hated and despised [them]"

A ponto de hoje só encontrarmos uma referência no sítio da universidade ao CCRU: uma tese de nome "Capitalism's transcendental time machine" 2000. Adequado em todas as frentes.

Descrição da dita por ex-membros e simpatizantes.

Ccru ... triggers itself from October 1995, when it uses Sadie Plant as a screen and Warwick University as a temporary habitat ... Ccru feeds on graduate students + malfunctioning academic (Nick Land) + independent researchers
Simon Reynolds
Ccru was an entity ... irreducible to the agendas, or biographies, of its component sub-agencies ... Utter submission to The Entity was key.
Nick Land
We made up an arrow! There was almost no disharmony. There was no leisure. We tried not to be apart from each other. No one dared let the side down. When everyone is keeping up with everyone else, the collective element increased is speed.
Iain Hamilton Grant

A atitude explicará em parte a razão pelo qual a seita passou despercebida entre "the media or mainstream academia". A outra razão também não é difícil de compreender: dificilmente, à data, se compreendia o que estes pretendiam. Tal como -arriscamos- as nossas próprias teses estão tão esticadas que poucos estarão ainda a seguir a nossa lógica, também então seria difícil reconhecer no emaranhado de teorias que os movia um fio condutor a qualquer fim concreto. Do seu registo de interesses:

In 1996, the CCRU listed its interests as "cinema, complexity, currencies, dance music, e-cash, encryption, feminism, fiction, images, inorganic life, jungle, markets, matrices, microbiotics, multimedia, networks, numbers, perception, replication, sex, simulation, sound, telecommunications, textiles, texts, trade, video, virtuality, war". Today, many of these topics are mainstream media and political fixations.

Uma listagem tão desconexa que não podemos deixar de tecer paralelismos aOS POSITIVOS. Mas o anedotário termina aqui. Aceleremos para a segunda parte: marxistas pelo capitalismo.

II

"eles já sabiam"

One person in the audience stood up, and said, ‘Some of us are still Marxists, you know.’ And walked out.

Do "accelerationism", movimento que recebe o seu nome de um romance de ficção científica publicado em 1967, onde algures um grupo de revolucionários tenta transformar a sociedade por meio da tecnologia. Apesar da associação do nome resultar de uma comparação depreciativa por um dos seus críticos esse é rapidamente adoptado e em seu torno surge gradualmente um corpo de literatura que revisitada à luz do presente teve a clarividência de descrever com –demasiada?- antecedência as tribulações recentes no espaço que cruza as nossas teses: tecnologia, analógico-digital, AI, bots, internet, cultura popular, sociedade, política e $$$. E punk, mas essa fica para o fim.

Mashup em resumo, segue-nos na lógica. Chamemos a esta secção "eles já sabiam":

Accelerationism has gradually solidified from a fictional device into an actual intellectual movement: a new way of thinking about the contemporary world and its potential.
Accelerationists argue that technology, particularly computer technology, and capitalism, particularly the most aggressive, global variety, should be massively sped up and intensified – either because this is the best way forward for humanity, or because there is no alternative. Accelerationists favour automation. They favour the further merging of the digital and the human. They often favour the deregulation of business, and drastically scaled-back government.
For decades longer than more orthodox contemporary thinkers, accelerationists have been focused on many of the central questions of the late 20th and early 21st centuries: the rise of China; the rise of artificial intelligence; what it means to be human in an era of addictive, intrusive electronic devices; the seemingly uncontrollable flows of global markets; the power of capitalism as a network of desires; the increasingly blurred boundary between the imaginary and the factual; the resetting of our minds and bodies by ever-faster music and films; and the complicity, revulsion and excitement so many of us feel about the speed of modern life.

E aqui entramos na política da coisa: a tech não é neutra, e os acelerados têm uma relação muito particular com o $$$: quanto mais capitalismo, melhor. Porque, de uma forma ou de outra, este permitirá acabar com a ordem estabelecida se lhe removerem as amarras. E melhora, populismo no seu pior:

Accelerationists always seem to have an answer. If capitalism is going fast, they say it needs to go faster. If capitalism hits a bump in the road, and slows down they say it needs to be kickstarted. Benjamin Noys accuses it of offering "false" solutions to current technological and economic dilemmas. With accelerationism, he writes, a breakthrough to a better future is "always promised and always just out of reach".

Na génese das teorias: filósofos. Franceses. Filósofos franceses desiludidos. E marxistas.

In some ways, Karl Marx was the first accelerationist.
It was in France in the late 1960s that accelerationist ideas were first developed in a sustained way. Shaken by the failure of the leftwing revolt of 1968, and by the seemingly unending postwar economic boom in the west, some French Marxists decided that a new response to capitalism was needed.

Enter Gilles Deleuze e Félix Guattari, que em 1972 publicam um "Anti-Oedipus", no qual defendem que –

Rather than simply oppose capitalism, the left should acknowledge its ability to liberate as well as oppress people, and should seek to strengthen these anarchic tendencies.

Dois anos depois, outro "disillusioned French Marxist", de nome Jean-François Lyotard, reforça a literatura com um ainda mais provocante "Libidinal Economy" - que mais tarde o próprio haveria de apelidar de "evil book"- e ao qual se acrescenta por fim mais um "A Thousand Plateaus", novamente por Deleuze e Guattari, mais cautelosos na suas alegações pelo capital, admitindo que este "could suck society into "black holes" of fascism and nihilism" - o tipo de advertência que é sempre simpático meter na embalagem antes de comprares a ideia, convenhamos.

Mas como é da tradição no ocidente pós-Reagan / Thatcher, nada que francês algum alguma vez tenha feito ou dito depois desses dois jamais ganhou importância entre nós, e foi necessário esperar pela tradução inglesa dos escritos para novos desenvolvimentos.

For a tiny number of British philosophers, the two books were a revelation. "I couldn’t believe it! For a book by a Marxist to say, ‘There’s no way out of this’, meaning capitalism, and that we are all tiny pieces of engineered desire, that slot into a huge system – that’s a first, as far as I know."

A citação e excitação acima é de Iain Hamilton Grant, na altura um estudante na Warwick, o epicentro de toda a nossa história e onde o CCRU fixa o nosso épico à sua relação tempo/espaço. Da universidade:

Such exploratory philosophy projects were tolerated at Warwick in a way they were not at other British universities. Warwick had been founded in the 1960s as a university that would experiment and engage with the contemporary world. By the 1990s, its original ethos lived on in some departments, such as philosophy, where studying avant-garde French writers was the norm. At the centre of this activity was a new young lecturer in the department, Nick Land.

Do Nick e seus comparsas, entre os quais encontramos aquele que iremos seguir com mais atenção em futura crónica:

By the early 90s Land had distilled his reading, which included Deleuze and Guattari and Lyotard, into a set of ideas and a writing style that, to his students at least, were visionary and thrillingly dangerous. [Mas] Land was in some ways quite old-fashioned. His initial Warwick writings contained far more references to 18th- and 19th-century philosophers – Friedrich Nietzsche was a fixation – than to contemporary thinkers or culture. The Warwick version of accelerationism did not crystallise fully until other radicals arrived in the philosophy department in the mid-90s. Sadie Plant was one of them. Mark Fisher was another incomer.

É o Marco que nos importa -não é sempre?-, e terminamos a introdução com o que estes trazem às teorias de Land:

Like Land, Plant and Fisher had both read the French accelerationists and were increasingly hostile to the hold they felt traditional leftwing and liberal ideas had on British humanities departments, and on the world beyond. Unlike Land, Plant and Fisher were technophiles.

Ao $$$, junta-se a tech.

"We saw capitalism and technology as these intense forces that were trying to take over a decrepit body."

E não só acrescentam a dimensão tecnológica em acelerado, como, surpresa-bónus mas não acessório, trazem igualmente consigo considerações que hoje se reúne sobre a designação de "cultura popular":

Plant and Fisher were also committed fans of the 90s’ increasingly kinetic dance music and action films, which they saw as popular art forms that embodied the possibilities of the new digital era.

E por esta altura até os mais distraídos já perceberam o porquê do nosso registo. Mas, porquê ser subtis? Como tudo devolve de volta às nossas teses:

With the internet becoming part of everyday life for the first time, and capitalism seemingly triumphant after the collapse of communism in 1989, a belief that the future would be almost entirely shaped by computers and globalisation spread across British and American academia and politics during the 90s. The Warwick accelerationists were in the vanguard.

Então, eles, como nós, agora:

The CCRU’s aim was to meld their preoccupations into a groundbreaking, infinitely flexible intellectual alloy.

Dito isso, onde tudo se complica. Land e Fisher acabam por seguir caminhos muito diferentes e incompatíveis, como –me funny?- um Peixe em Terra. Land torna-se o poster boy dos grunhos, Mark reorienta-se à esquerda. Enter punk.

III

"a machine for countering pessimism"

Half a dozen years later, at the University of Western Ontario in Canada, Nick Srnicek, began reading a British blog about pop culture and politics called k-punk. K-punk had been going since 2003, and had acquired a cult following among academics and music critics for its unselfconscious roaming from records and TV shows to recent British history and French philosophy. K-punk was written by Mark Fisher, formerly of the CCRU. The blog gradually shed the CCRU’s aggressive rhetoric and pro-capitalist politics for a more forgiving, more left-leaning take on modernity. But he was also impatient with the left, which he thought was ignoring new technology when it should have been exploiting it.

Um aceleracionismo de esquerda parece surgir contra a sua natureza, o próprio Land o acusa:

The notion that self-propelling technology is separable from capitalism is a deep theoretical error.

Mas Land não é o protagonista da nossa história, a nossa atenção seguirá a derivação esquerdista na figura de Mark Fisher. A ironia é notada: marxistas desiludidos fazem a apologia do capitalismo dentro do qual alguns desiludidos por este último voltam-se novamente para a esquerda. Mark espelha uma sensibilidade em sintonia com o conceito de "modernidade alternativa" -cunhado pela primeira vez por Alex Williams, co-autor de um "Manifest for an Accelerationist Politics"- no qual se encontram referências a "reduced working hours" ou "technology being used to reduce social conflict rather than exacerbate it". Familiar? Srnicek e Fisher tornam-se amigos e fundam um "new political philosophy: "left accelerationism". Também estes publicam um manifesto em 2015, "Inventing the Future", e novamente neste encontramos ecos de tópicos que por aqui já tropeçamos: "an economy based as far as possible on automation, with the jobs, working hours and wages lost replaced by a universal basic income". Lembram-se?

Tecnologia. Não é. Neutra. O contraponto não podia ser mais exemplar, se Fisher é referência entre as nossas referências, Land torna-se citação recorrente do racista racionalista. Ou, aquilo do alt-right:

There was a feeling that Land had taken the philosophy in inappropriate directions
Other accelerationists now distance themselves from Land
"I try not to read his stuff"

Since Warwick, Land has published prolifically on the internet, not always under his own name, about the supposed obsolescence of western democracy; he has also written approvingly about "human biodiversity" and "capitalistic human sorting" – the pseudoscientific idea, currently popular on the far right, that different races "naturally" fare differently in the modern world.

On alt-right blogs, Land in particular has become a name to conjure with. Commenters have excitedly noted the connections between some of his ideas and the thinking of both the libertarian Silicon Valley billionaire Peter Thiel and Trump’s iconoclastic strategist Steve Bannon. Since 2013, he has become a guru for the US-based far-right movement neoreaction, or NRx as it often calls itself.

Grunhos. Mas não é a primeira vez que encontramos esta relação entre teoria, filosofia, tecnologia, grunhos e futurologia. Ie, futurismos:

Celebrating speed and technology has its risks. A century ago, the writers and artists of the Italian futurist movement fell in love with the machines of the industrial era and their apparent ability to invigorate society. Many futurists followed this fascination into war-mongering and fascism. While some futurist works are still admired, the movement’s reputation has never recovered.

Sigamos pois à esquerda, na sua vertente "menos agressiva" e mais humana que já não procura a destruição mas a conciliação, onde niilismo concede à esperança:

Accelerationism is a machine for countering pessimism. In considering untapped possibilities, you can feel less gloomy about the present.

Ironia da pertinência destas teorias que trataremos na próxima ocasião, já que MF, após uma profunda depressão, suicidou-se em janeiro. Dos seus escritos e onde estes se cruzam às nossas teses, next.

They were plunging into something bigger than academia, and they did put their finger on a lot of things that had started to happen in the world. But their work was also frustrating.
- and after, I can teach u french philosophy...
- pass...

anti-

CONTINUAR